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Em entrevista ao Estadão, Raquel Lyra reforça neutralidade nas eleições presidenciais

Governadora exaltou a parceria com Lula, mas disse que Pernambuco está acima do pleito nacional

A governadora de Pernambuco reeleita, Raquel Lyra (PSD), reforçou, em entrevista à Coluna do Estadão, que manterá a neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais, disputado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL).

Ao ser questionada se faria campanha para algum dos dois candidatos, Raquel exaltou a parceria com Lula durante o primeiro mandato dela, mas disse que Pernambuco está acima do pleito nacional.

“Desde o primeiro dia em que estive com ele (Lula), pedi que não deixasse a eleição de 2026 atrapalhar o que a gente podia fazer junto. Desde o primeiro momento, tenho gratidão e reconhecimento. Coloco a minha coerência: sou ‘pernambuquista’, coloco Pernambuco e o povo de Pernambuco acima de qualquer disputa eleitoral partidária, e isso eu vou manter”, afirmou.

Quanto à presença de Lula em um ato no Recife em apoio à candidatura do adversário dela e então postulante a governador de Pernambuco João Campos (PSB), na reta final do primeiro turno das eleições, Raquel voltou a falar na relação de respeito entre ela e o presidente.

“Devo ir a Brasília muito em breve com meus projetos debaixo do braço para pedir recursos e firmar projetos pactuados que precisam sair do papel, como o Metrô do Recife e a Transnordestina. Não posso questionar o posicionamento do presidente da República; ele tem liberdade para tomar suas decisões. Tive sempre com ele uma relação de muito respeito e baseada em entregas. Agora precisamos olhar para a frente. Não fecho portas”, comentou.

Indagada sobre como será a relação do estado com o governo federal caso Flávio Bolsonaro vença as eleições, a governadora apontou o cenário como algo a se pensar no futuro. Ela frisou, no entanto, que Pernambuco não pode adotar uma política de isolamento.

“Esse é um exercício de futurologia. O que eu disse ao povo em 2022 é que teria capacidade de construir pontes, trabalhar e entregar. O governo anterior, do PSB, brigou com três presidentes da República. Perdemos a Transnordestina, vimos o estado ter a maior quantidade de obras paralisadas e virar campeão de desemprego. Da mesma forma que trabalhei com os 184 municípios pernambucanos, trabalhei com o presidente da República. Vamos esperar a eleição acontecer. O mais importante de tudo é ter capacidade de compreender que um estado como o nosso não tem capacidade de se isolar do Brasil e muito menos do mundo”, disse.

Ataques

Durante a entrevista, Raquel Lyra também avaliou a disputa pelo governo do estado, ao qual venceu com 53,27% dos votos. Apesar da vitória, a chefe do Executivo nacional classificou a eleição como “rasteira” e, sem citar nomes, afirmou ter sido vítima de diversos ataques ao longo da campanha.

“Nós vivemos uma campanha muito violenta e dura aqui, baseada fundamentalmente em desconstrução de biografia. Atacaram a mim, a minha família e a minha honra. Não dá para viver num Brasil onde a gente não possa discutir ideias, onde se tem um processo sistemático de desconstrução de biografia como método. Precisamos ter uma democracia livre, uma imprensa livre e democratizar com políticas de participação inclusiva e de gênero. Nunca imaginei disputar uma eleição tão rasteira”, afirmou.

Raquel apontou uma série de ataques que sofreu durante a campanha, entre eles, a repercussão do vídeo em que sugere a realização de laqueadura em uma paciente sem o consentimento dela.

“A frase é equivocada, descontextualizada. Qualquer frase dita nesse contexto é passível de desculpas e não representa quem sou. […] É muito mais fácil violentar uma mulher do que cancelar um homem. Quantas vezes uma mulher precisa pedir desculpas? Eu nunca vi homens pedirem desculpas. Veja, disseram que eu assassinei meu marido e depois inventaram que eu tinha colado o cartaz. Isso mexe comigo, com minha família, mexe com candidatura. Identificamos mais de mil robôs fazendo campanha contra nós e gabinetes de ódio. Precisamos lutar no Brasil para que isso seja regulamentado”, argumentou.

Com Folha de Pernambuco

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