Poetas Eugenio e o monteirense Zelito Nunes apresentam espetáculo Humor na Feira

Sertanejos de regiões fronteiriças, os poetas Eugenio Jerônimo e Zelito Nunes se uniram na criação de um recital, que explora a profundidade, os medos e as lendas do Sertão, a partir de uma linguagem específica do poeta do interior. O espetáculo Humor na feira, apresentado em Recife, tem a proposta de fugir de soluções humorísticas fáceis, calcadas em estereótipos e preconceitos. “Nos preocupamos em superar o humor preconceituoso, que massacra grupos específicos com comicidades baratas contra a mulher, o homossexual e outras minorias”, explica Eugenio.
Respeitando o avanço da sociedade, o recital, dirigido por Rogério Robalinho, aborda temáticas que são presentes no Sertão, a exemplo de histórias sobre bodegas, política, trabalhos da região, bêbados e insanidades. “A loucura exerce um papel central em uma sociedade conservadora, como a sertaneja, porque há muitas verdades cortantes que a gente precisa falar e nem sempre pode, dentro da estrutura social do Sertão. Então, se colocarmos essa verdade dentro da boca de um ‘doido’, tudo se resolve. São personagens com tiradas filosóficas, respostas poéticas e inesperadas”, adianta. Além dessas histórias, o espetáculo sucede com criações literárias, todas de autoria de Eugenio. “Não devemos considerar o humor como algo que se escreve ou faz de qualquer jeito. Nesses textos, eu emprego técnicas e recursos que a alta literatura disponibiliza para a gente.”
Pernambucano de Iguaracy, no Pajeú, Eugenio conta que os personagens são construídos a partir das vivências dele e de seu parceiro de palco, Zelito, paraibano de Monteiro, no Cariri. “Procuramos dar também uma identidade própria a cada um desses personagens, para que não seja apenas estereótipos, mas que eles tenham características próprias.” Nesse recital, que existe desde 2016, o riso pelo riso é deixado de lado. Apostando na inteligência do público, Eugenio afirma que o humor pode ser uma das formas mais eficientes de se falar sobre assuntos profundos e sérios. “Não digo que o palavrão estará ausente do nosso espetáculo, ele só não será gratuito, tem que estar lá com alguma função específica”, defende o poeta.
Apesar de atrair um público com mais experiência literária e gosto mais sofisticado, o apelo popular também se faz presente, a começar pelo título da apresentação. “É como a crítica que o nosso mestre Ariano Suassuna fazia à história de que cachorro só gosta de osso: ‘Experimente dar filé, para ver se ele não gosta’. Então, eu acredito que uma das funções do artista deve ser apostar na capacidade de desenvolvimento cultural e compreensão do público”, finaliza Eugenio. Dialogando com o roteiro, o espetáculo conta ainda com uma participação musical do cantor e compositor Zé Linaldo, do município de Palmares.
Vitrine do Cariri

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