{"id":105761,"date":"2019-07-20T08:34:38","date_gmt":"2019-07-20T11:34:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=105761"},"modified":"2019-07-20T08:34:38","modified_gmt":"2019-07-20T11:34:38","slug":"a-maior-descoberta-das-viagens-a-lua-foi-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/07\/20\/a-maior-descoberta-das-viagens-a-lua-foi-a-terra\/","title":{"rendered":"A maior descoberta das viagens \u00e0 Lua foi a Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>O cancioneiro nacional tem mais de uma dezena de m\u00fasicas que tratam de temas ligados \u00e0 epopeia humana no espa\u00e7o sideral. Vinicius de Moraes e Baden Powell compuseram \u201cO astronauta\u201d, ap\u00f3s o sovi\u00e9tico Iuri Gagarin ir \u00e0 \u00f3rbita da Terra (abril de 1961) e revelar \u00e0 humanidade que \u201ca Terra \u00e9 azul\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O cosmo, os astros e o homem no espa\u00e7o tamb\u00e9m mobilizaram Erasmo e Roberto Carlos, que nos tempos da jovem guarda compuseram a hom\u00f4nima \u201cO astronauta\u201d; \u201cO disco voador\u201d e \u201cNa lua n\u00e3o h\u00e1\u201d. Naves espaciais, a Lua, o Sol, as estrelas, e at\u00e9 seres extraterrestres inspiraram Gilberto Gil (\u201cLunik 9\u201d); Jackson do Pandeiro (\u201cCantiga da Perua\u201d); Batatinha (\u201cFoguete Particular\u201d), Jorge Benjor (\u201cO dia que o Sol declarou o seu amor pela Terra\u201d); e Rita Lee (\u201cAl\u00f4 al\u00f4, marciano\u201d), entre outros compositores, cantores e m\u00fasicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Caetano Veloso registra na can\u00e7\u00e3o \u201cTerra\u201d (impressa em disco de 1978) o impacto de ter visto \u201cas tais fotografias\u201d do planeta obtidas pela tripula\u00e7\u00e3o norte-americana da Apollo 8, ao registrar \u201co nascer da Terra\u201d &#8211; quando o m\u00f3dulo espacial voou na \u00f3rbita lunar em fins&nbsp;de dezembro&nbsp;de 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro de mem\u00f3rias \u201c<a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=14436\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Verdade Tropical<\/a>\u201d, Caetano conta como foi ver aquela imagem pela primeira vez. \u201cUm dia Ded\u00e9 [Gadelha, primeira esposa,] me trouxe uma revista Manchete com as primeiras fotografias da Terra tiradas de fora da atmosfera. Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro \u2013 o que provocava forte emo\u00e7\u00e3o, pois confirmava o que s\u00f3 t\u00ednhamos chegado a saber por dedu\u00e7\u00e3o e s\u00f3 v\u00edamos em representa\u00e7\u00f5es abstratas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito no compositor, ent\u00e3o preso em quartel do Ex\u00e9rcito em Marechal Deodoro, no Rio&nbsp;de Janeiro, repetiu aquele partilhado por centena de milh\u00f5es ou bilh\u00e3o de pessoas que assistiram na v\u00e9spera do&nbsp;Natal&nbsp;a transmiss\u00e3o via sat\u00e9lite em que os astronautas leram os primeiros dez versos do G\u00eanesis, enquanto pairavam sobre a Lua e faziam imagens do sat\u00e9lite e da Terra.Naquele instante ou depois, ao ver as imagens em revistas e jornais, a popula\u00e7\u00e3o mundial percebeu como a Terra era pequenina suspensa em imensur\u00e1vel e pacato fundo negro. \u201cSegundo dizia [o astr\u00f4nomo] Carl Sagan, foi com aquela foto, foi naquele momento, que se percebeu que a Terra est\u00e1 sozinha em um enorme oceano escuro, que a Terra \u00e9 pequena e de certa forma fr\u00e1gil\u201d, cita o f\u00edsico e astr\u00f4nomo Roberto Dell&#8217;Aglio, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o legado da foto da Apollo 8 foi \u201cflorescer a consci\u00eancia ecol\u00f3gica\u201d e o homem perceber a finitude da Terra. Uma perspectiva at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita e que baseou as preocupa\u00e7\u00f5es preservacionistas e conservacionistas que surgir\u00e3o a partir dali.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior descoberta da ida \u00e0 Lua foi a Terra. Ou seja, a partir das viagens, n\u00f3s obtivemos da \u00f3rbita da Lua uma vis\u00e3o extraordin\u00e1ria da Terra\u201d, assinala o engenheiro mec\u00e2nico Jos\u00e9 Bezerra Pessoa Filho, que trabalhou por mais de 30 anos no Instituto de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (IAE) do Departamento de Ci\u00eancia e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alunissagens e guerra fria<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/04FbRCF_mwzKfTaRsAkf142VFH8=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/as11-40-5948orig.jpg?itok=SXmzRcwB\" alt=\"AS11-40-5948 (20 July 1969) --- Astronaut Edwin