Pesquisa da Fundação Itaú e do Datafolha aponta que 88% dos brasileiros participaram de atividades culturais ao vivo, mas preço e acesso ainda são desafios; levantamento também destaca o potencial de eventos e espaços comunitários no Nordeste.
O brasileiro está buscando mais experiências culturais fora de casa em 2026, sem abandonar o entretenimento digital. É o que revela a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais dos Brasileiros, realizada pela Fundação Itaú em parceria com o Instituto Datafolha. Segundo o levantamento, 88% das pessoas entre 16 e 65 anos participaram de pelo menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa, reforçando a importância de shows, eventos ao ar livre, exposições e outras atrações na rotina da população.
Entre as atividades mais frequentadas estão praças e ruas, citadas por 68% dos entrevistados, eventos ao ar livre, com 63%, e shows, com 51%. A pesquisa também identificou crescimento na frequência a cinemas, que passou de 24% em 2025 para 28% em 2026, e a peças de teatro e espetáculos ao vivo, cuja participação aumentou de 22% para 25%. O levantamento ouviu 2.448 pessoas em 137 municípios brasileiros, entre 7 e 20 de julho de 2026.
Nordeste tem potencial para ampliar o acesso à cultura
No Nordeste, onde festas populares, festivais de música, manifestações tradicionais e eventos realizados em praças fazem parte da identidade de muitas cidades, os resultados reforçam a importância de investir em programações culturais acessíveis e próximas da população. Embora a pesquisa não apresente, na reportagem, percentuais específicos para cada estado nordestino, os dados nacionais evidenciam o potencial de iniciativas que valorizam os artistas locais e ampliam as oportunidades de participação cultural.
A pesquisa também mostra que a cultura não se limita aos espaços tradicionais. Cerca de 38% dos entrevistados frequentaram pontos de cultura e espaços comunitários, enquanto 30% participaram de rodas de samba, pagode ou choro. Além disso, 72% afirmaram que participariam de mais atividades culturais se elas fossem oferecidas regularmente em escolas próximas de suas residências. Os números reforçam a relevância de descentralizar as ações culturais e ampliar a oferta de atividades nos bairros e municípios do interior.
Preço ainda limita a participação do público
Apesar do interesse crescente por atrações presenciais, o orçamento continua sendo um obstáculo. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados limitam os gastos com atividades culturais a R$ 100 por mês, incluindo ingressos, transporte e consumo durante os eventos.
Por outro lado, existe disposição para pagar por experiências consideradas relevantes: 75% dos participantes afirmaram que pagariam para assistir a atrações que conheceram gratuitamente. O resultado indica oportunidades para produtores culturais, organizadores de festivais e gestores públicos, desde que os preços sejam compatíveis com a realidade financeira do público.
Streaming continua como despesa fixa
Mesmo com o avanço das atividades presenciais, o consumo digital permanece forte nos lares brasileiros. A pesquisa aponta que 85% dos entrevistados ouvem música pela internet, 76% assistem a filmes em plataformas digitais e 73% acompanham séries on-line.
Além disso, 78% mantêm pagamentos mensais por plataformas digitais, enquanto 71% realizam alguma atividade cultural não presencial semanalmente. Os dados indicam que o público não está simplesmente trocando as telas pelas ruas, mas combinando as duas formas de entretenimento: o streaming oferece praticidade no dia a dia, enquanto os eventos presenciais proporcionam convivência e experiências compartilhadas.
Os resultados apontam para um cenário de oportunidades para o setor cultural brasileiro. No Nordeste, a ampliação do acesso a eventos, o incentivo aos artistas regionais e a valorização das manifestações populares podem contribuir para fortalecer a cultura, movimentar a economia local e aproximar ainda mais a população das atividades artísticas.
CARIRI EM AÇÃO
Com exame.
