O som característico do pandeiro, ganzá e das rodas de coco da Paraíba agora vai atravessar o oceano. Artistas locais transportarão essa manifestação cultural até a Espanha e Portugal, em uma programação que combina apresentações, oficinas, rodas de conversa e exibições de produções audiovisuais, este mês de setembro. Essa viagem faz parte de um projeto de circulação internacional apoiado por um edital de fomento à cultura do Governo da Paraíba.
O coletivo Raízes da Cultura Popular reuniu integrantes como Presto de Roda, a cantora e compositora Clara Potiguara e a produtora cultural e batuqueira Monique Melo. A proposta visa mostrar ao público europeu uma expressão cultural que, embora seja parte fundamental da identidade paraibana, ainda carece de maior projeção internacional comparada ao forró. “Atualmente na Paraíba, o nosso grande baluarte cultural que é exportado para fora do país é o forró”, explicou Presto de Coco.
Para ele, o coco de roda deve ser reconhecido por suas próprias particularidades, e não apenas visto como uma vertente de outros gêneros musicais. “Acredito que é isso, é incluir o coco de roda dentro desse nicho de música que expressa uma única forma de expressão. A manifestação reúne diferentes ritmos, formas de cantar, dançar e contar histórias, conforme as comunidades e territórios onde é praticada.”
Essa diversidade será um dos pilares apresentados nas atividades europeias. O programa inclui shows, oficinas de coco de roda e rodas que vão além de uma simples apresentação artística — são também espaços para compartilhar saberes e histórias construídos pela cultura popular paraibana. “O coco de roda, acima de tudo, é uma maneira de contar história”, concluiu Presto de Roda.
Segundo ela, a manifestação permite transformar em música e dança acontecimentos e experiências do cotidiano. A expectativa é alcançar tanto pessoas que já possuem algum conhecimento sobre a cultura brasileira quanto aqueles que nunca tiveram contato com o coco de roda. “Acham que o Brasil é samba, forró, carnaval e pronto.”, destacou o artista.
O projeto também busca criar um caminho de troca entre artistas e públicos de diferentes regiões. Além de apresentar a cultura paraibana fora do território nacional, a circulação internacional visa ampliar o acesso a recursos para artistas de cultura popular e comunidades que raramente encontram espaço nos circuitos culturais tradicionais.
“Acesso, globalização, mas principalmente distribuição democrática de recursos públicos para os fazedores de cultura de base”, afirmou Presto.
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Fonte: G1 Paraíba
