{"id":177436,"date":"2020-07-06T06:35:37","date_gmt":"2020-07-06T09:35:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=177436"},"modified":"2020-07-06T09:26:44","modified_gmt":"2020-07-06T12:26:44","slug":"na-busca-de-imunidade-contra-a-covid-anticorpos-deixam-de-ser-foco-e-ciencia-mira-nas-celulas-t","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/07\/06\/na-busca-de-imunidade-contra-a-covid-anticorpos-deixam-de-ser-foco-e-ciencia-mira-nas-celulas-t\/","title":{"rendered":"Na busca de imunidade contra  a Covid, anticorpos deixam de ser foco e ci\u00eancia mira nas c\u00e9lulas T"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Estudos recentes sobre a&nbsp;Covid-19&nbsp;mostram que&nbsp;a doen\u00e7a tem uma peculiaridade&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o a muitas outras j\u00e1 conhecidas. Isso porque&nbsp;o Sars-CoV-2 pode &#8220;enganar&#8221; o organismo, fazendo ativar&nbsp;poucos anticorpos&nbsp;ou&nbsp;mesmo nenhum&nbsp;\u2013 j\u00e1 no caso de uma gripe, por exemplo, o corpo obrigatoriamente passa a produzir essas estruturas de defesa, que ajudam no combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse quadro tem sido notado em&nbsp;pacientes com sintomas leves ou com os ditos assintom\u00e1ticos, o que causou estranheza nos especialistas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Mas, se o organismo n\u00e3o cria anticorpos suficientes para combater o Sars-coV-2, de onde vem a imunidade nesses casos? A resposta para a pergunta pode estar nos linf\u00f3citos T (ou c\u00e9lulas T), que fazem parte do sistema imunol\u00f3gico e s\u00e3o capazes de identificar e destruir c\u00e9lulas infectadas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um estudo do Instituto Karolinksa, na Su\u00e9cia, mostra que&nbsp;pessoas que apresentam resultados negativos em testes&nbsp;de anticorpos contra o coronav\u00edrus&nbsp;podem, ainda assim,&nbsp;ter alguma imunidade&nbsp;ao v\u00edrus. E&nbsp;essa imunidade vem das c\u00e9lulas T.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No caso do coronav\u00edrus, pesquisas apontam que as c\u00e9lulas T conseguem desenvolver suas fun\u00e7\u00f5es mesmo em pessoas que n\u00e3o t\u00eam anticorpos espec\u00edficos para o v\u00edrus \u2013 e tamb\u00e9m em indiv\u00edduos com manifesta\u00e7\u00f5es leves de Covid-19 ou sem sintomas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quem apresentou alta quantidade de c\u00e9lulas T se mostrou mais resistente ao novo coronav\u00edrus, de acordo com o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato ligou um sinal de alerta para os cientistas em rela\u00e7\u00e3o aos testes realizados pela maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial, que rastreiam anticorpos. Talvez esse n\u00e3o seja o melhor m\u00e9todo para verificar se algu\u00e9m est\u00e1 ou n\u00e3o contaminado, dado que h\u00e1 indiv\u00edduos que, apesar de infectados, n\u00e3o t\u00eam anticorpos detect\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Na verdade, o teste de anticorpos [de farm\u00e1cia], quando d\u00e1 negativo, diz que voc\u00ea n\u00e3o tem anticorpos. Ele n\u00e3o diz que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 com o v\u00edrus. Voc\u00ea pode estar com o v\u00edrus ali, naquele momento, mas voc\u00ea ainda n\u00e3o produziu anticorpos, o que pode demorar tr\u00eas semanas, e tem gente que nem produz&#8221;, afirma Natalia Pasternak, microbiologista, pesquisadora do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e presidente do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Com os estudos mais recentes, a gente viu que nem todo mundo produz anticorpos em um n\u00edvel detect\u00e1vel. Ou esses anticorpos s\u00e3o produzidos, mas depois de dois meses eles caem e n\u00e3o conseguem mais detectar no sangue. A\u00ed [para detectar], n\u00e3o \u00e9 nem com teste r\u00e1pido, \u00e9 com o teste sorol\u00f3gico bem feito, em laborat\u00f3rio. Ent\u00e3o, o anticorpo passa a n\u00e3o ser um bom marcador para a gente fazer preval\u00eancia da doen\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o&#8221;, completa a cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa publicada na revista &#8220;Science Immunology&#8221; tamb\u00e9m mostrou que pacientes graves podem produzir rapidamente c\u00e9lulas T no organismo na tentativa de combater o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/u8GOTvxBJ1ltnsGD8CuYziNoH8c=\/0x0:1220x686\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/X\/A\/8p3IwWSZKXljXPEw1Fnw\/covid1.jpg\" alt=\"Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doen\u00e7a t\u00eam n\u00fameros extremamente baixos de uma c\u00e9lula imune chamada c\u00e9lula T \u2014 Foto: Getty Images\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doen\u00e7a t\u00eam n\u00fameros extremamente baixos de uma c\u00e9lula imune chamada c\u00e9lula T \u2014 Foto: Getty Images<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Testes de c\u00e9lula T<\/h2>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, por que n\u00e3o realizar testes de c\u00e9lulas T na popula\u00e7\u00e3o para ter um maior detalhamento das pessoas com poss\u00edvel imunidade ao novo coronav\u00edrus?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Para trabalhar com linf\u00f3cito, voc\u00ea tem de tirar a c\u00e9lula viva e trabalhar com essa c\u00e9lula ainda viva. Os ensaios para voc\u00ea ver a atividade demoram alguns dias, tem todo um processamento de material que \u00e9 demorado, laborioso e muito mais caro&#8221;, explica Adriana Bonomo, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisa sobre o Timo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Natalia Pasternak acrescenta: &#8220;A gente n\u00e3o tem como rastrear isso na popula\u00e7\u00e3o de uma maneira f\u00e1cil e r\u00e1pida como no teste de anticorpo. A gente vai precisar desenvolver novas tecnologias para a gente ver se consegue, talvez, um teste mais r\u00e1pido para a c\u00e9lula T, um teste mais f\u00e1cil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De onde pode ter vindo a imunidade das c\u00e9lulas T?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um recente estudo publicado na revista &#8220;Cell&#8221; apresenta uma hip\u00f3tese de resposta \u00e0 pegunta acima: o fato de pessoa ter superado outros v\u00edrus anteriores da fam\u00edlia coronav\u00edrus pode ter deixado como legado alguma imunidade no corpo.&nbsp;<strong>Esse fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como imunidade cruzada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existem sete tipos de coronav\u00edrus j\u00e1 detectados no mundo<\/strong>, e a alguns deles a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 exposta anualmente em forma de gripe ou alguma outra doen\u00e7a respirat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se um indiv\u00edduo j\u00e1 teve contato com outro coronav\u00edrus no passado, \u00e9 grande a possibilidade de as c\u00e9lulas T terem criado uma mem\u00f3ria \u2013 e isso seria &#8220;\u00fatil&#8221; caso ele fosse infectado agora pelo Sars-CoV-2.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As c\u00e9lulas T fazem parte da<strong>&nbsp;imunidade adaptativa<\/strong>, ou seja, criam mem\u00f3ria de outros corpos estranhos que j\u00e1 teve contato no passado e, assim, saber\u00e1 como combat\u00ea-lo em um pr\u00f3ximo momento.