O deputado estadual Dr. Romualdo (PCdoB) defendeu nesta terça-feira (12), após sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), a adoção de uma intervenção administrativa temporária em Cabedelo diante do avanço do crime organizado no município da Região Metropolitana de João Pessoa.
As declarações foram dadas após a repercussão da reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (11), que revelou detalhes de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público sobre a atuação do Comando Vermelho na cidade e possíveis conexões com estruturas do poder público municipal.
Ao comentar o cenário, o parlamentar afirmou que o município vive um ambiente de insegurança e medo e relatou dificuldades até mesmo para atuação política em algumas áreas da cidade. “Hoje as pessoas têm medo de atuar. Até candidatos de oposição não têm coragem de fazer campanha em determinados locais”, afirmou.
Dr. Romualdo disse que a medida defendida por ele não teria caráter militar, mas administrativo, com atuação temporária de especialistas em segurança pública para reorganizar setores estratégicos do município. “Seria uma intervenção civil, alguém que entenda de políticas públicas de segurança para construir um espaço de reorganização por um ou dois anos e resolver esse problema”, declarou.
Durante a entrevista, o deputado também destacou o potencial econômico de Cabedelo e alertou para os impactos da crise de segurança sobre o desenvolvimento da cidade. “Cabedelo é uma cidade próspera e vai crescer ainda mais com a Ponte do Futuro, mas isso só terá importância se a segurança retornar para os cidadãos”, disse.
A reportagem exibida em rede nacional mostrou que integrantes do Comando Vermelho, instalados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, monitoravam a rotina de Cabedelo por meio de um sistema clandestino de câmeras espalhadas pela cidade.
Segundo as investigações, os equipamentos transmitiam imagens em tempo real para criminosos no Rio de Janeiro, permitindo acompanhar movimentações policiais, ações de rivais e a rotina de moradores.
O principal alvo das investigações é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoca, apontado pela Polícia Federal como líder da facção na Paraíba. Mesmo foragido, ele teria mantido influência direta sobre atividades criminosas no município.
As apurações também investigam suspeitas de infiltração do crime organizado em setores da administração pública, incluindo loteamento político de cargos, desvios de recursos e esquemas de rachadinha. Nos últimos anos, operações da Polícia Federal e do Ministério Público resultaram no afastamento de gestores municipais e no cumprimento de mandados judiciais ligados ao caso.
Durante a reportagem, o delegado regional da Polícia Federal na Paraíba, João Marcos Gomes Cruz Silva, afirmou que Cabedelo enfrenta um “colapso institucional” provocado pela atuação das organizações criminosas.
Com Fonte83


