{"id":101770,"date":"2019-06-24T08:42:55","date_gmt":"2019-06-24T11:42:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=101770"},"modified":"2019-06-24T08:42:55","modified_gmt":"2019-06-24T11:42:55","slug":"monitorar-as-mutacoes-do-virus-da-gripe-envolve-esforco-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/06\/24\/monitorar-as-mutacoes-do-virus-da-gripe-envolve-esforco-internacional\/","title":{"rendered":"Monitorar as muta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus da gripe envolve esfor\u00e7o internacional"},"content":{"rendered":"\n<p>A ocorr\u00eancia de muta\u00e7\u00f5es no v\u00edrus influenza, causador da gripe, \u00e9 uma possibilidade permanente. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 imprevis\u00edvel quando ocorrer\u00e1 uma nova pandemia da doen\u00e7a. A \u00faltima ocorreu h\u00e1 exatos 10 anos, quando o H1N1, um subtipo do v\u00edrus influenza A, se disseminou em escala mundial, provocando o que ficou conhecido na \u00e9poca como a crise da \u201cgripe su\u00edna\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do risco de novas pandemias, o monitoramento \u00e9 fundamental para identificar com efic\u00e1cia e rapidez as varia\u00e7\u00f5es virais que circulam nos pa\u00edses, sobretudo no inverno, quando a transmiss\u00e3o se intensifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme explica a virologista Marilda Siqueira, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do sequenciamento gen\u00e9tico \u00e9 feito o acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. O compartilhamento desses dados cient\u00edficos permite a ado\u00e7\u00e3o de respostas r\u00e1pidas para combater a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, como captar os primeiros casos precocemente e disponibilizar um atendimento eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi esse acompanhamento que possibilitou tamb\u00e9m o r\u00e1pido desenvolvimento da vacina no caso do H1N1, ajudando as popula\u00e7\u00f5es mundiais a criarem resist\u00eancia ao v\u00edrus que se alastrou a partir de junho de 2009. O imunizante ficou dispon\u00edvel em setembro, tr\u00eas meses ap\u00f3s o in\u00edcio das transmiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova pandemia n\u00e3o deve ocorrer com o H1N1. Atualmente, no Brasil, apesar de ainda ocorrerem \u00f3bitos, eles est\u00e3o dentro de um padr\u00e3o esperado. No pa\u00eds, \u00e9 alta a probabilidade de se ter contato no inverno com dois subtipos do v\u00edrus influenza A contra os quais as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais resistentes. Um deles \u00e9 exatamente o H1N1 e o outro \u00e9 o H3N2. A quest\u00e3o \u00e9 que o v\u00edrus influenza tem um genoma segmentado, caracter\u00edstica que, segundo Marilda, facilita as muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe voc\u00ea troca um ou mais segmentos g\u00eanicos inteiros, vira outra coisa. E podemos ter novo v\u00edrus para o qual n\u00e3o temos anticorpo e nem vacinas eficazes. Em alguns lugares da \u00c1sia, as pessoas est\u00e3o atualmente contraindo de animais o H7N9, e a taxa de letalidade est\u00e1 em torno de 70%. N\u00e3o foi observado cont\u00e1gio de homem para homem, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 transmiss\u00e3o sustentada. Mas \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o enorme e o mundo inteiro est\u00e1 de olho para entender o que est\u00e1 acontecendo com esse v\u00edrus\u201d, diz a virologista.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do momento em que um v\u00edrus mutante se mostra transmiss\u00edvel de homem para homem, pode haver r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o entre uma popula\u00e7\u00e3o sem imunidade. Ao atingir grande n\u00famero de indiv\u00edduos, torna-se uma epidemia enquanto estiver restrita a uma certa localidade. A pandemia se configura quando a epidemia se espalha por uma grande regi\u00e3o geogr\u00e1fica, como um continente ou at\u00e9 mesmo o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monitoramento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/w27NRO3HjHgc94C8nnJIUyqLFLM=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/dsc_6017.jpg?itok=JCyoOZR6\" alt=\"Campanha Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o contra a gripe, que ser\u00e1 realizada entre os dias 23 de abril a 1\u00ba de junho em todo pa\u00eds, no Centro de Sa\u00fade Pinheiros, regi\u00e3o oeste.\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O acompanhamento internacional \u00e9 feito por meio do Sistema Global de Vigil\u00e2ncia e Resposta \u00e0 Influenza da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que re\u00fane diversas institui\u00e7\u00f5es. O Laborat\u00f3rio de V\u00edrus Respirat\u00f3rio e do Sarampo da Fiocruz, chefiado por Marilda, \u00e9 uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p>O monitoramento tamb\u00e9m \u00e9 importante para enfrentar as epidemias sazonais, que ocorrem sempre no inverno com mais ou menos intensidade conforme uma s\u00e9rie de fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Marilda, h\u00e1 quatro tipos de v\u00edrus influenza, sendo o A e o B os principais respons\u00e1veis pela gripe, o C e o D sem impacto relevante conhecido. O A \u00e9 o que mais preocupa, por ser altamente mut\u00e1vel. O monitoramento das varia\u00e7\u00f5es \u00e9 uma das etapa da produ\u00e7\u00e3o da vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o da vacina da gripe sofre altera\u00e7\u00f5es constantemente. A OMS realiza reuni\u00f5es em setembro para discutir o cen\u00e1rio do Hemisf\u00e9rio Sul do planeta e, em fevereiro, para o Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses encontros, s\u00e3o analisados os resultados dos monitoramentos feitos pelas institui\u00e7\u00f5es que integram o sistema de vigil\u00e2ncia. A pr\u00f3xima vacina dever\u00e1 imunizar contra as principais varia\u00e7\u00f5es virais que foram identificadas circulando no inverno que precede a reuni\u00e3o. \u201c\u00c9 sempre uma corrida contra o tempo, pois \u00e9 curto o prazo para que a vacina esteja dispon\u00edvel antes do pr\u00f3ximo inverno\u201d, diz Marilda.