{"id":153700,"date":"2020-02-17T09:19:53","date_gmt":"2020-02-17T12:19:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=153700"},"modified":"2020-02-17T09:19:55","modified_gmt":"2020-02-17T12:19:55","slug":"dinamarquesa-vira-funkeira-no-rio-com-letra-que-ironiza-fala-de-damares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/02\/17\/dinamarquesa-vira-funkeira-no-rio-com-letra-que-ironiza-fala-de-damares\/","title":{"rendered":"Dinamarquesa vira funkeira no Rio com letra que ironiza fala de Damares"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dinamarquesa Frederikke Gjedde Palmgren, 30, n\u00e3o quis fazer a faculdade de nanotecnologia que seus pais (ele, bi\u00f3logo gen\u00e9tico; ela, dona de escola de franc\u00eas) gostariam. Frederikke preferiu entrar no concurso de um programa chamado Realize seu Sonho, na TV da Dinamarca. Sonho dela: ser funkeira no Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00e3o \u00e9 que ela conseguiu? H\u00e1 cerca de um ano morando na cidade, primeiro na Gl\u00f3ria, agora na favela Ladeira dos Tabajaras, ela mudou seu nome para Fefe Life e j\u00e1 produziu (comp\u00f4s, tocou, cantou e fez clipe de) uma s\u00e9rie de m\u00fasicas. A mais ouvida em seu Spotify \u00e9 &#8220;Metr\u00f4 Rio&#8221;, na qual recria a musiquinha que toca nos vag\u00f5es cariocas e vai falando o nome das esta\u00e7\u00f5es com seu divertido sotaque dinamarqu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 &#8220;Balinha&#8221; ficou conhecida como &#8220;Funk da Damares&#8221; no Carnaval de 2019. Fefe sampleou a frase &#8220;Eu ia tomar aquela subst\u00e2ncia, entenderam?&#8221; de um v\u00eddeo de uma prega\u00e7\u00e3o da ministra da Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No trecho, Damares Alves conta que, aos 10 anos, depois de ter sido estuprada, planejou se matar com um veneno, at\u00e9 que viu Jesus no p\u00e9 de goiaba do quintal. Em seguida, Fefe canta &#8220;D\u00e1, d\u00e1, d\u00e1 balinha\/ Cheguei no baile sem calcinha\/ Agora o que falta \u00e9 tomar a balinha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima produ\u00e7\u00e3o de Fefe (pronuncia-se Fef\u00ea, pois quando criou o nome ela n\u00e3o conhecia a regra do circunflexo em portugu\u00eas) \u00e9 &#8220;Mas Eu Sei que \u00c9 Put\u00e3o&#8221;, que ganhou um v\u00eddeo sensual em seu canal no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estudei muito o Mr. Catra&#8221;, diz ela. &#8220;Foi quem me atraiu para o funk. Estudei o Miami bass, que \u00e9 a origem do ritmo, e estudei o funk putaria daqui, o funk fac\u00e7\u00e3o, o funk consciente etc. \u00c9 o hip hop de voc\u00eas. E \u00e9 100% arte&#8221;, afirma Fefe, em entrevista no quintal de seu apartamento na Ladeira dos Tabajaras, que d\u00e1 vista para toda a comunidade morro acima e para o bairro de Copacabana embaixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela desfia outras inspira\u00e7\u00f5es do funk moderno: MC Carol, Iasmin Turbininha e MC Dricka. Velvet Underground no rock. E os artistas para quem produz: Thunder Trash, Viniboy, Michael Douglas (um hom\u00f4nimo, \u00e9 claro), P\u00e9rola e Iguinho Imperador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m vai come\u00e7ar a produzir Helt MC, com quem est\u00e1 casada desde junho. Ele, que acaba de lan\u00e7ar a can\u00e7\u00e3o &#8220;Resist\u00eancia Cultural&#8221;, \u00e9 artista de rap e apresentador de rodas culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contato inicial de Fefe com o g\u00eanero foi em sua primeira viagem ao Rio, por volta de 2015. Na \u00e9poca, ela arrumou emprego em um hostel na Gl\u00f3ria e morava numa garagem sem paredes com mais oito pessoas. &#8220;A garagem tinha apenas grades e len\u00e7\u00f3is pendurados para proteger. L\u00e1 dentro, no beliche, eu ouvia os carros descendo de Santa Tereza com essa batida louca no volume m\u00e1ximo. Fui aprendendo portugu\u00eas assim.