{"id":109512,"date":"2019-08-09T11:33:34","date_gmt":"2019-08-09T14:33:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=109512"},"modified":"2019-08-09T11:33:34","modified_gmt":"2019-08-09T14:33:34","slug":"maju-coutinho-assume-bancada-do-jornal-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/08\/09\/maju-coutinho-assume-bancada-do-jornal-hoje\/","title":{"rendered":"Maju Coutinho assume bancada do Jornal Hoje"},"content":{"rendered":"\n<p>A partir de setembro, Maria Julia Coutinho, a Maju, ser\u00e1 a \u00fanica apresentadora do Jornal Hoje, que ser\u00e1 reformulado. Sandra Annenberg ir\u00e1 para o Globo Rep\u00f3rter ao lado de Gl\u00f3ria Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi comunicada nesta sexta-feira (9) por Ali Kamel, diretor de jornalismo da emissora, em um longo email divulgado internamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Kamel, Sergio Chapelin, que est\u00e1 na TV Globo desde 1972, pediu para se aposentar. Ele deve permanecer ligado \u00e0 emissora, como Cid Moreira. Os dois s\u00e3o considerados s\u00edmbolos da emissora.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as ocorrem ap\u00f3s a sa\u00edda de Dony de Nuccio da bancada do Jornal Hoje. O apresentador pediu demiss\u00e3o ap\u00f3s ter envolvimento com banco divulgado.<\/p>\n\n\n\n<p>No email interno, Kamel fez uma longa homenagem a Chapelin, descrevendo a carreira dele e tamb\u00e9m as de Gl\u00f3ria, Sandra e Maju.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LEIA A \u00cdNTEGRA DO EMAIL DO DIRETOR:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Hoje \u00e9 dia de homenagens e de lembrar hist\u00f3rias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cinco anos atr\u00e1s, S\u00e9rgio Chapelin me procurou. Era a \u00e9poca de renova\u00e7\u00e3o do contrato. Sempre gentil\u00edssimo, ele me disse que acreditava que era hora de parar. S\u00e9rgio adora o que faz, tem uma rela\u00e7\u00e3o de d\u00e9cadas com o p\u00fablico, com o jornalismo, mas queria mais tempo para a fam\u00edlia, para aproveitar a vida sem tantas obriga\u00e7\u00f5es. Eu discordei, e o carinho dele pelo p\u00fablico e pelo jornalismo \u00e9 de tal ordem, que ele acabou se convencendo a ficar mais cinco anos e a voltar a conversar sobre o assunto no futuro. Esse futuro chegou, ele me procurou algumas semanas atr\u00e1s e a conversa se repetiu. Mesmo apaixonado pelo que faz, S\u00e9rgio ponderou que \u00e9 parte da sabedoria encontrar o momento de desacelerar e aproveitar mais a vida, o tempo com a fam\u00edlia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Conversar com S\u00e9rgio \u00e9 sempre um prazer. Algo na natureza dele o faz ser o mesmo de quando come\u00e7ou na Globo, quase cinquenta atr\u00e1s, um pioneiro: a vitalidade, a voz, a energia, o carisma s\u00e3o os mesmos (temperados pelos cabelos grisalhos). Com anos de diferen\u00e7a, eu e ele temos uma origem profissional comum, a R\u00e1dio Jornal do Brasil, e essa coincid\u00eancia me alegra. Quem o trouxe para a Globo foi Dirceu Rabelo, a &#8220;voz&#8221; da Globo ainda hoje. Dirceu o chamou para um teste em 1972. Ele veio em roupas esportivas, o cabelo longo e se p\u00f4s \u00e0 prova diante de nossa querida Alice-Maria e do editor Silvio J\u00falio. Foi aprovado, mas teve de voltar no dia seguinte com uma orienta\u00e7\u00e3o expressa de Alice: &#8220;Venha com terno e gravata porque o Armando Nogueira vai ver tudo&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Armando adorou e Boni (Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira Sobrinho), tamb\u00e9m. Boni o queria logo no Jornal Nacional, mas Armando precisava dele no