{"id":155234,"date":"2020-02-26T06:35:50","date_gmt":"2020-02-26T09:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=155234"},"modified":"2020-02-26T06:35:52","modified_gmt":"2020-02-26T09:35:52","slug":"voce-sabe-o-que-e-transicao-capilar-conheca-historias-e-melhora-da-autoestima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/02\/26\/voce-sabe-o-que-e-transicao-capilar-conheca-historias-e-melhora-da-autoestima\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabe o que \u00e9 transi\u00e7\u00e3o capilar? Conhe\u00e7a hist\u00f3rias e melhora da autoestima"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;Se livrar de amarras e inseguran\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica quase nunca \u00e9 f\u00e1cil, especialmente quando os padr\u00f5es de beleza impostos pela sociedade ditam como voc\u00ea deve ser. Os cabelos cacheados e crespos sempre foram os principais alvos dessa conduta, que hoje vem mudando.<\/p>\n\n\n\n<p>Procedimento ganhou espa\u00e7o nos \u00faltimos cinco anos e tem conquistado cada vez mais jovens e adultos, a transi\u00e7\u00e3o capilar consiste em abandonar as qu\u00edmicas do cabelo e assumir a beleza natural dos fios, e o principal de tudo: se amar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga Luana Meira de Oliveira, 24, o amor-pr\u00f3prio foi uma das principais descobertas que a transi\u00e7\u00e3o proporcionou em sua vida. \u201cEu queria parecer com as pessoas com as quais eu andava. Queria pertencer ao grupo. S\u00f3 me sentia bonita se o cabelo estivesse liso\u201d, afirma Luana, que hoje se sente mais aut\u00eantica com seus cachos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter feito o primeiro procedimento qu\u00edmico aos 18 anos, a paulista conta que desde crian\u00e7a era adepta a escova e chapinha, formas que encontrava para esconder os fios naturais. Quando finalmente decidiu fazer a transi\u00e7\u00e3o capilar -que levou um ano e meio- ela encontrou outra dificuldade no percurso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tive o apoio da minha fam\u00edlia, eles falavam pra mim que liso era mais bonito. Hoje, vejo que eles n\u00e3o tinham essa percep\u00e7\u00e3o de entender quem n\u00f3s somos, s\u00f3 estavam reproduzindo os padr\u00f5es da sociedade dentro de casa. Foi com certeza a parte mais dif\u00edcil pra mim\u201d, lembra a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o familiar n\u00e3o foi diferente para a estudante de comunica\u00e7\u00e3o Nicolle Ara\u00fajo, 19, que iniciou o processo de transi\u00e7\u00e3o aos 15 anos. A jovem diz que viveu momentos conturbados com alguns familiares. \u201cHoje me sinto a Nicolle, mas eu lembro que na \u00e9poca sofria bullying por ter cabelo crespo. Dentro da fam\u00edlia tamb\u00e9m passava por isso. As pessoas podem achar que \u00e9 uma brincadeira mas n\u00e3o \u00e9.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao realizar a primeira progressiva aos 11 anos, Ara\u00fajo lembra que sua experi\u00eancia com rejei\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio cabelo veio desde a inf\u00e2ncia. \u201cQuando era menor minha m\u00e3e arrumava o meu cabelo e ela sempre prendia. Ficava inventando penteados para usar porque na realidade n\u00e3o sabia lidar com o volume dele [\u2026] Na escola eu via as meninas com o cabelo solto e me sentia mal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabia que se soltasse o cabelo, n\u00e3o ficaria igual ao delas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fabiana Louren\u00e7o, 42, especialista em cabelos cacheados e crespos h\u00e1 mais de 20 anos, a falta de conhecimento sobre os cuidados com os fios \u00e9 um dos principais fatores que fazem com que as pessoas fa\u00e7am o alisamento, como no caso da estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu via que as pessoas precisavam de mais conhecimento e aprender formas de cuidar no dia a dia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Louren\u00e7o criou uma rotina de trabalho em que consiste em ensinar as clientes a cuidarem do pr\u00f3prio cabelo sem a necessidade de ir constantemente ao sal\u00e3o. Para ela, o acompanhamento de um profissional \u00e9 primordial para a transi\u00e7\u00e3o capilar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem algumas pessoas que desistem quando tentam