{"id":103970,"date":"2019-07-10T07:39:25","date_gmt":"2019-07-10T10:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=103970"},"modified":"2019-07-10T07:39:25","modified_gmt":"2019-07-10T10:39:25","slug":"conheca-a-historia-do-kabure-o-primeiro-time-do-tocantins-a-participar-da-copa-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/07\/10\/conheca-a-historia-do-kabure-o-primeiro-time-do-tocantins-a-participar-da-copa-do-brasil\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do Kabur\u00e9, o primeiro time do Tocantins a participar da Copa do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao conquistar a Copa Tocantins de 1993, o Kabur\u00e9 come\u00e7ou a construir uma hist\u00f3ria que ficaria marcada para sempre na Copa do Brasil. O time de Colinas foi o primeiro a participar da competi\u00e7\u00e3o nacional representando o estado mais novo do pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p>O clube come\u00e7ou com uma reuni\u00e3o semanal de amigos que se juntavam para bater uma bolinha. S\u00f3 que a brincadeira ficou s\u00e9ria, o que antes era Cabar\u00e9 (literalmente, pois era assim que o time se chamava), virou Kabur\u00e9.&nbsp; N\u00e3o existe exatid\u00e3o sobre o porqu\u00ea da mudan\u00e7a de nome, mas \u00e9 sabido que no est\u00e1dio Bigod\u00e3o, casa do Kabur\u00e9, existem muitas corujas desse tipo. Ali\u00e1s, o nome do est\u00e1dio \u00e9 uma homenagem ao ilustre torcedor e colaborador Wilson Alves Ferreira, que tinha um bigode avantajado.<\/p>\n\n\n\n<p>A data de nascimento do clube foi registrada como 5 de janeiro de 1985, come\u00e7ando a se profissionalizar no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Em 1993, 1994 e 1996 foi campe\u00e3o da Copa Tocantins, feitos que permitiram ao clube chegar a Copa do Brasil. \u00c9 a partir deste momento que a hist\u00f3ria do Kabur\u00e9 come\u00e7a a ser escrita no futebol nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeira participa\u00e7\u00e3o na Copa do Brasil: Kabur\u00e9 e Am\u00e9rica-MG<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro advers\u00e1rio do Kabur\u00e9 na Copa do Brasil de 1994 foi o campe\u00e3o estadual de Minas Gerais do ano anterior, o Am\u00e9rica-MG. Embora muitos tenham dado a elimina\u00e7\u00e3o do time do Tocantins como certa, n\u00e3o foi o que aconteceu. Na verdade, foi uma zebra. O time do goleiro Milagres, que n\u00e3o conseguiu fazer nenhum, perdeu o jogo de ida na casa do advers\u00e1rio por 2\u00d70.<\/p>\n\n\n\n<p>Na partida de volta, um fato curioso p\u00f4de ser visto: uma coruja na trave do Indeped\u00eancia. A sorte estava do lado do Kabur\u00e9. Mesmo com a vit\u00f3ria do Am\u00e9rica-MG pelo placar m\u00ednimo, foi o time de Colinas quem avan\u00e7ou na competi\u00e7\u00e3o.&nbsp; O ex-jogador Juscelino Ferreira, que atuou pelo clube entre 1985 e 2000, afirma que no vesti\u00e1rio o sentimento era de confian\u00e7a, por isso deu certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltaram para casa, os torcedores estavam esperando no aeroporto de Aragua\u00edna-TO e, a partir daquele momento, j\u00e1 era sabido que o Kabur\u00e9 n\u00e3o seria apenas mais um na Copa do Brasil, mas que deixaria sua marca no campeonato, que n\u00e3o foi apagada nem com a elimina\u00e7\u00e3o na fase seguinte para o Comercial-MS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segunda participa\u00e7\u00e3o na Copa do Brasil: Kabur\u00e9 e Flamengo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No ano seguinte, l\u00e1 estava o Kabur\u00e9 de novo para escrever mais um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria que seria lembrada eternamente. Em 1995, a estreia foi contra o Maranh\u00e3o, que n\u00e3o conseguiu sair do 0x0 em casa e perdeu por 2\u00d71 no est\u00e1dio Bigod\u00e3o. Mas foi o duelo seguinte o respons\u00e1vel por eternizar na mem\u00f3ria dos futebolistas o Kabur\u00e9. O time do interior do Tocantins enfrentou o Flamengo na segunda fase da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Colinas-TO nunca viveu um momento t\u00e3o marcante. Emissoras de televis\u00e3o, r\u00e1dio, jornais impressos, revistas\u2026 O Kabur\u00e9 virou not\u00edcia nacional. Toda a imprensa marcou presen\u00e7a.&nbsp; Dias antes do jogo, o movimento j\u00e1 era intenso. A cidade recebeu turistas dos mais variados lugares do pa\u00eds. O narrador e ex-dirigente Domingos Santos, que acompanhou toda trajet\u00f3ria do Kabur\u00e9, lembra que as pessoas o paravam na rua para perguntar se de fato o Flamengo iria a Colinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o dia do jogo chegou, a cidade parou. Era quarta-feira, 24 de abril de 1995. O est\u00e1dio Bigod\u00e3o estava lotado, arquibancadas m\u00f3veis foram colocadas, mas n\u00e3o h\u00e1 precis\u00e3o sobre a quantidade de torcedores. Horas antes do in\u00edcio da partida, o \u00f4nibus do Flamengo chegou ao local e as pessoas admiradas corriam atr\u00e1s do ve\u00edculo, at\u00e9 os que estavam dentro do est\u00e1dio sa\u00edram para ver os jogadores do time carioca.