Jornal Hoje, para substituir Ronaldo Rosas. S\u00e9rgio dividiria a apresenta\u00e7\u00e3o com S\u00f4nia Maria e com M\u00e1rcia Mendes. &#8220;E tamb\u00e9m com dois comentaristas muito jovens, Nelson Motta e Scarlet Moon&#8221;, S\u00e9rgio me contou, sorrindo, mas logo lamentando a morte precoce de Marcia e Scarlet. Ficou no Hoje apenas um m\u00eas, por\u00e9m. O sucesso foi t\u00e3o grande que quando o saudoso Hilton Gomes deixou o Jornal Nacional, S\u00e9rgio foi o escalado para fazer dupla com Cid Moreira, e essa dupla marcaria para sempre a hist\u00f3ria da Globo. S\u00e9rgio participou tamb\u00e9m da estreia do Fant\u00e1stico, em 1973, sem deixar o Jornal Nacional, e foi o primeiro apresentador do Globo Rep\u00f3rter. Eu disse a ele que isso era um feito, mas S\u00e9rgio, sem nunca abandonar seu jeito simples, me disse: &#8220;\u00c9 um orgulho, claro, mas naquela \u00e9poca, eu apresentava o Jornal Nacional, o Fant\u00e1stico e o Globo Rep\u00f3rter, n\u00e3o tinha moleza, mas era tudo um grande prazer&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1974, o grande Heron Domingues, que apresentava no fim da noite o Jornal Internacional, teve um enfarte fulminante que o matou t\u00e3o cedo. Foi logo depois de divulgar aos brasileiros uma informa\u00e7\u00e3o de repercuss\u00e3o mundial: a ren\u00fancia do presidente Nixon, o \u00e1pice do esc\u00e2ndalo Watergate. Foi uma edi\u00e7\u00e3o marcante. O sat\u00e9lite abriu antes do in\u00edcio discurso do presidente. N\u00e3o estava no ar nas emissoras, somente em circuito fechado para quem tinha acesso ao sinal da Casa Branca. Nixon come\u00e7ou a brincar em frente \u00e0 tela, fez caretas e sorriu. Armando Nogueira, com o jornal no ar, disse a Jorge Pontual, redator do telejornal, para usar as imagens e escrever um &#8220;boa Noite&#8221; com base nelas. Pontual correu para escrever a tempo o texto, que finalizava assim: &#8220;Como um ator antes da novela, como um pol\u00edtico que fez sua carreira dominando a televis\u00e3o e \u00e0s vezes sendo vencido por ela, Richard Milhous Nixon se despediu do cargo mais visado da terra com um sorriso&#8221;. Pontual se agachou por debaixo da mesa de Heron e entregou o papel com o texto. E Heron leu a nota, com aquelas imagens exclusivas (Pontual viria a ser por muitos anos diretor do Globo Rep\u00f3rter e, hoje, \u00e9 correspondente em Nova York). Era o dia nove de agosto de 1974, e, na noite seguinte, l\u00e1 estava S\u00e9rgio substituindo o amigo morto na v\u00e9spera. Ficou na fun\u00e7\u00e3o por nove meses, quando o Jornal Amanh\u00e3 foi criado, com apresenta\u00e7\u00e3o de Carlos Campbell e Marcia Mendes. Voltou para o Jornal Nacional, onde ficou at\u00e9 1983, ao lado de Cid, apresentando tamb\u00e9m eventualmente o Fant\u00e1stico, Globo Rep\u00f3rter e a primeira vers\u00e3o do Jornal da Globo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ficou um ano no SBT, mas logo voltou, a pedido de Boni e de Armando. Foi para o Fant\u00e1stico at\u00e9 1989, sozinho ou dividindo a apresenta\u00e7\u00e3o com Val\u00e9ria Monteiro e Bonner. Mas, em 1985, apresentou, sozinho, uma das edi\u00e7\u00f5es mais marcantes do Jornal Nacional. E num domingo. Foi o JN especial sobre a morte do presidente-eleito Tancredo Neves, depois de 37 dias de interna\u00e7\u00e3o e muitas cirurgias. O Fant\u00e1stico foi interrompido bruscamente, no meio de uma reportagem, para que o rep\u00f3rter Carlos Tramontina, hoje apresentador do SP2, anunciasse que o secret\u00e1rio de imprensa de Tancredo, Ant\u00f4nio Britto, faria o pronunciamento que ficou gravado na mem\u00f3ria de todos: &#8220;Lamento informar que o excelent\u00edssimo