sozinhas, com a ajuda de um profissional \u00e9 mais f\u00e1cil de ter um resultado\u201d, afirma. Embora seja mais segura com sua rotina de cuidados em casa, a psic\u00f3loga Luana Meira de Oliveira diz que no in\u00edcio da transi\u00e7\u00e3o as idas ao sal\u00e3o era como um ritual. \u201cTinha um cronograma de corte, pelo menos uma vez por m\u00eas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com anos de experi\u00eancia no sal\u00e3o, localizado em Campinas (SP), Fabiana Louren\u00e7o diz a dificuldade de se adaptar \u00e0 nova realidade est\u00e9tica \u00e9 muito comum entre quem passa pela transi\u00e7\u00e3o capilar. O cuidado com o emocional e psicol\u00f3gico s\u00e3o necess\u00e1rios durante o processo. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o muito pessoal de voltar \u00e0s origens. V\u00e1rias delas choram no dia de fazer e por isso temos uma pol\u00edtica de cuidado pessoal. Colocamos m\u00fasica, deixamos a pessoa a vontade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Luana Meira de Oliveira conta que o impacto da transforma\u00e7\u00e3o mudou o seu emocional. \u201cDemorou um tempo para eu me entender e aceitar neste novo formato, porque a cabe\u00e7a demora um pouco mais para entender do que o cabelo para crescer [risos].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para a estudante Nicolle Ara\u00fajo tamb\u00e9m n\u00e3o foi diferente. Ela lembra que nos primeiros momentos de transi\u00e7\u00e3o sua autoestima ficou abalada. \u201cMeu cabelo ficava metade cacheado e metade liso. Isso fez com que a minha autoestima ficasse l\u00e1 embaixo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de quase ter abandonado o processo, Ara\u00fajo recebeu apoio de sua m\u00e3e, que acabou convencendo ela de seguir em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla conversou comigo, me apoiou e disse para eu pensar melhor, que independente do que eu escolhesse, estava comigo. Isso foi essencial para chegar onde estou agora.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de hoje em dia o entendimento sobre o assunto ser mais amplo -h\u00e1 quem diga que a internet e as redes sociais contribu\u00edram para esse fator-, ainda existem muitas barreiras a serem quebradas. Fabiana Louren\u00e7o cita que no passado as pessoas perdiam emprego por conta da est\u00e9tica. Luana Meira conta que viveu isso recentemente ap\u00f3s assumir os cachos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLembro que na \u00e9poca eu trabalhava em um lugar no qual fazia atendimento ao cliente e a apar\u00eancia era fundamental. As pessoas faziam brincadeiras de mal gosto, ent\u00e3o isso tamb\u00e9m foi bem dif\u00edcil. Mas consegui passar por essa press\u00e3o\u201d, diz a psic\u00f3loga, que hoje trabalha no setor de recursos humanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transi%C3%A7%C3%A3o-capilar-567x305.jpg\" alt=\"Foto: reprodu\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-839460 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 567px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 567\/305;\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRANSI\u00c7\u00c3O N\u00c3O TEM G\u00caNERO<\/strong><br>Para quem se pergunta se transi\u00e7\u00e3o capilar \u00e9 algo exclusivo de mulheres, o paulista Richner Allan, 31, mostra com a sua hist\u00f3ria, que homens com cabelos crespos e cacheados tamb\u00e9m enfrentam dificuldades em aceitar os fios naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO homem normalmente acaba n\u00e3o se olhando esteticamente. Quando eu conversava com as minhas amigas sobre assunto comecei a perceber que isso tamb\u00e9m acontecia comigo mas de um jeito diferente. N\u00e3o com a mesma intensidade e cobran\u00e7a, mas essa rela\u00e7\u00e3o de ter vergonha do cabelo\u201d, afirma Allan, que atualmente adotou o visual de dreadlock.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu s\u00f3 assumi o meu black power aos 25 anos. Antes eu raspava a cabe\u00e7a, nem dava tempo de conhecer meu pr\u00f3prio cabelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando crescia um pouco j\u00e1 cortava\u201d, lembra o editor de v\u00eddeos, que na juventude alisava os fios com produtos qu\u00edmicos para se encaixar nos padr\u00f5es de beleza.