<\/p>\n\n\n\n<p>O Flamengo entrou em campo com reservas e foi naquele gramado, plantado pelos pr\u00f3prios torcedores do Kabur\u00e9, que o clube do Rio, sofreu para vencer o de Colinas. Existem muitas contradi\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria do Kabur\u00e9, mas se h\u00e1 uma unanimidade \u00e9 de que no jogo de ida contra o Flamengo, o clube merecia a vit\u00f3ria. Tanto \u00e9 que o destaque da partida foi o goleiro Rubro-Negro, Roger, que precisou fazer grandes defesas. Mesmo assim, os cariocas conseguiram a vit\u00f3ria por 1\u00d70.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana depois, os times voltaram a se enfrentar, dessa vez no Rio de Janeiro. Para alguns jogadores do Kabur\u00e9, foi a primeira e \u00fanica vez de muita coisa: jogar contra o Flamengo, conhecer o Rio e viajar de avi\u00e3o.&nbsp; Inclusive, a falta de experi\u00eancia em transportes a\u00e9reos deixou marcada algumas hist\u00f3rias. Juscelino lembra que o jogador Babau acreditava, naquela \u00e9poca, que os lanches oferecidos no avi\u00e3o eram pagos e entregou dinheiro para a aeromo\u00e7a dizendo:&nbsp;<em>\u2013 Tira aqui a Coca-Cola e traga o troco<\/em>. Claro que o fato causou muitas gargalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Kabur\u00e9 chegou dois dias antes ao Rio. Fizeram o reconhecimento do gramado e quando chegou o grande momento, e os jogadores entraram na G\u00e1vea lotada, foi emo\u00e7\u00e3o pura. Dessa vez, Vanderlei Luxemburgo mandou a campo seus titulares, a exemplo de S\u00e1vio, Mazinho e Charles Guerreiro. Aconteceu o esperado: o time de Colinas foi goleado por 8\u00d70, mas o resultado foi apenas um detalhe. O sentimento era de dever cumprido. O torcedor ficou maravilhado, orgulhoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>Time pequeno quando classifica para ir para uma capital, t\u00e1 de bom tamanho&nbsp;<\/em>\u2013 diz o eterno torcedor Luiz da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico, ex-prefeito de Colinas e ex-presidente do Kabur\u00e9, Dr. Evaldo Borges, sabia que o maior feito j\u00e1 tinha sido alcan\u00e7ado e liberou os jogadores para conhecer o Rio de Janeiro. Andando pelas ruas cariocas, eles tiveram seu dia de fama, com algumas pessoas os parando para tirar foto. Foi nesse dia tamb\u00e9m que Juscelino realizou seu sonho de menino, ser not\u00edcia na Revista Placar. O capit\u00e3o do Kabur\u00e9 ainda ganhou uma camisa autografada de Rom\u00e1rio, que estava assistindo ao jogo na arquibancada, al\u00e9m de ter voltado para o hotel de carona com Branco, jogador do Flamengo e da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Foi a primeira e \u00fanica vez que um time de Tocantins jogou contra o time carioca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terceira participa\u00e7\u00e3o: Kabur\u00e9 e Portuguesa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um ano fora da competi\u00e7\u00e3o, o Kabur\u00e9 voltou a Copa do Brasil em 1997 e o primeiro jogo foi com o vice-campe\u00e3o brasileiro do ano anterior, Portuguesa-SP. Mais uma vez, a cidade de Colinas recebeu imprensa e visitantes de todas as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>O time, como de costume, molhou o gramado do est\u00e1dio Bigod\u00e3o para dificultar a vida do advers\u00e1rio, o jornalista Gilvan Silva conta que esse era um h\u00e1bito frequente, j\u00e1 que os jogadores do Kabur\u00e9 estavam habituados a jogar em campos encharcados. Um dia, em um jogo contra o Tocantin\u00f3polis, choveu tanto que o \u00e1rbitro n\u00e3o queria d\u00e1 o in\u00edcio da partida, as condi\u00e7\u00f5es do gramado eram impratic\u00e1veis. Como o est\u00e1dio Bigod\u00e3o n\u00e3o tinha servi\u00e7o de drenagem, a diretoria resolveu providenciar colch\u00f5es para fazer esse servi\u00e7o, que deu certo.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma estrat\u00e9gia de molhar o gramado foi usada contra o clube da maior metr\u00f3pole do pa\u00eds e surtiu efeito positivo, pois o Kabur\u00e9 n\u00e3o perdeu para a Portuguesa e conseguiu um empate em 1\u00d71, garantindo o jogo da volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o time foi goleado tamb\u00e9m por 8\u00d70, mas a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido novamente tomou conta daquele elenco.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Um time de Colinas ir jogar uma competi\u00e7\u00e3o oficial em S\u00e3o Paulo \u00e9 uma felicidade, um sonho!<\/em>&nbsp;\u2013 diz o ex-jogador Juscelino Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 20 anos se passaram e o Kabur\u00e9 n\u00e3o conseguiu mais acesso a Copa do Brasil. Hoje o time est\u00e1 com suas atividades paralisadas, mas \u00e9 certo dizer que o clube de Colinas ajudou a construir a hist\u00f3ria da competi\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica do pa\u00eds, nos fazendo entender que \u00e0s vezes o resultado do jogo \u00e9 uma mera formalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao conquistar a Copa Tocantins de 1993, o Kabur\u00e9 come\u00e7ou a construir uma hist\u00f3ria que ficaria marcada para sempre na Copa do Brasil. 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