{"id":11057,"date":"2017-01-11T17:56:28","date_gmt":"2017-01-11T20:56:28","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=11057"},"modified":"2017-01-11T17:56:28","modified_gmt":"2017-01-11T20:56:28","slug":"brasil-esta-sentado-em-bomba-relogio-diz-especialista-sobre-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/01\/11\/brasil-esta-sentado-em-bomba-relogio-diz-especialista-sobre-febre-amarela\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 sentado em &#8216;bomba-rel\u00f3gio&#8217;, diz especialista sobre febre amarela"},"content":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio de janeiro, 23 casos suspeitos foram notificados no interior de Minas Gerais &#8211; 14 deles levaram \u00e0 morte dos pacientes. Segundo a Secretaria de Sa\u00fade do Estado, 16 deles s\u00e3o considerados prov\u00e1veis, ap\u00f3s exames apontarem a presen\u00e7a do v\u00edrus, mas ainda est\u00e3o sendo investigados.<\/p>\n<p>No interior de S\u00e3o Paulo, uma morte foi confirmada como causada pela febre amarela silvestre em dezembro, a primeira desde 2009.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 esper\u00e1vamos um surto maior da febre amarela silvestre, mas devemos nos preocupar, sim. Estamos sentados em uma bomba-rel\u00f3gio&#8221;, disse \u00e0 BBC Brasil o epidemiologista Eduardo Massad, da USP.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos entender o risco de reintrodu\u00e7\u00e3o de febre amarela urbana, o que seria uma enorme trag\u00e9dia, talvez maior do que zika, dengue e chikungunya juntas &#8211; porque ela mata quase 50% das pessoas que n\u00e3o s\u00e3o tratadas.&#8221;<\/p>\n<p>A febre amarela \u00e9 considerada end\u00eamica nas regi\u00f5es rurais e de mata do Brasil, onde \u00e9 transmitida por mosquitos de esp\u00e9cies diferentes, como o <i>Haemagogus<\/i> e o <i>Sabethes<\/i>, para macacos e, ocasionalmente, para humanos n\u00e3o vacinados. Mas n\u00e3o h\u00e1 registro de casos em \u00e1reas urbanas &#8211; onde o vetor \u00e9 o mosquito <i>Aedes aegypti<\/i> &#8211; desde 1942.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade notificou a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) dos casos, seguindo recomenda\u00e7\u00e3o do Regulamento Sanit\u00e1rio Internacional de informar \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o ocorr\u00eancias importantes de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em 2016, o Brasil teve seis casos da doen\u00e7a confirmados, segundo o governo. O \u00faltimo surto da febre amarela silvestre ocorreu entre 2008 e 2009, quando 51 ocorr\u00eancias foram confirmadas.<\/p>\n<p>A pasta tamb\u00e9m afirmou que enviou duas equipes e cerca de 285 mil doses de vacina contra a febre amarela para Minas Gerais para controlar a doen\u00e7a. Pessoas nas \u00e1reas onde h\u00e1 registro de casos ser\u00e3o vacinadas, e, em seguida, moradores de munic\u00edpios vizinhos.<\/p>\n<p>Em sua fase inicial, que dura de tr\u00eas a cinco dias, a febre amarela causa calafrios, febre, dores de cabe\u00e7a e no corpo, cansa\u00e7o, perda de apetite, n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Em sua fase mais grave, a doen\u00e7a provoca hemorragias e insufici\u00eancia nos rins e no f\u00edgado, o que pode levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p><strong>Macacos<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, 15 munic\u00edpios mineiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de alerta para a febre amarela. Tamb\u00e9m est\u00e3o sendo monitoradas cidades onde ainda n\u00e3o houve casos em humanos, mas que registraram mortes de macacos possivelmente causadas pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O monitoramento ocorre normalmente no Brasil todos os anos, especialmente entre dezembro e maio, considerado o per\u00edodo de maior probabilidade de transmiss\u00e3o da febre amarela.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga Marcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Sa\u00fade Silvestre na Fiocruz Rio, diz que as autoridades de sa\u00fade no Brasil j\u00e1 haviam percebido que os surtos extravasam o ambiente das florestas aproximadamente a cada sete anos e atingem mais seres humanos no interior do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Este surto maior \u00e9 c\u00edclico e, por isso, j\u00e1 h\u00e1 aten\u00e7\u00e3o sobre isso. Isso tem rela\u00e7\u00e3o com todas as atividades humanas que invadem a floresta. E no Brasil tamb\u00e9m temos um processo importante de perda de ambientes naturais&#8221;, disse \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Segundo ela, o aumento das mortes de macacos &#8211; principais hospedeiros do v\u00edrus no ciclo de transmiss\u00e3o silvestre &#8211; \u00e9 o principal indicativo de que o surto pode estar se aproximando das popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>&#8220;Desde 1940 n\u00e3o temos ciclos, no Brasil, de transmiss\u00e3o deste v\u00edrus pelo<i> Aedes aegypti<\/i>, s\u00f3 pelo <i>Haemagogus<\/i>. A morte de macacos perto de pessoas mostra que um ciclo que deveria estar limitado ao ambiente das matas est\u00e1 mais perto das \u00e1reas onde vivem humanos. E quando eles est\u00e3o pr\u00f3ximos, \u00e9 mais f\u00e1cil para o mosquito passar o v\u00edrus para uma pessoa&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2009, no Rio Grande do Sul, as pessoas chegaram a matar os macacos, achando que eles transmitiam a doen\u00e7a, mas ele nos presta um servi\u00e7o, porque \u00e9 o sentinela. \u00c9 importante notificar as autoridades dessas mortes.&#8221;<\/p>\n<p>Na Fiocruz, a equipe liderada por Chame tenta entender o que causa esses surtos de maior propor\u00e7\u00e3o na tentativa de evitar, tamb\u00e9m, que o v\u00edrus volte \u00e0s cidades.