E. Aldrin Jr., lunar module pilot, is photographed during the Apollo 11 extravehicular activity (EVA) on the moon. He has just deployed the Early Apollo Scientific Experiments Package (EASEP). This\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Viagens espaciais implicaram no desenvolvimento de tecnologia em uso no cotidiano dos humanos&nbsp;<strong>NASA\/Direitos reservados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As imagens que comoveram artistas e cientistas, e apresentaram o mundo ao mundo, n\u00e3o foram, no entanto, o maior feito da aventura do homem no espa\u00e7o. Esse aconteceu em&nbsp;20 de julho&nbsp;de 1969, um&nbsp;domingo, quando o engenheiro aeroespacial e astronauta Neil Alden Armstrong, ent\u00e3o com 38 anos, colocou o p\u00e9 esquerdo pouco antes da meia noite (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia) em solo lunar.<\/p>\n\n\n\n<p>O gesto foi acompanhado das c\u00e9lebres palavras pronunciadas por Armstrong e escutadas em cadeia televisiva: &#8220;um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminhada de Neil Armstrong e de seu colega Buzz Aldrin, por duas horas e meia, pela superf\u00edcie da Lua selou a vit\u00f3ria simb\u00f3lica dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) sobre a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) na corrida espacial iniciada na d\u00e9cada de 1950. As demais alunissagens foram feitas exclusivamente pelos norte-americanos at\u00e9 1972, em cinco seguintes miss\u00f5es (Apollo 12;14; 15; 16 e 17), e confirmaram a hegemonia alcan\u00e7ada pelo Ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o programa Apollo, da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), a corrida espacial era vencida com folga pelos sovi\u00e9ticos. Antes de colocar Gagarin no espa\u00e7o e inspirar Vinicius de Moraes, a URSS lan\u00e7ou o Sputnik em volta da Terra (1957); enviou a cadela Laika (primeiro ser vivo) \u00e0 \u00f3rbita (tamb\u00e9m em 1957) e fotografou a face oculta da Lua (1959) \u2013 onde a sonda chinesa Chang&#8217;e-4 posou este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA inten\u00e7\u00e3o dos americanos naquele mundo bipolar era mostrar que eram melhores que o mundo comunista\u201d, comenta Bezerra Pessoa ao lembrar da guerra fria entre EUA e URSS, e que as naves espaciais eram transportadas por foguetes que tamb\u00e9m podem servir como m\u00edsseis de longo alcance, como o foguete R7 que levou o Sputnik \u00e0 \u00f3rbita da Terra ou o Saturno 5 que transportou a Apolo 11 ao espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ida \u00e0 Lua tem o contexto da propaganda e do marketing, mas foi fomentado pela quest\u00e3o militar. O contexto era de disputa pela hegemonia no planeta. As miss\u00f5es do programa Apollo s\u00e3o resultado direto da guerra fria\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Poeira das estrelas<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/EPML2foColcgjar6MobCEHvW63Q=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/6901250orig.jpg?itok=WsfjkHyp\" alt=\"APOLLO 11 ONBOARD PHOTO: GOOD VIEW OF ASTRONAUT FOOTPRINT IN LUNAR SOIL.\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o p\u00e9 esquerdo, o astronauta Neil Armstrong pisou em solo lunar pela primeira vez&nbsp; &#8211;&nbsp;<strong>NASA\/Direitos reservados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a astrof\u00edsica Du\u00edlia Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica, em Washington, \u201ca miss\u00e3o Apollo ainda \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o para todos. Daqui a 500 anos a gente ainda vai lembrar do s\u00e9culo 20 como o s\u00e9culo que n\u00f3s pisamos em outro corpo celeste\u201d, declara com entusiasmo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de Carlos Augusto Teixeira de Moura, presidente da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB), o desenvolvimento tecnol\u00f3gico \u00e9 o maior legado daquele momento. \u201cHavia tecnologia para lan\u00e7ar objetos ao espa\u00e7o, colocar objetos em \u00f3rbita. Mas com uma envergadura desse tipo, de ir at\u00e9 outro objeto no universo, orbit\u00e1-lo, pousar nesse objeto e retornar foi grande conquista\u201d, declara ainda impressionado pela garantia de seguran\u00e7a, alimenta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia das tripula\u00e7\u00f5es que desceram na Lua (12 homens no total).