senhor presidente da Rep\u00fablica, Tancredo Neves, faleceu esta noite, no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s dez horas e vinte e tr\u00eas minutos&#8221;. Logo depois de uma rodada de rep\u00f3rteres, j\u00e1 no cen\u00e1rio do JN, S\u00e9rgio, emocionado, disse para aqueles que ligavam a televis\u00e3o naquele momento: &#8220;O presidente Tancredo Neves est\u00e1 morto, como acaba de anunciar o secret\u00e1rio de imprensa, Ant\u00f4nio Britto&#8221;. Mudou de c\u00e2mera e leu, com o tom certo que fez dele um mestre, o editorial que visava a homenagear Tancredo e consolar o pa\u00eds, tomado por como\u00e7\u00e3o. O in\u00edcio dizia assim: &#8220;Nessa hora de profunda tristeza, o Brasil se sente mais s\u00f3. Todos n\u00f3s brasileiros estamos sofrendo muito. O presidente nos deixa, entre l\u00e1grimas e saudades, a certeza de que haveremos de viver uma Nova Rep\u00fablica&#8221;. E, por horas, ancorou aquela cobertura hist\u00f3rica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1989, voltaria a se dedicar exclusivamente \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do Jornal Nacional ao lado de Cid at\u00e9 1996, quando passou a ser o titular do Globo Rep\u00f3rter. S\u00e3o 23 anos comandando o programa, campe\u00e3o absoluto de audi\u00eancia, num longo conv\u00edvio com a genial Silvia Say\u00e3o, diretora do programa durante todo esse per\u00edodo (e por muitos mais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ano ap\u00f3s ano, s\u00e3o in\u00fameros os epis\u00f3dios marcantes da carreira de S\u00e9rgio (caberiam em mais de um livro). Se escolhi esses para citar \u00e9 porque brotaram na conversa que tivemos (na mem\u00f3ria dele e na minha, como espectador e admirador). Olhando para tudo o que S\u00e9rgio fez, para o seu pioneirismo (quem mais pode dizer que estava na estreia de dois fen\u00f4menos como o Fant\u00e1stico e Globo Rep\u00f3rter?), para a sua imensa contribui\u00e7\u00e3o ao nosso jornalismo, foi imposs\u00edvel n\u00e3o me render aos argumentos dele.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como dizer n\u00e3o ao desejo de se dedicar mais \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 vida, tendo ele sido esse gigante para a Globo? Confesso que fiquei emocionado, na ter\u00e7a, durante a nossa conversa de arremate. Mas disse a ele que sim. S\u00e9rgio deixar\u00e1 o Globo Rep\u00f3rter no fim de setembro. Mas n\u00e3o deixar\u00e1 a Globo. Como Cid Moreira, continuar\u00e1 ligado \u00e0 emissora que a ele \u00e9 t\u00e3o grata. Tenho certeza de que falo por todos n\u00f3s, seus colegas, quando, em nome da TV Globo, agrade\u00e7o seu trabalho magistral. S\u00e9rgio, muito, muito obrigado. Sua contribui\u00e7\u00e3o ao nosso jornalismo \u00e9 imensur\u00e1vel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como substituir algu\u00e9m como S\u00e9rgio Chapelin? Com duas das mais completas e consagradas jornalistas da televis\u00e3o brasileira, Gl\u00f3ria Maria e Sandra Annenberg. Conversei com elas e fiquei imensamente feliz ao perceber o entusiasmo delas diante do novo desafio, tanto Sandra como Gl\u00f3ria. O Globo Rep\u00f3rter, eu sei, empolga todos n\u00f3s jornalistas, porque \u00e9 um programa vitorioso, de alt\u00edssimo n\u00edvel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Gl\u00f3ria come\u00e7ou na Globo, uma menina, como estagi\u00e1ria, em 1971, quando se come\u00e7ava a estagiar no momento em que se chegava \u00e0 universidade. J\u00e1 em novembro daquele ano, foi protagonista de uma das mais importantes coberturas da Globo, a queda do viaduto Paulo de Frontin, que matou 29 pessoas e feriu 18. Numa \u00e9poca em que n\u00e3o havia telefone celular, internet, redes sociais, ela descobriu em sua ronda que o viaduto desabara, fez as primeiras apura\u00e7\u00f5es que j\u00e1 davam a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia e, assim, permitiu que a Globo entrasse cedo naquela cobertura t\u00e3o importante. Nos dias seguintes, participou dos trabalhos aprendendo com os rep\u00f3rteres mais experientes. Foi seu batismo de fogo. &#8220;Voc\u00ea imagina uma foca recebendo uma informa\u00e7\u00e3o com aquela dimens\u00e3o? No in\u00edcio do in\u00edcio da carreira!&#8221;, Gloria sempre me diz, como que incr\u00e9dula.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Gl\u00f3ria \u00e9 uma pioneira: foi a primeira rep\u00f3rter a fazer um vivo no Jornal Nacional. Se, ainda hoje, um rep\u00f3rter experiente fica ansioso ao entrar no ar, d\u00e1 pra imaginar o que foi a proeza quarenta e dois anos atr\u00e1s, em 1977. E n\u00e3o foi f\u00e1cil. Todos muito empolgados com a possibilidade de entrar ao vivo sem equipamentos enormes (mas gigantes em rela\u00e7\u00e3o aos de hoje), a ideia foi fazer o vivo na Avenida Brasil, durante um enorme engarrafamento. Tudo estava certo quando, cinco minuto antes de ir ao ar, os refletores desligaram. A sa\u00edda foi criativa: Gl\u00f3ria se ajoelhou e foi iluminada pelos far\u00f3is da Chevrolet Veraneio, ent\u00e3o o carro de reportagem da Globo. &#8220;Foi um susto, todos ficamos apavorados. T\u00ednhamos ali os far\u00f3is, o problema era que eles n\u00e3o iluminavam o meu rosto. Eu disse, calma, eu me ajoelho! E tudo saiu \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o&#8221;, Gl\u00f3ria conta. Saber sair de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis \u00e9 uma caracter\u00edstica que ela sempre teve. Novamente pioneira, anos mais tarde, em 2007, fez a primeira transmiss\u00e3o em Alta Defini\u00e7\u00e3o da TV Brasileira, na Cidade Proibida, em Pequim, para o Fant\u00e1stico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foram muitas as coberturas importantes, e eu ressalto aqui tr\u00eas. Cobriu em 1976 a posse do presidente americano Jimmy Carter, apenas cinco anos depois de entrar na emissora como estagi\u00e1ria. Foi um acontecimento, um presidente do partido Democrata depois dos conturbados anos de Nixon e Gerald Ford. Gl\u00f3ria foi a primeira mulher na Globo a cobrir uma guerra, e coube a ela anunciar o fim da Guerra das Malvinas, em 1982. &#8220;Muitos colegas foram mandados antes de mim, num trabalho muito rico.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando Armando Nogueira decidiu me enviar, eu tive a sorte de poder anunciar o fim do conflito&#8221;, Gl\u00f3ria lembra. Em abril de 1997, Gl\u00f3ria foi enviada ao Peru, onde cobriu o desfecho do sequestro de mais de 100 diplomatas que estavam numa festa na casa do embaixador do Jap\u00e3o, um drama que se iniciara em dezembro do ano anterior. Entre as v\u00edtimas, o embaixador brasileiro, Carlos Luiz Coutinho Peres, entrevistado por ela ao deixar o cativeiro. Foram dez dias tensos, que acabaram na morte dos 14 guerrilheiros do Movimento Revolucion\u00e1rio Tupac Amaru. &#8220;Foi uma cobertura muito intensa, tudo era imprevis\u00edvel, os olhos do mundo estavam ali, em Lima, n\u00e3o esque\u00e7o nunca aqueles dias&#8221;, Gl\u00f3ria me disse. Al\u00e9m disso, foram quatro Olimp\u00edadas (Atlanta, Sidney e Atenas) e duas Copas do Mundo (Estados Unidos e Brasil).