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Vamos dar um exemplo com o Influenza, que \u00e9 superconhecido. Todo ano, a gente tem que tomar vacina de Influenza, porque o v\u00edrus muta. Mas quem toma em um ano e n\u00e3o toma no seguinte tem uma prote\u00e7\u00e3o parcial. Por que? Porque os v\u00edrus s\u00e3o parecidos, e voc\u00ea faz uma resposta imune espec\u00edfica reconhecendo peda\u00e7os, e esses peda\u00e7os \u00e9 que s\u00e3o similares&#8221;, explica diz Adriana Bonomo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A\u00ed, voc\u00ea se infectou com o primeiro, nunca viu o segundo. Mas, se voc\u00ea se infectar com o segundo, voc\u00ea pode responder melhor a esse segundo, porque voc\u00ea j\u00e1 viu um peda\u00e7o dele que era igual ao primeiro. Como se voc\u00ea fosse vacinado. Os dois v\u00edrus s\u00e3o bastante parecidos (Sars 1 e 2). Agora, o que se mostrou foi que tem resposta imune T, de c\u00e9lula T, mas n\u00e3o se mostrou se eles est\u00e3o protegidos ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/08O1hBVXebWTptL9zCLTfykhWHA=\/0x0:624x351\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/g\/E\/WWjouASH2gbnheZpzrlw\/112250271-gettyimages-1214359493getty-via-bbc.jpg\" alt=\"O Sars-Cov-2 utiliza prote\u00ednas em forma de espinho para aderir \u00e0s c\u00e9lulas humanas que ataca \u2014 Foto: GETTY via BBC\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Sars-Cov-2 utiliza prote\u00ednas em forma de espinho para aderir \u00e0s c\u00e9lulas humanas que ataca \u2014 Foto: GETTY via BBC<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Medicamentos e vacinas<\/h2>\n\n\n\n<p>No Reino Unido, um grupo de pesquisadores est\u00e1 testando a interleucina 7, um medicamento conhecido por aumentar a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas T no corpo. A tentativa servir\u00e1 para observar se as c\u00e9lulas podem ajudar, realmente, na recupera\u00e7\u00e3o dos pacientes contaminados com a Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem v\u00e1rias estrat\u00e9gias, vi alguns outros intermedi\u00e1rios de resposta imune sendo testados, mas acho que a interleucina 7 seja um bom candidato. O teste de medicamento tem uma teoria linda, mas pode n\u00e3o funcionar, ent\u00e3o sempre fico com um passo atr\u00e1s. A interleucina \u00e9 boa, ent\u00e3o vamos testar, n\u00e3o vamos sair distribuindo por a\u00ed como fizeram com outros medicamentos&#8221;, diz Natalia Pasternak.<\/p>\n\n\n\n<p>As mais diversas vacinas produzidas pelo mundo tamb\u00e9m voltaram as suas aten\u00e7\u00f5es para as c\u00e9lulas T na busca de uma resposta imunol\u00f3gica para esta c\u00e9lula que pode dar grande aux\u00edlio no combate \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, por exemplo, a vacina executada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e pelo Laborat\u00f3rio de Imunologia do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) n\u00e3o deixou de lado as c\u00e9lulas T. Elas j\u00e1 est\u00e3o sendo testadas em camundongos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos fazendo composi\u00e7\u00f5es diferentes. Quando formulamos uma vacina, a gente formula para desenvolver anticorpo, para dar resposta. Nessa mesma vacina, a gente formula outra mantendo essa mesma composi\u00e7\u00e3o, mas colocamos um componente a mais. Esse componente a mais pode estimular a c\u00e9lula T, porque h\u00e1 um ligante ali dentro que faz com que as c\u00e9lulas T reconhe\u00e7am como algo diferente&#8221;, explica Gustavo Cabral, imunologista pela USP e p\u00f3s-doutor pela Universidade Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, a vacina da Inovio, chamada de INO-4800, teve resultados preliminares positivo e tem em sua composi\u00e7\u00e3o estimulantes para aumentar a a\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas T.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos recentes sobre a&nbsp;Covid-19&nbsp;mostram que&nbsp;a doen\u00e7a tem uma peculiaridade&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o a muitas outras j\u00e1 conhecidas. 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