Debate pode voltar a ser analisado apenas em dezembro, depois da eleição presidencial
Depois de uma sessão tensa e com troca de acusações no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino pediu vistas e adiou a análise sobre possíveis investigações contra Alexandre de Moraes e André Mendonça tramitarem juntas. O placar final ficou em 4 a 3 pela separação de eventuais inquéritos. Votaram contra unir os casos: Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Carmen Lúcia. Foram favoráveis ao pedido Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
Agora, o caso volta ao plenário da Corte em até 90 dias — prazo que o ministro Dino tem para devolver a vista. Depois da decisão final sobre se haverá tramitação conjunta ou não, os ministros decidirão o mérito, ou seja, se abrem ou não inquérito contra Moraes e posteriormente contra Mendonça. Caso o pedido fique próximo ao vencimento sem retornar ao plenário do STF, o assunto voltará a ser discutido apenas em dezembro — depois das eleições gerais. Uma sessão para analisar pedido de abertura de investigação contra Mendonça, prevista para a próxima semana, também deverá ser suspensa enquanto a vista pedida por Dino estiver no prazo.
Em caso de 4 a 4 na votação, há possibilidade de o Supremo seguir o artigo 13, do Regimento Interno da Corte, que, em 2009, acrescentou o voto de qualidade nas decisões de plenário, por meio da Emenda à Constituição 35. A medida é prevista para casos em que “não preveja solução diversa, quando o empate na votação decorra de ausência de de ministro em virtude de: impedimento ou suspeição, vaga ou licença médica superior a 30 dias”.
Em troca do polpudo contrato de consultoria jurídica, Vorcaro confiaria em Moraes para blindar o banco (e ele próprio) contra processos na Justiça. A perícia da PF encontrou registros de conversas frequentes entre o ministro e o banqueiro — inclusive, na data em que este último foi detido pela primeira vez, em 18 de novembro de 2025, quando a fraude no Master já havia vindo a público e Vorcaro tinha consciência do risco de sua prisão.
Na manhã da última terça-feira, horas antes do início do julgamento, Alexandre de Moraes divulgou uma defesa por escrito na qual nega ter cometido qualquer crime. No documento, o ministro chama o relatório da PF de “farsa de André Mendonça” e afirma que não há indícios de “autoria e materialidade da prática de qualquer infração penal”.
Com Veja
