{"id":150853,"date":"2020-02-01T10:30:17","date_gmt":"2020-02-01T13:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=150853"},"modified":"2020-02-01T10:30:19","modified_gmt":"2020-02-01T13:30:19","slug":"preco-da-carne-cai-em-janeiro-com-tradicional-queda-no-consumo-mas-ainda-esta-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/02\/01\/preco-da-carne-cai-em-janeiro-com-tradicional-queda-no-consumo-mas-ainda-esta-alto\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7o da carne cai em janeiro, com tradicional queda no consumo, mas ainda est\u00e1 alto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pre\u00e7o das carnes caiu em janeiro na compara\u00e7\u00e3o com a disparada de novembro e dezembro, de acordo com n\u00fameros de consultorias e do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da USP (Cepea). Por\u00e9m, os valores seguem maiores que os praticados h\u00e1 um ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em S\u00e3o Paulo, dos 20 cortes mais populares, de acordo com a Scot Consultoria, quem teve a maior queda foi o fil\u00e9 mignon sem cord\u00e3o: queda de 8,3%. Por\u00e9m alguns cortes, como a costela, subiram. Na m\u00e9dia, a retra\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Janeiro foi marcado por pre\u00e7os transitando entre a sustenta\u00e7\u00e3o e leves retra\u00e7\u00f5es (&#8230;) O varejista teve dificuldade para impor pre\u00e7os maiores ao consumidor final, j\u00e1 que, tipicamente, esse per\u00edodo do ano \u00e9 de menor consumo&#8221;, explicou a consultoria em relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O analista de mercado Leandro Bovo afirma que a queda esperada para o m\u00eas se confirmou sem surpresas. Segundo ele, a demanda chinesa impede que os valores praticados antes da disparada voltem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, as vendas para o exterior desaceleraram em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2019. Em janeiro, a expectativa \u00e9 que as exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina caiam mais de 10% na compara\u00e7\u00e3o com dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O consumidor final j\u00e1 sente um efeito de melhora no pre\u00e7o da carne bovina, por\u00e9m ainda fica o incomodo por estar em patamares acima do que era negociado antes do in\u00edcio do movimento de alta&#8221;, explica Bovo, da Radar Investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo comparativo de valores dos cortes mais vendidos, a diferen\u00e7a m\u00e9dia de janeiro de 2020 para janeiro de 2019 \u00e9 de mais de 17%, que \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o considerada dentro do esperado pelas exporta\u00e7\u00f5es aquecidas e reajustes que eram esperados na atividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desvaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior no campo<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os pre\u00e7os na cidade ainda est\u00e3o resistindo a cair, no campo, pecuaristas e frigor\u00edficos j\u00e1 sentem efeitos maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pre\u00e7o pago pela arroba (15 kg) do boi gordo para o criador caiu 17,5% na compara\u00e7\u00e3o com o valor recorde registrado no fim de novembro (R$ 231,35), segundo o indicador de pre\u00e7os do Cepea para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, quando comparamos com um ano atr\u00e1s, a alta \u00e9 de 19,6%. Vil\u00e3 da infla\u00e7\u00e3o de 2019, a carne bovina chegou a subir 32% no ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ind\u00fastria, o movimento foi ainda mais intenso. Segundo o centro de estudos da USP, o pre\u00e7o da carca\u00e7a do boi saiu de R$ 16,46 por quilo para cerca de R$ 12,50 por quilo, uma queda de 25%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Omelete mais cara<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ovo continua em plena alta desde o final do ano passado. Em um ano, a caixa com 30 d\u00fazias vendida na Grande S\u00e3o Paulo subiu de R$ 72,94 para R$ 96,32, alta de 32% e valor recorde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem mesmo em dezembro, momento de maior press\u00e3o de pre\u00e7os, o ovo ficou t\u00e3o caro. A m\u00e1xima do per\u00edodo foi de R$ 96,14.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A analista de mercado do Cepea Juliana Ferraz explica que os valores s\u00e3o maiores do que os praticados na Quaresma, per\u00edodo em que a procura \u00e9 tradicionalmente maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s vimos 3 movimentos que explica esta alta: o pre\u00e7o do milho que subiu, o descarte de aves para equilibrar a oferta de ovos e o fim das f\u00e9rias escolares, onde muitas escolas compram ovos para as merendas escolares&#8221;, conta Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No campo, o efeito foi o mesmo. O pre\u00e7o negociado na principal regi\u00e3o produtora do pa\u00eds, Bastos (SP), \u00e9 de R$ 90,74, alta de 35,8% em um ano. O maior valor at\u00e9 ent\u00e3o tinha sido de R$ 89,86 na segunda quinzena de dezembro de 2019.