{"id":138727,"date":"2019-11-30T10:01:55","date_gmt":"2019-11-30T13:01:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=138727"},"modified":"2019-11-30T10:01:55","modified_gmt":"2019-11-30T13:01:55","slug":"gilmar-mendes-libera-investigacao-sobre-flavio-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/11\/30\/gilmar-mendes-libera-investigacao-sobre-flavio-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Gilmar Mendes libera investiga\u00e7\u00e3o sobre Fl\u00e1vio Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<p>O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo<br>Tribunal Federal), liberou a retomada de investiga\u00e7\u00e3o sobre o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (sem partido-RJ) nesta sexta-feira (29).<\/p>\n\n\n\n<p>Gilmar derrubou uma liminar (decis\u00e3o provis\u00f3ria) concedida por ele mesmo em 30 de setembro. A defesa de Fl\u00e1vio pediu para que fosse dada ordem ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro de paralisar apura\u00e7\u00f5es sobre o senador.<\/p>\n\n\n\n<p>O filho do presidente Jair Bolsonaro&nbsp;(sem partido) \u00e9 investigado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro&nbsp;por um suposto esquema de rachadinha no per\u00edodo em que era deputado estadual. A pr\u00e1tica consiste na devolu\u00e7\u00e3o de parte do sal\u00e1rio dos funcion\u00e1rios para o deputado ou pessoas de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A liminar de Gilmar barrava a investiga\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de uma outra decis\u00e3o, tamb\u00e9m provis\u00f3ria, do ministro Dias Toffoli, presidente da corte, que havia determinado em julho a paralisa\u00e7\u00e3o de todas as apura\u00e7\u00f5es feitas com base em dados sigilosos, sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quinta-feira (28), por\u00e9m, o plen\u00e1rio do STF votou, em sua maioria, por liberar investiga\u00e7\u00f5es com essas informa\u00e7\u00f5es. Assim, Toffoli derrubou sua pr\u00f3pria liminar, e Gilmar fez o mesmo nesta sexta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Considerando que a decis\u00e3o paradigma [de Toffoli] que estaria sendo descumprida pelo ato reclamado n\u00e3o mais subsiste, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 autoridade desta corte, apta a ensejar o cabimento da&nbsp;presente reclama\u00e7\u00e3o&#8221;, escreveu Gilmar.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilmar tornou p\u00fablica a decis\u00e3o desta sexta, mas o processo de Fl\u00e1vio continua sob segredo de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Outrossim, considerando que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece a regra da publicidade dos atos processuais e dos julgamentos do Poder Judici\u00e1rio, ressalvada a preserva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 intimidade do interessado (art. 93, inciso IX), determino a publica\u00e7\u00e3o na \u00edntegra da presente decis\u00e3o, mantendo-se o sigilo dos autos, em raz\u00e3o da exist\u00eancia<br>de dados banc\u00e1rios e fiscais do reclamante acobertados pela prote\u00e7\u00e3o \u00e0 intimidade&#8221;, escreveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da que envolve Fl\u00e1vio, outras&nbsp;900 investiga\u00e7\u00f5es&nbsp;em todo o Brasil haviam sido paralisadas gra\u00e7as \u00e0 liminar de Toffoli em julho.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito que foi congelado era o mais avan\u00e7ada entre quatro procedimentos&nbsp;nos quais Fl\u00e1vio figura como investigado, com quebras de sigilo fiscal e banc\u00e1rio do senador e outras 102 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas ligadas a ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a suspeita de pr\u00e1tica de &#8220;rachadinha&#8221; no gabinete de Fl\u00e1vio na Assembleia Legislativa do Rio entre os anos de 2007 e 2018 \u2013 per\u00edodo em que o policial aposentado Fabr\u00edcio Queiroz, piv\u00f4 do caso, trabalhou com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou h\u00e1 mais de um ano e meio, com o envio ao MP-RJ de um<br>relat\u00f3rio do Coaf apontando movimenta\u00e7\u00f5es at\u00edpicas de R$ 1,2 milh\u00e3o na conta banc\u00e1ria de&nbsp;Queiroz, ex-assessor de Fl\u00e1vio na&nbsp;Assembleia fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do volume movimentado na conta de Queiroz, que era apresentado como<br>motorista de Fl\u00e1vio, chamou a aten\u00e7\u00e3o a forma com que as opera\u00e7\u00f5es se davam: dep\u00f3sitos e saques em dinheiro vivo, em data pr\u00f3xima do pagamento de servidores da Assembleia.