Os recentes movimentos da ex-prefeita de Monteiro Anna Lorena, acompanhada por alguns aliados, escancaram uma ruptura política interpretada nos bastidores como a consolidação de um novo eixo de ingratidão política. A articulação sinaliza a decisão de sair do Partido Socialista Brasileiro (PSB) — partido do governador João Azevêdo — e migrar para o Republicanos, aprofundando o redesenho de forças políticas em Monteiro.
Aliada histórica do governador João Azevêdo, Anna Lorena construiu sua trajetória política dentro do campo partidário governista, contando com apoio institucional, respaldo político e sustentação eleitoral. A decisão de romper com o PSB, no entanto, fragiliza o discurso de lealdade partidária defendido publicamente e reforça a leitura de um reposicionamento pragmático. Nesse contexto, o discurso de alinhamento ideológico se desfaz, dando lugar a uma movimentação guiada exclusivamente pela conveniência eleitoral.
Nos bastidores da política paraibana, a filiação ao Republicanos é tratada como praticamente definida. Anna Lorena articula sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa da Paraíba com a chancela e a chamada “carta branca” do deputado federal Hugo Motta. Registros políticos apontam que o apoio de Anna Lorena e de alguns aliados à pré-candidatura do médico e político Jhony Bezerra já havia sido divulgado anteriormente, sendo agora reafirmado dentro desse novo reposicionamento partidário.
O movimento reforça o paralelo com o histórico de Jhony Bezerra, que também decidiu sair do PSB após ter sua trajetória política amplamente viabilizada pelo governador João Azevêdo, ocupando cargos estratégicos no Governo do Estado e disputando a Prefeitura de Campina Grande em 2024. De forma semelhante, o afastamento político de Anna Lorena em relação ao deputado federal Wellington Roberto, aliado histórico que sempre garantiu sustentação política ao seu grupo, evidencia que antigas alianças partidárias vêm sendo desfeitas sem explicações públicas, dando lugar a um rearranjo político costurado nos bastidores e guiado por conveniência eleitoral.
Em Monteiro, o cenário político volta a reforçar a máxima popular: “diga-me com quem andas e eu direi quem és”. Discursos de unidade perdem força diante de acordos silenciosos — agora expostos — e a indagação que ecoa entre lideranças e eleitores é direta: essas decisões foram combinadas com o povo ou apenas acertadas entre poucos, longe das urnas?
Conforme análises já publicadas pelo Cariri em Ação, a política monteirense entra em uma fase em que a prática passa a pesar mais do que o discurso. A decisão de Anna Lorena e de alguns aliados de deixar o PSB, partido do governador João Azevêdo, e reafirmar alianças já anunciadas expõe contradições, testa a coerência política e reforça a percepção de que, para determinados grupos, a lealdade partidária dura apenas enquanto é conveniente.
CARIRI EM AÇÃO


