Com milhões de seguidores, grupos mobilizam apoiadores e ampliam a circulação de mensagens a uma semana do segundo turno
Com mais de 4,8 milhões de seguidores, o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, idealizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a “Tropa do Flávio”, que reúne mais de 1,7 milhão de seguidores, mostram o alcance dessas ferramentas na disputa presidencial. Além de mobilizar apoiadores, os canais levantam questões sobre a circulação de desinformação e os limites da atuação da Justiça Eleitoral, como mostrou a suspensão e posterior reativação do canal ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os grupos permitem distribuir mensagens em larga escala, mas o número de seguidores não indica quantos eleitores podem ser convencidos a mudar de voto. Especialistas ouvidos pelo R7 apontam que essas ferramentas são especialmente úteis para mobilizar quem já se identifica com um candidato, enquanto a capacidade de alcançar indecisos é mais difícil de medir.
Mobilização
Nos canais de transmissão, apenas os administradores publicam conteúdos, como textos, vídeos, áudios e links. Os seguidores podem reagir às publicações, mas não trocam mensagens entre si, como ocorre nos grupos tradicionais do WhatsApp.
Para o cientista político Leandro Gabiati, a principal força dessas ferramentas está na possibilidade de transformar apoiadores em agentes de divulgação de uma candidatura.
“Diferentemente da propaganda tradicional, na qual o eleitor é predominantemente receptor da mensagem, as plataformas permitem que ele participe diretamente da circulação de conteúdos, do debate, da defesa de candidatos e da mobilização de outros eleitores”, explica.
Segundo o especialista, o WhatsApp também permite organizar essa mobilização sem os custos econômicos e logísticos de outras formas de campanha. O efeito eleitoral, porém, não pode ser medido apenas pelo volume de seguidores ou de publicações.
Alcance não significa votos
Gabiati distingue o engajamento de eleitores já identificados com um candidato da capacidade de convencer quem ainda não decidiu o voto.
“Isso pode fortalecer a identidade política, ampliar o engajamento e ajudar a organizar os apoiadores. Entretanto, é importante distinguir entre mobilização e conversão eleitoral: os grupos de WhatsApp são particularmente eficazes para ativar pessoas que já possuem alguma identificação política, mas sua capacidade de conquistar eleitores indecisos é mais difícil de mensurar”, afirma.
CARIRI EM AÇÃO
Com R7
