{"id":149330,"date":"2020-01-27T09:20:42","date_gmt":"2020-01-27T12:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=149330"},"modified":"2020-01-27T09:20:44","modified_gmt":"2020-01-27T12:20:44","slug":"profissao-milenar-parteira-renasce-com-mais-seguranca-e-tecnicas-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/01\/27\/profissao-milenar-parteira-renasce-com-mais-seguranca-e-tecnicas-tradicionais\/","title":{"rendered":"Profiss\u00e3o milenar, parteira renasce com mais seguran\u00e7a e t\u00e9cnicas tradicionais"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Os sonhos frequentes com nascimento de beb\u00eas conduziram Naoli Vinaver, de 54 anos, para os caminhos da chamada parteria tradicional. A profiss\u00e3o milenar comemorada no \u00faltimo dia (20) tem atra\u00eddo o interesse de mulheres em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja a \u00fanica alternativa em diversos munic\u00edpios, o parto normal e domiciliar auxiliado por parteiras ainda \u00e9 cercado de mitos e desinforma\u00e7\u00e3o. Para reverter esse cen\u00e1rio, mulheres que atuam na \u00e1rea buscam regulamenta\u00e7\u00e3o e visibilidade para se consolidar como alternativa segura e natural.<\/p>\n\n\n\n<p>A parteira Naoli cresceu na \u00e1rea rural de San Andres Tlalnelhuayocan, estado de Veracruz, no &nbsp;M\u00e9xico, e alia o conhecimento biom\u00e9dico \u00e0s pr\u00e1ticas tradicionais, como aplica\u00e7\u00e3o de massagens para aliviar as dores do parto e o uso de ch\u00e1s com plantas medicinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2011 ela faz atendimentos em Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina. Ao longo de 40 anos de atividade, mais de 1,6 mil crian\u00e7as j\u00e1 nasceram por meio de suas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante tr\u00eas meses fiquei sonhando com partos e todos eles eram mulheres parindo, os beb\u00eas nascendo e eu ajudando. Os partos vinham com muitos detalhes, como se eu estivesse assistindo uma televis\u00e3o e eu tinha que ajudar a essa m\u00e3e e esse beb\u00ea a um nascimento bem-sucedido. Depois dos sonhos, eu tinha que correr para biblioteca e come\u00e7ar a ler para entender o que eu tinha sonhado em um n\u00edvel de fisiologia, anatomia, compreens\u00e3o dos processos dos partos\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/fpr5nQpyTPAh-kEqjF0_aNJxqOg=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2020-01-17_at_16.56.09_0.jpeg?itok=FzldLq3X\" alt=\"Naoli Vinaver segura beb\u00eas g\u00eameos ap\u00f3s parto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Naoli, nos casos em que atua, a taxa de transfer\u00eancia de m\u00e3es e beb\u00eas para o hospital est\u00e1 abaixo de 2% \u2013 semelhante ao registrado pelas parteiras japonesas, consideradas refer\u00eancia no assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o conto com nenhuma morte materna, nenhuma morte de rec\u00e9m-nascido que n\u00e3o fosse por malforma\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com a vida, nenhum beb\u00ea morreu na minha m\u00e3o. Eu me considero bem vinculada com a energia vital, de atrair a vida, de cuidar da vida\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, a gestante que opta pelo parto domiciliar com parteiras tamb\u00e9m faz o acompanhamento com a profissional. Segundo Naoli, o pr\u00e9-natal inclui toda avalia\u00e7\u00e3o padr\u00e3o, como acompanhamento de press\u00e3o sangu\u00ednea da m\u00e3e, crescimento do beb\u00ea, altura uterina, ausculta\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos do beb\u00ea. H\u00e1 casos em que a gestante mant\u00e9m as consultas regulares com m\u00e9dico obstetra.<\/p>\n\n\n\n<p>As consultas com as parteiras, em sua maioria, s\u00e3o realizadas no local onde a gestante far\u00e1 o parto, se estendem ao per\u00edodo ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea e incluem o aux\u00edlio para amamenta\u00e7\u00e3o. Quando \u00e9 identificado risco para m\u00e3e ou beb\u00ea, o parto domiciliar pode ser descartado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante que a mulher entenda que biologicamente foi feita numa perfei\u00e7\u00e3o para engravidar, parir e maternar. Ent\u00e3o, ela tem que reconectar, limpar preconceitos e medos culturais de que ela n\u00e3o \u00e9 capaz, de que ela n\u00e3o \u00e9 completa, de que o parto \u00e9 perigoso. Isso \u00e9 important\u00edssimo. A