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em sua carreira de rep\u00f3rter, Gl\u00f3ria esteve em mais de cem pa\u00edses. Poucos jornalistas conheceram o mundo como ela: terremotos, vulc\u00f5es, elei\u00e7\u00f5es, al\u00e9m dos programas para o Globo Rep\u00f3rter que fazem o brasileiro viajar com ela. Entrevistou o ex-presidente americano Gerald Ford, j\u00e1 fora do poder, o primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin e personalidades como Michael Jackson, Harrison Ford, Leonardo DiCaprio, Sophia Loren, Nicole Kidman, Fred Mercury, Madonna e dezenas de outras. Apresentou o Bom Dia Rio, o Jornal das Sete (predecessor do RJ2), o Jornal Hoje e, de 1998 a 2007, apresentou o Fant\u00e1stico, onde marcou \u00e9poca, seu nome est\u00e1 para sempre relacionado \u00e0 hist\u00f3ria do programa. In\u00fameros domingos hist\u00f3ricos, todas as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do per\u00edodo, apura\u00e7\u00e3o, passo a passo, noite adentro. Em 2003, com Pedro Bial, fez a primeira entrevista com o ent\u00e3o presidente Lula no Alvorada, mostrando a vida dele em pal\u00e1cio com a fam\u00edlia. &#8220;O Fant\u00e1stico foi uma experi\u00eancia maravilhosa na minha vida. Por quase dez anos, estive na casa dos brasileiros mostrando grandes reportagens, coberturas marcantes. N\u00e3o houve um assunto de grande repercuss\u00e3o que n\u00e3o tenha sido tratado com zelo e compet\u00eancia pelo programa. Fico feliz de ser parte de sua hist\u00f3ria,&#8221;, me disse Gl\u00f3ria. Desde 2010 est\u00e1 como rep\u00f3rter no Globo Rep\u00f3rter.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ao lado de Sandra, agora ser\u00e1 apresentadora do programa. E continuar\u00e1 a mostrar ao p\u00fablico a profissional extraordin\u00e1ria que \u00e9: tem alma de jornalista e, como poucos, empatia absoluta com o telespectador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando convidei Sandra Annenberg para apresentar o Globo Rep\u00f3rter, ela fez uma observa\u00e7\u00e3o curiosa: de todos os programas da Globo, era o \u00fanico que ainda n\u00e3o tinha apresentado. Ao todo, ficou 18 anos \u00e0 frente do Jornal Hoje, pelo qual tem um carinho sem medidas. &#8220;\u00c9 onde me encontrei, sou feliz, adoro o seu p\u00fablico. Vou sentir saudades, mas sou movida a desafios, e o Globo Rep\u00f3rter \u00e9 irrecus\u00e1vel&#8221;, Sandra me disse.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sandra come\u00e7ou a trabalhar no jornalismo da Globo em 1991. Estreou em rede fazendo a previs\u00e3o do tempo no Jornal Nacional, quando Cid Moreira e S\u00e9rgio Chapelin eram os titulares. Foi a primeira mulher a estar toda noite no JN, na estreia da fase mais profissional da previs\u00e3o do tempo. &#8220;Foi uma transforma\u00e7\u00e3o radical, o tempo ganhou espa\u00e7o, ganhamos uma assessoria de t\u00e9cnicos, desenvolvemos uma linguagem pr\u00f3pria, o clima virou not\u00edcia di\u00e1ria&#8221;, lembra Sandra. Na mesma \u00e9poca tamb\u00e9m apresentava o S\u00e3o Paulo J\u00e1 Primeira Edi\u00e7\u00e3o, um telejornal que, de 1990 a mar\u00e7o de 1994, ia ao ar no hor\u00e1rio do Jornal Hoje. Em 93, tamb\u00e9m seguindo os passos de S\u00e9rgio Chapelin, foi titular do Fant\u00e1stico, ao lado de F\u00e1tima Bernardes e Celso Freitas, onde ficou at\u00e9 1996.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A maior emo\u00e7\u00e3o foi o domingo em que Ayrton Senna morreu, em 1 de maio de 1994.