Mais da metade dos brasileiros não lê; estimulação cognitiva surge como estratégia para aumentar a concentração e resgatar o interesse pelos livros
O hábito da leitura traz inúmeros benefícios, especialmente quando iniciado ainda na infância. No entanto, essa prática vem sendo cada vez mais abandonada no país. De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Instituto Pró-Livro, Fundação Itaú e Ministério da Cultura), a mais recente sobre o tema no país, apenas 19% dos estudantes brasileiros apontam a escola como o principal espaço de leitura.
Os números do levantamento acendem um alerta: pela primeira vez na série histórica, a proporção de não-leitores superou a de leitores no país — 53% dos brasileiros não leram nem parte de um livro no período avaliado pela pesquisa, e o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em quatro anos. Além disso, 73% das pessoas não completaram a leitura de um único livro no período avaliado.
O estudo revelou ainda que o principal motivo que afasta as pessoas das páginas é a falta de tempo (46%), seguida da preferência por outras atividades (9%) e da falta de paciência (8%). O tempo livre também evidencia a disputa pela atenção: segundo o mesmo levantamento, 81% dos brasileiros usam o tempo livre na internet — alta de 31 pontos percentuais entre 2015 e 2024 —, enquanto apenas 20% leem livros nesse espaço.
Há, porém, sinais de retomada pelo lado do mercado. O Panorama do Consumo de Livros (Câmara Brasileira do Livro e Nielsen BookData) apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro nos últimos 12 meses — um crescimento de 2 pontos percentuais que representa cerca de 3 milhões de novos compradores no período.
Como explica a diretora pedagógica do Supera – Estimulação Cognitiva, Patrícia Lessa, esses dados demonstram que faltam estímulo e estratégias adequadas para incentivar a população a entender a leitura como fonte de conhecimento e entretenimento.
“As escolas e as famílias perdem muito ao não investirem em atividades que treinem o cérebro das crianças. Por meio de estímulos estruturados, criamos redes neuronais fortes e capacidades específicas, como a forma de coletar e reter informações, melhorando o desempenho cerebral, especialmente a memória de trabalho”, afirma Lessa.
A memória de trabalho, segundo a especialista, é fundamental para acessar informações recém-adquiridas e conectá-las com aquelas que já estão armazenadas, exatamente como ocorre durante o processamento de uma leitura. A estimulação cognitiva contribui diretamente para que o estudante desenvolva o foco e a atenção sustentada, necessários para se entregar a uma longa história.
Patrícia lembra que, para além dos ganhos cognitivos, há também grandes benefícios socioemocionais no processo. “Baseado nos pilares da novidade, variedade e grau crescente de desafio, o treino cognitivo ajuda crianças e adolescentes a desenvolverem sua autoestima, autogestão, autoconsciência, tomada de decisão e o trabalho em equipe”, conclui a diretora pedagógica.
CARIRI EM AÇÃO
Com MaisPB
