{"id":166072,"date":"2020-04-27T10:55:24","date_gmt":"2020-04-27T13:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=166072"},"modified":"2020-04-27T10:55:24","modified_gmt":"2020-04-27T13:55:24","slug":"coronavirus-mortes-crescem-mais-entre-pessoas-com-menos-de-60-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/04\/27\/coronavirus-mortes-crescem-mais-entre-pessoas-com-menos-de-60-anos\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: mortes crescem mais entre pessoas com menos de 60 anos"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" data-srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/enterro-corona1504.jpg 1024w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/enterro-corona1504-567x378.jpg 567w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/enterro-corona1504-900x600.jpg 900w\" data-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/enterro-corona1504.jpg\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado idosos e pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas s\u00e3o as maiores v\u00edtimas do novo coronav\u00edrus, as mortes de adultos mais jovens ou entre pessoas sem registro de fatores de risco avan\u00e7am no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora representem uma parcela menor, a quantidade de \u00f3bitos pela doen\u00e7a entre homens e mulheres com menos de 60 anos cresceu cerca de 64 vezes em um intervalo de menos de um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo per\u00edodo, as mortes entre aqueles com mais de 60 anos aumentaram aproximadamente em 18 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise foi feita pela reportagem em dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de mar\u00e7o, quando a pasta come\u00e7ou a divulgar um detalhamento das mortes, 89% delas eram de idosos. Em menos de um m\u00eas, o percentual caiu para 72%.<\/p>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o de mar\u00e7o mostrava ainda que 85% das pessoas que tiveram as mortes por Covid-19 analisadas tinham registro de ao menos uma doen\u00e7a pr\u00e9via ou outra condi\u00e7\u00e3o de risco conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima segunda (20), esse n\u00famero chegava a 70%.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, com a troca no comando da pasta, o minist\u00e9rio suspendeu a divulga\u00e7\u00e3o de balan\u00e7os completos com esses dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pela reportagem apontam diferentes fatores para essa mudan\u00e7a no perfil das mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles \u00e9 o fato de que a popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 majoritariamente mais jovem em compara\u00e7\u00e3o a pa\u00edses europeus, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil tem um n\u00facleo majorit\u00e1rio de pessoas que est\u00e3o entre a segunda e a quarta d\u00e9cada de vida. Era natural e esperado que a doen\u00e7a, ao alcan\u00e7ar um patamar de transmiss\u00e3o acelerada, alcan\u00e7asse esse grupo da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz e uma das principais especialistas na linha de frente do combate \u00e0 Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, a epidemia rejuvenesceu no Brasil na medida em que come\u00e7ou a migrar de \u00e1reas mais ricas, onde foram registrados os primeiros casos, tamb\u00e9m para \u00e1reas mais pobres, onde h\u00e1 mais jovens e problemas de assist\u00eancia s\u00e3o mais vis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA doen\u00e7a tem um vetor de crescimento para comunidades menos favorecidas. Nessas \u00e1reas de concentra\u00e7\u00e3o urbana, de muita densidade demogr\u00e1fica, tem muitos jovens\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA doen\u00e7a \u00e9 democr\u00e1tica, no sentido de que atinge qualquer um. Ningu\u00e9m precisa ter diferen\u00e7a de idade para isso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra, por\u00e9m, que o risco de gravidade e complica\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 mais alto em idosos e pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas pr\u00e9vias.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre idosos, as principais s\u00e3o cardiopatia e diabetes. J\u00e1 entre os mais jovens, aparecem asma e obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que explica o fato de haver mortes por coronav\u00edrus em pessoas sem registro desses fatores?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPodemos ter, por exemplo, a ocorr\u00eancia de uma suscetibilidade individual que nunca foi observada\u201d, diz a m\u00e9dica F\u00e1tima Marinho, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de doen\u00e7as autoimunes, ou outras em que h\u00e1 frequentemente atraso no diagn\u00f3stico ou ficam de forma latente, com manifesta\u00e7\u00e3o tardia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE n\u00e3o se sabe como receberiam um v\u00edrus como esse\u201d, afirma Marinho, que lembra que o novo coronav\u00edrus chama a aten\u00e7\u00e3o por causar pneumonias graves e ser mais agressivo em compara\u00e7\u00e3o a outros v\u00edrus respirat\u00f3rios mais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Luciano Goldani, professor de infectologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o aumento de mortes entre mais jovens impressiona.