{"id":107837,"date":"2019-07-31T14:16:10","date_gmt":"2019-07-31T17:16:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=107837"},"modified":"2019-07-31T14:16:10","modified_gmt":"2019-07-31T17:16:10","slug":"pesquisadores-testam-novo-tratamento-contra-leishmaniose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/07\/31\/pesquisadores-testam-novo-tratamento-contra-leishmaniose\/","title":{"rendered":"Pesquisadores testam novo tratamento contra leishmaniose"},"content":{"rendered":"\n<p>Novo tratamento contra a leishmaniose vem sendo testado pelo Centro de Refer\u00eancia em Leishmaniose Dr. Jackson Maur\u00edcio Lopes Costa, no distrito Corte de Pedra, em Presidente Tancredo Neves, na Bahia. A partir do ano que vem come\u00e7a a terceira fase dos testes, feitos em parceria com o Hospital Universit\u00e1rio J\u00falio Muller, de Cuiab\u00e1, em Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa faz parte da iniciativa Medicamentos para Doen\u00e7as Negligenciadas (DNDi, na sigla em ingl\u00eas), uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 testar o tratamento que combina uma sess\u00e3o \u00fanica de terapia de calor a 50 graus com a ingest\u00e3o, durante 21 dias, de um comprimido do medicamento Miltefosina, usado nos tratamentos da leishmaniose e das infe\u00e7\u00f5es por amebas de vida livre. O f\u00e1rmaco \u00e9 eficaz no tratamento da leishmaniose nas formas cut\u00e2nea, mucocut\u00e2nea e visceral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostraram que a combina\u00e7\u00e3o apresenta uma taxa de aproximadamente 80% de cura, sendo mais eficaz do que a aplica\u00e7\u00e3o de calor e de inje\u00e7\u00f5es de antimoniato de meglubina, feitos em separado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fase 3, os centros brasileiros v\u00e3o atuar em conjunto com laborat\u00f3rios da Bol\u00edvia, do Peru e do Panam\u00e1. Essa etapa complementa o estudo, que re\u00fane pesquisadores do Peru e da Col\u00f4mbia. O projeto foi desenvolvido com 130 pacientes para tratar a leishmaniose cut\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi apresentado pela primeira vez no Congresso Brasileiro de Medicina Tropical, ChagaLeish e Parasitologia, pelo diretor do programa Byron Arana, em Belo Horizonte (MG). Segundo o pesquisador, os estudos come\u00e7aram h\u00e1 tr\u00eas anos e o tratamento d\u00e1 mais seguran\u00e7a aos pacientes com taxas mais elevadas de cura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Combina\u00e7\u00e3o perfeita<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cFoi aprovado para a Col\u00f4mbia e o Peru um protocolo para a inclus\u00e3o de um grupo relativamente pequeno de pacientes nos estudos, de 130 pessoas, divididas em dois grupos de trartamento. Um deles recebeu somente a termoterapia e o outro, a termoterapia e o medicamento miltefosina. O que encontramos foi que a combina\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais efetiva do que somente a terapia de calor\u201d, disse Arana \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, o tratamento tamb\u00e9m traz mais conforto para o paciente, uma vez que n\u00e3o precisam ir \u00e0s unidades de sa\u00fade para a aplica\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00f5es.Tamb\u00e9m n\u00e3o foram registrados efeitos colaterais. \u201cS\u00e3o 20 dias de tratamento injet\u00e1vel\u201d, informou a gerente de pesquisas cl\u00ednicas da DNDi, Marina Boni.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (Opas\/OMS), as leishmanioses s\u00e3o doen\u00e7as de transmiss\u00e3o vetorial e integram o grupo de doen\u00e7as infecciosas negligenciadas. S\u00e3o consideradas assim por se disseminarem em regi\u00f5es mais pobres e atingirem popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, que sofrem com dificuldade de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora haja registros em v\u00e1rias partes do mundo, a maioria dos casos ocorre na \u00c1frica, na \u00c1sia e nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA OMS calcula existam entre 600 mil a 1,9 milh\u00e3o de novos casos a cada ano. \u00c9 um problema que afeta com mais frequ\u00eancia