{"id":107059,"date":"2019-07-27T14:13:01","date_gmt":"2019-07-27T17:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=107059"},"modified":"2019-07-27T14:13:01","modified_gmt":"2019-07-27T17:13:01","slug":"cidades-pequenas-concentram-metade-das-mortes-no-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/07\/27\/cidades-pequenas-concentram-metade-das-mortes-no-transito\/","title":{"rendered":"Cidades pequenas concentram metade das mortes no tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"\n<p>ma quinta-feira de 2017, um aposentado de 64 anos atravessou uma rua em Bom Jesus dos Perd\u00f5es, cidade a 76 km de S\u00e3o Paulo, com cerca de 20 mil habitantes. Um motorista que conduzia seu carro ladeira abaixo naquela rua disse n\u00e3o ter visto quando o pedestre \u201csurgiu\u201d na sua frente. O aposentado foi atropelado e morreu naquele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cenas como essa se repetem todos os dias no tr\u00e2nsito brasileiro, pulverizados pelo territ\u00f3rio nacional. E, segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Paran\u00e1 em parceria com o ONSV (Observat\u00f3rio Nacional de Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria), as cidades brasileiras de pequeno porte (com at\u00e9 100 mil habitantes) concentram praticamente a metade das v\u00edtimas de tr\u00e2nsito no pa\u00eds (49%).<\/p>\n\n\n\n<p>O dado \u00e9 alarmante, j\u00e1 que nelas residem 43% da popula\u00e7\u00e3o \u2013al\u00e9m de terem menor frota de ve\u00edculos e fluxo de viagens. Essas cidades tamb\u00e9m est\u00e3o mais longe de cumprirem as metas nacionais de redu\u00e7\u00e3o de mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o do SUS de 2017, que apontam a ocorr\u00eancia de 35.367 mortes no tr\u00e2nsito em todo o territ\u00f3rio brasileiro. Para o ONSV, falta maior compromisso das prefeituras de munic\u00edpios de pequeno porte com o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, cidades grandes (que t\u00eam mais de 500 mil habitantes) concentram 30% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mas respondem por 23% das mortes no tr\u00e2nsito. Nas cidades m\u00e9dias (entre 100 mil e 500 mil habitantes), h\u00e1 maior equil\u00edbrio entre os dois par\u00e2metros: nelas residem 26% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil e morrem 28% das v\u00edtimas do tr\u00e2nsito brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, entre as cidades pequenas com grande n\u00famero de mortes est\u00e3o, por exemplo, Lagoa dos Tr\u00eas Cantos (RS), onde apenas uma colis\u00e3o frontal entre dois ve\u00edculos numa rodovia estadual que cruza a cidade matou cinco pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio, de apenas 1.650 habitantes, viu seu \u00edndice de mortalidade no tr\u00e2nsito explodir.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de rodovias federais e estaduais em muitas cidades pequenas brasileiras influi no \u00edndice de mortes a cada grave acidente.<br>S\u00f3 nas rodovias federais, \u00e9 poss\u00edvel dizer que ocorreram 23% das 17.343 mortes das cidades pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p>O excedente fica ao custo das vias estaduais e tamb\u00e9m das pr\u00f3prias prefeituras, que t\u00eam responsabilidade sobre seu tr\u00e2nsito local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, de Barra do Turvo (SP), onde dois jovens (um deles menor de idade) morreram em um acidente de motocicleta numa via de terra, na cidade de cerca de 7.000 habitantes, na divisa paulista com o Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/acidente-1-556x417.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-195338 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 556px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 556\/417;\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto: arquivo<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ent\u00e3o em Itapeva (SP), 13 mil moradores, onde um motociclista de cerca de 50 anos morreu em um calmo cruzamento do centro da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o ONSV, os n\u00fameros indicam a necessidade de que as prefeituras pelo pa\u00eds foquem a gest\u00e3o de seus sistemas de transporte e vias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, apenas 29% das cidades