{"id":163090,"date":"2020-04-10T06:59:37","date_gmt":"2020-04-10T09:59:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=163090"},"modified":"2020-04-10T06:59:38","modified_gmt":"2020-04-10T09:59:38","slug":"a-subida-dos-precos-dos-alimentos-diante-da-crise-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/04\/10\/a-subida-dos-precos-dos-alimentos-diante-da-crise-do-coronavirus\/","title":{"rendered":"A subida dos pre\u00e7os dos alimentos diante da crise do coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pre\u00e7o dos alimentos disparou em mar\u00e7o, fechando o m\u00eas em alta de 1,13%, contra 0,11% registrados em fevereiro, informou nesta quinta (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica). Os aumentos ocorrem em um momento de dificuldades para fam\u00edlias afetadas pela crise do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o IBGE, os maiores aumentos se deram em produtos relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o em domic\u00edlio, que acelerou de 0,22% para 1,40% em mar\u00e7o. As maiores altas foram registradas em produtos como cenoura (20,39%), cebola (20,31%), tomate (15,74%), batata-inglesa (8,16%) e ovo (4,67%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram respons\u00e1veis por manter a infla\u00e7\u00e3o no terreno positivo, apesar da queda dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e das passagens a\u00e9reas. Em mar\u00e7o, o IPCA, \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ficou em 0,07%, contra 0,25% do m\u00eas anterior. Foi o menor resultado para mar\u00e7o desde o Plano Real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo Alimentos e bebidas teve impacto de 0,22 ponto percentual na infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o. \u201cHouve uma acelera\u00e7\u00e3o disseminada no pre\u00e7o dos alimentos\u201d, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. \u201cOs n\u00fameros sugerem que as pessoas est\u00e3o comprando mais para comer em casa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O custo da alimenta\u00e7\u00e3o em domic\u00edlio teve a maior alta desde dezembro de 2019, quando o pre\u00e7o da carne bovina disparou. Kislanov disse que alguns produtos, como cenoura e tomate, j\u00e1 vinham registrando alta. Mas outros, como a cebola a batata, ca\u00edam e passaram a subir em mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s os primeiros aumentos, supermercados jogaram a responsabilidade nos fornecedores. A Abras (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Supermercados) falou em \u201celeva\u00e7\u00f5es injustificadas de pre\u00e7os\u201d e diz hoje trabalhar com a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) para evitar aumentos abusivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Rio, sindicatos ligados aos comerciantes chegaram a divulgar \u201ccarta de esclarecimento\u201d responsabilizando fornecedores por retirar descontos nos pre\u00e7os quando os estoques come\u00e7aram a cair ap\u00f3s aumento na procura no in\u00edcio das medidas de isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Economistas afirmam que a elevada procura teve impacto nos primeiros momentos da crise, mas esperam que os pre\u00e7os se ajustem com a normaliza\u00e7\u00e3o da demanda ap\u00f3s a corrida aos supermercados no fim de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele momento, segundo levantamento feito na semana passada pelo economista da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas) Andre Braz, houve alta em diversos itens da cesta b\u00e1sica, como tomate (13,34%), ovo (9,04%) batata-inglesa (5,20%) e batata inglesa (5,20%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAl\u00e9m do aumento da demanda, pois todas as refei\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo feitas em resid\u00eancia, houve aumento da estocagem, por receio de que o v\u00edrus se propague mais e expanda o per\u00edodo de confinamento social\u201d, analisou o economista Andr\u00e9 Braz, da FGV.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cContinuando a quarentena, devemos continuar tendo alta dos alimentos. Mas tem um limite\u201d, avalia Kislanov. \u201cTemos uma crise e, a partir do momento em que as pessoas t\u00eam menos dinheiro para consumir, os mercados n\u00e3o poder\u00e3o subir tanto os pre\u00e7os\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialista em pre\u00e7os no atacado, o consultor Carlos Cogo, da Cogo Intelig\u00eancia em Agroneg\u00f3cios, acha, por\u00e9m, que a press\u00e3o ainda n\u00e3o acabou e os pre\u00e7os devem subir mais antes de voltar \u00e0 normalidade. \u201cO varejo assumiu parte da alta at\u00e9 agora, colocando estoques em um valor mais baixo\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando a reposi\u00e7\u00e3o vier, ainda veremos novos aumentos. Vai piorar antes de