as popula\u00e7\u00f5es migrantes. No momento atual, o problema \u00e9 s\u00e9rio na S\u00edria, em consequ\u00eancia da guerra; no Paquist\u00e3o, com migrantes em \u00e1reas de conflito; e em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como o Brasil, que reporta aproximadamente cerca de 17 mil novos casos por ano. \u00c9 um pa\u00eds que contribui com 70%, 80% dos casos da Am\u00e9rica Latina\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma tremenda preocupa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses, porque a enfermidade a cada ano est\u00e1 reportando mais e mais casos. Todos est\u00e3o preocupados, mas n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer, porque o medicamento que seguimos utilizando est\u00e1 velho\u201d, ressaltou. Ele acrescentou que h\u00e1 pouco apoio para o desenvolvimento dos tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador alertou ainda para a segrega\u00e7\u00e3o que muitos pacientes enfrentam por causa das feridas na pele. \u201c\u00c9 uma carga mental que a enfermidade causa. Nos \u00faltimos anos come\u00e7ou a se quantificar o problema de maneira mais sistem\u00e1tica. Anteriormente, nada se anotava e n\u00e3o se sabia o quanto isso representa. Hoje j\u00e1 existem estudos em mulheres e crian\u00e7as mostrando o impacto na qualidade de vida deles\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>A gerente de pesquisas cl\u00ednicas da DNDi, Marina Boni, disse que a inten\u00e7\u00e3o de incluir os centros brasileiros na fase 3 dos estudos \u00e9 mudar as vias de recomenda\u00e7\u00e3o do tratamento no Brasil, que passaria a ser menos longo e menos t\u00f3xico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAtualmente, a doen\u00e7a ainda \u00e9 tratada com medicamentos muito antigos, longos e injet\u00e1veis,de 40 a 60 anos atr\u00e1s. Com os novos estudos, queremos trazer evid\u00eancia cient\u00edfica de efic\u00e1cia que vai se traduzir em qualidade de vida para os pacientes negligenciados\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, as regi\u00f5es Nordeste e Centro-Oeste s\u00e3o as mais end\u00eamicas no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marina Boni chamou aten\u00e7\u00e3o de que, para se obter notifica\u00e7\u00f5es mais realistas, \u00e9 preciso seguir o que se chama de boas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas. \u201cTemos centros como o de Cuiab\u00e1, que recebe pacientes de toda a regi\u00e3o. Ent\u00e3o, precisamos de investigadores que sigam as regras de boas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas\u201d, afirmou, lembrando que o paciente de leishmaniose cut\u00e2nea pode ter a cura da les\u00e3o na pele, mas como vai permanecer com parasitas circulantes no organismo, n\u00e3o se descarta a volta das \u00falceras cut\u00e2neas e at\u00e9 evolu\u00e7\u00e3o para as mucosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Am\u00e9ricas<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a OMS, as leishmanioses est\u00e3o presentes em 18 pa\u00edses das Am\u00e9ricas e a forma cl\u00ednica mais comum \u00e9 a leishmaniose cut\u00e2nea (LC). Entre 2001 e 2017, houve um total de 940.396 casos novos de leishmaniose cut\u00e2nea (LC) e mucosa (LM) que foram reportados por 17 dos 18 pa\u00edses end\u00eamicos dessa regi\u00e3o, com uma m\u00e9dia anual de 55.317 casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (SisLeish \u2013 OPAS\/OMS) relatou 49.959 casos em 17 pa\u00edses end\u00eamicos, uma vez que a Guiana Francesa reporta os dados para a Fran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo tratamento contra a leishmaniose vem sendo testado pelo Centro de Refer\u00eancia em Leishmaniose Dr. Jackson Maur\u00edcio Lopes Costa, no distrito Corte de Pedra, em&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":107838,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-107837","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107837"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":107839,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107837\/revisions\/107839"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}