<br>Em 2019, o Brasil bateu recorde no consumo de ovos e a alta no pre\u00e7o das carnes foi um dos motivos para o resultado. &#8220;A gente sempre viu o ovo como uma prote\u00edna complementar na refei\u00e7\u00e3o do brasileiro, mas agora vimos que houve casos em que se trocou (a carne pelo ovo)&#8221;, diz a analista do Cepea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Frango e porco sofrem com o milho<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso das carnes de frango e porco, que s\u00e3o mais procuradas em momentos de alta da carne bovina, a queda tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo, muito em fun\u00e7\u00e3o da desacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es neste primeiro m\u00eas de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a desvaloriza\u00e7\u00e3o poderia ser maior se o custo da ra\u00e7\u00e3o desses animais tivesse mais barata. O maior exemplo \u00e9 o milho, que subiu mais de 30% em um ano por causa das exporta\u00e7\u00f5es recordes do setor. Esse insumo tem peso maior na cria\u00e7\u00e3o de frango.<br>J\u00e1 os su\u00ednos ca\u00edram, em m\u00e9dia, mais de 10%, com destaque para S\u00e3o Paulo, onde a queda mensal foi de 16,8%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os fatores para a alta do pre\u00e7o das prote\u00ednas persistem: aumento do custo de alimenta\u00e7\u00e3o pela alta no pre\u00e7o do milho e a demanda deve continuar aquecida na exporta\u00e7\u00e3o. Sem contar a alta recente do d\u00f3lar&#8221;, afirma Leandro Bovo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como ser\u00e1 daqui pra frente?<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fevereiro, a previs\u00e3o \u00e9 que o carnaval fa\u00e7a a demanda e o pre\u00e7o das prote\u00ednas animais aumentarem, o que pode tirar todo al\u00edvio conquistado neste m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que o mercado da carne bovina ganhe f\u00f4lego. Apesar de fevereiro n\u00e3o ser conhecido como um m\u00eas de consumo forte, o feriado prolongado do Carnaval traz impactos positivos sobre o consumo&#8221;, afirma a Scot Consultoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A expectativa \u00e9 de subir ou manuten\u00e7\u00e3o (dos pre\u00e7os). Os principais insumos est\u00e3o altos. Se os pre\u00e7os dessas carnes come\u00e7arem a recuar muito a atividade fica invi\u00e1vel&#8221; explica Juliana Ferraz, do Cepea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro fator que come\u00e7a a entrar no radar dos especialistas s\u00e3o os efeitos do coronav\u00edrus para as exporta\u00e7\u00f5es de carnes. A avalia\u00e7\u00e3o preliminar \u00e9 de que a doen\u00e7a possa fazer a China comprar ainda mais no mercado internacional, o que pode favorecer as ind\u00fastrias brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO coronav\u00edrus da China pode ter impacto positivo para as exporta\u00e7\u00f5es de prote\u00ednas brasileiras, j\u00e1 que a China est\u00e1 fazendo uma grande campanha para restringir o consumo de animais silvestres ou carnes ex\u00f3ticas sem controle sanit\u00e1rio\u201d, diz Leandro Bovo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se diminuir o consumo dessas prote\u00ednas alternativas, teoricamente, teria que aumentar o das prote\u00ednas convencionais, aumentando a das importa\u00e7\u00f5es&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consultoria americana FCStone vai na mesma linha, afirmando que, em um primeiro momento, o apetite chin\u00eas pode diminuir, mas que, ap\u00f3s esse per\u00edodo de cautela, a procura pode aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA China vive um momento de depend\u00eancia do mercado externo para abastecer o seu consumo dom\u00e9stico. Somado a isso, a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, bem como a perda de efetivo bovino na Austr\u00e1lia, diante dos inc\u00eandios recentes, favorece a competitividade do produto brasileiro\u201d, explica a consultoria.