melhorar\u201d, completa. Segundo dados compilados por ele, o pre\u00e7o do feij\u00e3o no atacado acumula alta de 71,1% em 30 dias, o trigo subiu 13,6% e o arroz, 7,6%. O caf\u00e9 tem aumento acumulado de 6,9% no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respons\u00e1vel por garantir a regularidade do abastecimento e apoiar os produtores, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) diz que alguns aumentos s\u00e3o provocados por quest\u00f5es clim\u00e1ticas, como as chuvas na principal regi\u00e3o produtora de cenouras no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do feij\u00e3o, diz o presidente da estatal, Guilherme Bastos, o produto sofre com a alta demanda em um momento de quebra de safra. J\u00e1 o arroz tem produ\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima do consumo, o que ajudou a elevar os pre\u00e7os com o aumento da procura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros produtos, como frutas e hortali\u00e7as, v\u00eam em tend\u00eancia de baixa, com menor demanda de restaurantes e restri\u00e7\u00f5es a feiras livres ap\u00f3s o in\u00edcio das medidas de isolamento social. O presidente da Conab n\u00e3o v\u00ea riscos de abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDe maneira geral, as centrais n\u00e3o t\u00eam nos reportado nenhuma ruptura no fornecimento\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tamb\u00e9m espera menos press\u00e3o sobre os pre\u00e7os nos pr\u00f3ximos meses. Dados da estatal apontam, por exemplo, que a proximidade com a segunda safra do feij\u00e3o j\u00e1 reverteu a curva de alta dos pre\u00e7os em algumas pra\u00e7as na \u00faltima semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, considerando a varia\u00e7\u00e3o acumulada do ano, o produto j\u00e1 subiu at\u00e9 60%, no caso do Paran\u00e1. Em S\u00e3o Paulo, o aumento acumulado \u00e9 de 52%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurada, a Abia (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Alimento) disse em nota apenas que n\u00e3o discute pre\u00e7os, \u201cuma vez que as negocia\u00e7\u00f5es entre as empresas do setor e as cadeias de varejo contextualizam-se em um cen\u00e1rio de livre mercado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ponta negativa da infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o, todos os combust\u00edveis apresentaram retra\u00e7\u00e3o: etanol (-2,82%), \u00f3leo diesel (-2,55%), gasolina (-1,75%) e g\u00e1s veicular (-0,78%). As passagens a\u00e9reas tamb\u00e9m mantiveram queda, de 16,75%. Assim, o grupo Transportes caiu 0,90%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No acumulado do ano, o IPCA soma 0,53%. Em 12 meses, 3,30%, abaixo do centro da meta estabelecida pelo governo, de 4%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na semana passada, economistas ouvidos pelo relat\u00f3rio Focus, do Banco Central, reduziram para 2,72% a proje\u00e7\u00e3o do IPCA para o ano, diante da expectativa de fortes impactos econ\u00f4micos da crise gerada pela pandemia do coronav\u00edrus. A estimativa anterior era de 2,94%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o dos alimentos disparou em mar\u00e7o, fechando o m\u00eas em alta de 1,13%, contra 0,11% registrados em fevereiro, informou nesta quinta (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica). Os aumentos ocorrem em um momento de dificuldades para fam\u00edlias afetadas pela crise do coronav\u00edrus. Segundo o IBGE, os maiores aumentos se deram em produtos relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o em domic\u00edlio, que acelerou de 0,22% para 1,40% em mar\u00e7o. As maiores altas foram registradas em produtos como cenoura (20,39%), cebola (20,31%), tomate (15,74%), batata-inglesa (8,16%) e ovo (4,67%). Foram respons\u00e1veis por manter a infla\u00e7\u00e3o no terreno positivo, apesar da queda dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e das passagens a\u00e9reas. Em mar\u00e7o, o IPCA, \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ficou em 0,07%, contra 0,25% do m\u00eas anterior. Foi o menor resultado para mar\u00e7o desde o Plano Real. O grupo Alimentos e bebidas teve impacto de 0,22 ponto percentual na infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o. \u201cHouve uma acelera\u00e7\u00e3o disseminada no pre\u00e7o dos alimentos\u201d, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. \u201cOs n\u00fameros sugerem que as pessoas est\u00e3o comprando mais para comer em casa\u201d. O custo da alimenta\u00e7\u00e3o em domic\u00edlio teve a maior alta desde dezembro de 2019, quando o pre\u00e7o da carne bovina disparou. Kislanov disse que alguns produtos, como cenoura e tomate, j\u00e1 vinham registrando alta. Mas outros, como a cebola a batata, ca\u00edam e passaram a subir em mar\u00e7o. Ap\u00f3s os primeiros aumentos, supermercados