Uma tecnologia capaz de monitorar o funcionamento do cérebro humano e até mesmo de modificar a atividade cerebral. Em todo […]
Uma tecnologia capaz de monitorar o funcionamento do cérebro humano e até mesmo de modificar a atividade cerebral. Em todo o mundo há dezenas de milhares de pessoas usando a neurotecnologia. Dados oficiais do SUS mostram que 902 implantes cocleares foram realizados em 2023, um aumento de 16,5% em relação a 2022, refletindo o avanço das neurotecnologias no país. Diante desse cenário, a Unesco aprovou nesta quarta-feira (5) a primeira recomendação global sobre o uso ético da neurotecnologia.
A tecnologia está presente em implantes cocleares, usados para restaurar a audição, e em estimuladores cerebrais, que ajudam no tratamento de doenças como Parkinson e depressão. Mas seu uso vai além da medicina, alcançando áreas como educação e aprimoramento cognitivo. Os benefícios são inegáveis — porém, os riscos também crescem, especialmente em relação à privacidade dos neurodados e à manipulação de informações cerebrais.
A diretora-geral adjunta de Ciências Humanas e Naturais da Unesco, Lídia Brito, explicou à Agência Brasil que a medida busca antecipar riscos e criar uma base ética para o avanço dessa tecnologia. “Com o ritmo acelerado das inovações, precisamos de um instrumento global que defina princípios e valores capazes de orientar o desenvolvimento responsável da neurotecnologia”, afirmou.
A recomendação, que será observada pelos 194 países membros da organização, entre eles o Brasil, entra em vigor no próximo dia 12 de novembro, ao final da conferência geral da Unesco, em Samarcanda (Uzbequistão). O documento alerta para riscos como violações da privacidade mental, monitoramento da produtividade no trabalho e uso indevido de dados cerebrais.
Entre as medidas sugeridas estão transparência nas pesquisas, proteção dos neurodados e proibição de aplicações comerciais ou políticas que manipulem o sono ou emoções humanas. O texto também desaconselha o uso não terapêutico da neurotecnologia em crianças e adolescentes, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento.
Segundo Brito, o objetivo não é proibir, mas garantir o uso responsável. “É uma tecnologia que pode trazer grandes benefícios, mas precisa respeitar direitos humanos, saúde e bem-estar das pessoas,” lembrou.
FONTE: G1


