{"id":118496,"date":"2019-09-21T08:46:16","date_gmt":"2019-09-21T11:46:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=118496"},"modified":"2019-09-21T08:46:16","modified_gmt":"2019-09-21T11:46:16","slug":"pessoas-com-deficiencia-fisica-criticam-falta-de-acessibilidade-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/09\/21\/pessoas-com-deficiencia-fisica-criticam-falta-de-acessibilidade-em-sp\/","title":{"rendered":"Pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica criticam falta de acessibilidade em SP"},"content":{"rendered":"\n<p>O universit\u00e1rio Paulo C\u00e9sar de Jesus, 31 anos, enfrenta v\u00e1rios desafios para se deslocar pela cidade de S\u00e3o Paulo. Usu\u00e1rio de cadeira de rodas h\u00e1 cinco anos, quando teve uma les\u00e3o medular por ferimento de arma de fogo, ele tem que sair de casa com horas de anteced\u00eancia para n\u00e3o perder os compromissos. Morador de Santo Amaro, bairro localizado no extremo da zona sul da capital paulista, Paulo faz fisioterapia duas vezes por semana na Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a Deficiente (AACD), na Vila Mariana, na regi\u00e3o centro-sul, al\u00e9m de frequentar a faculdade de psicologia na Avenida Interlagos, zona sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta que a falta de acessibilidade, os obst\u00e1culos e as barreiras nas cal\u00e7adas s\u00e3o o que mais dificultam o deslocamento pela cidade. \u201cO pior das cal\u00e7adas \u00e9 justamente as cal\u00e7adas. Em muitos locais, como hospitais, universidades, para chegar at\u00e9 eles t\u00eam subidas, \u00e0s vezes o local at\u00e9 tem acessibilidade, mas para chegar t\u00eam obst\u00e1culos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;acompanhou o trajeto de Paulo at\u00e9 chegar a AACD, institui\u00e7\u00e3o refer\u00eancia em ortopedia h\u00e1 69 anos no Brasil. Ele sai de casa com tr\u00eas horas de anteced\u00eancia para n\u00e3o perder o hor\u00e1rio da fisioterapia. O primeiro obst\u00e1culo j\u00e1 \u00e9 enfrentado antes mesmo de chegar na parada de \u00f4nibus. Paulo mora numa viela e precisa passar por uma rampa bastante inclinada para chegar at\u00e9 a rua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa rampa \u00e9 um pouco \u00edngreme, eu consigo subi-la sozinho \u00e0s vezes, eu subo de costas, mas j\u00e1 ca\u00ed uma vez, ent\u00e3o eu prefiro pedir ajuda para evitar. A rua \u00e9 bem estreita porque tem muitos becos e muita gente deixa o carro na rua, dificultando passar\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele carrega ainda uma \u00f3rtese, utilizada para fazer a marcha terap\u00eautica, o que dificulta ainda mais o deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parada de \u00f4nibus, Paulo precisa aguardar uma condu\u00e7\u00e3o que seja adaptada para deficientes f\u00edsicos. \u201c\u00c0s vezes o que passa na hora n\u00e3o \u00e9 adaptado, a\u00ed tenho que esperar o pr\u00f3ximo\u201d, frisa.&nbsp; De acordo com informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no site da prefeitura de S\u00e3o Paulo, mais de 50% dos \u00f4nibus de transporte coletivo da capital paulista s\u00e3o adaptados para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 noite, quando vai estudar, Paulo usa o Atende \u2013 transporte gratuito destinado \u00e0s pessoas com autismo, surdocegueira ou defici\u00eancia f\u00edsica severa. O servi\u00e7o, oferecido pela prefeitura, busca Paulo na porta de casa e faz o trajeto de ida para a universidade. Paulo conta, entretanto, que costuma vivenciar situa\u00e7\u00f5es constrangedoras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tempo de me colocar na van e colocar o cinto demora, nisso faz um tr\u00e2nsito enorme, e tudo isso j\u00e1 gera um stress no hor\u00e1rio de pico e trava a rua toda\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>O servi\u00e7o atende apenas at\u00e9 as 20h e, para voltar da faculdade, ele precisa, novamente, pegar um \u00f4nibus. Paulo reclama da falta de empatia e do desconhecimento dos motoristas sobre normas que ajudam a vida dos cadeirantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ponto \u00e9 numa descida, mas eu pe\u00e7o para os motoristas pararem na curva, mais perto da minha casa. Tem uma lei que permite que o motorista pare fora do ponto, mas eles n\u00e3o conhecem essa lei, ent\u00e3o eu tenho sempre que ficar argumentando e debatendo e eu acho que n\u00e3o deveria passar por isso, porque \u00e9 uma necessidade, n\u00e3o \u00e9 um luxo\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas s\u00e3o as maiores dificuldades pelo local onde eu moro: a quest\u00e3o do transporte, chegar at\u00e9 o ponto do \u00f4nibus e tamb\u00e9m pela rua ser estreita\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vida de estudante<\/h2>\n\n\n\n<p>Paulo afirma que, em geral, os locais n\u00e3o pensam na necessidade de locomo\u00e7\u00e3o das pessoas, em especial, as que t\u00eam mobilidade reduzida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa minha faculdade \u00e9 zero acessibilidade, as pessoas me ajudam, mas \u00e9 isso: se eu preciso de ajuda \u00e9 porque n\u00e3o tem acessibilidade, \u00e9 a necessidade de ajuda que caracteriza a defici\u00eancia, caso contr\u00e1rio eu s\u00f3 teria uma impedimento de mobilidade f\u00edsica, mas se eu posso circular sem precisar de ajuda de ningu\u00e9m eu n\u00e3o tenho defici\u00eancia. O tempo todo eu sou lembrado que eu tenho essa limita\u00e7\u00e3o, pela falta de acesso. L\u00e1 n\u00e3o tem elevador, n\u00e3o tem rampa, n\u00e3o tem bebedouro, n\u00e3o tem espelho, n\u00e3o foi pensado para mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante critica ainda a falta de acessibilidade nos espa\u00e7os p\u00fablicos. \u201c\u00c9 tudo feito pela metade, as pessoas fazem sem escutar a gente\u201d. Ele cita, como exemplo, a principal avenida da capital, a Paulista. \u201cTodo mundo fala que a Avenida Paulista \u00e9 acess\u00edvel, mas para se passar de um quarteir\u00e3o para outro n\u00e3o \u00e9, as rampas s\u00e3o \u00edngremes, ent\u00e3o ela n\u00e3o \u00e9 totalmente acess\u00edvel como as pessoas falam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Defici\u00eancia, lembrado hoje (21), o universit\u00e1rio pede que as pessoas se conscientizem sobre a acessibilidade. \u201cUma pessoa que n\u00e3o tem defici\u00eancia n\u00e3o vai perceber, porque ela \u00e9 \u2018cega\u2019 nesse sentido. A minha defici\u00eancia \u00e9 adquirida, eu tamb\u00e9m n\u00e3o via essas coisas e&nbsp;hoje&nbsp;eu vejo. Acho que deveria haver uma conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para quem \u00e9 deficiente, mas tamb\u00e9m para a sociedade, porque todo mundo precisa aprender, afinal s\u00e3o 45 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia, quase 25% da popula\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cal\u00e7adas acess\u00edveis<\/h2>\n\n\n\n<p>Paulo \u00e9 um dos 45 milh\u00f5es de deficientes do Brasil, segundo o \u00faltimo Censo demogr\u00e1fico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que enfrentam diariamente os obst\u00e1culos da vida e das cal\u00e7adas. Em S\u00e3o Paulo, um projeto tenta minimizar os desafios di\u00e1rios de quem se locomove pelas cal\u00e7adas da maior cidade do pa\u00eds. Lan\u00e7ado em julho pela prefeitura de S\u00e3o Paulo, o Plano Emergencial de Cal\u00e7adas prev\u00ea o investimento de R$ 400 milh\u00f5es at\u00e9 o final de 2020, contemplando uma \u00e1rea de 1,2 milh\u00e3o de metros quadrados, correspondente a aproximadamente 25% da \u00e1rea de cal\u00e7amento em todo o munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>As 32 subprefeituras da cidade&nbsp;ter\u00e3o, em m\u00e9dia, tr\u00eas pontos de obras, nos quais ser\u00e3o instalados piso t\u00e1til e rampas. As cal\u00e7adas dever\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;faixa livre exclusiva para a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e n\u00e3o possuir desn\u00edveis, obst\u00e1culos tempor\u00e1rios ou permanentes. Dever\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;superf\u00edcie regular, firme, cont\u00ednua e antiderrapante, al\u00e9m de possuir largura m\u00ednima de 1,20 metro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das \u00e1reas j\u00e1 contempladas \u00e9 a regi\u00e3o onde fica a AACD. A prefeitura realizou a reforma de cal\u00e7adas na rota acess\u00edvel dos hospitais que ficam na Vila Mariana. Segundo a prefeitura, o crit\u00e9rio para reformar uma cal\u00e7ada \u00e9 o fluxo de pedestres, assim como a presen\u00e7a de equipamentos p\u00fablicos como hospitais, escolas ou com\u00e9rcio. A proposta visa uma padroniza\u00e7\u00e3o para melhorar a mobilidade e qualidade de vida dos mun\u00edcipes, direcionando para o pedestre, no m\u00ednimo, 50% da \u00e1rea da cal\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o conta com o Hospital Edmundo Vasconcelos, Hospital do Rim, Hospital S\u00e3o Paulo, Hospital UNIFESP, Hospital da Graac, a AACD, a APAE, entre outros. O local tamb\u00e9m conta com tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4: AACD, Hospital S\u00e3o Paulo e Santa Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a coordenadora de reabilita\u00e7\u00e3o infantil e adulto da Terapia Ocupacional da AACD, Lina Silva Borges Santos, as cal\u00e7adas da regi\u00e3o da AACD est\u00e3o adequadas, mas ela lembra que dever\u00e3o passar por manuten\u00e7\u00e3o constante para oferecer seguran\u00e7a \u00e0s pessoas com defici\u00eancia. &#8220;Pode ser que daqui a pouco as cal\u00e7adas precisem de um reparo, [se n\u00e3o houver manuten\u00e7\u00e3o], a\u00ed tem uma falta de seguran\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia. J\u00e1 o restante das nossas cal\u00e7adas precisa ser reformada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o da terapeuta ocupacional, \u201cas leis existem, mas muitas vezes elas s\u00e3o n\u00e3o efetivas&#8221;. Ela justifica: &#8220;Para as pessoas com defici\u00eancia no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sair de casa, nunca foi. Tem mais de 20 anos que a gente tem uma lei que fala das cal\u00e7adas, s\u00f3 agora est\u00e1 mudando, e em alguns locais. S\u00e3o Paulo \u00e9 muito grande, eu concordo. Mas Curitiba (PR) e Uberl\u00e2ndia (MG) s\u00e3o as duas cidades que est\u00e3o quase modelos nessa quest\u00e3o da acessibilidade porque eles est\u00e3o de fato pensando no coletivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Lina cita a Lei Federal 10.098\/2000 que estabelece normas gerais e crit\u00e9rios b\u00e1sicos para a promo\u00e7\u00e3o da acessibilidade das pessoas portadoras de defici\u00eancia ou com mobilidade reduzida no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora cita outros desafios para a pessoa com defici\u00eancia. \u201cH\u00e1 o desafio de inser\u00e7\u00e3o na escola, no mercado de trabalho e tamb\u00e9m para que a pessoa tenha uma vida social como qualquer um de n\u00f3s. Queremos que essa pessoa entre no cinema, se locomova bem nas ruas, pegue um transporte p\u00fablico, ent\u00e3o esse \u00e9 o desafio, que ele tenha essa oportunidade de usar tudo que que gente faz em termos de reabilita\u00e7\u00e3o na vida social&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Direito de ir e vir<\/h2>\n\n\n\n<p>Morador de Ribeir\u00e3o Preto (SP), munic\u00edpio a 315 km da capital, o universit\u00e1rio Samuel Davi Curi, 19 anos, frequenta a AACD a cada tr\u00eas meses. Ele nasceu com paralisia cerebral e broncodisplasia. Para se locomover, ele usa a cadeira de rodas, mas ainda depende da m\u00e3e para ajud\u00e1-lo. &#8220;Para eu andar sozinho \u00e9 um risco, porque se eu caio e n\u00e3o tenho ningu\u00e9m para ajudar. Para mim, isso atrapalha o nosso direito de ir e vir que est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos liberdade, ficamos reclusos a determinados ambientes. Voc\u00ea deixa de ir a outros lugares porque n\u00e3o tem acesso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e de Samuel, Carmem Silvia Gimenez, conta que j\u00e1 se acidentou com o filho em um rebaixamento de guia inadequado.