Em entrevista exclusiva ao Cariri em Ação, delegado Gilson Duarte detalha prisões da Operação Ciclo Cruel e elucidação do caso Lânia

Durante entrevista ao portal Cariri em Ação, o delegado Gilson Duarte, da 14ª Delegacia Seccional de Polícia Civil de Monteiro, detalhou a prisão dos suspeitos de envolvimento no homicídio de Joselânia de Souza Lima, conhecida como “Lânia”, ocorrido no dia 9 de fevereiro de 2026, na cidade de Monteiro, no Cariri paraibano.

Logo no início da entrevista, o delegado fez questão de destacar que a elucidação do caso foi resultado de um esforço conjunto. “Bom dia, obrigado pela oportunidade e pela pergunta. Inicialmente eu gostaria de dizer que esse é um trabalho de muitas mãos. A Polícia Civil da Paraíba, desde o dia que tomou conhecimento, que foi no dia 10, ela não mais parou e tem estado, diuturnamente, diligenciando para elucidar esse caso”, afirmou.

Segundo ele, a operação foi coordenada pelo Grupo Tático Especial – Núcleo de Homicídios da 14ª DSPC, contando com a participação das equipes das Delegacias de Monteiro e Serra Branca, da UNINTELPOL, da GESIP e com apoio da Polícia Militar do Estado de Pernambuco. “É um trabalho de muitas mãos, sobretudo no nome da Polícia Civil do Estado da Paraíba. Essa é a instituição que se comprometeu no dia 13 de capturar esse indivíduo, de não deixá-lo em liberdade para cometer outros delitos tão graves quanto esse”, ressaltou.

O principal investigado, identificado como Rafael, de 29 anos, estava foragido desde o dia 13 e foi localizado em uma pousada no bairro Novo Caruaru, em Caruaru (PE). O delegado explicou que a prisão ocorreu após uma reviravolta nas investigações, quando a família da esposa do suspeito procurou a polícia informando um suposto sequestro.

“A gente vinha numa escalada investigativa com diversas medidas cautelares e ações de inteligência. Porém, ontem, a situação teve uma reviravolta, uma vez que fomos procurados pela família da esposa do principal suspeito, que disse que ela teria supostamente sido sequestrada. Então tivemos que mobilizar ainda mais forças, porque havia, em tese, a possibilidade de mais uma vítima”, detalhou.

Com apoio das forças de segurança da Paraíba e de Pernambuco, a polícia conseguiu localizar o suspeito. Com ele foram apreendidos um revólver calibre .38, dois celulares e uma motocicleta Honda XRE 300 roubada no dia 22 de fevereiro, na cidade da Prata (PB). De acordo com o delegado, há confirmação de que ele praticou pelo menos dois roubos de motocicletas enquanto estava foragido. “Ele vinha, sem dúvida, aterrorizando a população do Cariri”, afirmou.

Sobre o suposto sequestro da esposa, o delegado esclareceu que a ocorrência foi registrada pela família, mas que as circunstâncias ainda serão apuradas. “A suspeita e o registro de ocorrência dão conta de que ele teria tirado essa senhora daqui à força, contra sua vontade. Nada obstante, essas circunstâncias precisam ser esclarecidas”, disse.

O segundo preso, Douglas, primo do principal suspeito, foi capturado em Monteiro e confessou participação na ocultação do cadáver. “Ele confessa a autoria da ocultação do cadáver. Ele diz que quando chegou na residência do Rafael, ela já estava morta e foi retirada, envolta em um lençol, colocada no porta-malas de um veículo”, relatou o delegado.

O veículo utilizado foi identificado, apreendido e periciado pela Polícia Civil. Segundo Gilson Duarte, a dinâmica do crime aponta que a vítima teria sido morta na residência do principal investigado e posteriormente levada ao Sítio Tingui, na zona rural de Monteiro, onde ocorreu a ocultação. Há indícios de que combustível tenha sido utilizado na tentativa de atear fogo ao corpo.

A motivação do crime ainda está sendo investigada. “É o último ponto a ser esclarecido na investigação, mas está em andamento e com certeza vamos chegar a esse esclarecimento”, afirmou.

O delegado destacou ainda que há um conjunto robusto de provas reunidas. “Nós apreendemos as ferramentas utilizadas para cavar a cova, o veículo que foi usado para o transporte e colhemos material genético na mala do carro. Temos elementos informativos bastante robustos para afirmar categoricamente a autoria”, pontuou.

Os dois suspeitos estão presos temporariamente pelo prazo de 30 dias, período em que a Polícia Civil deve concluir o inquérito. O investigado preso em Caruaru será submetido à audiência de custódia no próprio município, enquanto o outro será apresentado à Justiça em Monteiro.

Ao final da entrevista, Gilson Duarte ressaltou a importância da colaboração popular. “A participação da população foi primordial e fica aqui o nosso agradecimento. Esse bom relacionamento entre a Polícia Civil e a sociedade cria um círculo virtuoso, onde a população passa a confiar e contribuir cada vez mais”, destacou.

Ele também se solidarizou com os familiares da vítima e reafirmou o compromisso da corporação. “A Polícia Civil da Paraíba cumpre com o que foi prometido no dia 13: capturar e entregar à disposição da Justiça os responsáveis por esse fato”, concluiu.

 

CARIRI EM AÇÃO