{"id":177018,"date":"2020-07-02T18:05:23","date_gmt":"2020-07-02T21:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=177018"},"modified":"2020-07-02T18:05:23","modified_gmt":"2020-07-02T21:05:23","slug":"brasil-tem-mais-de-103-mil-casos-de-covid-entre-indigenas-dizem-entidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/07\/02\/brasil-tem-mais-de-103-mil-casos-de-covid-entre-indigenas-dizem-entidades\/","title":{"rendered":"Brasil tem mais de 10,3 mil casos de Covid entre ind\u00edgenas, dizem entidades"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil chegou a 10,3 mil ind\u00edgenas com confirma\u00e7\u00e3o para o\u00a0Sars CoV-2, segundo dados desta quinta-feira (2) contabilizados pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib). A Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apresenta um n\u00famero menor de casos: 6,8 mil, contabilizado at\u00e9 esta quarta-feira (1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>As mortes devido \u00e0 Covid-19 tamb\u00e9m apresentam uma diverg\u00eancia entre os dados da sociedade civil e do governo. Pela comiss\u00e3o da Apib, que conta com entidades ligadas \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, o n\u00famero \u00e9 de 408 mortos. Eles dizem terem sido informados de 251 \u00f3bitos pela Sesai, mas no site da secretaria do minist\u00e9rio consta o n\u00famero 158.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/FTQqXiXsO2B7ThsMknGolgDLC7M=\/0x0:1240x2864\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/8\/X\/JKBzoySD6ZOX6fBgFd3w\/vbaud-mortes-por-covid-19-em-povos-ind-genas.png\" alt=\"Mortes por Covid-19 em povos ind\u00edgenas \u2014 Foto: G1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mortes por Covid-19 em povos ind\u00edgenas \u2014 Foto: G1<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz o governo<\/h2>\n\n\n\n<p>Em \u00fanica\u00a0coletiva a respeito da sa\u00fade ind\u00edgena\u00a0e Covid-19, o governo federal diz que a Sesai monitora cerca de 750 mil aldeados, mas que s\u00e3o 1 milh\u00e3o de ind\u00edgenas no pa\u00eds, ou seja, 250 mil vivem em \u00e1reas urbanas. Segundo a secret\u00e1ria-executiva do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, Tatiana Alvarenga, os ind\u00edgenas fora das aldeias &#8220;n\u00e3o deixaram de ser cobertos pelas a\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Xavier, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, disse no in\u00edcio de junho que foi feito um investimento de R$ 20,7 milh\u00f5es de recursos emergenciais em a\u00e7\u00f5es de combate ao novo coronav\u00edrus. Entre as medidas, ele fala da entrega de cestas b\u00e1sicas e a implementa\u00e7\u00e3o de barreiras sanit\u00e1rias contra a entrada nas terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Robson Santos, secret\u00e1rio da Sesai, diz que o \u00f3rg\u00e3o tem como base os Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas, compostos por postos de sa\u00fade dentro das aldeias ind\u00edgenas. &#8220;A Sesai presta aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria dentro das terras ind\u00edgenas&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que dizem as entidades<\/h2>\n\n\n\n<p>A Apib tem o Comit\u00ea Nacional pela Vida e Mem\u00f3ria dos Povos Ind\u00edgenas, formado por organiza\u00e7\u00f5es ligadas diretamente \u00e0s aldeias e ativistas de prote\u00e7\u00e3o aos \u00edndios. Os n\u00fameros de casos e mortes por Covid-19 apresentados s\u00e3o maiores porque incluem povos territ\u00f3rios tradicionais em \u00e1reas urbanas e rurais, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo as entidades, a Sesai n\u00e3o tem feito o atendimento e o registros dos ind\u00edgenas infectados em contexto urbano. A Apib diz que &#8220;repudia a medida e exige a revoga\u00e7\u00e3o da medida para que todos os ind\u00edgenas sejam atendidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A comiss\u00e3o dos povos explica que faz uma coleta de dados independente e descentralizada com a ajuda das diversas organiza\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a base da Apib. Dentro desses dados, tamb\u00e9m est\u00e3o somadas as bases da Sesai e das secretarias municipais e estaduais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00fameros crescem<\/h2>\n\n\n\n<p>Independente da base de dados, os n\u00fameros crescem em curva sem plat\u00f4. Em 1\u00ba de junho, a Apib contabilizava\u00a01,8 mil infectados em povos ind\u00edgenas.\u00a0Os n\u00fameros da Sesai estavam em 1,3 mil casos confirmados. Ambos os registros tiveram um acr\u00e9scimo perto de 500% em apenas um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo Xavante foi o mais afetado na \u00faltima semana, de acordo com a Apib. Entre 25 de junho e 2 de julho, foram 31 mortes. O primeiro caso na comunidade foi registrado em 9 de maio, com um crescimento de 158% apenas nos \u00faltimos 7 dias. Nesta quarta-feira (1\u00ba),\u00a0o G1 Mato Grosso noticiou que tr\u00eas \u00edndios da etnia morreram em decorr\u00eancia da Covid-19, em Barra do Gar\u00e7as, a 516 km de Cuiab\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Condisi), Clar\u00eancio Urepariwe, explicou que, na cultura Xavante, a fam\u00edlia evita divulgar imagens dos mortos para que n\u00e3o fiquem lembran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando algu\u00e9m falece todos os seus objetos s\u00e3o queimados para evitar a lembran\u00e7a e a saudade. Acreditamos que o falecido n\u00e3o pertence mais no mundo vis\u00edvel e materialidade\u201d, explicou.