{"id":135442,"date":"2019-11-14T13:35:09","date_gmt":"2019-11-14T16:35:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=135442"},"modified":"2019-11-14T13:35:09","modified_gmt":"2019-11-14T16:35:09","slug":"criancas-brasileiras-terao-dificuldade-para-respirar-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/11\/14\/criancas-brasileiras-terao-dificuldade-para-respirar-no-futuro\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as brasileiras ter\u00e3o dificuldade para respirar no futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma crian\u00e7a nascida hoje no Brasil provavelmente ter\u00e1 dificuldade para respirar durante seu crescimento e sua vida. Tamb\u00e9m enfrentar\u00e1 mosquitos transmissores de doen\u00e7as, como a dengue, e eventos extremos, como queimadas, secas e inunda\u00e7\u00f5es, em maiores quantidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o alguns dos problemas de sa\u00fade associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas apresentados na nova vers\u00e3o do relat\u00f3rio Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (em tradu\u00e7\u00e3o livre, \u201cAcompanhando os Progressos em Sa\u00fade e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u201d), lan\u00e7ado na noite desta quarta-feira (13).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o documento, a vida de todas as crian\u00e7as nascidas a partir de agora ser\u00e1 profundamente afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a polui\u00e7\u00e3o do ar \u00e9 um dos pontos que trar\u00e1 problemas para as crian\u00e7as de hoje e de amanh\u00e3. Tal polui\u00e7\u00e3o conta com a presen\u00e7a do chamado material particulado, que \u00e9 proveniente de queimadas (que apresentaram aumento significativo neste ano no pa\u00eds), queima de carv\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de energia e ve\u00edculos de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de polui\u00e7\u00e3o est\u00e1 associado a peso baixo em rec\u00e9m-nascidos, menor fun\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria em crian\u00e7as e maiores taxas de hospitaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 em 2016, estima-se que a polui\u00e7\u00e3o do ar levou a 24 mil mortes prematuras no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter ideia do tamanho do problema, em uma hora de exposi\u00e7\u00e3o ao tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo, por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o \u201cfuma\u201d cerca de cinco cigarros, como apontam as pesquisas feitas pela equipe de Paulo Saldiva, diretor do IEA (Instituto de Estudos Avan\u00e7ados), na USP, e um dos coautores do relat\u00f3rio Lancet.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, o monitoramento da polui\u00e7\u00e3o \u00e9 deficit\u00e1rio no pa\u00eds. Levantamento deste ano da ONG Instituto Sa\u00fade e Sustentabilidade mostrou que s\u00f3 seis estados e o Distrito Federal fazem o monitoramento de polui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o dos resultados para a popula\u00e7\u00e3o. Mais de 90% das esta\u00e7\u00f5es de monitoramento se concentram no Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o quanto ao Brasil \u00e9 o crescimento do uso de carv\u00e3o. O documento mostra que o uso desse tipo de fonte de energia no pa\u00eds triplicou nos \u00faltimos 40 anos. Em contrapartida, \u00e9 pequena a participa\u00e7\u00e3o desse tipo de termel\u00e9trica na matriz energ\u00e9tica nacional, com participa\u00e7\u00e3o predominante de fontes renov\u00e1veis, como hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro tamb\u00e9m ser\u00e1 marcado por um aumento nas doen\u00e7as transmitidas por mosquitos, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A dengue, por exemplo, sofre forte influ\u00eancia de chuvas, temperatura \u2013elementos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u2013 e urbaniza\u00e7\u00e3o. Desde 1950, a capacidade de transmiss\u00e3o de dengue aumentou em 5% para o Aedes aegypti e em 11% para o Aedes albopictus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mundialmente, 9 dos 10 anos mais prop\u00edcios para a transmiss\u00e3o da dengue ocorreram do ano 2000 para c\u00e1, e atualmente metade da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso quer