Oficial iraniano falou à agência de notícias Reuters sobre planos de retaliação caso presidente Donald Trump cumpra ameaças de intervir militarmente no país por conta de mais de 2,5 mil mortes em protestos contra o regime Khamenei.
O Irã atacará bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado e já avisou os países vizinhos sobre a decisão, afirmou um oficial iraniano de alto escalão à agência de notícias Reuters em meio a ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de ataque militar em solo iraniano.
“Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos EUA nesses países serão atacadas” caso os norte-americanos alvejem o Irã, disse a autoridade à Reuters sob condição de anonimato.
Ainda segundo o oficial iraniano, o governo do Irã pediu para aliados dos EUA no Oriente Médio “que impeçam Washington de atacar o Irã”. O governo iraniano já havia dito que retaliaria uma possível agressão norte-americana, porém não havia mais detalhes sobre os planos de Teerã até o momento.
Por conta da ameaça de retaliação, alguns integrantes da Base Aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, foram orientados a deixar o local até a noite desta quarta-feira, disseram três diplomatas à Reuters. Os EUA têm diversas bases militares no Oriente Médio e cerca de 40 mil tropas na região.
Al Udeid é a maior base dos EUA no Oriente Médio e abriga cerca de 10 mil militares. O local foi atacado em junho de 2025, no final da guerra de 12 dias entre Israel e Irã, após bombardeio dos EUA a três instalações nucleares iranianas.
A escalada de tensões entre os dois países ocorre por conta de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei por todo o Irã e por contra da repressão contra os manifestantes. Trump ameaça intervir militarmente no Irã por conta das mortes nos protestos e disse aos manifestantes que a ajuda está a caminho. À ONU, Teerã acusou os EUA de forjar um pretexto para buscar uma mudança de regime no país.
As mortes nos protestos já passaram das 2.500, segundo ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no país. Um oficial iraniano afirmou ao jornal norte-americano “The New York Times” que ao menos três mil pessoas morreram. O número real de mortes, no entanto, pode ser ainda maior, porém a apuração está sendo dificultada por conta de um bloqueio à internet no Irã imposto pelo regime Khamenei.
Diversos relatos de testemunhas veiculados por ONGs, agências de notícias e pela imprensa internacional descreveram a violência adotada pelas forças de segurança iranianas e falam que um massacre e execuções extrajudiciais estariam ocorrendo no país.
Um manifestante deve ser executado no Irã nesta quarta-feira, segundo uma ONG. Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso durante um protesto no início da semana, e especialistas acreditam que sua rápida execução será utilizada como uma mensagem do regime contra os manifestantes. O governo iraniano afirmou nesta quarta que acelerará o processamento dos presos nos protestos —que ONGs afirmam ultrapassar os 10 mil—, uma indicação de que estaria disposto a realizar mais execuções.
FONTE: G1
