{"id":16367,"date":"2017-03-20T12:45:36","date_gmt":"2017-03-20T15:45:36","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=16367"},"modified":"2017-03-20T12:45:36","modified_gmt":"2017-03-20T15:45:36","slug":"a-sociedade-tolera-nao-respeita-diz-professora-que-luta-contra-lesbofobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/03\/20\/a-sociedade-tolera-nao-respeita-diz-professora-que-luta-contra-lesbofobia\/","title":{"rendered":"&#8216;A sociedade tolera, n\u00e3o respeita&#8217;, diz professora que luta contra lesbofobia"},"content":{"rendered":"<p>Ser mulher \u00e9 sin\u00f4nimo de luta para a professora\u00a0 \u00c2ngela Chaves. Militante do Grupo de Mulheres L\u00e9sbicas e Bissexuais Maria Quit\u00e9ria desde 2009 e ativista dos direitos das mulheres na Para\u00edba h\u00e1 cerca de 20 anos, ela conhece a realidade de quem sofre preconceito diariamente e sabe bem a dificuldade que \u00e9 combater \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. A professora compreende que a estrada ainda \u00e9 longa e tortuosa, e por isso, acredita que o melhor caminho \u00e9 a uni\u00e3o entre as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cAs primeiras a serem penalizadas s\u00e3o sempre as mulheres e em v\u00e1rios setores da vida. \u00c9 por isso que estamos sempre na luta. Independente de orienta\u00e7\u00e3o sexual, somos todas mulheres e somos todas discriminadas, por isso, precisamos nos unir, como mulheres que somos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u00c2ngela Chaves come\u00e7ou a militar em 1998, quando fez parte do movimento internacional Marcha Mundial das Mulheres. Depois passou a se dedicar \u00e0 luta do movimento de mulheres l\u00e9sbicas e integrar o grupo Maria Quit\u00e9ria. Al\u00e9m disso, foi por seis anos coordenadora do Centro de Refer\u00eancia dos Direitos LGBT e de Combate \u00e0 Homofobia (Espa\u00e7o LGBT), em Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>Casada h\u00e1 quase dois anos e m\u00e3e de um adolescente de 16 anos e uma jovem de 19,\u00a0 \u00c2ngela conta que sua fam\u00edlia se resume praticamente a estas tr\u00eas pessoas. Isto porque uma grande parte da fam\u00edlia sequer fala com ela, devido \u00e0 sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e tamb\u00e9m \u00e0 milit\u00e2ncia, algo que a professora diz n\u00e3o fazer diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNa minha vida, a quest\u00e3o de ser l\u00e9sbica sempre afetou. Por exemplo, pouqu\u00edssimas pessoas da minha fam\u00edlia falam comigo, ent\u00e3o eu n\u00e3o fa\u00e7o quest\u00e3o, s\u00f3 com aqueles que falam comigo. Eu tenho primas que me respeitam, que acham que eu dei minha cara para bater, n\u00e3o s\u00f3 por ser l\u00e9sbica, mas por ser mulher e feminista. Eu defendo v\u00e1rias pautas e isso afetou a minha fam\u00edlia, que \u00e9 muito tradicional e fundamentalista. Mas eu n\u00e3o quis segui-los porque minha luta \u00e9 pelo coletivo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com 53 anos de idade, este \u00e9 o segundo casamento da professora\u00a0 \u00c2ngela Chaves com uma mulher. O anterior durou sete anos de uni\u00e3o. Entretanto, este \u00e9 o primeiro celebrado em cart\u00f3rio.<\/p>\n<p>A uni\u00e3o homoafetiva \u00e9 poss\u00edvel no Brasil desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a equipara\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o homossexual \u00e0 heterossexual. E dois anos depois, em 2013, por meio da resolu\u00e7\u00e3o 175, o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), decidiu que cart\u00f3rios de todo o pa\u00eds n\u00e3o poderiam se recusar a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>\u201cDesta vez colocamos no papel porque pod\u00edamos casar e j\u00e1 que lutamos tanto por este direito, resolvemos fazer. Eu acho que hoje, apesar de termos uma conjuntura dif\u00edcil, de preconceito, de \u00f3dio, \u00e9 mais f\u00e1cil viver. Mas ainda tem muito pelo que lutar. Eu vejo que a sociedade tolera apenas, n\u00e3o respeita a gente e n\u00e3o aceita. Ela tolera as mulheres l\u00e9sbicas, assim como os homens gays. Ainda \u00e9 pior para as mulheres travestis e as transexuais, que sofrem muito mais do que a gente\u201d, disparou.