Na manhã de terça-feira (1º), a Polícia Civil realizou uma inspeção no edifício onde um elevador despencou, causando ferimentos a uma mulher e aos seus dois filhos, cerca de três meses atrás. O acidente resultou em três vítimas, sendo que a mulher e as crianças foram levadas ao hospital e apresentam lesões. Desde o ocorrido, os elevadores afetados e a estrutura do prédio permanecem interditados.
De acordo com o delegado Paulo Josafá, encarregado da investigação, o caso foi inicialmente tratado na esfera cível. O registro de um boletim de ocorrência foi feito apenas nas últimas duas semanas, momento em que a polícia iniciou as diligências criminais. A perícia foi conduzida por volta das nove horas da manhã dessa terça-feira, contando com dois peritos e uma equipe de apoio para a documentação fotográfica da estrutura do equipamento.
O delegado explicou que ainda não é possível apontar se houve falha na manutenção ou outro problema que tenha provocado o acidente. O laudo técnico deve ser concluído em aproximadamente trinta dias.
Ao encerrar o inquérito, a Polícia Civil pretende avaliar as circunstâncias do acidente e identificar eventuais responsabilidades pelas lesões sofridas pela moradora. O condomínio já havia entrado com ação judicial contra a construtora devido a problemas pré-existentes nos elevadores, e também contratou uma empresa para elaborar seu próprio laudo sobre o funcionamento dos equipamentos.
Além disso, foram apontados outros defeitos nos elevadores do complexo, como a falta de freios, a ausência de sinalização de segurança nas portas e a existência de fitas isolantes inadequadas. Um elevador despencou do terceiro andar em um condomínio localizado no bairro do Altiplano, em João Pessoa, em maio deste ano, ferindo três pessoas — uma mulher e suas duas filhas menores. Moradores conseguiram abrir a cabine do elevador e iniciarem o resgate antes da chegada das equipes de socorro, enquanto o Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados imediatamente.
A rede local divulgou detalhes sobre o processo judicial movido pelo condomínio contra a construtora, bem como o laudo técnico que identificou supostos problemas nos equipamentos. A construtora, quando questionada, afirmou que “a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses equipamentos” e que “permanece à disposição das autoridades competentes e da administração condominial para colaborar com as apurações em curso”.
Em relação às alegações de defeitos estruturais e ao processo judicial anterior, a construtora não forneceu comentários até a última atualização da reportagem. No caso, houve denúncia de vícios nos elevadores mesmo após a entrega do empreendimento, ocorrido em setembro de 2023. Entre os problemas apontados estão incêndio no fosso do elevador do Bloco B, queda abrupta em Bloco D, travamentos, interrupções constantes e falhas nos sistemas de segurança.
Apesar de uma decisão favorável ao condomínio em janeiro de 2025, que determinou a substituição integral dos elevadores, persistem restrições no elevador do Bloco B, incluindo problemas de alta prioridade e risco à segurança dos moradores. Entre as irregularidades encontradas estão a ausência de sinalização de segurança, falta de extintor adequado, inexistência de iluminação de emergência e falhas no aterramento elétrico. O laudo também indicou ausência de ventilação adequada, problemas na organização da instalação elétrica e ausência de dispositivos de resgate emergencial. A máquina de tração do elevador foi descrita como não atendendo à capacidade de peso total da estrutura nem às normas de segurança.
O documento recomendou a substituição completa do equipamento, classificando a pendência com prioridade alta. Vídeos relacionados ao assunto foram compartilhados em plataformas digitais.
Fonte: G1 Paraíba