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma hip\u00f3tese s\u00e3o comorbidades escondidas, porque temos uma radiografia maior dos problemas em popula\u00e7\u00e3o mais idosa. Jovens fazem menos exames, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil analisar se s\u00e3o isentos de comorbidades. H\u00e1 tamb\u00e9m quest\u00f5es gen\u00e9ticas que precisam ser estudadas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Leonardo Weissmann coloca como hip\u00f3teses uma suscetibilidade gen\u00e9tica ou mesmo uma maior exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Weissmann tamb\u00e9m menciona o fen\u00f4meno conhecido como tempestade de citocina, ainda pouco explicado, que pode se dar quando o corpo combate agentes infecciosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma poss\u00edvel rea\u00e7\u00e3o a esse quadro leva a uma ativa\u00e7\u00e3o excessiva do sistema imunol\u00f3gico, com fortes consequ\u00eancias para o paciente. \u201cPode atacar v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os e levar \u00e0 morte\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro fator apontado \u00e9 a obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, 56% dos brasileiros est\u00e3o com excesso de peso e 18% s\u00e3o obesos, grupo que tem se mostrado mais vulner\u00e1vel \u00e0 Covid-19, de acordo com M\u00e1rio Carra, da Abeso (associa\u00e7\u00e3o brasileira para estudo da obesidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Para os especialistas ouvidos pela reportagem, \u00e9 preciso considerar ainda a subnotifica\u00e7\u00e3o nos registros gerada pela baixa oferta de testes, o que afeta a an\u00e1lise da mortalidade, e diferen\u00e7as no modelo de registros.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles \u00e9 a possibilidade de falhas no preenchimento dos dados completos sobre comorbidades em alguns munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, de acordo com Marinho, da USP, pode haver casos em que o registro da morte ocorreu como infarto, mas an\u00e1lises posteriores confirmaram tamb\u00e9m uma infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Sars-CoV-2 \u2013sem que isso estivesse inclu\u00eddo na notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre os fatores que levam ao aumento no \u00edndice de mortes em alguns grupos, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, Wanderson Oliveira, apontou a possibilidade de que a ocorr\u00eancia de mortes em pessoas sem fator de risco conhecido esteja ligada a uma poss\u00edvel coinfec\u00e7\u00e3o por outros v\u00edrus respirat\u00f3rios. A hip\u00f3tese, por\u00e9m, ainda precisaria ser confirmada.<\/p>\n\n\n\n<p>No Recife, um caso que chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a morte de um beb\u00ea de sete meses, faixa et\u00e1ria que inicialmente estaria fora de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a, no entanto, tinha uma cardiopatia grave, o que pode ter agravado o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO v\u00edrus parece poupar em maioria as crian\u00e7as sem comorbidades, e \u00e9 muito raro ter mortes nessa faixa et\u00e1ria. No adulto jovem o risco individual \u00e9 menor, mas ele existe.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que, quanto maior o n\u00famero de casos, mais vamos vendo escapes \u00e0 regra\u201d, afirma o secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade do Recife, Jailson Correia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados divulgados pelos estados tamb\u00e9m indicam especificidades locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, 75,8% das mortes ocorreram entre idosos, segundo dados do governo estadual. J\u00e1 no Rio Grande do Sul, esse \u00edndice \u00e9 de 83% \u2013acima da m\u00e9dia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A pir\u00e2mide et\u00e1ria do estado fornece algumas explica\u00e7\u00f5es. \u201cA popula\u00e7\u00e3o idosa do Rio Grande do Sul \u00e9 proporcionalmente a maior do pa\u00eds, um perfil parecido com o da It\u00e1lia\u201d, diz Goldani, da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa dessa semelhan\u00e7a, afirma, houve um receio de que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds se repetisse, o que fez o estado ser um dos primeiros a implementar uma pol\u00edtica de distanciamento mais r\u00edgida.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo foi feito em outras regi\u00f5es \u2013que, no entanto, avaliam agora uma flexibiliza\u00e7\u00e3o, em meio a press\u00e3o do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Margareth Dalcolmo, o aumento de mortes entre pessoas mais jovens mostra riscos em alterar a pol\u00edtica de isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe flexibilizarmos agora, em um momento em que a epidemia est\u00e1 em franca ascens\u00e3o, vamos pagar um pre\u00e7o humanit\u00e1rio de mortes evit\u00e1veis.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se por um lado idosos e pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas s\u00e3o as maiores v\u00edtimas do novo coronav\u00edrus, as mortes de adultos mais jovens ou entre&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-166072","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166072"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166072\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":166073,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166072\/revisions\/166073"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}