<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m dos meios e modo de fazer alunissagem, \u00e0s viagens espaciais implicaram no desenvolvimento de tecnologia em uso no cotidiano como a miniaturiza\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica dos computadores de bordo,&nbsp;hoje&nbsp;em carros e avi\u00f5es; uso de sat\u00e9lites para transmiss\u00e3o de imagens e informa\u00e7\u00f5es; o monitoramento e a\u00e7\u00f5es a dist\u00e2ncia (pr\u00f3prio da telemedicina).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outras tecnologias mais comezinhas, importantes nas viagens espaciais, e presentes no dia a dia das pessoas comuns, como os t\u00eanis com absor\u00e7\u00e3o de impacto, as roupas t\u00e9rmicas, a comida desidratada e as refei\u00e7\u00f5es embaladas a v\u00e1cuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos cient\u00edficos, o maior progresso se deu com o exame do material recolhido na Lua. A coleta de um total de 382 kg de rochas, pedra e areia da Lua, feita em seis miss\u00f5es do programa Apollo, ajudou o desenvolvimento da teoria de que a Lua \u00e9 resultado do choque, no come\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o do sistema solar, de um corpo celeste do tamanho de Marte com a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO resultado dessa colis\u00e3o foi um monte de part\u00edculas que ao longo do tempo foi se aglomerando e da\u00ed surgiu a Lua\u201d, resume Bezerra Pessoa Filho. \u201cN\u00f3s somos feitos da mesma coisa. Como disse Carl Sagan, somos feitos de poeira das estrelas. N\u00e3o tem nada especial\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA chegada do homem \u00e0 lua tem a ver com um determinado momento da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, em especial com a investiga\u00e7\u00e3o sobre como evoluiu o sistema solar, como a Terra e a Lua se formaram\u201d, confirma o progresso Roberto Dell&#8217;Aglio, da USP.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Programa Espacial Brasileiro<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/lMkZ4RBFZlY7X1ds_z4hL13-4mY=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/marcos-pontes-astronauta-brasileiro-getty.jpg?itok=5KYBl01q\" alt=\"O astronauta brasileiro Marcos Pontes, quando foi ao espa\u00e7o em 2006\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O astronauta brasileiro Marcos Pontes, quando foi ao espa\u00e7o em 2006 &#8211;&nbsp;<strong>Nasa\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A corrida espacial gerou interesse do governo brasileiro antes das descobertas das miss\u00f5es Apollo. Em agosto de 1961, menos de 20 dias antes de renunciar, o<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1960-1969\/decreto-51133-3-agosto-1961-390741-publicacaooriginal-1-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">presidente J\u00e2nio Quadros instituiu por decreto o Grupo de Organiza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de Estudos Espaciais<\/a>, a pedra fundamental do Programa Espacial Brasileiro. No mesmo dia do decreto, J\u00e2nio condecorou o astronauta sovi\u00e9tico com a Ordem do Cruzeiro do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo final da d\u00e9cada de 1950 e come\u00e7o dos anos 1960, n\u00f3s vivemos um momento muito promissor no Brasil de desenvolvimento tanto cient\u00edfico quanto tecnol\u00f3gico\u201d, avalia o presidente da AEB. Conforme Teixeira de Moura, \u201cera um momento especial. De um pa\u00eds essencialmente agr\u00edcola, come\u00e7\u00e1vamos a arranhar a fronteira do conhecimento que era a \u00e1rea espacial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a chegada do homem \u00e0 Lua oito anos ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o do programa espacial, \u201cfoi uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo grande nas pessoas que viram que elas n\u00e3o estavam apenas fazendo algo como a pesquisa pela pesquisa ou a ci\u00eancia pela a ci\u00eancia, mas tinha a possibilidade de participar de investimentos de grande envergadura que teriam influ\u00eancia no nosso cotidiano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o presidente da AEB, o Brasil passou na d\u00e9cada seguinte a \u201cambicionar\u201d a capacidade de projetar sat\u00e9lites, dispor dos servi\u00e7os desses sat\u00e9lites e usar os centros de lan\u00e7amento \u2013 a base Barreira do Inferno, fundada em 1965 em Parnamirim (RN); e de Alc\u00e2ntara (MA), inaugurado em 1983 &#8211; para essas opera\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de&nbsp;ter&nbsp;um foguete pr\u00f3prio para levar objetos ao espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, a ambi\u00e7\u00e3o do Brasil esbarrou em dois obst\u00e1culos. Uma externa e outra interna. A primeira \u00e9 a diminuta coopera\u00e7\u00e3o internacional para realizar os feitos projetados. A sensibilidade da