{"id":153697,"date":"2020-02-17T07:41:01","date_gmt":"2020-02-17T10:41:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=153697"},"modified":"2020-02-17T07:41:03","modified_gmt":"2020-02-17T10:41:03","slug":"cbf-determina-a-clubes-de-futebol-que-criancas-menores-de-12-anos-nao-treinem-cabeceio-de-bola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/02\/17\/cbf-determina-a-clubes-de-futebol-que-criancas-menores-de-12-anos-nao-treinem-cabeceio-de-bola\/","title":{"rendered":"CBF determina a clubes de futebol que crian\u00e7as menores de 12 anos n\u00e3o treinem cabeceio de bola"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CBF (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol) recomendar\u00e1 aos clubes e escolinhas de futebol que crian\u00e7as menores de 12 anos n\u00e3o treinem cabeceio na bola. A medida segue a de pa\u00edses como Estados Unidos e Esc\u00f3cia, que proibiram esse tipo de trabalho na base, e tem por objetivo prevenir problemas cognitivos, como dist\u00farbio de aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria de fixa\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria verbal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e9dico e neurocirurgi\u00e3o da CBF, Jorge Pagura disse que a entidade tem realizado pesquisas e debatido cada vez mais com profissionais de diferentes pa\u00edses sobre a sa\u00fade dos atletas. A entidade brasileira ainda n\u00e3o tem um protocolo pronto de como ser\u00e1 a recomenda\u00e7\u00e3o. A iniciativa est\u00e1 em fase de desenvolvimento. &#8220;Vamos informar, fazer a recomenda\u00e7\u00e3o, mas sem alarmar ningu\u00e9m, \u00e9 l\u00f3gico&#8221;, revelou ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Pagura, n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que o impacto da bola de futebol na cabe\u00e7a da crian\u00e7a cause algum dano, mas ele ressaltou que a preven\u00e7\u00e3o nessa idade \u00e9 importante. &#8220;At\u00e9 os 13 anos \u00e9 o per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, portanto, qualquer medida preventiva para evitar traumas na cabe\u00e7a \u00e9 bem-vindo&#8221;, declarou. O entendimento da entidade \u00e9 que at\u00e9 o in\u00edcio da adolesc\u00eancia o futebol de ser encarado como atividade l\u00fadica, sem priorizar muito a parte t\u00e9cnica. &#8220;N\u00e3o se pode fazer craque com essa idade. Esse \u00e9 o per\u00edodo de se ver as aptid\u00f5es&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordenador do departamento de neurologia pedi\u00e1trica do Sabar\u00e1 Hospital Infantil, Carlos Takeuchi defende a iniciativa da CBF e sugere a expans\u00e3o para jovens at\u00e9 18 anos. &#8220;\u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o se pode ficar batendo cabe\u00e7a. Nunca \u00e9 bom. E isso vale para qualquer idade. No esporte h\u00e1 muitos casos de dem\u00eancia causadas por excesso de pancadas na cabe\u00e7a. Para mim isso n\u00e3o devia ser estimulado para nenhum atleta. Pelo menos at\u00e9 atingir a maioridade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pagura acha que \u00e9 exagerado pedir que jovens com menos de 18 anos sigam essa cartilha. &#8220;Mas crian\u00e7as at\u00e9 12 anos acho extremamente importante fazer esse tipo de orienta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Estados Unidos foram pioneiros nesse movimento e em 2015 proibiram o cabeceio em treinos e jogos para crian\u00e7as de at\u00e9 dez anos de idade. A decis\u00e3o foi motivada ap\u00f3s um grupo de pais e jogadores entrarem na Justi\u00e7a contra a US Soccer e a Fifa. No pa\u00eds norte-americano, o futebol tamb\u00e9m \u00e9 influenciado por outros esportes que t\u00eam maior impacto na cabe\u00e7a e mais casos de concuss\u00e3o cerebral, como o futebol americano e o h\u00f3quei no gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Esc\u00f3cia tornou-se no in\u00edcio deste ano o primeiro pa\u00eds europeu a adotar medida semelhante. A Federa\u00e7\u00e3o Escocesa de Futebol proibiu o cabeceio na bola para jovens de at\u00e9 12 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">APOIO DOS PAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consultor de vendas F\u00e1bio Leandro Alves dos Santos acompanha a filha Vict\u00f3ria de perto no futebol. Ele concilia o trabalho aut\u00f4nomo \u00e0 rotina de treinos da garota de noves. De segunda, quarta e sexta ela tem futsal no PS9. De ter\u00e7a e quinta no in\u00edcio da tarde, vai no S\u00e3o Paulo. E quinta no final da tarde na escolinha do Paris Saint-Germain. O pai fica encostado no alambrado com o celular na m\u00e3o para registrar em v\u00eddeo as jogadas da ca\u00e7ula. O filho mais velho, Murilo, de 12 anos, nunca gostou de futebol. &#8220;O neg\u00f3cio dele \u00e9 videogame&#8221;. Mas ela puxou o pai, que aprendeu a jogar futebol nas categorias de base da Portuguesa e conta que deu muito drible no ex-jogadores Z\u00e9 Roberto e Rodrigo Fabri.