{"id":17068,"date":"2017-04-03T15:23:59","date_gmt":"2017-04-03T18:23:59","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=17068"},"modified":"2017-04-03T15:23:59","modified_gmt":"2017-04-03T18:23:59","slug":"medicos-acreditam-que-cura-do-hiv-vira-ate-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/04\/03\/medicos-acreditam-que-cura-do-hiv-vira-ate-2020\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos acreditam que cura do HIV vir\u00e1 at\u00e9 2020"},"content":{"rendered":"<p>Parcela significativa da comunidade m\u00e9dica mundial n\u00e3o tem d\u00favida: a cura para o HIV \u00e9 poss\u00edvel e vir\u00e1 dentro de poucos anos. O que, no auge da epidemia, sequer era discutido, hoje \u00e9 encarado como meta.<\/p>\n<p>\u2014 Se me perguntassem tr\u00eas anos atr\u00e1s se o HIV tem cura, minha resposta seria n\u00e3o. Hoje, \u00e9 sim \u2014 disse, na \u00faltima quarta-feira, durante uma confer\u00eancia sobre o tema em S\u00e3o Paulo, Mario Stevenson, chefe da Divis\u00e3o de Doen\u00e7as Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de opini\u00e3o parece abrupta, mas ele mal piscou enquanto justificava a nova posi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Surgiram tantos estudos nesses \u00faltimos anos, e todos t\u00e3o bem embasados e promissores, que \u00e9 dif\u00edcil, como m\u00e9dico, n\u00e3o enxergar um caminho para a cura \u2014 ressaltou ele, que \u00e9 virologista molecular e trabalha com HIV\/Aids h\u00e1 mais de 25 anos.<\/p>\n<p>Stevenson foi um dos palestrantes do encontro promovido na \u00faltima semana pela amfAR, a Funda\u00e7\u00e3o para Pesquisa da Aids, na Escola da Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Nessa confer\u00eancia, foi reafirmado o compromisso da funda\u00e7\u00e3o com a iniciativa batizada em 2015 de \u201cContagem Regressiva\u201d, que estipula o ano de 2020 como o prazo para a descoberta de uma cura para o HIV. N\u00e3o significa que a popula\u00e7\u00e3o que vive com o v\u00edrus come\u00e7ar\u00e1 a ser curada nessa data, mas sim que um m\u00e9todo cient\u00edfico de cura dever\u00e1 ser encontrado e validado.<\/p>\n<p><strong>RESERVAT\u00d3RIOS VIRAIS S\u00c3O A CHAVE<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a funda\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a maior ag\u00eancia sem fins lucrativos de fomento \u00e0 pesquisa sobre esse tema no mundo, a \u201cm\u00e1gica\u201d para chegar \u00e0 cura \u00e9 encontrar um meio eficiente de eliminar o que s\u00e3o conhecidos como reservat\u00f3rios virais. Quando o indiv\u00edduo infectado com HIV se trata, tomando os medicamentos antirretrovirais, o v\u00edrus n\u00e3o some do corpo, mas fica latente, \u201cadormecido\u201d dentro de algumas c\u00e9lulas. Nos muitos casos em que o tratamento \u00e9 bem-sucedido, a carga viral se torna indetect\u00e1vel. Isso \u00e9 \u00f3timo para o paciente, que, apesar de ter que tomar esses rem\u00e9dios durante toda a vida, n\u00e3o ir\u00e1 sofrer com os efeitos f\u00edsicos da Aids. No entanto, \u00e9 ruim para os esfor\u00e7os que buscam eliminar completamente o v\u00edrus do corpo.<\/p>\n<p>PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Isso se explica pelo fato de que, com o HIV indetect\u00e1vel no organismo, os pesquisadores n\u00e3o conseguem saber onde est\u00e3o as c\u00e9lulas infectadas. Os reservat\u00f3rios virais ficam, ent\u00e3o, invis\u00edveis. E identific\u00e1-los \u00e9 o primeiro de quatro passos para acabar com o HIV. O segundo \u00e9 entender, cientificamente, o que mant\u00e9m esses reservat\u00f3rios vivos. Depois, mensurar quantas e quais c\u00e9lulas est\u00e3o neles. E, por fim, retirar todas elas do corpo.