{"id":126973,"date":"2019-10-16T08:34:26","date_gmt":"2019-10-16T11:34:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=126973"},"modified":"2019-10-16T08:34:26","modified_gmt":"2019-10-16T11:34:26","slug":"dia-mundial-do-pao-conheca-um-pouco-da-historia-do-produto-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/10\/16\/dia-mundial-do-pao-conheca-um-pouco-da-historia-do-produto-no-brasil\/","title":{"rendered":"Dia Mundial do P\u00e3o: conhe\u00e7a um pouco da hist\u00f3ria do produto no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>P\u00e3o franc\u00eas, p\u00e3o r\u00fastico, bengala, fil\u00e3o, p\u00e3o caseiro, p\u00e3o de cereais, ciabatta, bisnaguinha, p\u00e3o s\u00edrio, p\u00e3o doce, p\u00e3o australiano, p\u00e3o de forma, p\u00e3o italiano, p\u00e3o integral&#8230; O p\u00e3o \u00e9 um dos alimentos mais tradicionais em todo o mundo. Para homenagear essa iguaria t\u00e3o variada, t\u00e3o popular e t\u00e3o consumida, foi criado o Dia Mundial do P\u00e3o, celebrado hoje (16). O dia foi institu\u00eddo em 2000, em Nova York, pela Uni\u00e3o dos Padeiros e Confeiteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do p\u00e3o \u00e9 antiga. Ele teria surgido h\u00e1 mais de 6 mil anos, quando os eg\u00edpcios descobriram a fermenta\u00e7\u00e3o do trigo. Ali ele era considerado um alimento b\u00e1sico e era um s\u00edmbolo de poder. Os p\u00e3es preparados com trigo de qualidade superior eram destinados apenas aos ricos. Os eg\u00edpcios se dedicavam tanto ao p\u00e3o que se tornaram conhecidos como \u201ccomedores de p\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante lembrar da import\u00e2ncia que o p\u00e3o tem para a humanidade. Desde os prim\u00f3rdios, os gr\u00e3os eram consumidos de forma bruta, comidos crus. Posteriormente, alguns historiadores falam que, por acidente, os p\u00e3es &#8211; que eram formados numa pasta mascada na boca, pasta essa feita de mingau \u2013 ca\u00edram em cima de uma pedra quente, em uma fogueira e, a partir dali, se gerou uma massa assada\u201d, conta o especialista e historiados sobre p\u00e3o, Augusto Cezar de Almeida, em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Almeida \u00e9 autor de diversos livros como&nbsp;<em>A Hist\u00f3ria da Panifica\u00e7\u00e3o Brasileira \u2013 a Fant\u00e1stica Hist\u00f3ria do P\u00e3o e da Evolu\u00e7\u00e3o das Padarias no Brasil<\/em>&nbsp;e do&nbsp;<em>Dicion\u00e1rio da Panifica\u00e7\u00e3o Brasileira<\/em>. Ele tamb\u00e9m \u00e9 editor da revista Panifica\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o homem come\u00e7a a controlar o processo de fermenta\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica de fazer p\u00e3o se aprimorou e se espalhou pelo mundo. \u201cNo come\u00e7o da hist\u00f3ria, tinha muita rejei\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que fermentava porque dava ideia que estava estragando. Quando se teve controle, com Pasteur [Louis Pasteur, cientista franc\u00eas, 1822-1895], que foi um estudioso que conseguiu controlar e entender o processo fermentativo, essa a\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o passou a se propagar de forma mais controlada, mais industrial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/7v0lniCgT0rwJ_yIEBQ3CcYXtPE=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/rvrsa_abr_151019794.jpg?itok=06ey87Ml\" alt=\"Padaria Santa Tereza, a mais antiga de S\u00e3o Paulo, localizada na pra\u00e7a Doutor Jo\u00e3o Mendes.