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vict\u00f3ria treina com os meninos no sub-11 da PSG e \u00e9 um dos destaques. &#8220;N\u00e3o importa o time, sempre d\u00e3o a camisa 10 para ela. Chamam ela de Martinha&#8221;, conta o pai orgulhoso. F\u00e1bio concorda com a nova medida que deve ser implementada pela CBF. &#8220;Eles est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o. Sei que j\u00e1 tem algumas escolinhas que adotam essa medida. Essa quest\u00e3o do cabeceio sou a favor da proibi\u00e7\u00e3o. Precisa haver idade m\u00ednima. Mais para frente poder\u00e3o treinar esse fundamento&#8221;, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O advogado Marcos Tilelli leva o filho Mateus para as escolinhas de futebol desde quando ele tinha quatro anos. O garoto tem 11 anos hoje \u00e9 o mais alto da turma no PSG. Uma de suas qualidades \u00e9 o cabeceio. &#8220;Ele sabe fazer o movimento, usa a testa e nunca reclamou de dor. Mas \u00e9 algo que tem que se observar. Concordo que tenha de se precaver nesse assunto&#8221;, disse o pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcos lembrou que na inf\u00e2ncia teve muita dor de cabe\u00e7a por causa da bola que era usada no futsal. &#8220;Fui a muito m\u00e9dico na \u00e9poca e n\u00e3o descobriam o problema. At\u00e9 que uma benzedeira sugeriu que evitasse cabecear a bola nos treinos e nos jogos e funcionou. N\u00e3o sei se fazia errado, mas tive muito problema por isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formado em gest\u00e3o esportiva, Diego Jatob\u00e1 \u00e9 s\u00f3cio-diretor da PSG Academy Brasil e v\u00ea com ressalvas a inten\u00e7\u00e3o da CBF. &#8220;Acho que se houver estudo com especialistas da \u00e1rea sugerindo, por que n\u00e3o seguir? Mas temos op\u00e7\u00f5es. A gente pode fazer trabalhos de cabeceio com uma bola mais macia, por exemplo. Acho importante a crian\u00e7a come\u00e7ar a ter essa no\u00e7\u00e3o. Claro que n\u00e3o vou colocar bola dura, mas o gesto corporal, motor \u00e9 importante&#8221;, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho de cabe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 estimulado em sua escola de futebol. Os garotos treinam com bola de futebol society, que quica menos e assim diminui tamb\u00e9m a possibilidade de haver choques de cabe\u00e7a com cabe\u00e7a. O Estado acompanhou um dia de treino da escolinha do PSG e n\u00e3o houve sequer um cabeceio durante duas horas de atividade. Diego disse que o local segue a cartilha de treino recomendada pelo clube parisiense. Portanto, n\u00e3o bastaria vir somente orienta\u00e7\u00e3o da CBF. Teria de haver uma decis\u00e3o na Europa para influenciar o m\u00e9todo de treinamento na escolinha dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONCUSS\u00c3O CEREBRAL<br>A preocupa\u00e7\u00e3o com o choque de cabe\u00e7a durante um jogo de futebol tem aumentado nos \u00faltimos anos. Em 2019, o Estado revelou levantamento feito pela CBF que apontou que tais pancadas s\u00e3o a segunda maior incid\u00eancia de les\u00f5es no futebol brasileiro, somente atr\u00e1s de les\u00f5es musculares. Por isso, a entidade instituiu no segundo turno do Brasileir\u00e3o de 2019 um protocolo que os m\u00e9dicos dos times tem de seguir e preencher quando um jogador sofre concuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na S\u00e9rie A houve 18 traumas de cabe\u00e7a na metade final da competi\u00e7\u00e3o no ano passado e na S\u00e9rie B, 21. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que o jogador deixe o gramado ap\u00f3s o primeiro impacto. O neurologista Renato Anghinah trabalha com trauma craniano no Hospital das Cl\u00ednicas e explicou a import\u00e2ncia da substitui\u00e7\u00e3o. &#8220;O problema \u00e9 que pode haver o que chamamos de s\u00edndrome do segundo impacto, que \u00e9 levar nova pancada no mesmo local. A\u00ed pode levar a um edema, que pode levar a morte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi Renato quem corrigiu os diagn\u00f3sticos dos ex-boxeadores \u00c9der Jofre e Maguila, que tinham suspeitas de Alzheimer. Os dois, ap\u00f3s serem reavaliados, descobriram que sofrem de problemas neurol\u00f3gicos pelas pancadas na cabe\u00e7a. O ex-zagueiro Bellini, capit\u00e3o do t\u00edtulo mundial em 1958, morreu em 2014 e sua fam\u00edlia doou o c\u00e9rebro para ser estudado. Os neurologistas constaram que ele sofreu de dem\u00eancia por causa das pancadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INOVA\u00c7\u00c3O<br>O Corinthians neste ano decidiu investir na preven\u00e7\u00e3o dos atletas e chamou Renato para realizar exames neurol\u00f3gicos no elenco. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 medir aten\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio e reflexo dos atletas. Os exames podem ajudar no tratamento de um eventual choque de cabe\u00e7a e tamb\u00e9m a melhorar a performance do atleta. &#8220;H\u00e1 t\u00e9cnicas que ajudam a corrigir alguma dificuldade cognitiva&#8221;, informou Renato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CBF (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol) recomendar\u00e1 aos clubes e escolinhas de futebol que crian\u00e7as menores de 12 anos n\u00e3o treinem cabeceio na bola. 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