<\/p>\n\n\n\n<p>A apura\u00e7\u00e3o envolveu seis relat\u00f3rios do antigo&nbsp;Coaf (hoje UIF, a Unidade de Intelig\u00eancia Financeira)&nbsp;que detalhavam, por exemplo, data, ag\u00eancia banc\u00e1ria e hor\u00e1rios de dezenas de saques e dep\u00f3sitos realizados \u2013 o que, segundo a decis\u00e3o inicial de&nbsp;Toffoli, em julho, demandava autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quinta, a maioria dos ministros do STF decidiu&nbsp;autorizar o compartilhamento de dados banc\u00e1rios e fiscais&nbsp;com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a pol\u00edcia sem necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p>A vota\u00e7\u00e3o do processo sobre o compartilhamento de dados sigilosos foi finalizada, mas&nbsp;a fixa\u00e7\u00e3o da tese que nortear\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de controle ficou para a pr\u00f3xima quarta (4).<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros votaram de formas diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Receita e ao antigo Coaf, rebatizado de UIF&nbsp;em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais clara quanto \u00e0 Receita. Por maioria de nove votos, o Fisco&nbsp;poder\u00e1 continuar compartilhando&nbsp;com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a pol\u00edcia suas representa\u00e7\u00f5es fiscais para fins penais (RFFPs), incluindo \u00edntegras de declara\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda e extratos banc\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Votaram nesse sentido os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Lu\u00eds Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, C\u00e1rmen L\u00facia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente Toffoli votou inicialmente por impor restri\u00e7\u00f5es ao teor do material compartilhado pela Receita, proibindo o repasse de declara\u00e7\u00f5es de IR e extratos banc\u00e1rios. Nos minutos finais, alterou seu voto para acompanhar a maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os ministros Marco Aur\u00e9lio e Celso de Mello foram os mais restritivos nesse ponto: para eles, n\u00e3o pode haver compartilhamento sem autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, em respeito ao direito constitucional \u00e0 privacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 UIF dever\u00e1 ficar mais clara na semana que vem, quando for definido o enunciado da tese. S\u00f3 ent\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel analisar o impacto definitivo do julgamento nas investiga\u00e7\u00f5es que usaram dados da UIF, como a de Fl\u00e1vio.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas Toffoli e Gilmar fizeram ressalvas ao procedimento de compartilhamento dos relat\u00f3rios de intelig\u00eancia financeira (RIFs) feitos pela UIF. Eles enfatizaram que os relat\u00f3rios n\u00e3o podem ser feitos &#8220;por encomenda&#8221; do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da pol\u00edcia a n\u00e3o ser quando j\u00e1 houver investiga\u00e7\u00e3o formal sobre o alvo ou tiver havido um alerta anterior da&nbsp;UIF sobre ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto ele como Toffoli afirmaram que h\u00e1 casos concretos em que o Minist\u00e9rio P\u00fablico pediu \u00e0 UIF informa\u00e7\u00f5es por meios n\u00e3o oficiais, como email &#8211; o que ambos destacaram ser vedado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como alguns ministros nem sequer abordaram o tema da UIF (como Marco Aur\u00e9lio e Lewadowski) ou n\u00e3o se debru\u00e7aram especificamente sobre as ressalvas expressas por Toffoli e Gilmar, \u00e9 preciso esperar a formula\u00e7\u00e3o da tese geral, na pr\u00f3xima quarta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao STF a defesa de Fl\u00e1vio Bolsonaro sustentou que o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio pediu informa\u00e7\u00f5es sobre ele diretamente ao antigo Coaf, realizando uma verdadeira quebra de sigilo, sem controle judicial, inclusive com contatos por email entre promotores e o \u00f3rg\u00e3o de intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, Fl\u00e1vio pegou carona em um recurso extraordin\u00e1rio que tramitava no STF desde 2017 e que tratava somente do compartilhamento de dados pela Receita. A partir do pedido do senador, Toffoli, relator do processo, expandiu o objeto em discuss\u00e3o para alcan\u00e7ar tamb\u00e9m a UIF.