seguran\u00e7a vem do conhecimento, da informa\u00e7\u00e3o e da conex\u00e3o dela com o pr\u00f3prio beb\u00ea, com os processos do pr\u00f3prio corpo\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Clarice Andreozzi, de 44 anos, ser parteira tradicional foi um chamado divino, uma miss\u00e3o espiritual. H\u00e1 22 anos ela atua na \u00e1rea e j\u00e1 trouxe ao mundo 262 beb\u00eas. A decis\u00e3o, segundo ela, ocorreu ap\u00f3s sofrer viol\u00eancia obst\u00e9trica em sua primeira gesta\u00e7\u00e3o. \u201cA minha experi\u00eancia de maternidade e p\u00f3s-parto me colocou no apoio \u00e0s mulheres. P<\/p>\n\n\n\n<p>or toda a viol\u00eancia que eu sofri durante o parto, no trabalho de parto. Uma gesta\u00e7\u00e3o com pouca informa\u00e7\u00e3o e um parto de muito desamparo e muita dificuldade me fez com que eu tivesse o desejo de acolher, pelo menos, as mulheres que estavam pr\u00f3ximas a mim para que elas n\u00e3o sofressem como eu sofri\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Formada em biologia, a parteira associa conhecimentos t\u00e9cnicos e a espiritualidade para aliviar dores e facilitar a chegada de crian\u00e7as ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUso muitas ervas durante os partos, banhos de assento e trabalho muito com a esfera da f\u00e9, o que a parteria tradicional acrescenta, que s\u00e3o os usos das ervas, das ora\u00e7\u00f5es. Alio essa parte da parteria tradicional com o conhecimento da t\u00e9cnica para garantir que o trabalho de parto est\u00e1 desenvolvendo bem\u201d, descreve. \u201cN\u00e3o tem nada mais gratificante, n\u00e3o tem pre\u00e7o e nem como valorar a grande d\u00e1diva de ver beb\u00ea chegando de uma maneira harm\u00f4nica. Cada beb\u00ea que eu tenho prazer de receber em minhas m\u00e3os \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Clarice, a mulher que opta pelo parto natural tem que buscar informa\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio ter muita consci\u00eancia do seu corpo, um pr\u00e9-natal muito bem feito, alimenta\u00e7\u00e3o boa, estar consciente\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>No Distrito Federal, o acompanhamento por uma parteira tradicional varia de R$ 5 mil a R$ 10 mil. O valor \u00e9 negociado conforme as condi\u00e7\u00f5es financeiras das gestantes e inclui tanto o per\u00edodo pr\u00e9-natal, quanto parto e o atendimento ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea. O trabalho tamb\u00e9m pode ser remunerado por meio de trocas \u2013 tanto de servi\u00e7os como bens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de 140 milh\u00f5es de nascimentos acontecem todos os anos, a maioria sem complica\u00e7\u00f5es para mulheres e beb\u00eas. A organiza\u00e7\u00e3o considera como \u201crazo\u00e1vel\u201d o \u00edndice de 15% dos nascimentos por meio de ces\u00e1rias. No Brasil, 55,6% do total de partos realizados anualmente s\u00e3o cir\u00fargicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para reverter esse cen\u00e1rio, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade (ANS) realiza uma campanha voltada para gestantes e profissionais de sa\u00fade sobre os riscos da realiza\u00e7\u00e3o de ces\u00e1reas desnecess\u00e1rias. Um dos objetivos da campanha \u00e9 reduzir as altas taxas de cesarianas no pa\u00eds e tamb\u00e9m melhorar a experi\u00eancia da maternidade para m\u00e3es e beb\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A aprendiz de parteira Mariana Almeida, de 33 anos, atua h\u00e1 seis anos na \u00e1rea para assegurar que mulheres possam escolher o parto domiciliar de forma segura e evitar aumentar as estat\u00edsticas brasileiras de partos por ces\u00e1rias de forma desnecess\u00e1ria. Com apoio de ferramentas da medicina chinesa, como acupuntura, ervas e or\u00e1culos, Mariana afirma que \u201cauxilia na comunica\u00e7\u00e3o do ventre e cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO parto n\u00e3o se resume apenas ao momento do nascimento, \u00e9 necess\u00e1ria uma rede de apoio e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e e beb\u00ea nas primeiras semanas, que s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento humano. Parto \u00e9 um evento em comunidade, muitas fun\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas e ocupo hoje lugares org\u00e2nicos de acordo com a necessidade de cada fam\u00edlia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Mariana, \u00e9 