{"id":162419,"date":"2020-04-06T09:09:05","date_gmt":"2020-04-06T12:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=162419"},"modified":"2020-04-06T09:09:07","modified_gmt":"2020-04-06T12:09:07","slug":"combate-a-pandemia-mobiliza-voluntarios-em-diversas-frentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/04\/06\/combate-a-pandemia-mobiliza-voluntarios-em-diversas-frentes\/","title":{"rendered":"Combate \u00e0 pandemia mobiliza volunt\u00e1rios em diversas frentes"},"content":{"rendered":"\n<p>Vizinha de um dos maiores complexos de favelas de S\u00e3o Gon\u00e7alo, na regi\u00e3o metropolitana do Rio&nbsp;de Janeiro, a assistente social Rafaela Marron, de 38 anos, j\u00e1 reparava a ang\u00fastia de fam\u00edlias que, bem perto da sua casa, n\u00e3o tinham acesso ao b\u00e1sico de alimenta\u00e7\u00e3o, higiene e saneamento. Quando o Brasil confirmou os primeiros casos de coronav\u00edrus e as medidas de preven\u00e7\u00e3o passaram a ser divulgadas fortemente, o inc\u00f4modo virou consci\u00eancia de que era preciso agir com urg\u00eancia para que essas vulnerabilidades n\u00e3o crescessem durante o combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O progn\u00f3stico de um munic\u00edpio que j\u00e1 padece de inseguran\u00e7a alimentar cr\u00f4nica seria muito pior&#8221;, lembra Rafaela, que dividia as preocupa\u00e7\u00f5es com outras assistentes sociais. &#8220;A gente foi ficando incomodada e falei: gente, vamos perguntar \u00e0s pessoas que a gente conhece e ver o que conseguimos&nbsp;fazer para algumas fam\u00edlias mais pr\u00f3ximas a n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado de mais tr\u00eas assistentes sociais, Rafaela come\u00e7ou o trabalho de coletar doa\u00e7\u00f5es e cadastrar fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no dia&nbsp;22 de mar\u00e7o. A preocupa\u00e7\u00e3o do grupo encontrou uma onda de solidariedade que transformou rapidamente a pequena a\u00e7\u00e3o de voluntariado no Comit\u00ea Popular de Crise de S\u00e3o Gon\u00e7alo, que j\u00e1 entregou cestas b\u00e1sicas a 120 fam\u00edlias da cidade. O grupo j\u00e1 cadastrou 250 fam\u00edlias para receber os mantimentos e tem dado prioridade&nbsp;ao aux\u00edlio \u00e0quelas que s\u00e3o chefiadas por mulheres que dependem da informalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, as quatro coordenadoras da rede&nbsp;de doa\u00e7\u00f5es se articulam somente por Whatsapp. O banco de alimentos, montado na casa de uma amiga do grupo, fica em um c\u00f4modo separado no quintal, e as doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o buscadas com hora marcada, para evitar aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 fazendo tudo para respeitar o isolamento&#8221;, afirma Rafaela, que conta que mesmo na hora de coletar as doa\u00e7\u00f5es na casa dos doadores, muitas vezes o combinado \u00e9 deixar os mantimentos na porta e evitar o contato com um dos motoristas volunt\u00e1rios que re\u00fanem as cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>As doa\u00e7\u00f5es t\u00eam sido recolhidas tamb\u00e9m por meio de transfer\u00eancias banc\u00e1rias e financiamento coletivo, e a assistente social torce para que a mobiliza\u00e7\u00e3o desperte a popula\u00e7\u00e3o para uma pol\u00edtica p\u00fablica mais eficaz de combate \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar na cidade. &#8220;A gente entende que a solidariedade \u00e9 muito importante, que o voluntariado \u00e9 muito importante, mas a gente queria muito que isso fosse responsabilidade do governo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade social tamb\u00e9m foi o que levou a psic\u00f3loga Marcelle Esteves, de 46 anos, a se engajar em uma campanha de suporte \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, bissexuais,&nbsp;<em>gays<\/em>, transexuais, travestis e intersexuais (LGBTI) durante a pandemia. Vice-presidente do Grupo Arco-\u00cdris, que j\u00e1 faz essa assist\u00eancia no dia a dia, ela viu a necessidade de refor\u00e7ar as a\u00e7\u00f5es no per\u00edodo da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela internet, cerca de 500 pessoas LGBTI em situa\u00e7\u00e3o de pobreza no Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;foram cadastradas para receber cestas b\u00e1sicas e produtos de higiene que auxiliem na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. A