{"id":170019,"date":"2020-05-18T06:48:27","date_gmt":"2020-05-18T09:48:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=170019"},"modified":"2020-05-18T06:48:27","modified_gmt":"2020-05-18T09:48:27","slug":"lgbtis-vivem-acirramento-de-violencia-familiar-em-isolamento-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/05\/18\/lgbtis-vivem-acirramento-de-violencia-familiar-em-isolamento-social\/","title":{"rendered":"LGBTIs vivem acirramento de viol\u00eancia familiar em isolamento social"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>Acrise global causada pelo novo coronav\u00edrus \u201cest\u00e1 exacerbando as dificuldades da popula\u00e7\u00e3o LGBTI\u201d, reconheceu a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em um comunicado divulgado em abril.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONU explicou na \u00e9poca que essa minoria \u201cmuitas vezes encontra discrimina\u00e7\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o ao buscar servi\u00e7os de sa\u00fade, e \u00e9 mais vulner\u00e1vel \u00e0 viol\u00eancia e outras viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No Dia Internacional de Combate \u00e0 LGBTfobia, comemorado hoje (17), LGBTIs ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil que trabalham no acolhimento a essa popula\u00e7\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o para o cruzamento dessa forma de discrimina\u00e7\u00e3o com as dificuldades enfrentadas por todos diante da maior pandemia das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Gestora de uma rede de apoio emocional que j\u00e1 realizou mais de 100 atendimentos a LGBTIs no Rio de Janeiro, a vice-presidente do Grupo Arco-\u00cdris, Marcelle Esteves, ouve diariamente os desabafos de pessoas que perderam seu sustento com a crise, tiveram que se confinar em lares em que n\u00e3o s\u00e3o aceitas e sofrem viol\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas por parte das pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente atende os mais variados p\u00fablicos. Desde aquele indiv\u00edduo que \u00e9 estudante e mora com os pais at\u00e9 aquele que j\u00e1 tem o seu escrit\u00f3rio e nesse momento perde o seu sustento e fica ref\u00e9m dos familiares. E qual escolha ele tem? Volta para a fam\u00edlia? Vai para a rua?\u201d, lamenta s psic\u00f3loga, que atende com frequ\u00eancia casos de depress\u00e3o. \u201cA autonomia financeira \u00e9 primordial. Sem ela, voc\u00ea fica sem o seu direito de escolha, fica ref\u00e9m do outro, e muitos acabam ref\u00e9ns de suas pr\u00f3prias fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa internacional realizada com 3,5 mil homens gays, bissexuais e transexuais pelo aplicativo de relacionamentos Hornet confirma a percep\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga. Segundo noticiado pela Funda\u00e7\u00e3o Thomson Reuters, na ter\u00e7a-feira (12), 30% dos entrevistados responderam que n\u00e3o se sentem seguros em casa durante o isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelle destaca, entretanto, que a viol\u00eancia \u00e9 ainda mais severa contra a popula\u00e7\u00e3o transexual, que tem sua identidade negada por familiares. \u201cTenho jovens em atendimento que preferem ir para a rua e correr o risco de se contaminar, porque n\u00e3o est\u00e3o suportando ficar nas suas casas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a LGBTfobia j\u00e1 tenha sido declarada crime pelo Supremo Tribunal Federal (STF), muitas v\u00edtimas relatam dificuldades em denunciar familiares pr\u00f3ximos, como pais e m\u00e3es, e se veem sem ter onde buscar abrigo ap\u00f3s uma den\u00fancia, conta Marcelle, que muitas vezes tenta aconselhar as v\u00edtimas a buscar amigos. \u201c\u00c9 importante que essa pessoa rompa com esse c\u00edrculo de viol\u00eancia, se n\u00e3o ela pode acabar sendo morta\u201d.<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/violencia_crianca_marcello_casal_jr-567x339.jpg\" alt=\"Foto: Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil\" data-srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/violencia_crianca_marcello_casal_jr-567x339.jpg 567w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/violencia_crianca_marcello_casal_jr-900x538.jpg 900w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/violencia_crianca_marcello_casal_jr.jpg 1170w\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 567px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 567\/339;\"><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do acolhimento e aconselhamento de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, o Grupo Arco-\u00cdris tem reunido doa\u00e7\u00f5es para atender com cestas b\u00e1sicas a um cadastro de 3 mil LGBTIs em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que o isolamento social come\u00e7ou, Marcelle conta que os pedidos de ajuda para ter o que comer n\u00e3o pararam de chegar. Entre as situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis est\u00e1 a de parte da popula\u00e7\u00e3o trans que, exclu\u00edda do mercado de trabalho, depende da prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro, o trabalho desenvolvido para a inclus\u00e3o de pessoas trans no mercado de trabalho se tornou \u201cquase imposs\u00edvel\u201d, lamenta o coordenador, N\u00e9lio Giorgini. Com o pai internado em uma unidade de terapia intensiva h\u00e1 14 dias, com covid-19, N\u00e9lio conta que vive desde mar\u00e7o o per\u00edodo de trabalho mais intenso desde 2017, quando assumiu o cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que tem vindo at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o relatos desesperadores\u201d, desabafa. \u201cS\u00e3o pessoas que est\u00e3o passando fome, pessoas que precisam de abrigo\u201d, diz ele, que n\u00e3o deixa de comemorar vit\u00f3rias pontuais, como a contrata\u00e7\u00e3o recente de um jovem trans por uma rede de hipermercados.