&nbsp; &#8220;A guia era acima de 1,5 cm&nbsp; e a roda da frente da cadeira bateu, ele virou e caiu pr\u00f3ximo a um sinaleiro. Quando conseguiram me acudir, fiquei t\u00e3o nervosa que sentei na cal\u00e7ada para chorar. A gente n\u00e3o espera que esse tipo de coisa v\u00e1 acontecer naquele movimento, foi assustador e revoltante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Samuel, as pessoas com defici\u00eancia deveriam ser mais ouvidas. \u201cMuito se fala em inclus\u00e3o, mas n\u00e3o escutam os deficientes, seja ele qual for, n\u00f3s n\u00e3o temos esse espa\u00e7o&nbsp;hoje&nbsp;em dia. Eu desejo que o cidad\u00e3o que n\u00e3o tem defici\u00eancia tenha um pouco mais de educa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea inclusiva, porque&nbsp;hoje&nbsp;em dia existe muito preconceito, eu e minha fam\u00edlia j\u00e1 passamos situa\u00e7\u00f5es muito inc\u00f4modas, de discrimina\u00e7\u00e3o mesmo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Samuel, o auxiliar de farm\u00e1cia Donner Rafael Vieira, 24 anos, frequenta a AACD desde crian\u00e7a. Ele nasceu com m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita que atingiu os dois p\u00e9s e a m\u00e3o direita. Ele saiu ainda beb\u00ea de Bel\u00e9m, no Par\u00e1, para fazer tratamento em S\u00e3o Paulo. Ele critica as pessoas que n\u00e3o respeitam os assentos preferenciais no transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas que sentam e n\u00e3o levantam quando chegam um preferencial \u00e9 que \u00e9, para mim, a pior coisa. Nas cal\u00e7adas, as piores s\u00e3o as de piso irregular.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m espera que as pessoas sejam mais conscientes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades enfrentadas pelas pessoas com defici\u00eancia. &#8220;Espero que as pessoas mudem de atitude, se as pessoas tomassem a consci\u00eancia de ligar para os outros pelo menos acabaria melhorando, afinal tem o pr\u00f3ximo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A cabeleireira Alvanice Santos de Oliveira, m\u00e3e de Larissa Oliveira de Souza, 19 anos, acredita que o transporte teve uma melhora, mas para que os deficientes f\u00edsicos tenham acessibilidade plena, h\u00e1 sempre que melhorar. \u201cDeveria&nbsp;ter&nbsp;mais lugares para eles fazerem a fisioterapia, a escola deveria ser mais preparada para receb\u00ea-los, porque tem muitas que n\u00e3o s\u00e3o. O transporte melhorou um pouco, mas na situa\u00e7\u00e3o deles tem sempre o que melhorar&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elas utilizam o servi\u00e7o do Atende para ir da Sapopemba, Zona Leste, para a AACD, duas vezes por semana para que Larissa fa\u00e7a o tratamento. A jovem nasceu com paralisia cerebral e utiliza cadeira de rodas, sempre levada pela m\u00e3e. Para ela, a cal\u00e7ada da regi\u00e3o est\u00e1 adequada, mas em outros lugares n\u00e3o \u00e9 assim. &#8220;Essa cal\u00e7ada sim, est\u00e1 boa. Tem muitas por a\u00ed que n\u00e3o, nas outras cal\u00e7adas tudo \u00e9 ruim, rampa, buraco, poste, tem tudo no meio do caminho&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Defici\u00eancia, a cabeleireira deseja que os deficientes f\u00edsicos, assim como sua filha, conquistem seu espa\u00e7o. &#8220;Desejo que ela conquiste o espa\u00e7o dela nesse mundo, que se desenvolva, do jeito dela, mas se desenvolva, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 preciso for\u00e7a para lutar junto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e de Analice Santos Oliveira, de 4 anos, que nasceu com paralisia cerebral e faz tratamento na AACD, a dona de casa J\u00e9ssica Maria dos Santos tamb\u00e9m aprovou a cal\u00e7ada acess\u00edvel, mas refor\u00e7a que a realidade fora da regi\u00e3o \u00e9 outra. \u201cEssa cal\u00e7ada \u00e9 bem melhor porque ajuda com a cadeira, n\u00e3o precisa colocar tanto esfor\u00e7o. Tem cal\u00e7ada que n\u00e3o tem a rampa, a\u00ed preciso puxar, \u00e0s vezes preciso de ajuda, mas essa \u00e9 mais tranquila. Mas nem todo lugar \u00e9 acess\u00edvel para a cadeira, o pior s\u00e3o os buracos, o poste no meio da cal\u00e7ada o que faz a gente ir para o meio da rua porque n\u00e3o d\u00e1 pra passar. Temos que&nbsp;ter&nbsp;sorte para viver em S\u00e3o Paulo com uma pessoa com defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e9ssica