{"id":103737,"date":"2019-07-08T07:27:46","date_gmt":"2019-07-08T10:27:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=103737"},"modified":"2019-07-08T07:27:46","modified_gmt":"2019-07-08T10:27:46","slug":"descoberta-de-brasileiros-pode-mudar-historia-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/07\/08\/descoberta-de-brasileiros-pode-mudar-historia-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Descoberta de brasileiros pode mudar hist\u00f3ria da humanidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipe de pesquisadores brasileiros e italianos encontrou materiais que teriam 2,4 milh\u00f5es de anos em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico na Jord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta coloca novos elementos que podem mudar o conhecimento consolidado sobre o desenvolvimento da humanidade e das din\u00e2micas de migra\u00e7\u00e3o do g\u00eanero homo a partir da \u00c1frica para outras regi\u00f5es do planeta. O resultado do estudo foi divulgado em uma revista cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos debates acad\u00eamicos, a tese predominante, em que pese pol\u00eamicas e hip\u00f3teses divergentes, d\u00e1 conta que o g\u00eanero&nbsp;<em>homo<\/em>&nbsp;surgiu h\u00e1 cerca de 2,4 milh\u00f5es de anos na \u00c1frica, tendo como primeiro representante o&nbsp;<em>homo habilis<\/em>. H\u00e1 2 milh\u00f5es de anos, teria surgido o&nbsp;<em>homo erectus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras evid\u00eancias da presen\u00e7a de homo erectus fora do continente africano ocorreu em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico da Ge\u00f3rgia, datada de 1,8 milh\u00e3o de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores n\u00e3o identificaram f\u00f3sseis, mas material de pedra lascada no s\u00edtio da Jord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As escava\u00e7\u00f5es ocorreram entre 2013 e 2015. \u201cNa hora que um&nbsp;<em>hom\u00edneo<\/em>&nbsp;lascou. Isso quer dizer um evento de lascamento. Elas estavam localizadas em algum ponto a 20 cm uma da outra. \u00c9 muito poss\u00edvel que a gente n\u00e3o s\u00f3 tenha encontrado um s\u00edtio antigo, mas que ele tenha significado comportamental\u201d, disse o pesquisador do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), Astolfo Ara\u00fajo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras amostras foram pegas em 2013, sendo&nbsp; submetidas a um m\u00e9todo segundo o qual pedras teriam cerca de cinco milh\u00f5es e o basalto mais baixo teria 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>L\u00e2minas coletadas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Giancarlo Scardia, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), outros dois m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o foram aplicados em l\u00e2minas coletadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTivemos cuidado para ter uma idade mais confi\u00e1vel. Os dados convergem para um modelo que n\u00e3o tem incongru\u00eancias\u201d, afirmou o pesquisador, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o coordenador da pesquisa, o professor do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo, Walter Neves, as descobertas demonstraram que o homem n\u00e3o deixou a \u00c1frica por volta de 1,9 milh\u00e3o, mas h\u00e1 2,4 milh\u00f5es de anos, e joga luz sobre qual teria sido a primeira modalidade do g\u00eanero&nbsp;<em>homo<\/em>&nbsp;a deixar o continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00f3s retrocedemos em 500 mil anos a sa\u00edda da \u00c1frica. Isso coloca uma pergunta: quem foi esse primeiro&nbsp;<em>homin\u00edneo&nbsp;<\/em>a deixar a \u00c1frica? O&nbsp;<em>homo erectus<\/em>? Fica claro que o primeiro&nbsp;<em>homin\u00edneo<\/em>&nbsp;a deixar a \u00c1frica foi o&nbsp;<em>homo habilis<\/em>. Veja como muda a perspectiva\u201d, declarou Neves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cientista destacou que essa descoberta ajuda a compreender algumas reflex\u00f5es \u201cnebulosas\u201d nas pesquisas vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNossa pesquisa vai ajudar a enterrar a discuss\u00e3o do que fazer com essa variabilidade tremenda que t\u00ednhamos na Ge\u00f3rgia. Era diferente porque a transi\u00e7\u00e3o entre habilis e erectus se deu na Ge\u00f3rgia. E depois disso se espalhou para o resto do mundo. A gente resolve um dos maiores pepinos da paleoantropologia dos \u00faltimos anos\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00edntegra da pesquisa est\u00e1 publicada na revista&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.journals.elsevier.com\/quaternary-science-reviews\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Quaternary Science Reviews<\/em><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de pesquisadores brasileiros e italianos encontrou materiais que teriam 2,4 milh\u00f5es de anos em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico na Jord\u00e2nia. A descoberta coloca novos elementos que podem mudar o conhecimento consolidado sobre o desenvolvimento da humanidade e das din\u00e2micas de migra\u00e7\u00e3o do g\u00eanero homo a partir da \u00c1frica para outras regi\u00f5es do planeta. O resultado do estudo foi divulgado em uma revista cient\u00edfica. 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Segundo o coordenador da pesquisa, o professor do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo, Walter Neves, as descobertas demonstraram que o homem n\u00e3o deixou a \u00c1frica por volta de 1,9 milh\u00e3o, mas h\u00e1 2,4 milh\u00f5es de anos, e joga luz sobre qual teria sido a primeira modalidade do g\u00eanero&nbsp;homo&nbsp;a deixar o continente. \u201cN\u00f3s retrocedemos em 500 mil anos a sa\u00edda da \u00c1frica. Isso coloca uma pergunta: quem foi esse primeiro&nbsp;homin\u00edneo&nbsp;a deixar a \u00c1frica? O&nbsp;homo erectus? Fica claro que o primeiro&nbsp;homin\u00edneo&nbsp;a deixar a \u00c1frica foi o&nbsp;homo habilis. Veja como muda a perspectiva\u201d, declarou Neves. O cientista destacou que essa descoberta ajuda a compreender algumas reflex\u00f5es \u201cnebulosas\u201d nas pesquisas vigentes. \u201cNossa pesquisa vai ajudar a enterrar a discuss\u00e3o do que fazer com essa variabilidade tremenda que t\u00ednhamos na Ge\u00f3rgia. 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