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Verificação em dois fatores: a solução que os dados confirmam

As senhas deixaram de ser uma defesa confiável há algum tempo. Elas são roubadas em ataques corporativos, compartilhadas entre diversos serviços, vendidas em listas de criminosos e frequentemente distribuídas por vítimas através de sites falsos. Hoje, o que diferencia uma credencial comprometida de uma conta realmente invadida é quase sempre a presença de um segundo fator de autenticação.

Dados brasileiros revelam a gravidade do cenário. Conforme o Mapa da Fraude da Serasa Experian, o país registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, um aumento de 32,9% comparado ao mesmo período de 2025 — o que equivale a uma tentativa a cada 5,5 segundos. As soluções antifraude evitaram um prejuízo potencial de R$ 3,77 bilhões durante esse período.

Os meios de pagamento concentraram 42,6% dos casos, enquanto a telefonia respondeu por 22,1%, com crescimento de 51,4% no setor.

Os setores que lidam com dinheiro e identidade foram os primeiros a exigir verificação em múltiplos fatores. No setor de apostas regulamentado pela Lei nº 14.790/2023, por exemplo, plataformas presentes em sites de cassino com licença federal no Brasil só podem transferir fundos entre contas vinculadas ao próprio usuário, prévia cadastro, o que obriga a verificação de identidade antes de qualquer depósito ou retirada. O mesmo padrão se aplica a bancos, carteiras digitais e grande parte do comércio online.

Análise de eficácia: estudos mostram resultados claros. Um projeto de um ano realizado pelo Google, em parceria com pesquisadores da Universidade de Nova York e da Universidade da Califórnia em San Diego, comparou diferentes métodos de autenticação contra três categorias de ameaças.

Frente a ataques automatizados que testam senhas vazadas em larga escala, qualquer segundo fator de verificação resolve o problema. Diante de phishing em massa, o aviso gerado no próprio dispositivo prevalece sobre o SMS. Já em ataques personalizados, apenas uma chave física fornece a proteção completa.

Outro dado crucial vem do relatório da Microsoft de 2020, que analisou 30 bilhões de logins diários. Os dados mostraram que 99,9% das contas comprometidas não possuíam autenticação em dois fatores ativada. Portanto, o problema geralmente reside na falta de adoção, não na tecnologia em si.

O aparelho móvel tornou-se o principal ponto de entrada para fraudes. O esquema mais comum — observado na Paraíba e em todo o país — consiste em alguém se passando por atendente de uma loja, banco ou contato próximo, solicitando o código que chegou recentemente por SMS. Com esse número em mãos, o criminoso ativa o aplicativo de mensagens em outro aparelho, assume a conta e começa a solicitar dinheiro aos contatos da vítima, muitas vezes com uma desculpa de urgência.

Um ponto fundamental a destacar é que nenhuma empresa legítima solicita códigos de verificação por meio de chamadas, mensagens ou e-mails. A existência desse código serve justamente para comprovar que o dispositivo está em posse do proprietário. Quem repassa o código compromete deliberadamente a proteção do sistema.

Ativar a verificação em dois fatores geralmente leva menos de dois minutos por serviço, e a sequência de prioridades importa. Recomenda-se começar pelo e-mail, pois funciona como chave de recuperação para a maioria das contas. Em seguida, ativar em aplicativos de mensagem, bancos e carteiras digitais. Apenas após isso, considerar redes sociais e compras.

Se um serviço disponibilizar mais de uma alternativa, o aplicativo autenticador costuma ser mais seguro que o SMS, pois não depende da linha telefônica e resiste à substituição fraudulenta de chips. Armazenar os códigos de recuperação em locais seguros evita a perda de acesso ao processo de troca de dispositivos. Para contas com alto volume de movimentação financeira, a chave física emerge como a única solução comprovadamente eficaz nos estudos mencionados.

Medidas de segurança no dispositivo complementam a proteção: bloqueio de tela por biometria ou senha, manutenção atualizada do sistema operacional e revisão regular das sessões abertas em cada aplicação. Além disso, outros pontos de vulnerabilidade financeira merecem atenção, como o código de segurança do cartão — tema já discutido pelo Portal Correio.

Em caso de invasão, agilidade é essencial. Tente recuperar o acesso pelos canais oficiais do serviço, informe seus contatos próximos de que a conta pode ter sido usada para solicitar dinheiro, altere as senhas de todos os outros serviços que compartilhavam a mesma combinação e registre um boletim de ocorrência — possível via delegacia eletrônica da Polícia Civil da Paraíba. Caso haja movimentação financeira, comunique o banco imediatamente, pois existem procedimentos de bloqueio e restituição de valores com prazos curtos para acionamento.

A Serasa Experian também destaca um dado que ilustra a magnitude do problema: o levantamento identificou quase 2 mil grupos focados na disseminação de conteúdo fraudulento e uma média de 152 mensagens trocadas por minuto entre golpistas no primeiro trimestre de 2026. Por outro lado, existe uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e troca constante de técnicas — exatamente contra a qual uma senha isolada não consegue resistir. Embora a verificação em dois fatores reduza significativamente as chances de sucesso, ela não elimina o risco por completo.

De acordo com os dados de prevenção a fraudes da Serasa Experian, a maioria das tentativas é interceptada antes de se transformar em prejuízo, principalmente nas camadas de validação de identidade. No plano do usuário, essa etapa possui um nome claro e custo zero: a verificação em dois fatores.

Fonte: Portal Correio

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