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos modelando a ocorr\u00eancia de febre amarela contra 7,2 mil par\u00e2metros ambientais, climatol\u00f3gicos e outros, para tentarmos identificar que vari\u00e1veis que causam isso, mas \u00e9 muito complexo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Elas acontecem em ambientes diferentes, com esp\u00e9cies de macacos e de mosquitos vetores diferentes. Precisamos que a popula\u00e7\u00e3o nos ajude a identificar esses animais e o que est\u00e1 ao redor dos locais onde s\u00e3o encontrados &#8211; empreendimentos imobili\u00e1rios, constru\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>O receio, diz ela, \u00e9 que com a diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas florestais, animais que foram infectados frequentem cada vez mais os centros urbanos em busca de alimento e abrigo. L\u00e1, eles tamb\u00e9m poderiam ser picados pelo <i>Aedes aegypti<\/i>, abundante nas cidades brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Retorno<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda que todas as pessoas que moram ou t\u00eam viagem planejada para \u00e1reas silvestres, rurais ou de mata verifiquem se est\u00e3o vacinadas contra a febre amarela. Em geral, a vacina passa a fazer efeito ap\u00f3s um per\u00edodo de dez dias.<\/p>\n<p>O risco de que moradores de \u00e1reas end\u00eamicas e at\u00e9 ecoturistas contraiam o v\u00edrus e o levem para cidades maiores \u00e9 a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos especialistas. Na verdade, eles ainda tentam descobrir por que isso n\u00e3o ocorreu at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda \u00e9 um desafio entender como a febre amarela n\u00e3o voltou para os centros urbanos, j\u00e1 que temos um grande n\u00famero de pessoas que v\u00e3o a \u00e1reas end\u00eamicas para turismo ou a trabalho e voltam para cidades infestadas de <i>Aedes aegypti<\/i>&#8220;, diz Eduardo Massad.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico e pesquisador Carlos Brito, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concorda. &#8220;Dizemos que a febre amarela s\u00f3 n\u00e3o voltou ainda \u00e0s cidades porque Deus \u00e9 brasileiro. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o real.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores tentam compreender se o <i>Aedes aegypti<\/i> teria, por exemplo, menos compet\u00eancia como vetor da febre amarela do que da dengue, da chikungunya e da zika, outros v\u00edrus da mesma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje os deslocamentos de pessoas pelo pa\u00eds s\u00e3o muito mais r\u00e1pidos. Por isso, estes v\u00edrus se disseminam com mais facilidade. O fato de a febre amarela ainda n\u00e3o ter se disseminado no pa\u00eds todo \u00e9 um alento, que d\u00e1 expectativa de que n\u00e3o aconte\u00e7a o mesmo que ocorreu com zika e chikungunya nos \u00faltimos dois anos&#8221;, afirma Brito.<\/p>\n<p>&#8220;Mas uma coisa \u00e9 fato: se em 30 anos de dengue batemos recordes de n\u00fameros de casos em 2015 e em 2016, n\u00e3o \u00e9 porque a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu. Isso mostra que perdemos o controle do mosquito.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Vacina<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio recomenda a vacina para pessoas a partir de nove meses de idade que vivem nas \u00e1reas end\u00eamicas ou viajar\u00e3o para l\u00e1 e a partir dos seis meses, em situa\u00e7\u00f5es de surto.<\/p>\n<p>Segundo a pasta, todos os Estados est\u00e3o abastecidos com a vacina e o pa\u00eds tem estoque suficiente para atender a todas as pessoas nestas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Massad, no entanto, o governo deveria elaborar uma estrat\u00e9gia para ampliar a vacina\u00e7\u00e3o contra a febre amarela em todo o pa\u00eds, incluindo as zonas costeiras, onde est\u00e3o alguns dos maiores centros urbanos, que n\u00e3o s\u00e3o consideradas end\u00eamicas.<\/p>\n<p>De acordo com o minist\u00e9rio, apenas os Estados de Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro est\u00e3o fora da \u00c1rea com Recomenda\u00e7\u00e3o para Vacina\u00e7\u00e3o (ACRV) de febre amarela.<\/p>\n<p>Mas enquanto ainda n\u00e3o se explica como o v\u00edrus se manteve fora das cidades durante os \u00faltimos 75 anos &#8211; mesmo com o aumento da infesta\u00e7\u00e3o pelo <i>Aedes aegypti<\/i> &#8211; o pesquisador continua preocupado.<\/p>\n<p>&#8220;A probabilidade de levar uma picada de <i>Aedes aegypti<\/i> no Rio durante o Carnaval \u00e9 99,9%. \u00c9 inescap\u00e1vel. As pessoas ficaram preocupadas com Olimp\u00edada, Copa do Mundo. Isso \u00e9 besteira. Imagine se chega algu\u00e9m com febre amarela no Rio no Carnaval.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">Com BBC Brsail\/ Foto:REUTERS<\/span><\/p>\n<p style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><strong><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/span><\/strong><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\"><a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong style=\"font-style: inherit;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: blue;\">caririemacao.com<\/span><\/strong><\/a><strong style=\"font-style: inherit;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif';\">, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/span><\/strong><a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/\"><strong style=\"font-style: inherit;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: blue;\">Facebook<\/span><\/strong><\/a><strong style=\"font-style: inherit;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif';\">\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias e fotos. 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