{"id":149921,"date":"2020-01-29T08:17:37","date_gmt":"2020-01-29T11:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=149921"},"modified":"2020-01-29T08:17:38","modified_gmt":"2020-01-29T11:17:38","slug":"desigualdade-de-genero-impede-desenvolvimento-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/01\/29\/desigualdade-de-genero-impede-desenvolvimento-sustentavel\/","title":{"rendered":"Desigualdade de g\u00eanero impede desenvolvimento sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;relat\u00f3rio&nbsp;da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), divulgado nesta ter\u00e7a-feira (28) em Santiago, no Chile, afirma que as desigualdades de g\u00eanero s\u00e3o obst\u00e1culo ao desenvolvimento sustent\u00e1vel na regi\u00e3o e que as mudan\u00e7as no cen\u00e1rio s\u00e3o manifesta\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia em avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o de modelos que deem maior autonomia \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs mulheres ainda est\u00e3o sub-representadas nos campos da ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, o que limita suas possibilidades de melhor inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, diz o estudo,&nbsp;apresentado na 14\u00aa Confer\u00eancia Regional sobre Mulheres na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, que come\u00e7ou hoje na sede da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), na capital chilena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizado pela comiss\u00e3o com apoio da ONU Mulheres, o encontro tem como tema central a autonomia das mulheres em cen\u00e1rios econ\u00f4micos em mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tecnologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A automa\u00e7\u00e3o do trabalho, com m\u00e1quinas substituindo o trabalho de pessoas, trar\u00e1 mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho remunerado. O estudo que 50,1% das mulheres da regi\u00e3o desempenham trabalhos ou servi\u00e7os n\u00e3o qualificados, ocupa\u00e7\u00f5es com alta probabilidade de automa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00e3o menores as possibilidades para as pessoas que ainda encontram dificuldades no acesso a servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos ou para os setores da popula\u00e7\u00e3o em que persistem problemas de conectividade. Isso amea\u00e7aria especialmente as pessoas que est\u00e3o na pobreza, entre as quais h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o de mulheres, assim como a popula\u00e7\u00e3o rural ou ind\u00edgena, grupos ainda com defici\u00eancias no acesso a servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos ou que enfrentam problemas de conectividade e at\u00e9 dificuldades no acesso \u00e0 eletricidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o relat\u00f3rio, intitulado&nbsp;A autonomia das mulheres na mudan\u00e7a de cen\u00e1rios econ\u00f4micos, o desafio \u00e9 impedir que o emprego seja ainda mais polarizado e as disparidades socioecon\u00f4micas e de g\u00eanero aumentem \u00e0 medida que gera novas elites \u201cdigitais\u201d, bem como um grupo de \u201cexclu\u00eddos digitais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m traz um cap\u00edtulo dedicado \u00e0 reflex\u00e3o da viol\u00eancia nos meios digitais. Apesar de n\u00e3o existirem muitos estudos nessa \u00e1rea, estima-se que, no mundo, cerca de 73% das mulheres j\u00e1 se sentiram expostas ou experimentaram algum tipo de viol\u00eancia&nbsp;online.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao referir-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o brasileira, o texto diz que \u201cno Brasil, uma pesquisa sobre viol\u00eancia contra mulheres realizada em 2019 pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostrou que 27,4% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de viol\u00eancia nos \u00faltimos 12 meses. Entre elas, quase uma em cada dez (8,2%) relatou que o epis\u00f3dio mais grave ocorreu pela internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados s\u00e3o significativamente superiores aos registrados na pesquisa realizada em 2017, quando apenas 1,2% das mulheres afirmou que sofreu algum tipo de viol\u00eancia na internet\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio reconhece que houve avan\u00e7os na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas nas tr\u00eas dimens\u00f5es da autonomia das mulheres: f\u00edsica, econ\u00f4mica e tomada de decis\u00e3o. Mas ressalta que ainda existem desafios a serem superados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desafios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos maiores desafios da desigualdade de g\u00eanero na regi\u00e3o \u00e9 a divis\u00e3o sexual do trabalho e a injusta organiza\u00e7\u00e3o social do cuidado, diz o informe. As mulheres