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadoria tem ajudado na distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, confeccionou m\u00e1scaras e trabalha em busca de vagas em abrigos municipais para pessoas LGBTIs desabrigadas e em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, est\u00e3o previstas reuni\u00f5es com a iniciativa privada para buscar apoio e emprego para essa popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da ajuda a iniciativas como a Casa Nem, que abriga pessoas trans em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no Rio de Janeiro. O abrigo \u00e9 mantido por doa\u00e7\u00f5es e a mobiliza\u00e7\u00e3o de ativistas criou um financiamento coletivo para receber ajuda no per\u00edodo da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundador da Casa 1, lar de acolhimento para a popula\u00e7\u00e3o LGBTI na capital paulista, Iran Giusti percebeu com a crise, um retorno de ex-moradores que j\u00e1 haviam se estabelecido fora do acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAumentou significativamente por conta das demiss\u00f5es. Como, em geral, esses jovens t\u00eam uma baixa escolaridade, os trabalhos em que atuavam eram essencialmente os de servi\u00e7os que deixaram seus funcion\u00e1rios completamente desamparados\u201d, conta Giusti, que t\u00eam ajudado essas pessoas com quest\u00f5es como a obten\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial. \u201cComo os jovens que j\u00e1 estavam acolhidos e acolhidas entraram em confinamento, infelizmente, n\u00e3o conseguimos receber novos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Giusti narra hist\u00f3rias parecidas com a que Marcelle ouve no acolhimento online no Rio de Janeiro. \u201cPercebemos uma mudan\u00e7a no perfil de quem pede ajuda, sendo agora jovens com um perfil de maior independ\u00eancia, que trabalhavam, estudavam e conseguiam conviver relativamente bem com a fam\u00edlia. Com o isolamento, muitas situa\u00e7\u00f5es ficaram insustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grupo de especialistas em direitos humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas emitiu um comunicado conjunto no \u00faltimo dia 14 em que pede aten\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u00e0 sa\u00fade e \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o LGBTI no contexto da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento destaca em um trecho que, \u201cao ficar em casa, crian\u00e7as, adolescentes e adultos LGBTI se veem obrigados a suportar uma exposi\u00e7\u00e3o prolongada a membros da fam\u00edlia que podem n\u00e3o aceit\u00e1-los, o que aumenta as taxas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, agress\u00f5es f\u00edsicas e emocionais, assim como danos \u00e0 sa\u00fade mental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No comunicado publicado em abril, a ONU j\u00e1 havia chamado aten\u00e7\u00e3o para uma tend\u00eancia de acirramento de problemas sociais. \u201cA covid-19 est\u00e1 criando um c\u00edrculo vicioso em que altos n\u00edveis de desigualdade alimentam sua dissemina\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, aprofunda as desigualdades\u201d, dizia um trecho do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos (MMFDH) lan\u00e7ou em abril uma cartilha sobre preven\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus voltada especificamente para a popula\u00e7\u00e3o LGBTI.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto afirma que \u201cL\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transg\u00eaneros est\u00e3o expostos ao novo coronav\u00edrus da mesma forma que o resto da popula\u00e7\u00e3o. Ainda assim, muitas dessas pessoas vivem num contexto de extrema vulnerabilidade social, o que pode influenciar no acesso a direitos como a sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das recomenda\u00e7\u00f5es gerais de higiene e distanciamento social, a cartilha recomenda quest\u00f5es espec\u00edficas, como a aten\u00e7\u00e3o ao cancelamento de cirurgias eletivas, citando as do processo transexualizador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acrise global causada pelo novo coronav\u00edrus \u201cest\u00e1 exacerbando as dificuldades da popula\u00e7\u00e3o LGBTI\u201d, reconheceu a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em um comunicado divulgado em&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":164335,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-170019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170019"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":170021,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170019\/revisions\/170021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/164335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}