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de alisar os fios era tanta, que Richner Allan conta que chegou a machucar o couro capilar, e foi a\u00ed que decidiu parar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o parei de alisar por vontade pr\u00f3pria, mas porque estava machucando a cabe\u00e7a.\u201d O paulista explica que foi influenciado por amigas a realizar a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um processo que quando voc\u00ea entra, tudo faz sentido e junto veio esse autoconhecimento que eu n\u00e3o tinha. Ningu\u00e9m passa sozinho por esse processo de transi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Allan. Com hist\u00f3rias entrela\u00e7adas, a psic\u00f3loga Luana Meira de Oliveira lembra que sua decis\u00e3o influenciou alguns conhecidos. \u201cPelo menos tr\u00eas pessoas pr\u00f3ximas foram influenciadas por mim [risos].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Allan, a falta de aceita\u00e7\u00e3o dos fios vem por conta da representa\u00e7\u00e3o que antigamente n\u00e3o se via. \u201cEu tenho 30 anos mas quando eu era crian\u00e7a n\u00e3o via refer\u00eancias de cabelo black na televis\u00e3o, por exemplo. Existia os nichos mas n\u00e3o era algo falado como atualmente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da transi\u00e7\u00e3o capilar, que nada mais \u00e9 que tirar por completo a qu\u00edmica dos fios capilares, movimentos como o body positive (em portugu\u00eas corpo positivo), ressaltam cada vez mais a ess\u00eancia do que \u00e9 de fato, belo.<\/p>\n\n\n\n<p>O body positive, por exemplo, consiste na ideia de ser positivo em rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo e apar\u00eancia, independentemente de g\u00eanero, focado na pessoa em quest\u00e3o, e n\u00e3o mais nos padr\u00f5es de beleza de antigamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MANUAL PR\u00c1TICO PARA CUIDADOS<\/strong><br>\u00c9 normal existirem d\u00favidas e mitos sobre o processo de transi\u00e7\u00e3o capilar e os cuidados que os cabelos que passaram pelo procedimento devem ter a longo prazo. Para esclarecer, a especialista t\u00e9cnica em fios Marisa Russo ressaltou as principais dicas e erros que as pessoas cometem sobre o tema:<\/p>\n\n\n\n<p>1. O ideal para quem est\u00e1 fazendo a transi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito tratamento, como hidrata\u00e7\u00e3o, nutri\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o capilar;<br>2. Os produtos mais indicados s\u00e3o os que disciplinam o fio, o que reduzir\u00e1 o volume, usar shampoo detox 1 x na semana, hidratar com m\u00e1scaras a base de blends de amino\u00e1cidos e sempre utilizar produtos sem enx\u00e1gue. Condicionadores com blends de nutri \u00f3leos \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o para uso mais frequente;<br>3. Para o ver\u00e3o, proteger sempre os fios com produtos com filtro solar e se fizer uso de secador ou difusor utilizar produtos com prote\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica. Existem produtos espec\u00edficos sem enx\u00e1gue e com prote\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica;<br>4. Os produtos n\u00e3o agridem o fio, o mal uso, o uso incorreto e o excesso de produtos deixados na raiz do cabelo \u00e9 que s\u00e3o prejudiciais. N\u00e3o \u00e9 recomendado que os produtos sejam colocados na raiz, somente shampoo deve ser raiz e pontas, demais produtos apenas meio e pontas dos fios;<br>5. Fala-se muito que os cabelos crespos e cacheados demoram mais para crescer, mas isso \u00e9 mito. O cabelo de uma pessoa que est\u00e1 saud\u00e1vel (sem falta de nutrientes, problemas de sa\u00fade, stress) cresce em m\u00e9dia de 1 a 1,5 cm por m\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Se livrar de amarras e inseguran\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica quase nunca \u00e9 f\u00e1cil, especialmente quando os padr\u00f5es de beleza impostos pela sociedade ditam como&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":155235,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-155234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155234"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155234\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":155236,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155234\/revisions\/155236"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}