partir desse primeiro contato, a demanda se mostrou mais ampla do que somente cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas come\u00e7aram a perguntar quem podia escutar, se tinha algu\u00e9m para elas conversarem&#8221;, conta Marcelle, que mobilizou uma rede de psic\u00f3logos parceiros e conseguiu disponibilizar 112 hor\u00e1rios por semana para consultas gratuitas, de&nbsp;segunda&nbsp;a&nbsp;domingo. &#8220;S\u00e3o escutas pontuais nesse per\u00edodo da quarentena, e acreditamos que vamos conseguir abarcar um n\u00famero grande de pessoas que est\u00e3o precisando dessa escuta, apavoradas e sem saber o que fazer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de&nbsp;ter&nbsp;cadastrado um grande n\u00famero de&nbsp;<em>gays<\/em>&nbsp;e l\u00e9sbicas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, ela conta que transexuais exclu\u00eddos do mercado de trabalho e que dependem da prostitui\u00e7\u00e3o para sua sobreviv\u00eancia s\u00e3o a maioria entre os que pediram ajuda. &#8220;Com o isolamento social, essa popula\u00e7\u00e3o fica totalmente desassistida e sem possibilidade de se alimentar&#8221;, diz Marcelle. &#8220;As pessoas ligam pedindo comida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Marcelle e Rafaela se engajaram na luta para viabilizar o isolamento social de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, a estudante de enfermagem Isabella Castro Alves, de 21 anos, \u00e9 um dos 25 mil volunt\u00e1rios que ofereceram sua m\u00e3o de obra \u00e0 Secretaria Estadual de Sa\u00fade do Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;para atuar no combate \u00e0 doen\u00e7a nas unidades de sa\u00fade. Ainda que a maioria dos profissionais inscritos seja da \u00e1rea de sa\u00fade, o desejo de ajudar tamb\u00e9m fez com que se cadastrassem&nbsp;advogados, educadores infantis, bab\u00e1s, te\u00f3logos, porteiros, seguran\u00e7as, recepcionistas, copeiros,&nbsp;m\u00fasicos, motoristas e outras carreiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Isabella, metade desse contingente \u00e9 de estudantes, e as convoca\u00e7\u00f5es para trabalhar devem come\u00e7ar ainda neste m\u00eas, segundo a secretaria. At\u00e9 l\u00e1, a universit\u00e1ria conta que vem estudando a doen\u00e7a, na expectativa de que a experi\u00eancia seja tamb\u00e9m uma oportunidade de forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, penso no paciente. A gente n\u00e3o est\u00e1 lidando s\u00f3 com a doen\u00e7a, a gente est\u00e1 lidando com a pessoa. Ela tem sentimento, tem vontade, tem uma fam\u00edlia esperando por ela. E acho muito legal atuar para tentar minimizar todas as complica\u00e7\u00f5es e riscos para ela poder voltar \u00e0 sua vida normal e ao seu ambiente familiar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante conta que a op\u00e7\u00e3o de se voluntariar trouxe apreens\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia em um primeiro momento, j\u00e1 que sua irm\u00e3 mais nova tem uma doen\u00e7a cr\u00f4nica&nbsp;e na sua casa tamb\u00e9m moram a av\u00f3 e a tia, que s\u00e3o idosas. &#8220;Minha m\u00e3e \u00e9 da \u00e1rea da sa\u00fade e estava relutante com a situa\u00e7\u00e3o dos grupos de risco que eu tenho dentro da minha casa&#8221;, lembra. &#8220;Hoje&nbsp;em dia ela j\u00e1 tem uma opini\u00e3o totalmente diferente, porque eu consegui convenc\u00ea-la.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de enfermagem j\u00e1 foi selecionada para trabalhar, e agora aguarda a convoca\u00e7\u00e3o para iniciar o processo de capacita\u00e7\u00e3o. &#8220;Sempre pensei em atuar na \u00e1rea de doc\u00eancia, e isso vai me auxiliar a definir minha linha de pesquisa&#8221;, acredita ela, que est\u00e1 no pen\u00faltimo per\u00edodo do curso na Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vizinha de um dos maiores complexos de favelas de S\u00e3o Gon\u00e7alo, na regi\u00e3o metropolitana do Rio&nbsp;de Janeiro, a assistente social Rafaela Marron, de 38 anos,&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162420,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-162419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162419"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":162421,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162419\/revisions\/162421"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}