Idosa de 101 anos que venceu o câncer troca presentes de aniversário por doações para o Hospital Laureano

“As discórdias que existiam antigamente existem hoje do mesmo jeito”, diz dona Inês Araújo, que recentemente completou 101 anos e, para comemorar, pediu doações ao invés de presentes, que foram entregues a outros idosos do Hospital Napoleão Laureano, referência no tratamento contra o câncer na Paraíba. “Se eu tenho tanto, não é justo que outras pessoas não tenham nada. Essa é uma das lições que a vida nos dá”, pontua.

Falando palavras como ‘money’ e com um look que inclui vestido e brincos combinando, além de várias pulseiras delicadas colocadas estrategicamente em seus punhos, dona Inês, apesar dos 101 anos de idade recém completados, possui a alma incrivelmente jovem. E ela não nega: “Sinceramente, não me sinto com 101 anos. Acho que tenho uns 70, algo assim. Não me sinto velha”, garante.

Sua história de vida, por si só, já seria uma grande lição para muitos jovens de hoje em dia. Casou-se apenas aos 28 anos, em uma época em que o comum era, para as mulheres, casarem-se bem mais cedo; seu esposo – por quem até hoje é apaixonada, mesmo após ele ter falecido -, era três anos mais novo que ela (outro ponto distinto para aquele momento histórico); e em uma período em que mulheres ainda eram vistas como feitas apenas para tarefas do lar, ela trabalhou, por muito tempo no comércio – sua outra paixão. Deixou o emprego do lado somente quando a terceira filha estava para chegar e as obrigações dentro de casa começaram a pesar. Ao todo, foram 8 filhos. 18 netos e 20 bisnetos – um deles à caminho.

Não estudou, mas tem uma formação melhor: “sou formada pela vida. 101 anos dá pra gente aprender um monte de coisa”, diz ela, entre sorrisos. Para quem nasceu no pós-guerra e acompanhou a Segunda Guerra Mundial, além de outros momentos históricos importantes do último século, como a queda do muro de Berlim, por exemplo, ou o fim da ditadura militar, dona Inês é uma entusiasta da vida. Podia se deixar abalar pelas atrocidades que a humanidade já foi capaz de cometer, mas prefere manter um olhar mais positivo diante da vida. Para ela, o que conta, na verdade, é o que é feito pelo bem.

“Eu não preciso de mais nada, tenho tudo o que eu poderia querer. Meus filhos cuidam de mim, me dão tudo que eu quero, e o melhor: me dão muito amor. Então pra quê eu iria querer que me dessem presentes no meu aniversário? Se tem tanta gente precisando, melhor dar a eles. Foi aí que resolvi pedir pras pessoas trazerem materiais de limpeza para serem doados na minha festa dos 101 anos”, conta.

 

A festa reuniu apenas a família e amigos mais próximos, mas foi o suficiente para uma lista de quase 100 convidados. As doações recebidas variaram entre materiais como água sanitária até fraldas geriátricas – doações essas que ela mesma fez questão de entregar, pessoalmente, ao Laureano.

A escolha pelo hospital não foi de toda ao acaso. Dona Inês já foi vítima do câncer, assim como seu pai, que faleceu da doença, e uma de suas filhas. Sua disposição e força de vida, no entanto, contradizem qualquer problema de saúde. Ela conta, orgulhosa: “até os 92 anos eu andava de salto luís XV. Agora não ando mais porque a idade começou a pesar um pouquinho”. Um pouquinho.

Quando questionada sobre o futuro, ela diz, sem pestanejar: “não sei se chego aos 130, mas se Deus me der saúde pra chegar até lá, acho ótimo”. E conclui: “Meu sonho? Olha, queria muito voltar para o comércio, mas acho que agora não dá mais, não…”.

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