{"id":102768,"date":"2019-06-30T11:31:09","date_gmt":"2019-06-30T14:31:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=102768"},"modified":"2019-06-30T11:31:09","modified_gmt":"2019-06-30T14:31:09","slug":"pacientes-estao-demandando-uso-medicinal-da-cannabis-dizem-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/06\/30\/pacientes-estao-demandando-uso-medicinal-da-cannabis-dizem-medicos\/","title":{"rendered":"Pacientes est\u00e3o demandando uso medicinal da cannabis, dizem m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"\n<p>Pacientes com diversos diagn\u00f3sticos que n\u00e3o est\u00e3o obtendo avan\u00e7os com tratamentos tradicionais se interessam, cada vez mais, pelo uso medicinal da maconha. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por diversos m\u00e9dicos reunidos neste fim de semana, no Rio de Janeiro, para a segunda edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional &#8220;Cannabis Medicinal, um Olhar para o Futuro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo eles, a demanda crescente \u00e9 influenciada pelos avan\u00e7os cient\u00edficos, pela cobertura da m\u00eddia e pela possibilidade de libera\u00e7\u00e3o do cultivo para fins medicinais, tema de uma consulta p\u00fablica aberta pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a demanda continuar\u00e1 crescendo cada vez mais. Precisamos estar preparados para atend\u00ea-la&#8221;, disse o neurologista Eduardo Faveret, diretor do Centro de Epilepsia do Instituto Estadual do C\u00e9rebro Paulo Niemeyer, unidade vinculada ao governo do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conclus\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo ortopedista Ricardo Ferreira, especialista no tratamento cl\u00ednico e cir\u00fargico de dores cr\u00f4nicas e patologias da coluna vertebral. &#8220;Pacientes t\u00eam buscado a melhora de sua qualidade de vida e procuram m\u00e9dicos que possam prescrever. Tenho recebido cada vez mais pacientes que j\u00e1 chegam com hist\u00f3rico de dores refrat\u00e1rias \u00e0 m\u00e9todos tradicionais, que foram tratados por outros m\u00e9dicos sem sucesso&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo disse que passou a se interessar pelo uso medicinal da maconha quando estava buscando alternativas para casos em que os rem\u00e9dios dispon\u00edveis no mercado se mostravam ineficazes. &#8220;Fui vendo que haviam evid\u00eancias cada vez mais fortes do potencial do uso da cannabis para tratamento das dores cr\u00f4nicas. Em pa\u00edses como a Holanda e o Canad\u00e1 e em alguns estados do Estados Unidos, j\u00e1 haviam estudos com conclus\u00f5es nessa dire\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2015, a Anvisa autoriza a prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica da cannabis. A dificuldade fica por conta da obten\u00e7\u00e3o do produto. Com a comercializa\u00e7\u00e3o proibida no Brasil, os medicamentos precisam ser importados. De posse da receita m\u00e9dica, o paciente precisa assinar um termo de responsabilidade e aguardar a autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa. A importa\u00e7\u00e3o por empresas, para distribui\u00e7\u00e3o no Brasil, \u00e9 vetada. A autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 concedida de forma individual para cada paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o Mevatyl, tamb\u00e9m conhecido como Sativex, que foi aprovado pela Anvisa e chegou nas farm\u00e1cias do pa\u00eds no ano passado. Ele tem sido indicado, por exemplo, para alguns pacientes com esclerose m\u00faltipla, doen\u00e7a na qual ocorre a inflama\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da mielina, camada protetora das c\u00e9lulas nervosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Fioruz, existem hoje no Brasil mais de 8 mil pacientes autorizados a importar rem\u00e9dio \u00e0 base de cannabis para diversos tipos de doen\u00e7as. Desde o aval da Anvisa, em 2015, o ortopedista calcula ter prescrito esses medicamentos para mais de 300 pessoas. &#8220;Uns 150 seguiram os procedimentos para obter autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o e conseguiram efetivamente o produto. E desses, metade conseguiu al\u00edvio significativo da dor e continua utilizando. Hoje fa\u00e7o cerca de 120 consultas semanais. Em 10 delas, em m\u00e9dia, eu indico a cannabis. Continuo fazendo cirurgias, continuo prescrevendo rem\u00e9dios tradicionais. A cannabis entra como mais um arsenal terap\u00eautico, sobretudo para os casos que n\u00e3o respondem \u00e0s terapias tradicionais&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Subst\u00e2ncias<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>O Semin\u00e1rio Internacional &#8220;Cannabis Medicinal, um Olhar para o Futuro&#8221;, que ocorre at\u00e9 amanh\u00e3 (30), no Instituto Europeu de Design (IED), \u00e9 fruto de uma parceria entre a Associa\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi) e a Funda\u00e7\u00e3o Osvaldo Cruz (Fiocruz), institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A iniciativa tamb\u00e9m conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos m\u00e9dicos e pesquisadores brasileiros, est\u00e3o reunidos no evento especialistas do Chile, da Espanha, da Argentina, da Col\u00f4mbia, do Peru