{"id":179652,"date":"2020-07-20T10:59:58","date_gmt":"2020-07-20T13:59:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=179652"},"modified":"2020-07-20T10:59:58","modified_gmt":"2020-07-20T13:59:58","slug":"pandemia-falta-de-dinheiro-segura-brasileiro-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/07\/20\/pandemia-falta-de-dinheiro-segura-brasileiro-em-casa\/","title":{"rendered":"Pandemia: falta de dinheiro segura brasileiro em casa"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>A reabertura do com\u00e9rcio nas \u00faltimas semanas mostrou que, independentemente das medidas restritivas, o impacto econ\u00f4mico j\u00e1 est\u00e1 dado: mesmo com as lojas abertas, o consumidor est\u00e1 relutante em sair de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o com o movimento observado em lojas, bares e restaurantes levou a uma revis\u00e3o das expectativas. Na avalia\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es de empresas, existe, sim, um temor do v\u00edrus entre a clientela, mas que o que est\u00e1 pesando para o consumidor \u00e9 principalmente a falta de dinheiro e a inseguran\u00e7a com sua renda no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do IBGE divulgados na sexta (17) mostram que a taxa de desemprego acelerou no fim de junho, com o fechamento de mais 1,5 milh\u00e3o de vagas de trabalho no fim do m\u00eas. Entre as empresas, 522 mil suspenderam suas atividades ou fecharam.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Percival Maricato, presidente da associa\u00e7\u00e3o de bares e restaurantes de S\u00e3o Paulo, a ocupa\u00e7\u00e3o desde a reabertura ficou em m\u00e9dia 20% do que era antes e limitada sobretudo a espa\u00e7os abertos, avarandados, como alguns bares na Vila Madalena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO consumidor est\u00e1 fragilizado economicamente e temeroso do risco de contamina\u00e7\u00e3o. O clima nos restaurantes hoje n\u00e3o \u00e9 convidativo, ainda est\u00e1 parecendo mais um hospital. Enquanto perdurar essa situa\u00e7\u00e3o, teremos dificul- dade de atrair o p\u00fablico\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio tem se repetido inclusive em pa\u00edses que adotaram quarentenas muito mais frouxas. \u201cA Su\u00e9cia n\u00e3o imp\u00f4s nenhum tipo de limita\u00e7\u00e3o e mesmo assim teve 30% de redu\u00e7\u00e3o de consumo durante os per\u00edodos mais intensos da pandemia. Isso ocorre porque as pessoas se sentiram desestimuladas a ir \u00e0s compras por uma quest\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o individual\u201d, afirma Luciana Batista, s\u00f3cia da consultoria Bain &amp; Company no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o a vacina contra a Covid-19 \u00e9 tida por empres\u00e1rios e especialistas como o divisor de \u00e1guas para uma recupera\u00e7\u00e3o do movimento, o que, estimam, deve acontecer somente no ano que vem. Enquanto isso, a crise econ\u00f4mica vai continuar agravando a situa\u00e7\u00e3o de empresas e fam\u00edlias, deteriorando tanto oferta quanto demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo da Bain &amp; Company de 9 de julho aponta que 66% dos entrevistados no Brasil perderam renda durante a pandemia, sendo que 32% reportam um encolhimento significativo do or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>As expectativas de perda de renda s\u00e3o maiores entre os mais pobres (renda familiar mensal de at\u00e9 R$ 2.078). Entre esses, 35% esperam uma redu\u00e7\u00e3o expressiva, percentual que cai para 22% entre as fam\u00edlias de renda m\u00e9dia (de R$ 2.079 a R$ 10.390) e 9% para as de renda elevada (acima de R$ 10.391).<\/p>\n\n\n\n<p>Cen\u00e1rio semelhante \u00e9 retratado em pesquisa encomendada pela CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), segundo a qual 52% dos brasileiros empregados (com ou sem carteira) tiveram perda total ou parcial de renda ou sal\u00e1rio durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o levou a um freio nas despesas: 7 em cada 10 brasileiros dizem ter cortado gastos durante a quarentena, sendo que 36% afirmam que essa redu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 permanente. O resultado mostra um aumento de sete pontos percentuais em dois meses \u2013em maio, 29% diziam que o corte seria permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a quanto ao fluxo de renda no futuro pesa mais na decis\u00e3o de corte de gastos do que a perda efetiva de recursos (41% ante 29%, respectivamente), segundo a pesquisa. As portas fechadas do com\u00e9rcio ficam em terceiro lugar na lista de motivos para n\u00e3o gastar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabia que o consumidor estaria receoso por uma quest\u00e3o sanit\u00e1ria evidente, e tamb\u00e9m por uma de confian\u00e7a, porque h\u00e1 uma crise econ\u00f4mica em curso\u201d, diz Fabio Pina, assessor econ\u00f4mico da FecomercioSP. A entidade estima uma perda de R$ 53,7 bilh\u00f5es neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice de confian\u00e7a do consumidor, calculado pela FGV, atingiu em abril 58,2 pontos, o n\u00edvel mais baixo em quase 15 anos \u2013todo o per\u00edodo coberto pela s\u00e9rie hist\u00f3rica do indicador. Desde ent\u00e3o, o \u00edndice se recuperou para a casa dos 70 pontos, mesmo patamar observado quando o Brasil vivia a crise do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do economista do Ibre (FGV) Rodolpho Tobler, h\u00e1 incerteza, por um lado, quanto \u00e0 possibilidade de uma segunda onda do v\u00edrus, e, por outro, quanto ao ritmo de recupera\u00e7\u00e3o da economia, sendo que os dois fatores se cruzam. \u201cEstudos indicam que a recupera\u00e7\u00e3o nos lugares onde houve mais mortes t\u00eam ficado abaixo do que em lugares onde houve menos\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados dispon\u00edveis at\u00e9 agora apontam que o consumo na Alemanha e na Fran\u00e7a j\u00e1 se recuperou para n\u00edveis pr\u00f3ximos do patamar pr\u00e9-quarentena. Os dois pa\u00edses registraram at\u00e9 o momento cerca de 9.000 e 30 mil mortes, respectivamente. O Brasil j\u00e1 soma quase o dobro das mortes observadas nos dois pa\u00edses (76.822 at\u00e9 a sexta, mostra cons\u00f3rcio de imprensa).