jogaram a responsabilidade nos fornecedores. A Abras (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Supermercados) falou em \u201celeva\u00e7\u00f5es injustificadas de pre\u00e7os\u201d e diz hoje trabalhar com a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) para evitar aumentos abusivos. No Rio, sindicatos ligados aos comerciantes chegaram a divulgar \u201ccarta de esclarecimento\u201d responsabilizando fornecedores por retirar descontos nos pre\u00e7os quando os estoques come\u00e7aram a cair ap\u00f3s aumento na procura no in\u00edcio das medidas de isolamento social. Economistas afirmam que a elevada procura teve impacto nos primeiros momentos da crise, mas esperam que os pre\u00e7os se ajustem com a normaliza\u00e7\u00e3o da demanda ap\u00f3s a corrida aos supermercados no fim de mar\u00e7o. Naquele momento, segundo levantamento feito na semana passada pelo economista da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas) Andre Braz, houve alta em diversos itens da cesta b\u00e1sica, como tomate (13,34%), ovo (9,04%) batata-inglesa (5,20%) e batata inglesa (5,20%). \u201cAl\u00e9m do aumento da demanda, pois todas as refei\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo feitas em resid\u00eancia, houve aumento da estocagem, por receio de que o v\u00edrus se propague mais e expanda o per\u00edodo de confinamento social\u201d, analisou o economista Andr\u00e9 Braz, da FGV. \u201cContinuando a quarentena, devemos continuar tendo alta dos alimentos. Mas tem um limite\u201d, avalia Kislanov. \u201cTemos uma crise e, a partir do momento em que as pessoas t\u00eam menos dinheiro para consumir, os mercados n\u00e3o poder\u00e3o subir tanto os pre\u00e7os\u201d. Especialista em pre\u00e7os no atacado, o consultor Carlos Cogo, da Cogo Intelig\u00eancia em Agroneg\u00f3cios, acha, por\u00e9m, que a press\u00e3o ainda n\u00e3o acabou e os pre\u00e7os devem subir mais antes de voltar \u00e0 normalidade. \u201cO varejo assumiu parte da alta at\u00e9 agora, colocando estoques em um valor mais baixo\u201d, diz. \u201cQuando a reposi\u00e7\u00e3o vier, ainda veremos novos aumentos. Vai piorar antes de melhorar\u201d, completa. Segundo dados compilados por ele, o pre\u00e7o do feij\u00e3o no atacado acumula alta de 71,1% em 30 dias, o trigo subiu 13,6% e o arroz, 7,6%. O caf\u00e9 tem aumento acumulado de 6,9% no per\u00edodo. Respons\u00e1vel por garantir a regularidade do abastecimento e apoiar os produtores, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) diz que alguns aumentos s\u00e3o provocados por quest\u00f5es clim\u00e1ticas, como as chuvas na principal regi\u00e3o produtora de cenouras no pa\u00eds. No caso do feij\u00e3o, diz o presidente da estatal, Guilherme Bastos, o produto sofre com a alta demanda em um momento de quebra de safra. J\u00e1 o arroz tem produ\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima do consumo, o que ajudou a elevar os pre\u00e7os com o aumento da procura. Outros produtos, como frutas e hortali\u00e7as, v\u00eam em tend\u00eancia de baixa, com menor demanda de restaurantes e restri\u00e7\u00f5es a feiras livres ap\u00f3s o in\u00edcio das medidas de isolamento social. O presidente da Conab n\u00e3o v\u00ea riscos de abastecimento. \u201cDe maneira geral, as centrais n\u00e3o t\u00eam nos reportado nenhuma ruptura no fornecimento\u201d, disse. Ele tamb\u00e9m espera menos press\u00e3o sobre os pre\u00e7os nos pr\u00f3ximos meses. Dados da estatal apontam, por exemplo, que a proximidade com a segunda safra do feij\u00e3o j\u00e1 reverteu a curva de alta dos pre\u00e7os em algumas pra\u00e7as na \u00faltima semana. Ainda assim, considerando a varia\u00e7\u00e3o acumulada do ano, o produto j\u00e1 subiu at\u00e9 60%, no caso do Paran\u00e1. Em S\u00e3o Paulo, o aumento acumulado \u00e9 de 52%. Procurada, a Abia (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Alimento) disse em nota apenas que n\u00e3o discute pre\u00e7os, \u201cuma vez que as negocia\u00e7\u00f5es entre as empresas do setor e as cadeias de varejo contextualizam-se em um cen\u00e1rio de livre mercado\u201d. Na ponta negativa da infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o, todos os combust\u00edveis apresentaram retra\u00e7\u00e3o: etanol (-2,82%), \u00f3leo diesel (-2,55%), gasolina (-1,75%) e g\u00e1s veicular (-0,78%). As passagens a\u00e9reas tamb\u00e9m mantiveram queda, de 16,75%. Assim, o grupo Transportes caiu 0,90%. No acumulado do ano, o IPCA soma 0,53%. Em 12 meses, 3,30%, abaixo do centro da meta estabelecida pelo governo, de 4%. Na semana passada, economistas ouvidos pelo relat\u00f3rio Focus, do Banco Central, reduziram para 2,72% a proje\u00e7\u00e3o do IPCA para o ano, diante da expectativa de fortes impactos econ\u00f4micos da crise gerada pela pandemia do coronav\u00edrus. 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