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o das carnes caiu em janeiro na compara\u00e7\u00e3o com a disparada de novembro e dezembro, de acordo com n\u00fameros de consultorias e do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da USP (Cepea). Por\u00e9m, os valores seguem maiores que os praticados h\u00e1 um ano. Em S\u00e3o Paulo, dos 20 cortes mais populares, de acordo com a Scot Consultoria, quem teve a maior queda foi o fil\u00e9 mignon sem cord\u00e3o: queda de 8,3%. Por\u00e9m alguns cortes, como a costela, subiram. Na m\u00e9dia, a retra\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1%. &#8220;Janeiro foi marcado por pre\u00e7os transitando entre a sustenta\u00e7\u00e3o e leves retra\u00e7\u00f5es (&#8230;) O varejista teve dificuldade para impor pre\u00e7os maiores ao consumidor final, j\u00e1 que, tipicamente, esse per\u00edodo do ano \u00e9 de menor consumo&#8221;, explicou a consultoria em relat\u00f3rio. O analista de mercado Leandro Bovo afirma que a queda esperada para o m\u00eas se confirmou sem surpresas. Segundo ele, a demanda chinesa impede que os valores praticados antes da disparada voltem. Por\u00e9m, as vendas para o exterior desaceleraram em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2019. Em janeiro, a expectativa \u00e9 que as exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina caiam mais de 10% na compara\u00e7\u00e3o com dezembro. &#8220;O consumidor final j\u00e1 sente um efeito de melhora no pre\u00e7o da carne bovina, por\u00e9m ainda fica o incomodo por estar em patamares acima do que era negociado antes do in\u00edcio do movimento de alta&#8221;, explica Bovo, da Radar Investimentos. No mesmo comparativo de valores dos cortes mais vendidos, a diferen\u00e7a m\u00e9dia de janeiro de 2020 para janeiro de 2019 \u00e9 de mais de 17%, que \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o considerada dentro do esperado pelas exporta\u00e7\u00f5es aquecidas e reajustes que eram esperados na atividade.&nbsp; Desvaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior no campo Se os pre\u00e7os na cidade ainda est\u00e3o resistindo a cair, no campo, pecuaristas e frigor\u00edficos j\u00e1 sentem efeitos maiores. O pre\u00e7o pago pela arroba (15 kg) do boi gordo para o criador caiu 17,5% na compara\u00e7\u00e3o com o valor recorde registrado no fim de novembro (R$ 231,35), segundo o indicador de pre\u00e7os do Cepea para S\u00e3o Paulo. Por\u00e9m, quando comparamos com um ano atr\u00e1s, a alta \u00e9 de 19,6%. Vil\u00e3 da infla\u00e7\u00e3o de 2019, a carne bovina chegou a subir 32% no ano. Na ind\u00fastria, o movimento foi ainda mais intenso. Segundo o centro de estudos da USP, o pre\u00e7o da carca\u00e7a do boi saiu de R$ 16,46 por quilo para cerca de R$ 12,50 por quilo, uma queda de 25%. Omelete mais cara O ovo continua em plena alta desde o final do ano passado. Em um ano, a caixa com 30 d\u00fazias vendida na Grande S\u00e3o Paulo subiu de R$ 72,94 para R$ 96,32, alta de 32% e valor recorde. Nem mesmo em dezembro, momento de maior press\u00e3o de pre\u00e7os, o ovo ficou t\u00e3o caro. A m\u00e1xima do per\u00edodo foi de R$ 96,14. A analista de mercado do Cepea Juliana Ferraz explica que os valores s\u00e3o maiores do que os praticados na Quaresma, per\u00edodo em que a procura \u00e9 tradicionalmente maior. &#8220;N\u00f3s vimos 3 movimentos que explica esta alta: o pre\u00e7o do milho que subiu, o descarte de aves para equilibrar a oferta de ovos e o fim das f\u00e9rias escolares, onde muitas escolas compram ovos para as merendas escolares&#8221;, conta Juliana. No campo, o efeito foi o mesmo. O pre\u00e7o negociado na principal regi\u00e3o produtora do pa\u00eds, Bastos (SP), \u00e9 de R$ 90,74, alta de 35,8% em um ano. 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Esse insumo tem peso maior na cria\u00e7\u00e3o de frango.J\u00e1 os su\u00ednos ca\u00edram, em m\u00e9dia, mais de 10%, com destaque para S\u00e3o Paulo, onde a queda mensal foi de 16,8%. &#8220;Os fatores para a alta do pre\u00e7o das prote\u00ednas persistem: aumento do custo de alimenta\u00e7\u00e3o pela alta no pre\u00e7o do milho e a demanda deve continuar aquecida na exporta\u00e7\u00e3o. Sem contar a alta recente do d\u00f3lar&#8221;, afirma Leandro Bovo. Como ser\u00e1 daqui pra frente? Para fevereiro, a previs\u00e3o \u00e9 que o carnaval fa\u00e7a a demanda e o pre\u00e7o das prote\u00ednas animais aumentarem, o que pode tirar todo al\u00edvio conquistado neste m\u00eas. &#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que o mercado da carne bovina ganhe f\u00f4lego. Apesar de fevereiro n\u00e3o ser conhecido como um m\u00eas de consumo forte, o feriado prolongado do Carnaval traz impactos positivos sobre o consumo&#8221;, afirma a Scot Consultoria. &#8220;A expectativa \u00e9 de subir ou manuten\u00e7\u00e3o (dos pre\u00e7os). Os principais insumos est\u00e3o altos. Se os pre\u00e7os dessas carnes come\u00e7arem a recuar muito a atividade fica invi\u00e1vel&#8221; explica Juliana Ferraz, do Cepea. Outro fator que come\u00e7a a entrar no radar dos especialistas s\u00e3o os efeitos do coronav\u00edrus para as exporta\u00e7\u00f5es de carnes. 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