\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">A padaria Santa Tereza \u00e9 considerada uma das mais antiga do pa\u00eds e fica na pra\u00e7a Doutor Jo\u00e3o Mendes, em S\u00e3o Paulo &#8211;&nbsp;<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><br><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O p\u00e3o no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>Almeida conta que o produto chegou ao Brasil por meio dos portugueses: \u201cPara se ter ideia, o primeiro documento que narra um brasileiro consumindo p\u00e3o foi a carta de Pero Vaz de Caminha. Quando as naus [portuguesas] chegaram em territ\u00f3rio brasileiro, elas traziam p\u00e3es. Os \u00edndios ent\u00e3o provaram, pela primeira vez, aquilo que era totalmente estranho, que era o p\u00e3o. E a rea\u00e7\u00e3o dos \u00edndios n\u00e3o foi l\u00e1 muito favor\u00e1vel porque eles n\u00e3o estavam habituados a consumir aquele tipo de produto. Os produtos que se consumiam aqui eram derivados da mandioca e t\u00edpicos da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os p\u00e3es que foram provados pelos \u00edndios eram muito r\u00fasticos e, pela longa viagem, provavelmente eram duros tamb\u00e9m. \u201cPor isso n\u00e3o deve ter sido muito f\u00e1cil aceitar\u201d, diz Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas com o plantio do trigo, que teria sido iniciado pelas sementes trazidas por Martim Afonso de Souza [nobre e militar portugu\u00eas, 1490-1570], \u00e9 que o h\u00e1bito de comer p\u00e3o come\u00e7a a crescer no pa\u00eds. \u201cA primeira narrativa que se tem aqui [no Brasil] de trigo foi com Martim Afonso de Souza, lembrando das Capitanias Heredit\u00e1rias. Ali, o militar Martim Afonso de Souza se tornou donat\u00e1rio da Capitania de S\u00e3o Vicente, primeira capitania que tivemos no Brasil. Ele tamb\u00e9m era governador da \u00cdndia, muito pr\u00f3xima das regi\u00f5es \u00e1rabes, e ele trouxe sementes de trigo para o Brasil. S\u00e3o duas narrativas que pouco se fala aqui: primeiro, que o p\u00e3o foi provado pelos \u00edndios nas naus portuguesas. E, segundo, que o trigo foi trazido pelo Martim Afonso de Souza\u201d, conta o historiador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/P8CPNvnXatQQQwml3lcLEv25foc=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/rvrsa_abr_151019789.jpg?itok=Ddslf0u8\" alt=\"Padaria Santa Tereza, a mais antiga de S\u00e3o Paulo, localizada na pra\u00e7a Doutor Jo\u00e3o Mendes.\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Em 2018, o Brasil tinha 70.523 padarias &#8211;&nbsp;<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><br><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Padarias<\/h2>\n\n\n\n<p>No ano passado, havia em todo o pa\u00eds 70.523 padarias, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Panifica\u00e7\u00e3o e Confeitaria (Abip). Mais de 14 mil delas estavam localizadas no estado de S\u00e3o Paulo. A maior parte dessas padarias, cerca de 95% do total, s\u00e3o micro e pequenas empresas familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas pode ter surgido no Rio de Janeiro. Ou em S\u00e3o Vicente, no litoral paulista. Mas h\u00e1 poucos dados ou registros sobre isso. Com isso, a padaria que ficou conhecida como a mais antiga do Brasil \u00e9 a Santa Tereza, localizada na regi\u00e3o da Pra\u00e7a da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo. A Santa Tereza foi fundada em 1872.