dizer que \u00e9 mais f\u00e1cil pegar dengue hoje, doen\u00e7a transmitida pelo mosquito que se espalha mais rapidamente pelo mundo. Em 2016, o Brasil teve 1,5 milh\u00e3o de casos de dengue, tr\u00eas vezes mais do que em 2014. Segundo o documento, o custo da infec\u00e7\u00e3o para o SUS entre 2012 e 2013 foi de cerca de US$ 164 milh\u00f5es (R$ 770 milh\u00f5es). Ao mesmo tempo, o peso socioecon\u00f4mico da dengue chegou a US$ 468 milh\u00f5es (cerca de R$ 1,9 bilh\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 somente a dengue que preocupa os autores do estudo. Desde os anos 1980, dobrou o n\u00famero de dias mais prop\u00edcios para a contamina\u00e7\u00e3o por vibrio, um dos microrganismos respons\u00e1veis por casos casos de diarreia, que pode ter impactos s\u00e9rios em crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o faltar\u00e3o eventos clim\u00e1ticos extremos. No Brasil, os inc\u00eandios florestais afetaram 1,6 milh\u00e3o de pessoas desde 2001\/2004. At\u00e9 agosto, o Brasil teve seu maior n\u00famero de queimadas desde 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio do Lancet, inclusive, diz respeito \u00e0s florestas brasileiras. O documento orienta que deve se reafirmar o compromisso com o desmatamento ilegal zero at\u00e9 2030, aliado a reflorestamento e redu\u00e7\u00e3o de queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As cidades brasileiras, com suas variabilidades clim\u00e1ticas extremas, servem como um grande e tr\u00e1gico laborat\u00f3rio para entender o papel das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, diz o m\u00e9dico e pesquisador Paulo Saldiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cita o exemplo de S\u00e3o Paulo. Em determinada fatia dos dias mais quentes e mais frios, a mortalidade aumenta em 50%, com mortes relacionadas principalmente a AVCs (acidente vascular cerebral), pneumonias e infartos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA cidade tem uma zona de temperatura onde nada acontece, que varia de mais ou menos 17\u00b0C at\u00e9 25\u00b0C, 26\u00b0C, mas os desvios aumentam a mortalidade\u201d, afirma Saldiva.<br>H\u00e1 ainda as diferen\u00e7as regionais, que tamb\u00e9m impactam nas formas de mortalidade. \u201cMorre-se de calor na zona leste e de frio na zona sul\u201d, diz o especialista do IEA.<\/p>\n\n\n\n<p>Mayara Floss, uma das autoras do relat\u00f3rio Lancet e m\u00e9dica residente de medicina de fam\u00edlia e comunidade Grupo Hospitalar Concei\u00e7\u00e3o, diz que o cen\u00e1rio negativo apontado pelos dados deve servir de alerta para a tomada de a\u00e7\u00e3o, como a manuten\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o dos compromissos clim\u00e1ticos tratados no Acordo de Paris. \u201cN\u00f3s estamos na janela [temporal] em que \u00e9 poss\u00edvel agir\u201d, diz Floss.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m indica que o Brasil deveria refor\u00e7ar a vigil\u00e2ncia da qualidade do ar, inclusive com sistemas de envio de mensagens para quem estiver em regi\u00f5es nas quais a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o pode apresentar risco, aconselhando, por exemplo, em quais per\u00edodos a pessoa pode sair de casa e em quais se exercitar, diz Floss.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, para tentar mudar a situa\u00e7\u00e3o, o cidad\u00e3o pode atuar com press\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Saldiva diz que colocar a sa\u00fade como um ponto central na discuss\u00e3o clim\u00e1tica pode ajudar a combater a \u201cignor\u00e2ncia organizada, fruto da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia e de interesses econ\u00f4micos de grupos afetados por pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista compara a situa\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria do cigarro. \u201cEla sabia perfeitamente que o produto dela fazia mal, mas nunca passou na cabe\u00e7a dela parar. A autorregula\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. O documento aperta uma tecla SAP para colocar ci\u00eancia no assunto.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma crian\u00e7a nascida hoje no Brasil provavelmente ter\u00e1 dificuldade para respirar durante seu crescimento e sua vida. 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