brasileiras t\u00eam o sistema de tr\u00e2nsito local municipalizado. Ou seja, criaram departamentos executivos para o tr\u00e2nsito e atuam nos temas de educa\u00e7\u00e3o, engenharia de tr\u00e1fego e fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as outras cidades, o tr\u00e2nsito local fica sem cuidados espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2018, com a cria\u00e7\u00e3o do Pnatrans (Plano Nacional de Redu\u00e7\u00e3o de Mortes e Les\u00f5es no Tr\u00e2nsito), a expectativa era de que todos os munic\u00edpios brasileiros assumissem a responsabilidade de gerir seu tr\u00e2nsito, o que n\u00e3o ocorreu. A municipaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi feita em 98% das cidades grandes e em 97% das de m\u00e9dio porte. O v\u00e1cuo est\u00e1 justamente entre as de pequeno porte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jos\u00e9 Ramalho, presidente do ONSV, ainda h\u00e1 um custo muito grande para que as prefeituras assumam o controle e a fiscaliza\u00e7\u00e3o de suas avenidas.<br>\u201cPara organizar um sistema desse, o prefeito precisa de receitas que viriam de multas ou zona azul a ser implantadas nas cidades. Isso gera um custo pol\u00edtico que muitas vezes ele n\u00e3o est\u00e1 disposto a assumir\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ramalho recomenda que cidades menores adotem o cuidado com o tr\u00e2nsito em etapas. Inicialmente com a educa\u00e7\u00e3o, depois com a introdu\u00e7\u00e3o de medidas de engenharia e, ap\u00f3s essas medidas, a fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cEsse avan\u00e7o d\u00e1 maior respaldo para a fiscaliza\u00e7\u00e3o ocorrer\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Pedro de Paula, da Iniciativa Bloomberg para Seguran\u00e7a Global no Tr\u00e2nsito, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a municipaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o resulte naturalmente na redu\u00e7\u00e3o de mortes. Ainda assim, para ele, os dois elementos est\u00e3o relacionados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe as cidades menores n\u00e3o s\u00e3o municipalizadas, elas t\u00eam capacidade menor de inger\u00eancia sobre o tr\u00e2nsito. Elas dependem dos agentes dos estados e do governo federal e o ordenamento fica muito difuso\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, outras pesquisas no ramo apontam que \u00e1reas com melhor capacidade de planejamento do tr\u00e2nsito e mobilidade, desenho de vias, e de fiscaliza\u00e7\u00e3o reduzem mortes no tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pnatrans trouxe ainda uma nova meta de redu\u00e7\u00e3o de mortes no tr\u00e2nsito (outra havia sido pactuada com a ONU e est\u00e1 longe de ser alcan\u00e7ada at\u00e9 2020). O novo objetivo \u00e9 reduzir em 50% o \u00edndice de mortes no tr\u00e2nsito a cada cem mil habitantes at\u00e9 2028. A meta leva em considera\u00e7\u00e3o a taxa de mortalidade no tr\u00e2nsito de 2018, que ainda n\u00e3o foi contabilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sem os dados de 2018, a pesquisa da UFPR estimou a meta de 2028 em 9 mortes no tr\u00e2nsito a cada cem mil habitantes. Segundo a pesquisa, 62% das cidades est\u00e3o acima desta meta.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os munic\u00edpios acima da meta, os de menor porte est\u00e3o mais longe dela. Eles t\u00eam, em m\u00e9dia, uma taxa de 31 mortes a cada cem mil habitantes. As cidades grandes t\u00eam m\u00e9dia de 19 mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os munic\u00edpios onde houve registro de mortes e que n\u00e3o criaram seus departamentos de tr\u00e2nsito est\u00e3o tamb\u00e9m mais longe da meta do que aqueles que municipalizaram o setor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ma quinta-feira de 2017, um aposentado de 64 anos atravessou uma rua em Bom Jesus dos Perd\u00f5es, cidade a 76 km de S\u00e3o Paulo, com&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35794,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-107059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107059"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":107060,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107059\/revisions\/107060"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}