passam tr\u00eas vezes mais tempo dedicadas ao trabalho dom\u00e9stico e aos cuidados n\u00e3o remunerados do que os homens e s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelo cuidado dos idosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No relat\u00f3rio, o Brasil foi citado como um exemplo positivo nessa \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo Brasil, h\u00e1 um reconhecimento institucional da atividade assistencial como um trabalho profissional. Em 2002, a atividade de cuidadores profissionais foi incorporada no marco da nova Classifica\u00e7\u00e3o Ocupacional Brasileira (COB). Esta atividade inclui aqueles que cuidam de beb\u00eas, crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos, com base em objetivos estabelecidos por institui\u00e7\u00f5es especializadas ou diretamente respons\u00e1veis, garantindo bem-estar, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, higiene pessoal, educa\u00e7\u00e3o, cultura, recrea\u00e7\u00e3o e lazer da pessoa assistida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Feminiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, observa-se a chamada \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d da velhice: para cada 100 homens com 60 anos ou mais, existem 123 mulheres na mesma faixa et\u00e1ria, enquanto, no caso da popula\u00e7\u00e3o de 80 anos ou mais, o n\u00famero chega a 159 mulheres para cada 100 homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Cepal, \u00e9 necess\u00e1rio redobrar esfor\u00e7os para elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade que reconhe\u00e7am a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres para a economia por meio do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerados, e que promovam uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa das cargas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe os estados n\u00e3o fornecerem servi\u00e7os e benef\u00edcios p\u00fablicos adequados, as fam\u00edlias e, em particular, as mulheres, ter\u00e3o que responder individualmente, cada vez mais, \u00e0s demandas de atendimento aos idosos, muitas vezes \u00e0 custa de sua participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, bem-estar e realiza\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, afirma a Comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00famero de mulheres sem renda pr\u00f3pria diminuiu de 41,0% em 2002 para 27,5% em 2018; no entanto, esse \u00faltimo percentual ainda \u00e9 maior que o de homens na mesma situa\u00e7\u00e3o (13,1%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso implica que cerca de um ter\u00e7o das mulheres na regi\u00e3o depende inteiramente de outros para sua subsist\u00eancia, o que se soma ao fato de serem maioria da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. A situa\u00e7\u00e3o de pobreza (que inclui 18 pa\u00edses) aumentou de 105 mulheres para cada 100 homens em 2002 para 113 mulheres para cada 100 homens, em 2018, segundo os dados da Cepal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um contexto global de crescente expans\u00e3o e volatilidade dos mercados financeiros, imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis de acesso ao cr\u00e9dito para as mulheres. Os montantes de cr\u00e9dito em vigor para elas \u00e9 equivalente a 57% do montante recebido por homens no Chile; 67% no caso da Costa Rica; e 59% no caso da Guatemala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confer\u00eancia, organizada pela Cepal com apoio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Igualdade de G\u00eanero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), contar\u00e1 com a presen\u00e7a de Isabel Pl\u00e1, ministra da Mulher e Igualdade de G\u00eanero do Chile; Alicia B\u00e1rcena, secret\u00e1ria executiva da CEPAL; Carolina Valdivia, subsecret\u00e1ria de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Chile; Mariella Mazzotti, diretora do Instituto Nacional da Mulher (Inmujeres) do Uruguai; \u00c5sa Regn\u00e9r, vice-diretora executiva da ONU-Mulheres, e Silvia Rucks, coordenadora residente do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Chile. Devem participar tamb\u00e9m representantes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, do setor acad\u00eamico e de organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&nbsp;relat\u00f3rio&nbsp;da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), divulgado nesta ter\u00e7a-feira (28) em Santiago, no Chile, afirma que as desigualdades de g\u00eanero&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":149923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-149921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149921"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149924,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149921\/revisions\/149924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}