ainda refor\u00e7a o que a cabelereira Alvanice disse sobre a falta de acessibilidade nas escolas. &nbsp;\u201cNa escola ela tem que usar o andador, porque tem escada e n\u00e3o tem como levar cadeira. Nem toda escola ajuda, e como ela n\u00e3o consegue fazer nada sozinha ela precisa de um acompanhante, o que toda escola deveria&nbsp;ter. Ela tinha at\u00e9 abril, mas j\u00e1 n\u00e3o tem mais&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ranking nacional de cal\u00e7adas<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda que esteja longe do ideal de acessibilidade, a cidade de S\u00e3o Paulo ficou em&nbsp;<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-09\/estudo-mostra-ruas-e-calcadas-inadequadas-para-circulacao-de-pessoas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeiro lugar no ranking do estudo Campanha Cal\u00e7adas do Brasil 2019<\/a>, divulgado na&nbsp;quinta-feira (19) pela Mobilize Brasil, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com cal\u00e7adas apresentando desn\u00edveis, pisos irregulares, largura vari\u00e1vel e excesso de postes, a capital paulista obteve m\u00e9dia 6,93, abaixo da nota m\u00ednima (8,0) para uma cal\u00e7ada aceit\u00e1vel, segundo os crit\u00e9rios do levantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA cidade menos pior \u00e9 S\u00e3o Paulo, e ela n\u00e3o atinge nem a nota 7, que ainda \u00e9 inferior ao m\u00ednimo adequado para uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel de caminhabilidade\u201d, disse a arquiteta e urbanista Mar\u00edlia Hildebrand, membro do Mobilize Brasil. \u201cNa cidade de S\u00e3o Paulo, temos bons exemplos de cal\u00e7adas que percorrem mais de um quil\u00f4metro, como as Avenida Paulista e da Avenida Faria Lima. Mas isso s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os avaliadores visitaram, fotografaram, tomaram medi\u00e7\u00f5es e atribu\u00edram notas de zero a dez para cada um dos 13 itens considerados na pesquisa: regularidade do piso, largura da cal\u00e7ada, inclina\u00e7\u00e3o transversal da cal\u00e7ada, exist\u00eancia de barreiras e obst\u00e1culos, condi\u00e7\u00f5es de rampas de acessibilidade, faixas de pedestres, sem\u00e1foros de pedestres, mapas e placas de orienta\u00e7\u00e3o, arboriza\u00e7\u00e3o e paisagismo, mobili\u00e1rio urbano, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, ru\u00eddo urbano e seguran\u00e7a. No crit\u00e9rio rampas de acessibilidade, S\u00e3o Paulo recebeu a nota 6,79. Em regularidade do piso, a nota foi 6,71.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cal\u00e7adas particulares<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando uma cal\u00e7ada privada (em frente \u00e0 uma resid\u00eancia ou ponto comercial) est\u00e1 em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, o mun\u00edcipio de S\u00e3o Paulo \u00e9 notificado e deve regularizar a situa\u00e7\u00e3o no prazo de 60 dias. Caso n\u00e3o fa\u00e7a a manuten\u00e7\u00e3o, est\u00e1 sujeito a multa no valor de R$ 439,66 por metro linear.<\/p>\n\n\n\n<p>O decreto que institui o Plano Emergencial de Cal\u00e7adas autoriza a Prefeitura a executar as obras nas cal\u00e7adas, inclusive de propriedades particulares. Caber\u00e1 aos donos dos im\u00f3veis a manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a reforma. \u201cEsta \u00e9 uma forma que a administra\u00e7\u00e3o encontrou de atender de uma maneira mais efetiva a popula\u00e7\u00e3o reduzindo os problemas, principalmente de acessibilidade, que temos&nbsp;hoje\u201d, disse o secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre, no lan\u00e7amento do Plano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer questionamentos ou registrar queixas sobre os passeios p\u00fablicos, o cidad\u00e3o pode entrar em contato com prefeitura pelo telefone 156 ou nas pra\u00e7as de atendimento das subprefeituras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O universit\u00e1rio Paulo C\u00e9sar de Jesus, 31 anos, enfrenta v\u00e1rios desafios para se deslocar pela cidade de S\u00e3o Paulo. 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