e do Panam\u00e1. Eles discutem as evid\u00eancias dos benef\u00edcios para pacientes com c\u00e2ncer, epilepsia, dores cr\u00f4nicas, alzheimer, esclerose m\u00faltipla, entre outros. Subst\u00e2ncias como o canabidiol e o tetraidrocanabinol (THC) j\u00e1 possuem reconhecidos efeitos ansiol\u00edticos, antidepressivos e anti-inflamat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas s\u00e3o as duas subst\u00e2ncias mais estudadas clinicamente. Mas h\u00e1 outras. H\u00e1 um arsenal terap\u00eautico de canabinoides e terpenos. E isso varia de planta para planta. Tem cannabis que \u00e9 rica em canabidiol, outras em THC. A gen\u00e9tica da planta interfere no tipo de \u00f3leo que ela vai oferecer. Aqui no Brasil, as que se cultivam s\u00e3o geralmente mais ricas em THC. O THC tem v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Mas tem que ter um controle da dosagem, acompanhamento, observar a quest\u00e3o de idade&#8221;, alertou Feveret.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca avan\u00e7os na neurologia e na oncologia. &#8220;J\u00e1 h\u00e1 pesquisas cl\u00ednicas em fase 2 revelando uma melhora muito grande para pacientes com glioblastoma multiforme, o tipo mais grave do c\u00e2ncer cerebral. A cannabis aumentou bastante a sobrevida m\u00e9dia, melhorou a qualidade de vida&#8221;, disse. O neurologista tamb\u00e9m cita investiga\u00e7\u00f5es que apontaram melhores resultados de radioterapia quando o tratamento \u00e9 associado ao uso da maconha.<\/p>\n\n\n\n<p>As subst\u00e2ncias podem servir de base para pomadas, ch\u00e1s, \u00f3leos, manteigas. Fumar tamb\u00e9m tem efeitos terap\u00eauticos, mas m\u00e9dicos afirmam que o efeito tem menor dura\u00e7\u00e3o. A forma de uso deve ser definida na prescri\u00e7\u00e3o, considerando diversos fatores como o problema a ser tratado, a idade e a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica do paciente<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cidadania<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Pacientes e familiares de pacientes com os mais variados diagn\u00f3sticos tamb\u00e9m participam do semin\u00e1rio. &#8220;Eles s\u00e3o muito ativos nos eventos cient\u00edficos, formam associa\u00e7\u00f5es, acolhem outros pacientes e seus familiares. \u00c9 um processo em que h\u00e1 muita cidadania envolvida e muita consci\u00eancia, disse Feveret.<\/p>\n\n\n\n<p>Vendo desde 2013 a cannabis melhorar a qualidade de vida de sua filha com epilepsia, a advogada Margarete Brito \u00e9 uma das principais mobilizadoras da sociedade civil do Rio de Janeiro em torno do assunto. Coordenadora da Apepi, que organiza o semin\u00e1rio junto com a Fiocruz, ela j\u00e1 ganhou pr\u00eamios internacionais e teve sua hist\u00f3ria relatada no Document\u00e1rio \u201cIlegal \u2013 A vida n\u00e3o espera\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje a possibilidade que tem para os pacientes \u00e9 basicamente os importados, que acabam tendo alto custo. Um paciente gasta, no m\u00ednimo, R$ 1,5 mil por m\u00eas. Para conseguir fazer essa importa\u00e7\u00e3o do rem\u00e9dio, al\u00e9m de ser caro, \u00e9 muito demorado e burocr\u00e1tico. Mesmo seguindo todo o procedimento, \u00e0s vezes ainda fica parado na alf\u00e2ndega. Enfim, \u00e9 muito complicado. Esse \u00e9 o motivo de estarmos nessa luta&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acredita que a realidade possa melhorar com uma regulamenta\u00e7\u00e3o do cultivo para fins medicinais. Alguns pacientes conseguem aval da Justi\u00e7a para plantar individualmente. Em 2017, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Apoio Cannabis Esperan\u00e7a (Abrace), entidade sediada em Jo\u00e3o Pessoa, obteve judicialmente o direito de produzir \u00f3leos a partir da maconha para tratamento de pacientes associados. \u00c9 a \u00fanica entidade no pa\u00eds hoje com autoriza\u00e7\u00e3o para o cultivo coletivo. H\u00e1 duas semanas, a Apepi moveu uma a\u00e7\u00e3o com a expectativa de obter o mesmo direito da Abrace.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, uma consulta p\u00fablica da Anvisa sobre o tema est\u00e1 aberta at\u00e9 o dia 19 de agosto e qualquer cidad\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o pode opinar. &#8220;Esperamos que essa regulamenta\u00e7\u00e3o atenda a real demanda dos pacientes. Que n\u00e3o fique apenas na produ\u00e7\u00e3o empresarial, mas tamb\u00e9m d\u00ea acesso ao cultivo coletivo para que associa\u00e7\u00f5es possam produzir a planta e seus extratos dentro de crit\u00e9rios de boas pr\u00e1ticas tanto agr\u00edcolas, como farmacol\u00f3gicas&#8221;, disse o ortopedista Ricardo Ferreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacientes com diversos diagn\u00f3sticos que n\u00e3o est\u00e3o obtendo avan\u00e7os com tratamentos tradicionais se interessam, cada vez mais, pelo uso medicinal da maconha. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":102769,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,16],"tags":[],"class_list":["post-102768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102768"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":102770,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102768\/revisions\/102770"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}