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o imediata de quem se depara com esse passo a passo \u00e9 pensar que a teoria \u00e9 bem mais simples do que a pr\u00e1tica. \u00c9 verdade, mas essa \u201crota\u201d j\u00e1 teve \u00eaxito uma vez, resultando na \u00fanica pessoa com HIV que foi curada at\u00e9 hoje: Timothy Ray Brown, mais conhecido como \u201co paciente de Berlim\u201d. Ele, que \u00e9 americano, foi infectado em 1995 e, em 2006, descobriu estar com leucemia. Brown come\u00e7ou, ent\u00e3o, a se tratar em um hospital ligado a uma universidade de Berlim, e seu m\u00e9dico, o hematologista Gero Huetter, fez nele um transplante de medula \u00f3ssea de um doador que possu\u00eda uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica capaz de tornar seu organismo imune ao HIV. Tratava-se de uma rar\u00edssima muta\u00e7\u00e3o no gene CCR5. Desde ent\u00e3o, o paciente n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 curado do c\u00e2ncer, como tamb\u00e9m n\u00e3o toma antirretrovirais e n\u00e3o tem vest\u00edgio de HIV.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, por que n\u00e3o usar o transplante de medula \u00f3ssea para curar quem \u00e9 soropositivo?<\/p>\n<p>\u2014 Essa cirurgia tem taxa de mortalidade de 25%, os custos s\u00e3o muito altos e \u00e9 extremamente dif\u00edcil conseguir um doador compat\u00edvel com o paciente que tenha tamb\u00e9m a muta\u00e7\u00e3o no gene CCR5 \u2014 responde Mario Stevenson.<\/p>\n<p>Ainda assim, o caso do \u201cpaciente de Berlim\u201d melhorou muito a compreens\u00e3o de como funciona o HIV e de como se poderia reproduzir esse resultado sem passar pelos riscos de um transplante. Ali\u00e1s, uma pesquisa colaborativa na Europa busca reproduzir o caso de Brown, debru\u00e7ando-se sobre c\u00e9lulas-tronco.<\/p>\n<p>Outra iniciativa, de um grupo de pesquisadores da Austr\u00e1lia, envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de drogas antic\u00e2ncer em pacientes soropositivos, estudo que j\u00e1 se encontra em fase de testes em humanos. Existe tamb\u00e9m um grupo de pesquisa que re\u00fane cientistas de Estados Unidos, Dinamarca e Alemanha que est\u00e1 combinando anticorpos como uma droga. Juntas, essas subst\u00e2ncias tiram o v\u00edrus do seu estado de lat\u00eancia \u2014 \u00e9 como se \u201cacordassem\u201d o HIV, que fica adormecido por conta do rem\u00e9dios antirretrovirais, e o obrigasse a sair de seu esconderijo na c\u00e9lula. Essa pesquisa est\u00e1, atualmente, em testes cl\u00ednicos. Em outro estudo, tamb\u00e9m abordando anticorpos, foram realizados testes em quatro macacos infectados. Os animais receberam inje\u00e7\u00f5es de anticorpos que for\u00e7am o v\u00edrus a se manifestar e, em paralelo, s\u00e3o eliminados. Um desses macacos foi curado. O estudo, no entanto, s\u00f3 deve ser publicado em revista cient\u00edfica daqui a pelo menos um m\u00eas.<\/p>\n<p>Esper Kall\u00e1s, professor de Imunologia Cl\u00ednica da USP, pondera que 2020 est\u00e1 perto demais para garantir uma cura comprovada e vi\u00e1vel at\u00e9 l\u00e1, mas garante que ela est\u00e1 a caminho.<\/p>\n<p>\u2014 Eu acredito que ainda vou estar vivo para ver essa cura. Estamos muito mais pr\u00f3ximos do que jamais estivemos \u2014 defendeu ele, que participa de um estudo liderado pela Universidade George Washington, nos EUA, chamado \u201cProjeto Believe\u201d, com a inten\u00e7\u00e3o de usar agentes de imunoterapia para eliminar reservat\u00f3rios virais.<\/p>\n<p><strong>PUBLICIDADE<\/strong><\/p>\n<p>O que Kall\u00e1s mais teme, no entanto, \u00e9 que os cortes de verbas para pesquisa que t\u00eam ocorrido no Brasil e em outras partes do mundo virem um entrave para esses avan\u00e7os.<\/p>\n<p>Hoje, existem 44 milh\u00f5es de pessoas com HIV no mundo, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). No \u00faltimo relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foram contabilizados no Brasil 842 mil infectados. No entanto, estima-se que sejam, na verdade, mais de 1,2 milh\u00e3o, por conta de problemas de testagem.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Com O Globo\/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\">caririemacao.com<\/a>, siga nossa p\u00e1gina no<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/\">\u00a0Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0veja nossas mat\u00e9rias e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162 ou (83) 9 994189.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parcela significativa da comunidade m\u00e9dica mundial n\u00e3o tem d\u00favida: a cura para o HIV \u00e9 poss\u00edvel e vir\u00e1 dentro de poucos anos. 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