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Eu e F\u00e1tima Bernardes entramos ao vivo ao longo de todo o domingo, com boletins ao vivo. Seguramos a emo\u00e7\u00e3o. Durante o programa, combinamos de n\u00e3o nos olharmos porque sab\u00edamos que \u00edamos desabar. Ao fim do programa, olho no olho, dever cumprido e muito choro&#8221;, Sandra se recorda. Outro programa dif\u00edcil foi o da morte de Lady Di, em 31 de agosto de 1997. Sandra tinha feito o Jornal Nacional na v\u00e9spera, quando o mundo soube do acidente depois das dez da noite: a not\u00edcia foi dada em primeira m\u00e3o. No domingo, o mundo inteiro estava em choque. &#8220;O programa tinha de refletir a como\u00e7\u00e3o mundial. Todos n\u00f3s nos preparamos e foi uma das edi\u00e7\u00f5es mais marcantes do Fant\u00e1stico&#8221;, Sandra me contou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1996, voltou para S\u00e3o Paulo para ser a apresentadora do Jornal da Globo e editora-executiva do jornal at\u00e9 1998, quando teve seu primeiro contato com o Jornal Hoje: tornou-se apresentadora e editora executiva do telejornal. Nessa primeira fase no Hoje, ficou at\u00e9 o ano 2000, e avalia: &#8220;O carinho pelo Hoje foi imediato. \u00c9 um jornal na hora do almo\u00e7o, quando tudo ainda est\u00e1 acontecendo, o desafio de dar a not\u00edcia em desenvolvimento \u00e9 enorme&#8221;. Ela deu ent\u00e3o uma guinada em sua carreira. Aceitou o convite para a chefia do escrit\u00f3rio da Globo em Londres e relembra: &#8220;A cobertura do 11 de setembro, em 2001, foi a mais dif\u00edcil. Londres era vista como o pr\u00f3ximo alvo. Trabalh\u00e1vamos quase 24 horas por dia, praticamente mor\u00e1vamos no escrit\u00f3rio. Parte da equipe foi para o Paquist\u00e3o, de onde cobr\u00edamos a Guerra no Afeganist\u00e3o&#8221;. Fora esse evento, participou da cobertura da elei\u00e7\u00e3o de Putin, da segunda Intifada, da chegada ao mercado do Euro, entre tantas outras. Al\u00e9m do trabalho de coordena\u00e7\u00e3o, Sandra fazia reportagens para todos os telejornais, para o Globo Esporte, Globo Rural e ancorava de Londres o notici\u00e1rio internacional para o JH.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na volta, em 2002, apresentou o SP1, da qual foi tamb\u00e9m editora-executiva. E, em 2003, assumiu novamente o Hoje. Participou das coberturas dos dois \u00faltimos conclaves, o que escolheu Bento XVI e Francisco. &#8220;Foram grandes desafios em minha carreira. A fumacinha branca anunciando os novos Papas sa\u00edram sempre quando eu estava no ar. \u00c9 emocionante dar essa not\u00edcia em primeira m\u00e3o aos brasileiros&#8221;, Sandra lembra com orgulho. Nesses anos todos, muitas vezes entrou no ar para dar um &#8220;plant\u00e3o&#8221; e permaneceu horas no ar ancorando a cobertura. Para citar apenas dois de dezenas de exemplos: o acidente a\u00e9reo que matou o ent\u00e3o candidato \u00e0 Presid\u00eancia Eduardo Campos (que levou o Hoje a ser indicado ao Emmy) e o brutal assassinato dos estudantes da escola em Suzano. &#8220;N\u00e3o tem jeito, nesses dias, tudo \u00e9 susto, tudo \u00e9 surpresa, tudo come\u00e7a num boletim e pode se alongar por horas a fio. \u00c9 uma adrenalina grande, e dif\u00edcil, porque os assuntos s\u00e3o pesados. Mas \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o informar&#8221;, diz Sandra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por oito anos, ancorou a edi\u00e7\u00e3o matutina do Globo Not\u00edcia, um boletim que resumia os assuntos da manh\u00e3, mas que crescia de tamanho toda vez que a not\u00edcia se impunha. Em 2014, surgia um novo programa do jornalismo, o Como Ser\u00e1, que completa amanh\u00e3 cinco anos. Duas horas que conquistaram o p\u00fablico nas manh\u00e3s de s\u00e1bado s\u00f3 com boas not\u00edcias. No Esporte, cobriu as Olimp\u00edadas de Atlanta, em 1996, quando ancorava as not\u00edcias da noite ao lado de Fernando Vanucci, e, a do Rio, em 2016. E ancorou para o Hoje as Copas da Alemanha, da \u00c1frica do Sul e da