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>5 povos com o maior n\u00famero de infectados:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Guajajara &#8211; 513<\/li><li>Xikrin do Catet\u00e9 &#8211; 259<\/li><li>Guarani Mbya &#8211; 218<\/li><li>Bar\u00e9 &#8211; 185<\/li><li>Tiriy\u00f3\/Kayuana &#8211; 168<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5 vezes pior que a popula\u00e7\u00e3o branca<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do que dizem os n\u00fameros de governo e entidades, um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelou que a\u00a0preval\u00eancia do coronav\u00edrus Sars-Cov-2 entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena urbana (5,4%)\u00a0\u00e9 cinco vezes \u00e0 encontrada na popula\u00e7\u00e3o branca (1,1%).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo divulgado nesta quinta-feira avaliou apenas moradores de cidades brasileiras e n\u00e3o entrevistou ind\u00edgenas que vivem em aldeias. Pretos e pardos tamb\u00e9m apresentaram maior propor\u00e7\u00e3o de testes positivos que brancos, respectivamente 2,5% e 3,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para calcular essa rela\u00e7\u00e3o entre os grupos, a equipe de pesquisadores considerou uma amostra de 89.397 pessoas submetidas a testes sorol\u00f3gicos \u2013 que identificam a presen\u00e7a de anticorpos para a Covid \u2013, entrevistadas durante as tr\u00eas fases do estudo Epicovid19 em 133 cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Preval\u00eancia da Covid em popula\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Cor da pele<\/td><td>Testados<\/td><td>Positivos<\/td><\/tr><tr><td>Branca<\/td><td>32.383<\/td><td>372 (1,1%)<\/td><\/tr><tr><td>Parda<\/td><td>40.088<\/td><td>1.237 (3,1%)<\/td><\/tr><tr><td>Preta<\/td><td>11.304<\/td><td>282 (2,5%)<\/td><\/tr><tr><td>Amarela<\/td><td>2.446<\/td><td>52 (2,1%)<\/td><\/tr><tr><td>Ind\u00edgena<\/td><td>1.217<\/td><td>66 (5,4%)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: UFPEL<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mortes Yanomami<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s01.video.glbimg.com\/x240\/8611440.jpg\" alt=\"Terra ind\u00edgena Yanomami \u00e9 a mais vulner\u00e1vel ao coronav\u00edrus, diz Instituto Socioambiental\" title=\"Terra ind\u00edgena Yanomami \u00e9 a mais vulner\u00e1vel ao coronav\u00edrus, diz Instituto Socioambiental\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>00:00\/01:49<\/p>\n\n\n\n<p>Terra ind\u00edgena Yanomami \u00e9 a mais vulner\u00e1vel ao coronav\u00edrus, diz Instituto Socioambiental<\/p>\n\n\n\n<p>Dois beb\u00eas ind\u00edgenas foram enterrados em Boa Vista sem a autoriza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias.\u00a0As m\u00e3es procuram os corpos e o Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena Yanomami e Ye&#8217;kuana (Condisi-Y) tomou conhecimento dos casos no \u00faltimo s\u00e1bado (27).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o presidente do conselho, J\u00fanior Hekuari Yanomami, os beb\u00eas morreram v\u00edtimas de Covid-19. Eles foram retirados da Terra Yanomami para fazer outros tratamentos, mas foram infectados pelo coronav\u00edrus nas unidades de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Elas est\u00e3o desesperadas, n\u00e3o conseguem falar, choram demais e imploram para encontrar os corpos destas crian\u00e7as, querem conseguir cumprir o ritual de seus povos. Elas querem chorar junto de outros Yanomami, fazer o luto dos ind\u00edgenas mesmo&#8221;, contou J\u00fanior Yanomami ap\u00f3s ter contato com as m\u00e3es.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O MPF afirma que as investiga\u00e7\u00f5es iniciais apontam que tr\u00eas beb\u00eas ind\u00edgenas foram enterrados no Cemit\u00e9rio Campo da Saudade, em Boa Vista. O \u00f3rg\u00e3o disse ainda que acompanha os \u00f3bitos e vai garantir a identifica\u00e7\u00e3o dos corpos e retorno \u00e0 terra ind\u00edgena quando for &#8220;sanitariamente seguro&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil chegou a 10,3 mil ind\u00edgenas com confirma\u00e7\u00e3o para o\u00a0Sars CoV-2, segundo dados desta quinta-feira (2) contabilizados pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177019,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-177018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177018"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177018\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":177020,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177018\/revisions\/177020"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}