<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade e a perda de renda, Batista classifica o per\u00edodo atual como o da \u201cgrande relut\u00e2ncia\u201d do consumidor. Esse cen\u00e1rio, no entanto, tem efeitos econ\u00f4micos heterog\u00eaneos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem deve sofrer mais s\u00e3o as atividades que envolvem produtos e servi\u00e7os n\u00e3o essenciais, como vestu\u00e1rio e entretenimento. Segundo a pesquisa da CNI, mais de 60% dos brasileiros pretende reduzir a frequ\u00eancia das idas a bares, restaurantes, shoppings e lojas de rua ap\u00f3s o fim da quarentena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca pr\u00e9-pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLogo na reabertura do com\u00e9rcio teve um boom, mas depois as vendas foram p\u00edfias. Oitenta por cento dos nossos lojistas s\u00e3o de vestu\u00e1rio, e o faturamento caiu mais de 60% em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado\u201d, afirma Aldo Macri, diretor do sindicato de lojistas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses produtos sofrem n\u00e3o s\u00f3 por sua caracter\u00edstica sup\u00e9rflua, mas tamb\u00e9m porque est\u00e3o associados a atividades de socializa\u00e7\u00e3o, diz Batista. \u201cVestu\u00e1rio para trabalhar e ir a festas, assim como cosm\u00e9ticos, tamb\u00e9m s\u00e3o impactados porque as ocasi\u00f5es de uso foram reduzidas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os empres\u00e1rios incluem ainda as restri\u00e7\u00f5es para o funcionamento, como limita\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio e proibi\u00e7\u00e3o do uso de provadores, como fatores que desestimulam o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo considerando apenas os produtos essenciais, como alimentos, houve uma mudan\u00e7a no mix de compras do consumidor. \u201cNos supermercados, aumentou muito a venda de produtos b\u00e1sicos, mas caiu a de cosm\u00e9ticos, por exemplo. Ent\u00e3o voc\u00ea tem um aumento do faturamento, mas com uma margem menor\u201d, afirma Pina.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das diferen\u00e7as por ramo, o impacto tamb\u00e9m varia segundo o perfil do neg\u00f3cio. O com\u00e9rcio popular tende a sofrer menos do que os voltados para m\u00e9dia e alta renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque, em per\u00edodos de crise econ\u00f4mica, o consumidor toma suas decis\u00f5es de compra por um crit\u00e9rio de pre\u00e7o. Com menos renda dispon\u00edvel, tanto os mais pobres quanto a classe m\u00e9dia aumentam a fatia de produtos mais baratos, o que coloca um \u00f4nus maior nos neg\u00f3cios de perfil intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Indiretamente, a pr\u00f3pria pandemia impulsiona o com\u00e9rcio popular \u2013especialmente o de bairro\u2013 porque o consumidor evita grandes deslocamentos, preferindo ficar pr\u00f3ximo de casa, diz Pina.<\/p>\n\n\n\n<p>Maricato, da Abrasel, observa efeito semelhante entre bares e restaurantes: os localizados em regi\u00f5es mais centrais, dependentes do fluxo de trabalhadores de escrit\u00f3rio, est\u00e3o sofrendo mais do que os da periferia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto n\u00e3o houver vacina, atravessar a crise vai depender de a\u00e7\u00f5es de apoio direto a consumidores e empresas, diz Tobler, da FGV. Medidas como o aux\u00edlio emergencial ajudaram a amenizar o impacto da crise sobre o consumo, e um debate quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e as formas de encerr\u00e1-la deve ser feito, diz o economista.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado das empresas, \u00e9 necess\u00e1rio fazer o cr\u00e9dito chegar aos pequenos neg\u00f3cios. Macri, do Sindilojas, e Maricato, da Abrasel, tamb\u00e9m afirmam que, na conjuntura atual, a sobreviv\u00eancia dos seus setores depende mais de uma ajuda direta \u00e0s empresas do que est\u00edmulos \u00e0 demanda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reabertura do com\u00e9rcio nas \u00faltimas semanas mostrou que, independentemente das medidas restritivas, o impacto econ\u00f4mico j\u00e1 est\u00e1 dado: mesmo com as lojas abertas, o&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":179653,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-179652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=179652"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":179654,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179652\/revisions\/179654"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=179652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=179652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=179652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}