R\u00fassia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No Globo Rep\u00f3rter, como apresentadora ao lado de Gl\u00f3ria Maria, vai continuar a brilhar, a emprestar o seu talento para um dos programas mais queridos da televis\u00e3o brasileira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Gl\u00f3ria e Sandra n\u00e3o abrem m\u00e3o da reportagem. Gl\u00f3ria continuar\u00e1 a fazer as suas e Sandra as dela. Enquanto uma estiver em campo, a outra apresentar\u00e1 sozinha e vice-versa. Provavelmente o esquema ser\u00e1 assim: um ter\u00e7o com Gl\u00f3ria, um ter\u00e7o com Sandra e um ter\u00e7o com Gl\u00f3ria e Sandra, juntas. \u00c9 sucesso garantido. O formato do Globo Rep\u00f3rter vai ser modificado para essa nova fase.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E como substituir Sandra Annenberg no Jornal Hoje, ela que deu rosto e voz de forma t\u00e3o intensa por tantos anos? Com o talento de Maria J\u00falia Coutinho, cuja trajet\u00f3ria tivemos todos o prazer de acompanhar e de aplaudir desde que chegou \u00e0 Globo, h\u00e1 doze anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Da TV Cultura, onde come\u00e7ou como estagi\u00e1ria, Maju chegou \u00e0 casa nova com aquele curr\u00edculo ideal das carreiras de sucesso no jornalismo. Porque o primeiro passo na TV p\u00fablica paulista foi como estagi\u00e1ria. E a caminhada prosseguiu pela escuta, pela apura\u00e7\u00e3o, pela pauta. Dessas atividades de import\u00e2ncia fundamental nos bastidores do telejornalismo, Maju migrou para a frente das lentes. E caminhos novos se abriram imediatamente. Primeiro como rep\u00f3rter, depois como apresentadora, ao lado de Her\u00f3doto Barbeiro. &#8220;Foi muita rua, muito ch\u00e3o, um aprendizado di\u00e1rio. E desde cedo senti a import\u00e2ncia do trabalho dos jornalistas. Como numa mat\u00e9ria que come\u00e7ou cobrindo um acidente numa obra civil, desdobrou-se mostrando as condi\u00e7\u00f5es ultrajantes em que os serventes de pedreiros trabalhavam e terminou com a Delegacia Regional do Trabalho obrigando a empresa a n\u00e3o somente melhorar as condi\u00e7\u00f5es, mas a pagar a passagem para aqueles que desejavam voltar para o Nordeste. O jornalismo torna isso poss\u00edvel&#8221;, diz Maju. E foi ainda na TV Cultura que Maria J\u00falia recebeu um pr\u00eamio de que se orgulha enormemente, com justi\u00e7a: men\u00e7\u00e3o honrosa no Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. &#8220;Foi uma ideia simples, mas reveladora. Sa\u00ed \u00e0s ruas perguntando \u00e0s pessoas qual era a cor da minha pele. Diziam tudo, menos que eu era negra. Quando perguntava por que, algumas diziam que n\u00e3o queriam me ofender. Um jeito simples, mas contundente de mostrar o racismo&#8221;, lembra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c0 Globo, ela chegou em 2007 para a reportagem dos telejornais locais de S\u00e3o Paulo. &#8220;Foram 6 anos de rua, antes de me escalarem como substituta na previs\u00e3o do tempo do Globo Rural e do Bom dia Brasil&#8221;, ela conta, com orgulho mais que justificado. Porque a chegada ao &#8220;Mapa Tempo&#8221;, em 2013, foi um marco para Maju e para os telejornais em que atuou. Um ano depois do Globo Rural e do bom Dia Brasil, quando estreou o nosso Hora 1, a previs\u00e3o do tempo rapidamente se tornou um momento especial, na intera\u00e7\u00e3o perfeita de duas profissionais talentosas: Monalisa Perrone e Maria J\u00falia Coutinho proporcionaram ao telejornal ca\u00e7ula da Globo um clima perfeito (e o trocadilho \u00e9 involunt\u00e1rio). As duas ofereceram aos brasileiros um jeito informal, descontra\u00eddo e natural de informar &#8220;com que