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDebret [1768-1848], um [pintor e desenhista] franc\u00eas que veio junto com a Fam\u00edlia Real, fez uma s\u00e9rie de ilustra\u00e7\u00f5es que falaram sobre algumas caracter\u00edsticas da \u00e9poca. E uma das gravuras que ele faz \u00e9 de uma padaria onde a moagem do trigo era feita dentro dela. Ali se mo\u00eda e se fazia a farinha. A narrativa do Debret fala ainda que os p\u00e3es feitos pelos franceses no Rio de Janeiro n\u00e3o eram iguais aos da Fran\u00e7a\u201d, contou o historiador. \u201cA Fran\u00e7a historicamente tem p\u00e3es de uma casca mais grossa, feito com fermenta\u00e7\u00e3o mais longa. S\u00e3o p\u00e3es mais compactos. No Brasil, j\u00e1 tivemos o per\u00edodo dos fil\u00f5es, com densidade maior, mais pesados; e das baguetes, que eram p\u00e3es mais parecidos com os da Fran\u00e7a. Por\u00e9m n\u00e3o tinham os mesmos componentes e nem o tipo de fermenta\u00e7\u00e3o que era feito l\u00e1 na Fran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs padarias, no passado, eram consideradas ind\u00fastrias na cidade. Elas fabricavam biscoito, bolachas, v\u00e1rios produtos que eram vendidos para outras regi\u00f5es pr\u00f3ximas. Bolachas e biscoitos s\u00e3o produtos que n\u00e3o se estragam facilmente. As padarias tinham capacidade industrial e empregavam muitas pessoas. Depois surgiram as ind\u00fastrias de biscoito e massas. Tem muitas hist\u00f3rias de grandes ind\u00fastrias hoje no mercado brasileiro que surgiram de padarias\u201d, contou o historiador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/WtF3m6T0qlnMbnVmpJJRf4AHyMk=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/rvrsa_abr_151019792.jpg?itok=i4s7oh20\" alt=\"Padaria Santa Tereza, a mais antiga de S\u00e3o Paulo, localizada na pra\u00e7a Doutor Jo\u00e3o Mendes.\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O p\u00e3o franc\u00eas \u00e9 o mais consumido pelos brasileiros &#8211;&nbsp;<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><br><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">P\u00e3o franc\u00eas<\/h2>\n\n\n\n<p>Almeida conta que o p\u00e3o branco, com um miolo \u00famido, revestido por uma casca fina, dourada e levemente crocante, composto por \u00e1gua, farinha de trigo, sal e fermento, e mais conhecido como p\u00e3o franc\u00eas \u2013 o nome varia conforme a regi\u00e3o do pa\u00eds \u2013, \u00e9 o mais consumido pelos brasileiros. Entre os produtos de panifica\u00e7\u00e3o, a venda de p\u00e3o franc\u00eas corresponde atualmente, segundo a Abip, a 45% do total comercializado nas padarias.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ele vem perdendo espa\u00e7o para a imensa variedade de p\u00e3es que existem hoje: \u201cO p\u00e3o franc\u00eas percentualmente est\u00e1 perdendo a sua import\u00e2ncia &#8211; n\u00e3o porque est\u00e1 deixando de ser consumido, mas porque outros tipos de p\u00e3es est\u00e3o crescendo no consumo como os integrais ou com cereais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs primeiros registros com o nome de p\u00e3o franc\u00eas s\u00e3o da \u00e9poca de Debret, na \u00e9poca da Fam\u00edlia Real presente no Brasil. Mas entendo mais isso como o p\u00e3o franc\u00eas feito pelos franceses, j\u00e1 que as caracter\u00edsticas n\u00e3o eram t\u00e3o iguais assim. Se procurar o p\u00e3o franc\u00eas como temos no Brasil, na Fran\u00e7a, n\u00e3o vamos encontrar\u201d, diz o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e3o franc\u00eas, p\u00e3o r\u00fastico, bengala, fil\u00e3o, p\u00e3o caseiro, p\u00e3o de cereais, ciabatta, bisnaguinha, p\u00e3o s\u00edrio, p\u00e3o doce, p\u00e3o australiano, p\u00e3o de forma, p\u00e3o italiano, p\u00e3o&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":126974,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-126973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":126975,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126973\/revisions\/126975"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}