preciso assegurar que o parto domiciliar seja realizado em seguran\u00e7a. \u201c[\u00c9 gratificante] ver o qu\u00e3o revolucion\u00e1rio \u00e9 para a vida da mulher e para o desenvolvimento de seu beb\u00ea passar por uma gesta\u00e7\u00e3o, parto e p\u00f3s-parto, de forma respeitosa, com informa\u00e7\u00e3o de qualidade, baseada na vida e n\u00e3o na doen\u00e7a, com seus direitos preservados, com autonomia sobre seu corpo e seu beb\u00ea. \u00c9 ver a sabedoria que nos antecede tomando seu lugar de volta\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Possibilidade de escolhas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a ANS, o parto normal favorece o v\u00ednculo do beb\u00ea com a m\u00e3e, fortalece o sistema imunol\u00f3gico e melhora o ritmo card\u00edaco e o fluxo sangu\u00edneo do beb\u00ea, al\u00e9m de favorecer o aleitamento e promover uma recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto mais r\u00e1pida e menos dolorosa para a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>A musicista e professora Val\u00e9ria Lehmann Cavalcanti, de 35 anos, espera seu sexto filho e, pela sexta vez, deve realizar o parto em casa. Com gesta\u00e7\u00f5es de baixo risco, quatro dos seus filhos vieram ao mundo com a ajuda de uma parteira tradicional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/Y8e_5TO5Lw3-kmYGagOPVx0CJx0=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2020-01-17_at_16.55.49.jpeg?itok=oo-PR0PO\" alt=\"As parteiras Mayra Calvete (esquerda) e Naoli Vinaver (direita) fazem checagem em beb\u00eas ap\u00f3s o parto\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes, as pessoas acham que \u00e9 falta de conhecimento [a escolha pelo parto normal], pelo contr\u00e1rio. Depois de estudar muito sobre o assunto, decidi por isso. Vi que era o mais adequado, o mais correto para a minha situa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o era uma gravidez de risco. Avaliando todas as evid\u00eancias e pesquisas m\u00e9dicas, vi que \u00e9 melhor do que ir para um hospital\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a OMS, geralmente, um primeiro trabalho de parto n\u00e3o se estende al\u00e9m de 12 horas. Trabalhos subsequentes geralmente n\u00e3o se estendem al\u00e9m de 10 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO meu primeiro [trabalho de parto] foi o que mais demorou. Foram oito horas de trabalho de parto e a\u00ed depois s\u00f3 foi diminuindo o n\u00famero de horas nas outras gesta\u00e7\u00f5es. Achei muito bom poder estar livre em casa, na posi\u00e7\u00e3o que eu quisesse, com meu marido, em um ambiente totalmente confort\u00e1vel para mim. [Um dos meus filhos] nasceu no chuveiro. Cada filho nasceu em um canto da casa\u201d, lembra. \u201cA melhor experi\u00eancia que tive foi em uma piscina comprada especificamente para o parto. A \u00e1gua alivia muito a dor. O quarto filho foi t\u00e3o r\u00e1pido que n\u00e3o deu nem tempo de entrar na piscina\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Val\u00e9ria, a psic\u00f3loga Mar\u00edlia Tom\u00e9, de 33 anos, tamb\u00e9m optou pelo parto natural e teve seu filho, o pequeno Tito, de 5 meses, em uma casa de parto particular, em Bras\u00edlia. A casa tem estrutura hospitalar com o acompanhamento de obstetras e doulas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o queria nenhuma interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica desnecess\u00e1ria no meu corpo ou no corpo do meu beb\u00ea, entendendo que o parto natural \u00e9 um evento biol\u00f3gico natural da mulher, quando n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema de sa\u00fade com a mulher ou com o beb\u00ea, pode acontecer sem nenhuma interven\u00e7\u00e3o medicamentosa ou hospitalar\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm um hospital, existe um protocolo de interven\u00e7\u00f5es onde algumas s\u00e3o desnecess\u00e1rias e agressivas para o beb\u00ea, e a m\u00e3e tem pouca participa\u00e7\u00e3o nessas decis\u00f5es, muitas vezes at\u00e9 sobre as posi\u00e7\u00f5es mais confort\u00e1veis para parir e aliviar as contra\u00e7\u00f5es\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/VbmYgMd_TBY1pZAHlA02IgFq7m0=\/365x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2020-01-17_at_16.55.491.jpeg?itok=fG1iwFvf\" alt=\"Mayra Calvete com m\u00e3e Renata e beb\u00ea ap\u00f3s o parto \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, tramita na C\u00e2mara dos Deputados um projeto de lei (PL) que regulamenta a profiss\u00e3o das parteiras tradicionais. De autoria do deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), a proposta prev\u00ea qualifica\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de parteira tradicional, pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ou por secretarias estaduais de Sa\u00fade, al\u00e9m do pagamento de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL 912\/19 estabelece ainda que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) fornecer\u00e1 \u00e0s parteiras tradicionais todos os equipamentos, os instrumentos cir\u00fargicos e os materiais de consumo necess\u00e1rios \u00e0 adequada presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, determina que a parteira dever\u00e1 encaminhar a gestante ou a parturiente para avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica quando for constatada gesta\u00e7\u00e3o ou parto considerado de alto risco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUtilizando-se de suas m\u00e3os, de uma bacia com \u00e1gua e de uma tesoura ou material cortante, fazem o parto de acordo com as condi\u00e7\u00f5es encontradas no local: \u00e0 luz de vela, de lamparina ou, at\u00e9 mesmo, de fogueira. Dirigem-se \u00e0 casa da gr\u00e1vida a p\u00e9, a cavalo, de bicicleta, da forma que for poss\u00edvel. E se n\u00e3o fosse pela atua\u00e7\u00e3o dessas mulheres resolutas, n\u00e3o temos d\u00favidas de que a mortalidade materna e perinatal apresentaria n\u00fameros muito maiores\u201d, avalia o autor da proposta, deputado Camilo Capiberibe.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o parlamentar, estima-se que existam mais de 60 mil parteiras em atua\u00e7\u00e3o no Brasil, sendo 45 mil nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. No Estado da Bahia, conforme c\u00e1lculo da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, haveria entre 7 mil e 8 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>No Par\u00e1, 6 mil, no Tocantins, em Mato Grosso e em Minas Gerais, mais de 5 mil. Elas s\u00e3o respons\u00e1veis pela realiza\u00e7\u00e3o de 450 mil partos todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo diante da expressividade dos n\u00fameros apresentados, verificamos que as parteiras ainda trabalham em condi\u00e7\u00f5es muito aqu\u00e9m das desejadas. Isso deve-se, em grande parte, ao preconceito com que a categoria \u00e9 vista, sendo evidente a resist\u00eancia que determinadas corpora\u00e7\u00f5es profissionais oferecem \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o do parto humanizado\u201d, argumenta Capiberibe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Data<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Dia da Parteira Tradicional foi inclu\u00eddo no calend\u00e1rio nacional em 2015. A data tem como base a comemora\u00e7\u00e3o celebrada no estado do Amap\u00e1, que j\u00e1 homenageava a categoria em 20 de janeiro. &nbsp;A data \u00e9 o anivers\u00e1rio da parteira tradicional mais antiga de Macap\u00e1, Juliana Magave de Souza. Nascida em 1908, ela teria realizado cerca de 400 partos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade define como parteira tradicional a profissional que presta assist\u00eancia ao parto domiciliar baseada em pr\u00e1ticas tradicionais e \u00e9 reconhecida pela comunidade como parteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pasta, o Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais recolocou a melhoria do parto e nascimento domiciliar assistidos por parteiras tradicionais na pauta de discuss\u00e3o com estados e munic\u00edpios, como uma responsabilidade do SUS e uma atribui\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas profissionais n\u00e3o s\u00e3o remuneradas pelo governo federal. A pasta informou que, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza capacita\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais no estado do Amazonas, regi\u00e3o onde a pr\u00e1tica \u00e9 bastante estabelecida. At\u00e9 o momento, 416 parteiras tradicionais foram capacitadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sonhos frequentes com nascimento de beb\u00eas conduziram Naoli Vinaver, de 54 anos, para os caminhos da chamada parteria tradicional. 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