roupa&#8221; deveriam ir pra rua no dia que come\u00e7a. E essa cita\u00e7\u00e3o de Noel Rosa foi se tornando marca de Maju. E tamb\u00e9m os neologismos para designar fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos, como a &#8220;chuvica&#8221;, e termos t\u00e9cnicos quase impronunci\u00e1veis aos n\u00e3o-\u00edntimos dessa \u00e1rea do conhecimento. At\u00e9 que, em 2015, semanas antes da estreia de um novo cen\u00e1rio do Jornal Nacional, chegou o momento de introduzir no hor\u00e1rio nobre o estilo de apresenta\u00e7\u00e3o da previs\u00e3o do tempo que Maju tinha imprimido com sucesso ao Hora Um. E ao vivo, como nunca havia sido feito no Jornal Nacional. O sucesso n\u00e3o foi surpresa para ningu\u00e9m que j\u00e1 conhecia o estilo dela. Mas Maju confessa: &#8220;Eu n\u00e3o poderia imaginar como essa exposi\u00e7\u00e3o a um p\u00fablico maior, com mais TVs ligadas, causaria uma mudan\u00e7a t\u00e3o grande para mim.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Maju lembra ainda meio at\u00f4nita a rapidez com que as novidades foram surgindo: &#8220;No fim daquele mesmo ano, fui convidada pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial da ONU para participar da COP 21 em Paris, onde apresentadores do tempo de v\u00e1rios cantos do mundo se informaram melhor sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.&#8221; Maju participou de outros encontros desse tipo em 2017, em Turim, e em 2018, em Paris novamente.<br>Ganhou men\u00e7\u00e3o elogiosa da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima por ter introduzido informa\u00e7\u00f5es sobre sustentabilidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na previs\u00e3o do tempo do Jornal Nacional. E de tal forma se dedicou ao tema e se encontrou nessa fun\u00e7\u00e3o que lan\u00e7ou seu primeiro livro pouco mais de um ano depois de ter chegado ao JN: &#8220;Entrando no Clima&#8221;, um almanaque sobre fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fora do quadro da previs\u00e3o do tempo, sentada \u00e0 bancada, Maju apresentou o Jornal Hoje pela primeira vez em 2017. No ano seguinte, foi convidada pelo Sistema Globo de R\u00e1dio para um programa de entrevistas. Em janeiro deste ano, um teste de surpresa: &#8220;Encarei 7 de horas de ancoragem ao vivo no JH na cobertura da trag\u00e9dia do rompimento da barragem de Brumadinho.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E foi no m\u00eas seguinte que Maju estreou na bancada do Jornal Nacional, pouco menos de 4 anos depois de ter passado a apresentar a previs\u00e3o do tempo no painel em que interage \u00e0 dist\u00e2ncia com Renata e Bonner.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Agora como titular da apresenta\u00e7\u00e3o do Jornal Hoje, Maria J\u00falia Coutinho repetir\u00e1 um caminho que Sandra Annenberg tamb\u00e9m trilhou, do mapa tempo para a bancada. E o p\u00fablico poder\u00e1 acompanhar mais essa etapa de uma carreira solidamente constru\u00edda e merecidamente aplaudida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Maju assumir\u00e1 a bancada no final de setembro, e a comandar\u00e1 sozinha (o formato do Hoje corresponder\u00e1 a essa nova realidade). At\u00e9 l\u00e1, Sandra continuar\u00e1 a comandar o Hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Escrevo e-mail t\u00e3o longo porque \u00e9 preciso cultivar a hist\u00f3ria dos que se dedicam a essa nossa profiss\u00e3o t\u00e3o bonita.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de setembro, Maria Julia Coutinho, a Maju, ser\u00e1 a \u00fanica apresentadora do Jornal Hoje, que ser\u00e1 reformulado. 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