{"id":110592,"date":"2019-08-16T10:16:27","date_gmt":"2019-08-16T13:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=110592"},"modified":"2019-08-16T10:16:27","modified_gmt":"2019-08-16T13:16:27","slug":"33-milhoes-de-desempregados-buscam-trabalho-ha-dois-anos-diz-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/08\/16\/33-milhoes-de-desempregados-buscam-trabalho-ha-dois-anos-diz-ibge\/","title":{"rendered":"3,3 milh\u00f5es de desempregados buscam trabalho h\u00e1 dois anos, diz IBGE"},"content":{"rendered":"\n<p>Um quarto dos desempregados do Brasil, ou 26,2%, o equivalente a 3,347 milh\u00f5es de pessoas, est\u00e3o em busca de emprego h\u00e1 pelo menos dois anos, divulgou nesta quinta-feira (15) a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua Trimestral (PNAD Cont\u00ednua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p>O registro \u00e9 o maior para um trimestre desde 2012. Em um ano, houve um acr\u00e9scimo de 196 mil pessoas no total das que procuram emprego h\u00e1 dois anos ou mais. Em 2015, esse total era de 1,435 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA propor\u00e7\u00e3o de pessoas a procura de trabalho em per\u00edodos mais curtos est\u00e1 diminuindo, mas t\u00eam crescido nos mais longos. Parte delas pode ter conseguido emprego, mas outra aumentou seu tempo de procura\u201d, disse a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte, 45,6%, dos desocupados estavam de um m\u00eas a menos de um ano em busca de trabalho; 14,2%, de um ano a menos de dois anos e 14,0%, h\u00e1 menos de um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para economistas consultados pela reportagem, o n\u00famero, de 3,347 milh\u00f5es de pessoas, preocupa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSurpreende porque a taxa de desemprego caiu entre o primeiro e o segundo semestre, ent\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o que o de longo prazo est\u00e1 na contram\u00e3o. Pode ser que esse n\u00famero continue aumentando\u201d, diz o economista Bruno Ottoni, pesquisador associado da FGV IBRE e da consultoria Idados.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Cosmo Donato, da LCA consultores, afirma que o n\u00famero \u00e9 alto e est\u00e1 ligado \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da crise. \u201cA economia n\u00e3o reage, n\u00e3o consegue gerar postos de trabalho, e o tempo que as pessoas passam procurando emprego aumenta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto maior o per\u00edodo fora do mercado, maior \u00e9 a dificuldade de reinser\u00e7\u00e3o, afirmam os economistas. Isso porque o desempregado de longo prazo fica desatualizado e, em um ambiente de muita concorr\u00eancia, precisa competir com pessoas mais qualificadas, que acabaram de sair de outro emprego ou de uma institui\u00e7\u00e3o de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um problema que se retroalimenta. A pessoa fica cada vez mais \u2018sucateada&#8217;\u201d, diz Donato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ottoni destaca que \u201cburacos no curr\u00edculo\u201d de mais de seis meses costumam ser mal vistos pelos empregadores. O economista diz que o trabalhador esquece o funcionamento dos processos e at\u00e9 as habilidades socioemocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um c\u00edrculo vicioso. A pessoa desaprende at\u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o, a linguagem comum do ambiente de neg\u00f3cios, e precisa passar por uma reciclagem. Esse capital humano tem uma deprecia\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Teixeira, diretor do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (Ceert), alerta que o desemprego impacta mais mulheres, negros e jovens. \u201cIsso est\u00e1 ligado aos processos hist\u00f3ricos de exclus\u00e3o. Em um momento em que h\u00e1 uma amea\u00e7a de crise mundial, precisamos lembrar o quanto o impacto da crise \u00e9 desproporcional\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os economistas concordam, entretanto, que uma alta taxa de desemprego de longo prazo, no momento, n\u00e3o deve afetar uma retomada econ\u00f4mica, porque ainda h\u00e1 muita oferta de m\u00e3o de obra dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas, se isso continuar por muito tempo, a gente pode observar um movimento de histerese. No mercado de trabalho, isso significa que pessoas v\u00e3o sair definitivamente da for\u00e7a de trabalho. O pa\u00eds perde essa m\u00e3o de obra, o que afeta o crescimento a longo prazo\u201d, diz Donato. \u200b<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o recuou no Brasil no segundo trimestre de 2019 para 12%, 0,7 pontos percentuais a menos que os primeiros tr\u00eas meses do ano. Com rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre de 2018, a diminui\u00e7\u00e3o foi de 0,4 ponto percentual.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o IBGE, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o recuou em 10 estados. A retra\u00e7\u00e3o foi mais forte na Bahia (17,3%), Amap\u00e1 (16,9%) e Pernambuco (16%). A retra\u00e7\u00e3o foi menor em Santa Catarina (6%), Rond\u00f4nia (6,7%) e Rio Grande do Sul (8,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>O percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insufici\u00eancia de horas trabalhadas e na for\u00e7a de trabalho potencial em rela\u00e7\u00e3o a for\u00e7a de trabalho ampliada (chamada taxa composta de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho) foi de 24,8%, anunciou o IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego no segundo trimestre, somaram 4,9 milh\u00f5es de pessoas. O percentual de pessoas desalentadas na for\u00e7a de trabalho foi de 4,4%, recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO elevado tempo de procura por emprego \u00e9 um dos fatores que ajudam a explicar o desalento\u201d, analisou o IBGE. A Bahia tem o maior n\u00famero de desalentados, 766 mil pessoas, seguida do Maranh\u00e3o, com 588 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma infer\u00eancia que pode favorecer inser\u00e7\u00f5es em ocupa\u00e7\u00f5es de menores rendimentos, sem v\u00ednculos formais, como os conta pr\u00f3pria ou sem carteira de trabalho, e at\u00e9 mesmo no desalento\u201d, explicou a analista da PNAD Cont\u00ednua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um quarto dos desempregados do Brasil, ou 26,2%, o equivalente a 3,347 milh\u00f5es de pessoas, est\u00e3o em busca de emprego h\u00e1 pelo menos dois anos,&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":103838,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-110592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110592"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110592\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":110593,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110592\/revisions\/110593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}