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o Instituto Butantan, \u00f3rg\u00e3o vinculado \u00e0 Secretaria de Estado da Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 o respons\u00e1vel por produzir as vacinas segundo as diretrizes fixadas na reuni\u00e3o da OMS. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda o imunizante para idosos, crian\u00e7as at\u00e9 5 anos, mulheres que deram \u00e0 luz recentemente, pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, detentos, funcion\u00e1rios do sistema prisional, ind\u00edgenas, trabalhadores da sa\u00fade e professores.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina \u00e9 ofertada gratuitamente para estes grupos nos postos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). A \u00faltima campanha teve in\u00edcio em 10 de abril. Desde o dia 3 de junho, as doses remanescentes est\u00e3o dispon\u00edveis para toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Riscos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo estudo dos centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos, entre 151 mil e 575 mil pessoas morreram devido \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus H1N1. Os primeiros casos ocorreram no M\u00e9xico. A principal hip\u00f3tese dos cientistas \u00e9 de que o novo v\u00edrus surgiu a partir de um rearranjo do genoma de outros dois v\u00edrus que infectaram porcos de forma simult\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNormalmente essa troca de segmento g\u00eanico ocorre em alguma outra esp\u00e9cie animal. \u00c9 comum ocorrer em porcos, porque muitas vezes eles recebem o v\u00edrus de humanos e podem receber tamb\u00e9m influenza avi\u00e1ria. H\u00e1 pa\u00edses como a China, o Vietn\u00e3 e o Camboja, por exemplo, que s\u00e3o caldeir\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de novos v\u00edrus influenza porque t\u00eam grandes mercados onde h\u00e1 porcos e aves convivendo juntos e pr\u00f3ximos aos humanos. S\u00e3o ambientes que favorecem uma poss\u00edvel troca de segmentos do genoma\u201d, explica Marilda.<\/p>\n\n\n\n<p>As varia\u00e7\u00f5es do v\u00edrus da gripe em circula\u00e7\u00e3o se propagam por secre\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias que s\u00e3o liberadas em espirros e tosses. Para evitar a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, Marilda recomenda que pessoas com sintomas n\u00e3o frequentem lugares fechados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m orienta medidas variadas como manter os ambientes arejados, abrir janelas de tempos em tempos e n\u00e3o levar as m\u00e3os \u00e0 boca e ao nariz ao espirrar. \u00c9 prefer\u00edvel dobrar o cotovelo, espirrar na articula\u00e7\u00e3o. Lavar as m\u00e3os tamb\u00e9m \u00e9 muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO v\u00edrus pode ficar presente e vivo nas superf\u00edcies, que pode ser um corrim\u00e3o de uma escada, uma mesa, um bra\u00e7o de um sof\u00e1, uma ma\u00e7aneta de porta. Ele permanece infeccioso por duas a quatro horas, dependendo das condi\u00e7\u00f5es do ambiente. Imagine que voc\u00ea est\u00e1 em um shopping e ao descer uma escada rolante coloca a m\u00e3o em uma parte do corrim\u00e3o onde outra pessoa acabou de espirrar. E n\u00f3s colocamos a m\u00e3o no rosto constantemente. Ent\u00e3o \u00e9 preciso lavar as m\u00e3os com frequ\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maior pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maior pandemia de gripe de que se tem not\u00edcia ocorreu em 1918 e ficou conhecida como \u201cgripe espanhola\u201d. O n\u00famero de v\u00edtimas foi muito superior ao ocorrido em 2009. Segundo a OMS, entre 20 e 40 milh\u00f5es de mortes ocorreram em todo o mundo. A Europa foi o continente mais afetado. A virologista da Fiocruz acredita que dificilmente viveremos uma situa\u00e7\u00e3o semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO risco n\u00e3o \u00e9 totalmente descartado. Mas nessa magnitude \u00e9 bem dif\u00edcil. As condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas daquela \u00e9poca e tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas eram muito piores do que temos hoje em dia\u201d, avalia Marilda.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, uma dificuldade na \u00e9poca foi a inexist\u00eancia de antibi\u00f3ticos, que s\u00f3 foram criados na d\u00e9cada de 1930. \u201cNa pandemia, uma boa parcela das mortes n\u00e3o ocorre de pneumonia viral, mas de uma pneumonia bacteriana secund\u00e1ria que se aproveita da fragilidade do organismo. E, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia antibi\u00f3ticos para combater essas bact\u00e9rias. Al\u00e9m disso, a Europa enfrentou essa situa\u00e7\u00e3o saindo da Primeira Guerra Mundial com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos afetada, os servi\u00e7os de sa\u00fade fragilizados\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A muta\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 \u201cgripe espanhola\u201d n\u00e3o surgiu na Espanha e sim nos Estados Unidos. A gripe se espalhou por soldados norte-americanos infectados que foram combater na Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo os pa\u00edses estavam em combate, n\u00e3o se percebeu que muitas mortes estavam ocorrendo em decorr\u00eancia de outra coisa. Foi s\u00f3 quando esse v\u00edrus chegou na Espanha, que n\u00e3o participou da guerra, que ficou claro que algo estranho estava ocorrendo. Ao notar um n\u00famero incomum de mortes por doen\u00e7a respirat\u00f3ria, os espanh\u00f3is deram o alerta\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ocorr\u00eancia de muta\u00e7\u00f5es no v\u00edrus influenza, causador da gripe, \u00e9 uma possibilidade permanente. 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