{"id":176494,"date":"2020-06-30T07:03:10","date_gmt":"2020-06-30T10:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=176494"},"modified":"2020-06-30T07:03:10","modified_gmt":"2020-06-30T10:03:10","slug":"caixas-misteriosas-voltam-a-aparecer-em-praias-de-ipojuca-no-litoral-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/06\/30\/caixas-misteriosas-voltam-a-aparecer-em-praias-de-ipojuca-no-litoral-do-nordeste\/","title":{"rendered":"Caixas misteriosas voltam a aparecer em praias de Ipojuca, no litoral do Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>&#8220;Caixas misteriosas&#8221; voltaram a aparecer nas praias de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. Segundo a prefeitura, 14 fardos &#8220;do mesmo tipo do material localizado em 2018&#8221; foram localizados entre a semana passada e esta segunda (29). O professor Clemente Coelho J\u00fanior, da Universidade de Pernambuco (UPE), informou que eles chegaram com a corrente sul equatorial, a mesma que transportou as manchas de \u00f3leo, em setembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros fardos apareceram no litoral pernambucano em outubro de 2018. Eram cerca de 40 unidades, segundo o munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>A prefeitura informou, nesta segunda (29), que, na \u00e9poca, a investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal (PF) apontou que se tratava de l\u00e1tex natural. Seria uma mat\u00e9ria-prima utilizada na ind\u00fastria da borracha, especialmente na produ\u00e7\u00e3o de pneus e luvas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do novo aparecimento das caixas, o professor Clemente J\u00fanior, do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da UPE, disse que a chegada do inverno agitou a correnteza e provocou o retorno dos fardos. Segundo ele, o material foi observado nas praias de Cupe e Muro Alto.<\/p>\n\n\n\n<p>As caixas parecem compactas, feitas de um tipo de tecido, com cerca de 1metro c\u00fabico. Segundo Clemente, o &#8220;tecido viscoso molhado&#8221;, na verdade, \u00e9 borracha, l\u00e1tex extra\u00eddo de seringueiras. O material foi visto, tamb\u00e9m neste ano, em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o prensados de l\u00e1tex que servem como mat\u00e9ria prima na fabrica\u00e7\u00e3o de pneus, preservativos, luvas, botas e materiais emborrachados. Uma borracha que passa por um processo industrial&#8221;, explicou Clemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor, o material \u00e9 tratado com compostos que podem ser nocivos. Por isso, existe a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o mexam nos fardos e comuniquem ao \u00f3rg\u00e3o ambiental devido para que sejam retirados da areia. O material pode ser levado para um aterro sanit\u00e1rio ou ser reutilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses fardos come\u00e7aram a aparecer em setembro de 2018 em Alagoas, mas se espalhou pelo Nordeste. Veio com a corrente sul equatorial, a mesma que trouxe as manchas de \u00f3leo em setembro de 2019. Eles j\u00e1 foram encontrados no Piau\u00ed e no Rio Grande do Norte&#8221;, contou o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Clemente, a chegada do inverno tem forte influ\u00eancia no novo aparecimento dos fardos. &#8220;Eles v\u00eam com correntes e est\u00e3o surgindo agora por causa de uma agita\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do inverno. S\u00e3o ventos mais fortes e correnteza. Esse material estava no fundo do oceano e voltou a ser &#8216;cuspido'&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Prefeitura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de nota, a prefeitura de Ipojuca disse que se trata de um crime ambiental. Ainda de acordo com a administra\u00e7\u00e3o municipal, o laudo da PF &#8220;sugere que o material descartado seja oriundo do Sudeste asi\u00e1tico em dire\u00e7\u00e3o ao canal do Panam\u00e1 e portos dos Estados Unidos, j\u00e1 que os principais pa\u00edses produtores deste material s\u00e3o a Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A prefeitura informou, ainda, que &#8220;apesar das evid\u00eancias, desde 2018, entende que as investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7aram e as caixas voltaram a aparecer sem nenhum tipo de marca que auxilie na origem da carga&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do surgimento das novas unidades, a prefeitura informou ter enviado um comunicado sobre \u00e0 Marinha, \u00e0 Capitania dos Portos e \u00e0 Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ag\u00eancia do Meio Ambiente do da cidade informou que &#8220;realiza monitoramento di\u00e1rio e pede refor\u00e7o das autoridades neste monitoramento para al\u00e9m dos limites do munic\u00edpio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a prefeitura, o &#8220;descarte do material, conforme a orienta\u00e7\u00e3o da per\u00edcia criminal e ambiental da PF, poder\u00e1 ser feito tanto em aterros sanit\u00e1rios como tamb\u00e9m em empresas consumidoras de borracha natural para reutiliza\u00e7\u00e3o do produto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O G1 entrou em contato com a Ag\u00eancia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e n\u00e3o recebeu retorno at\u00e9 a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Natureza dos fardos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2018, a Diretoria de Controle de Fontes Poluidoras, CPRH, investigou a possibilidade dos fardos serem equipamentos usados para amenizar o impacto de navios ao atracar em portos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), conclu\u00edram que os pacotes eram provenientes de um navio alem\u00e3o que naufragou no litoral nordestino em 1944.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta ocorreu durante pesquisas para tentar identificar a origem das manchas de \u00f3leo que surgiram no litoral do Nordeste. O navio naufragou entre 1\u00ba e 4 de janeiro de 1944, mas s\u00f3 foi descoberto mais de 50 anos depois, em 1996, a cerca de mil quil\u00f4metros do litoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Caixas misteriosas&#8221; voltaram a aparecer nas praias de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. 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