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida gerou cr\u00edticas de colegas no plen\u00e1rio. Os ministros Rosa Weber, C\u00e1rmen L\u00facia, Marco Aur\u00e9lio e Celso de Mello votaram contra a inclus\u00e3o da UIF no julgamento, mas acabaram sendo vencidos nesse ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>ENTENDA AS INVESTIGA\u00c7\u00d5ES ENVOLVENDO FL\u00c1VIO BOLSONARO<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que pesa contra Fl\u00e1vio Bolsonaro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 a suspeita de pr\u00e1tica de &#8220;rachadinha&#8221; no gabinete de Fl\u00e1vio Bolsonaro<br>na Assembleia Legislativa do Rio entre os anos de 2007 e 2018 &#8211; per\u00edodo em que o policial aposentado Fabr\u00edcio Queiroz, piv\u00f4 do caso, trabalhou com ele. A pr\u00e1tica consiste na devolu\u00e7\u00e3o de parte do sal\u00e1rio dos funcion\u00e1rios para o deputado ou pessoas de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se apura suposta lavagem de dinheiro por meio de compra e venda de im\u00f3veis pelo hoje senador no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda suspeita sobre funcion\u00e1rios fantasmas no gabinete de Fl\u00e1vio quando era deputado estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que o caso de Fl\u00e1vio se enquadrava na decis\u00e3o de Toffoli, agora derrubada, de suspender investiga\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>A apura\u00e7\u00e3o envolveu seis relat\u00f3rios do antigo Coaf que detalhavam, por exemplo, data, ag\u00eancia banc\u00e1ria e hor\u00e1rios de dezenas de saques e dep\u00f3sitos realizados &#8211; o que, segundo a decis\u00e3o inicial de Toffoli, em julho, demandava autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais os argumentos de Fl\u00e1vio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao STF a defesa&nbsp;sustentou que o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio pediu<br>informa\u00e7\u00f5es sobre ele diretamente ao antigo Coaf, realizando uma<br>verdadeira quebra de sigilo, sem controle judicial, inclusive com<br>contatos por email entre promotores e o \u00f3rg\u00e3o de intelig\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele \u00e9 alvo de quantas investiga\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No total, h\u00e1 quatro procedimentos abertos nos quais Fl\u00e1vio figura como investigado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem investiga?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas correm no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro e um no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De quais crimes \u00e9 suspeito?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os procedimentos apuram peculato, lavagem de dinheiro, oculta\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio, organiza\u00e7\u00e3o criminosa e improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais pararam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 o procedimento criminal, que apura a &#8220;rachadinha&#8221;, foi parado em raz\u00e3o da discuss\u00e3o no STF. Era o mais avan\u00e7ado, com quebras de sigilo fiscal e banc\u00e1rio do senador e outras 102 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas ligadas a ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que tratam as outras investiga\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois procedimentos c\u00edveis com o MP-RJ: um corre h\u00e1 um ano, com base no relat\u00f3rio do antigo Coaf. Outro, que apura a exist\u00eancia de funcion\u00e1rios fantasmas no gabinete, come\u00e7ou h\u00e1 dois meses. O quarto, sob sigilo, est\u00e1 sob responsabilidade do MPF e apura a evolu\u00e7\u00e3o patrimonial de Fl\u00e1vio.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro Gilmar Mendes, do STF (SupremoTribunal Federal), liberou a retomada de investiga\u00e7\u00e3o sobre o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (sem partido-RJ) nesta sexta-feira (29). 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