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De volta \u00e0 Dinamarca, Fefe come\u00e7ou a produzir em seu laptop e arrumou um empres\u00e1rio. Chegou a lan\u00e7ar duas m\u00fasicas pela Warner em 2017, uma pop e outra rap. Mas o que mais gostou de fazer foi uma vers\u00e3o funk de &#8220;Ela Partiu&#8221;, de Tim Maia. Nem seu empres\u00e1rio nem a gravadora quiseram saber dessa, mas, no Brasil, a can\u00e7\u00e3o foi postada na internet e causou certo bochicho. &#8220;Foi quando eu vi que meu sonho estava acontecendo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, duas coisas mudaram a vida de Fefe. Bolsonaro ganhou a elei\u00e7\u00e3o, e surgiu o tal programa na TV de seu pa\u00eds. O primeiro fato fez com que ela quisesse se mudar definitivamente para o Brasil. O segundo tornou o sonho poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi um dia muito triste quando ele ganhou. De medo. Conhe\u00e7o muitas trans no Brasil, e pessoas LGBTs, e elas disseram que se sentiam em perigo naquela noite. Eu pensei que n\u00e3o fazia mais sentido fazer funk carioca morando na Dinamarca. Falar dos problemas do Brasil sem estar no pa\u00eds para fazer parte da resist\u00eancia. &#8216;Se eu quero seguir esse caminho, tenho que estar l\u00e1 com eles&#8217;, pensei.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s se inscrever para ser funkeira no Rio, Fefe foi umas das vencedoras entre mil candidatos \u2013outro ganhador foi um homem com o sonho de abrir um museu apenas de instrumentos para quebrar nozes. Ainda em 2018, ela foi filmada em sua casa em Copenhague e, no ano seguinte, recebeu a equipe da televis\u00e3o no Rio. O programa finalmente foi ao ar nos dois primeiros dias de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00eamio, pago em 2018, foi de 100 mil coroas dinamarquesas (R$ 63 mil). &#8220;S\u00f3 que na Dinamarca pagamos imposto de 50%. Ent\u00e3o recebi metade disso&#8221;, revela. O dinheiro foi suficiente para sua mudan\u00e7a, mas j\u00e1 acabou h\u00e1 muitos meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Loira com cabelo pintado de preto, Fefe diz pensar muito no problema da apropria\u00e7\u00e3o cultural. &#8220;Havia preconceito de alguns brasileiros quando eu morava na Dinamarca. Mas agora n\u00e3o sinto mais. O funk n\u00e3o tem isso, recebe todo mundo.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O funk me escolheu, n\u00e3o tinha como n\u00e3o fazer funk na minha vida. Mas tenho que morar aqui e aprender o portugu\u00eas&#8221;, diz ela, que aprendeu a l\u00edngua tamb\u00e9m com Tim Maia, Jorge Ben, Raul Seixas, Secos &amp; Molhados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A funkeira \u00e9 ambiciosa: tem um selo chamado Have No Fear e produz sem cobrar para alguns artistas que gosta. &#8220;No futuro quero fazer uma funda\u00e7\u00e3o de funk com est\u00fadios nas favelas para [ser poss\u00edvel] produzir uma m\u00fasica inteira e depois botar no Spotify sem custo nenhum. Porque existem muitos talentos aqui e meu sonho \u00e9 espalh\u00e1-los&#8221;, afirma, usando corretamente a \u00eanclise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua express\u00e3o preferida, entretanto, \u00e9 &#8220;muito(a) louco(a)&#8221;, o que \u00e9 compreens\u00edvel para uma dinamarquesa enfrentando os problemas di\u00e1rios de uma comunidade no Rio e da pol\u00edtica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima coisa que Fefe achou muito louca por aqui foi a sugest\u00e3o da ministra Damares para que os adolescentes n\u00e3o fa\u00e7am sexo. &#8220;Isso d\u00e1 funk, hein?&#8221;, termina ela, pensativa, j\u00e1 maquinando no c\u00e9rebro uma batida para a nova can\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dinamarquesa Frederikke Gjedde Palmgren, 30, n\u00e3o quis fazer a faculdade de nanotecnologia que seus pais (ele, bi\u00f3logo gen\u00e9tico; ela, dona de escola de franc\u00eas)&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":153701,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-153700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153700"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":153702,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153700\/revisions\/153702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}