<\/p>\n<p><strong>Visibilidade l\u00e9sbica e combate a lesbofobia<\/strong><br \/>\nUma das principais bandeiras do Grupo Maria Quit\u00e9ria \u00e9 o combate \u00e0 lesbofobia, um termo que define o preconceito direcionado \u00e0s mulheres l\u00e9sbicas e a viol\u00eancia espec\u00edfica sofrida por elas. De acordo com \u00c2ngela, as mulheres l\u00e9sbicas sofrem as mesmas dificuldades que a mulher heterossexual, com um adicional: o preconceito por causa da orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma mulher se diz l\u00e9sbica, todo mundo olha diferente para ela, como se fosse de outro planeta. Isto interfere em suas vidas. Quantas mulheres jovens l\u00e9sbicas n\u00e3o pensaram em se matar quando se descobriram? Elas sabem que v\u00e3o enfrentar uma grande dificuldade na sociedade e na fam\u00edlia. A primeira coisa que a gente pensa \u00e9 na fam\u00edlia, se vai nos aceitar ou n\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u00c2ngela ainda lembrou que muitos casos de viol\u00eancia contra l\u00e9sbicas s\u00e3o de viol\u00eancia sexual, a exemplo dos chamados \u201cestupros corretivos\u201d, que seguem uma l\u00f3gica na qual o homem tem autoridade sobre o corpo da mulher para cur\u00e1-la da lesbianidade. Segundo disse a ativista, em algumas situa\u00e7\u00f5es mais graves, o estupro corretivo acabou se tornando estupro coletivo: \u201cEste \u00e9 um fato muito triste. Na cabe\u00e7a de quem faz, isto vai fazer com que a mulher \u2018volte a ser h\u00e9tero\u2019. Uma coisa que n\u00e3o acontece\u201d.<\/p>\n<p>Uma das formas de lutar contra este e outros tipos de viol\u00eancia por parte do movimento, \u00e9 no combate ao estere\u00f3tipo, que envolve a quebra de padr\u00f5es e a busca pelo o que o segmento denomina visibilidade l\u00e9sbica. Inclusive, desde o ano de 1996, existe o Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica, comemorado em 29 de agosto, e tem por objetivo o combate ao preconceito destinado ao grupo.<\/p>\n<p>Para isso, existe um engajamento do movimento com \u00f3rg\u00e3os do setor p\u00fablico, como conselhos municipais e estaduais de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o grupo Maria Quit\u00e9ria participa de atos, protestos, e ainda tem parcerias com o N\u00facleo de Extens\u00e3o Popular (NEP) da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB).<\/p>\n<p>\u201cSomos convidadas muitas vezes para dar forma\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Mas \u00e9 preciso mais do que isso. Precisamos desenvolver pol\u00edticas sociais para o nosso p\u00fablico e tamb\u00e9m mudar a mentalidade da sociedade, come\u00e7ando com o pr\u00f3prio segmento. \u00c9 necess\u00e1rio eleger pol\u00edticos comprometidos com a causa, mas o pr\u00f3prio segmento n\u00e3o vota em pessoas LGBTs. Por isso, enquanto eles continuarem votando em pessoas que n\u00e3o lutam pelos nossos direitos, vamos sofrer muito mais e morrer muito mais ainda\u201d, apontou.<\/p>\n<p><strong>Machismo no movimento<\/strong><br \/>\nApesar de toda a luta, h\u00e1 problemas que come\u00e7am dentro do pr\u00f3prio movimento, como o machismo. Algo que \u00c2ngela Chaves j\u00e1 viu de perto e ainda v\u00ea com frequ\u00eancia. Seja nas rela\u00e7\u00f5es entre homens trans e suas namoradas e at\u00e9 mesmo entre as l\u00e9sbicas. O que para o professor de direito da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), Jos\u00e9 Neto, \u00e9 um problema grave e que ainda deve perdurar por muito tempo.<\/p>\n<p>Com uma carreira acad\u00eamica voltada para esta quest\u00e3o, Jos\u00e9 Neto explica que os relatos de machismo no movimento s\u00e3o recorrentes. Isto porque na UEPB, o professor coordena o Grupo de Pesquisa em Diversidade Sexual e Quest\u00f5es de G\u00eanero, no campus de Guarabira. J\u00e1 na UFPB, o professor \u00e9 vice-coordenador do Grupo de Trabalho sobre Diversidade Sexual e G\u00eanero do N\u00facleo de Cidadania e Direitos Humanos (NCDH).<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente presenciei e j\u00e1 ouvi muito falar sobre o machismo no movimento. \u00c9 algo que se explica porque a nossa cultura \u00e9 uma cultura machista. N\u00e3o significa que porque voc\u00ea \u00e9 gay que n\u00e3o vai ser machista. Todos somos machistas. E isto \u00e9 um problema para o movimento. Ainda tem muita coisa para ser desconstru\u00edda e o caminho \u00e9 o do enfrentamento e da educa\u00e7\u00e3o para mostrar os problemas do machismo e da misoginia na nossa sociedade\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; text-decoration-style: initial; text-decoration-color: initial; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">Com G1PB\/Foto:Reprodu\u00e7\u00e3o Google\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; text-decoration-style: initial; text-decoration-color: initial; word-spacing: 0px;\"><strong><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333;\">Leia mais not\u00edcias em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\">caririemacao.com<\/a>, siga nossa p\u00e1gina no<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/\">\u00a0Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. 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