coopera\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es estrat\u00e9gicas. Quem fabrica foguete tamb\u00e9m pode&nbsp;term\u00edssil \u2013 como ocorreu com os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no in\u00edcio da corrida espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA participa\u00e7\u00e3o americana nos primeiros dez anos do programa espacial foi essencial. Sem eles, n\u00e3o&nbsp;ter\u00edamos chegado onde chegamos. Quando perceberam que t\u00ednhamos ambi\u00e7\u00f5es para outras coisas, quer\u00edamos construir um foguete lan\u00e7ador de sat\u00e9lite, perceberam que n\u00e3o era interessante continuar apoiando\u201d, analisa Bezerra Pessoa Filho, que se doutorou nos EUA e passou tr\u00eas d\u00e9cadas no DCTA.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos formais, a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para construir foguete \u00e9 limitada tamb\u00e9m pelo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d2864.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tratado de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de armas nucleares (TNP)<\/a>, assinado em Londres, Moscou e Washington, em 1\u00ba de julho de 1968, e que o Brasil se tornou signat\u00e1rio em 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o primeiro artigo do termo que tem valor de lei, os pa\u00edses nuclearmente armados comprometem-se a n\u00e3o transferir, \u201dpara qualquer recipiend\u00e1rio\u201d, armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares.<\/p>\n\n\n\n<p>A limita\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica dificulta progressos locais, e a aquisi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 prontas. \u201cToda vez que tem que parar uma iniciativa para reprojetar alguma coisa, que se comprava no mercado [internacional] e de repente tem que produzir por meios pr\u00f3prios, acaba por haver atrasos e aumento de custos\u201d, explica Teixeira de Moura.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da AEB avalia que o bloqueio interno criou mais dificuldades do que a imposi\u00e7\u00e3o estrangeira. \u201cO principal fator foi a falta de prioridade pol\u00edtica\u201d, considera. \u201cSem&nbsp;ter&nbsp;isso como uma prioridade de Estado, vai&nbsp;ter&nbsp;menos prioridade de recursos, tanto materiais e financeiros quanto humanos, e as coisas come\u00e7a a atrasar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O astronauta Marcos Pontes, ministro da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, corrobora a vis\u00e3o do dirigente da Ag\u00eancia Espacial Brasileira. \u201cQuando uma na\u00e7\u00e3o se dedica a fazer alguma coisa, ela consegue fazer\u201d, disse o ministro que esteve na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS) em abril de 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Pontes vislumbra a revitaliza\u00e7\u00e3o do programa espacial com a possibilidade do uso comercial do Centro Espacial de Alc\u00e2ntara. O uso da base por pa\u00edses estrangeiros pode gerar US$ 3,5 bilh\u00f5es por ano ao Brasil, calcula o ministro<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse esfor\u00e7o de trabalhar com o Centro Espacial de Alc\u00e2ntara, de gerar recursos para suplementar recursos para desenvolver nossos sat\u00e9lites, desenvolver mais forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos e engenheiros\u201d, descreve o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>O Acordo de Salvaguardas Tecnol\u00f3gicas (AST), assinado em mar\u00e7o entre o governo do Brasil e o governo dos Estados Unidos, \u00e9 o primeiro termo que pode viabilizar o uso da base que pr\u00f3xima \u00e0 Linha do Equador, que garante o lan\u00e7amento de foguetes com gasto menor de combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Miss\u00e3o a Marte<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/gY66tLfADHRacMheRjsbCw5CPEY=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/marte_2.jpg?itok=EeUq9NG7\" alt=\"Cientistas italianos descobrem \u00e1gua em estado l\u00edquido em Marte\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Cientistas italianos descobrem \u00e1gua em estado l\u00edquido em Marte &#8211;&nbsp;<strong>EFE\/EPA\/USGS Astrogeology Center\/Direitos reservados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Marcos Pontes tamb\u00e9m \u00e9 otimista com a retomada das viagens \u00e0 Lua. \u201cO ser humano tem isso de explorar o desconhecido. Foi isso que nos trouxe aqui. Foi o que nos trouxe a tecnologia, o come\u00e7o da ci\u00eancia, o racioc\u00ednio\u201d, salientou em conversa com jornalistas da EBC ap\u00f3s entrevista \u00e0&nbsp;<strong>TV Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a necessidade de conhecer que empurra a natureza humana\u201d, disse Pontes ao comentar o interesse chin\u00eas em fazer visitas tripuladas ao sat\u00e9lite da Terra, inten\u00e7\u00e3o declarada inicialmente na Confer\u00eancia de Explora\u00e7\u00e3o Espacial Global, ocorrida em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Dell&#8217;Aglio, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP, tamb\u00e9m observa o interesse chin\u00eas em fazer um pouso no lado oposto da Lua, \u201cque n\u00e3o \u00e9 escuro como se pensa\u201d. Em sua percep\u00e7\u00e3o, uma base na Lua pode servir como plataforma de explora\u00e7\u00e3o do sistema solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de chegar \u00e0 Lua, o corpo celeste mais pr\u00f3ximo que poderia ser visitado pelo homem seria Marte. \u201cMas para que isso seja verdade uma quantidade grande de tecnologia precisa ser desenvolvida\u201d, indica Dell&#8217;Aglio. Para ele, \u201ca Lua \u00e9 o lugar ideal para se testar esse tipo de tecnologia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior limitante para uma viagem tripulada \u00e0 Marte \u201c\u00e9 o fator humano\u201d, pondera o engenheiro Bezerra Pessoa Filho. Ele calcula que com a tecnologia dispon\u00edvel, a viagem levaria cerca de tr\u00eas anos e meio. \u201cN\u00f3s nunca passamos tanto tempo no espa\u00e7o assim\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do longo tempo exigido, a aventura exigiria um carregamento in\u00e9dito de combust\u00edvel para garantir a volta dos astronautas. \u201cSe a gente levar o combust\u00edvel que precisa para voltar, o foguete ficaria t\u00e3o pesado que n\u00e3o sairia da Terra\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Bezerra Pessoa Filho, a tecnologia de lan\u00e7amento pode ser benefici\u00e1ria dos avan\u00e7os obtidos com a eletr\u00f4nica ap\u00f3s a ida \u00e0 Lua, mas o foguete n\u00e3o seria muito diferente em peso e tamanho que o Saturno V (da altura de um pr\u00e9dio de 35 andares e carga de tr\u00eas toneladas).<\/p>\n\n\n\n<p>O empreendimento resultaria em um gasto elevado. A pre\u00e7o de&nbsp;hoje, o especialista estima que o Programa Apollo tenha tido um custo total entre US$ 150 e US$ 250 bilh\u00f5es \u2013 no teto, o valor que o Brasil deve economizar em 10 anos com a reforma da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<p>A impossibilidade tecnol\u00f3gica e o alt\u00edssimo custo n\u00e3o v\u00e3o deter o g\u00eanio humano, assegura Bezerra Pessoa Filho. \u201cA explora\u00e7\u00e3o espacial faz parte da natureza humana, n\u00f3s somos assim. Certamente continuaremos nossa explora\u00e7\u00e3o. Somente neste s\u00e9culo descobrimos 4 mil planetas fora do sistema solar\u201d, diz lembrando das observa\u00e7\u00f5es por telesc\u00f3pios gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia ainda n\u00e3o sabe quando o homem poder\u00e1 ir \u00e0 Marte, mas a poesia anteviu o feito. \u201cO homem chateia-se na Lua \/ Vamos para Marte &#8211; ordena a suas m\u00e1quinas \/ Elas obedecem, o homem desce em Marte \/Pisa em Marte \/ Experimenta \/ Coloniza \/ Civiliza \/ Humaniza Marte com engenho e arte\u201d, escreveu Carlos Drummond de Andrade no poema \u201cO Homem; As Viagens\u201d, publicado em 1973 no livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=13275\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As impurezas do Branco<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrevista &#8211; Pesquisa Espacial<\/h2>\n\n\n\n<p>Clique&nbsp;<a href=\"http:\/\/conteudo.ebc.com.br\/agencia\/2019\/pingpong_lua\/pingpong.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>&nbsp;e leia a entrevista com engenheiro mec\u00e2nico e professor Lu\u00eds Eduardo Loures da Costa, respons\u00e1vel pelo projeto Itasat-1, um microssat\u00e9lite brasileiro constru\u00eddo pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA) em parceria com a Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhos da Reportagem &#8211; O grande salto: 50 anos do homem na Lua<\/h2>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas ainda duvidam dessa viagem, outros n\u00e3o t\u00eam a menor d\u00favida de que aconteceu. O fato \u00e9 que, 50 anos depois, a Lua ainda fascina e \u00e9 objeto de interesse e pesquisas nas mais diversas idades. Assista na&nbsp;<strong>TV Brasil<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cancioneiro nacional tem mais de uma dezena de m\u00fasicas que tratam de temas ligados \u00e0 epopeia humana no espa\u00e7o sideral. 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