{"id":102773,"date":"2019-06-30T11:34:22","date_gmt":"2019-06-30T14:34:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=102773"},"modified":"2019-06-30T11:34:22","modified_gmt":"2019-06-30T14:34:22","slug":"presidente-rearranja-relacao-com-ala-militar-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/06\/30\/presidente-rearranja-relacao-com-ala-militar-do-governo\/","title":{"rendered":"Presidente rearranja rela\u00e7\u00e3o com ala militar do governo"},"content":{"rendered":"\n<p>Ala militar. Ao longo do primeiro semestre do governo de Jair Bolsonaro (PSL), esta foi uma das grandes novidades introduzidas no notici\u00e1rio pol\u00edtico, naturalmente ao lado de sua ant\u00edpoda, a dita ala ideol\u00f3gica da gest\u00e3o.<br>Seis meses depois de assumir cercado de generais da reserva, o presidente deu um cavalo de pau na sua rela\u00e7\u00e3o com as For\u00e7as Armadas, da qual \u00e9 oriundo como capit\u00e3o reformado do Ex\u00e9rcito.<br>O peso relativo dos militares no governo segue mais ou menos inalterado. Come\u00e7aram com sete, passaram para oito e voltaram para o patamar inicial de minist\u00e9rios sob seu controle.<br>Politicamente, contudo, a equa\u00e7\u00e3o foi mudada, com resultados que ainda n\u00e3o podem ser avaliados.<br>Ao mesmo tempo, o Ex\u00e9rcito, mais forte e influente das tr\u00eas For\u00e7as Armadas, busca a dif\u00edcil miss\u00e3o de delimitar sua presen\u00e7a institucional, afirmando independ\u00eancia num governo do qual participou de forma in\u00e9dita desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o de 1985.<br>N\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 aqui, um movimento coordenado de retirada dos mais de cem militares que ocuparam cargos importantes do primeiro e segundo escal\u00f5es dos governos.<br>Hoje h\u00e1 poucos pr\u00e9dios na Esplanada dos Minist\u00e9rios, em Bras\u00edlia, sem funcion\u00e1rios que inadvertidamente prestam contin\u00eancia ao cruzar com estranhos.<br>Isso dito, o expurgo palaciano executado por Bolsonaro nas \u00faltimas semanas foi agudo, embora pequeno para olhos exteriores.<br>A v\u00edtima mais vistosa, o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), foi derrubado ap\u00f3s longa fritura e embate com a ala ideol\u00f3gica alinhada ao escritor Olavo de Carvalho \u2013 que xingou o militar e foi apoiado pelo presidente.<br>Caiu na sequ\u00eancia um amigo dele, o tamb\u00e9m general da reserva Floriano Peixoto, removido da Secretaria-Geral para dirigir os Correios em fase de pr\u00e9-privatiza\u00e7\u00e3o. Da estatal, saiu um ex-integrante do Alto Comando do Ex\u00e9rcito, Juarez Cunha, demitido pelo pr\u00f3prio presidente em uma entrevista. Por fim, da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio saiu o general Franklimberg Ribeiro de Freitas.<br>Para a vaga de Santos Cruz foi deslocado o comandante militar do Sudeste, o general quatro estrelas da ativa Luiz Eduardo Ramos.<br>Sua ida foi vista por parte do Alto Comando do Ex\u00e9rcito, colegiado de 16 oficiais do qual faz parte, como uma forma de defer\u00eancia.<br>O tiro de Bolsonaro, contudo, pode ter sa\u00eddo pela culatra: Ramos \u00e9 o general da ativa mais pr\u00f3ximo do presidente.<br>Eles s\u00e3o amigos pessoais desde que eram cadetes na escola preparat\u00f3ria em Campinas. A indica\u00e7\u00e3o acabou tamb\u00e9m sendo lida como preenchimento de cota pessoal.<br>Tudo depender\u00e1 do desempenho de Ramos, que assume na semana que vem, no rearranjo de for\u00e7as do Planalto. Visto como um militar pol\u00edtico, h\u00e1bil no trato, o general ter\u00e1 a miss\u00e3o de desanuviar o clima entre os fardados a servi\u00e7o do governo e a ativa.<br>O acerto foi favor\u00e1vel ao entorno de Bolsonaro: a remo\u00e7\u00e3o de Santos Cruz \u00e9 a mais importante vit\u00f3ria do grupo olavista, que tem nos filhos presidenciais Eduardo e Carlos, al\u00e9m dos ministros da Educa\u00e7\u00e3o e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, seus expoentes.<br>De cara, o Ex\u00e9rcito enviou sinais sutis. Promoveu para o lugar de Ramos o ex-chefe da seguran\u00e7a presidencial de Dilma Rousseff, uma fun\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mas que soa como pecado para ouvidos bolsonaristas pela associa\u00e7\u00e3o \u00e0 ex-mandat\u00e1ria petista.<br>Mais importante, nesta semana o Alto Comando escolheu dois generais da turma de 1981 da Academia das Agulhas Negras para ganhar a quarta estrela. O porta-voz presidencial, Ot\u00e1vio do R\u00eago Barros, foi preterido e dever\u00e1 encaminhar-se \u00e0 reserva.<br>Com isso, a For\u00e7a busca afastar-se um pouco do governo. Isso n\u00e3o quer dizer que a ala ideol\u00f3gica tenha ganho m\u00e3o livre para agir naquilo que os militares consideram seu territ\u00f3rio, como a\u00e7\u00f5es com repercuss\u00e3o na defesa nacional \u2013a crise da Venezuela, ora amainada, \u00e9 o exemplo mais evidente.<br>De resto, fortaleceu-se o comandante do Ex\u00e9rcito, Edson Pujol, que vinha sendo obscurecido pela constela\u00e7\u00e3o de estrelados no governo.<br>O movimento isolou o decano da reserva, Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional.<br>Segundo integrantes do governo, o mau humor do ministro, algo folcl\u00f3rico, piorou notadamente nos \u00faltimos dias.<br>Sua agressividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cr\u00edticas europeias sobre a pol\u00edtica ambiental brasileira, logo ao chegar para a reuni\u00e3o do G20 em Osaka, foi vista como subproduto da situa\u00e7\u00e3o \u2013e teve de ser contornada pelo Itamaraty, em pleno momento de an\u00fancio do acordo comercial Mercosul-Uni\u00e3o Europeia.<br>Heleno \u00e9 o maior cr\u00edtico da no\u00e7\u00e3o de ala militar do governo Bolsonaro, dizendo ser &#8220;bobagem de jornal&#8221;.<br>De fato, h\u00e1 v\u00e1rias alas concorrentes com origem nas For\u00e7as Armadas servindo ao presidente, dentro e fora do governo, e sua posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder inconteste delas parece amea\u00e7ada neste momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ala militar. 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