{"id":180649,"date":"2020-07-27T08:49:58","date_gmt":"2020-07-27T11:49:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=180649"},"modified":"2020-07-27T08:49:58","modified_gmt":"2020-07-27T11:49:58","slug":"sandra-bele-afirma-o-proprio-lugar-ao-se-voltar-para-a-paraiba-natal-no-album-cantos-de-ca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/07\/27\/sandra-bele-afirma-o-proprio-lugar-ao-se-voltar-para-a-paraiba-natal-no-album-cantos-de-ca\/","title":{"rendered":"Sandra Bel\u00ea afirma o pr\u00f3prio lugar ao se voltar para a Para\u00edba natal no \u00e1lbum &#8216;Cantos de c\u00e1&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>\u266a\u00a0<em>\u201cCanto e afirmo meu lugar \/ Em todo lugar sou eu \/ Vou seguindo e cumprindo \/ A miss\u00e3o que Deus me deu\u201d<\/em>. Ouvidos na voz de Sandra Bel\u00ea, na interpreta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>a capella<\/em>\u00a0da m\u00fasica que abre o quinto \u00e1lbum da artista paraibana, os versos de\u00a0<em>Para agradecer<\/em>\u00a0(Regina Limeira) s\u00e3o a senha para o entendimento do ainda in\u00e9dito disco\u00a0<em>Cantos de c\u00e1<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s temporada em S\u00e3o Paulo (SP), Sandra Bel\u00ea retorna literal e musicalmente para o estado natal, se voltando para os sons e compositores da Para\u00edba em \u00e1lbum que ser\u00e1 lan\u00e7ado em agosto por vias independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sandra Bel\u00ea \u00e9 o nome art\u00edstico de Elisandra Romeira da Silva, cantora e compositora nascida h\u00e1 40 anos no cariri paraibano, mais precisamente na interiorana cidade de Zabel\u00ea (PB), onde veio ao mundo em mar\u00e7o de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Como observa Chico C\u00e9sar \u2013 talento paraibano gerado em Catol\u00e9 do Rocha (PB) \u2013 no texto em que apresenta o \u00e1lbum\u00a0<em>Cantos de c\u00e1<\/em>, Sandra Bel\u00ea traz a cidade natal de Zabel\u00ea entranhada no nome art\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 com essa viv\u00eancia paraibana que a cantora d\u00e1 voz no disco a m\u00fasicas como\u00a0<em>Mugido do tempo\u00a0<\/em>(Junior Cordeiro) \u2013 um\u00a0<em>\u201cgemido aboiador<\/em>\u201d, como bem caracteriza verso dessa composi\u00e7\u00e3o gravada com alfaia, reco-reco e caxixis percutidos por Escurinho em fonograma j\u00e1 previamente apresentado em\u00a0<em>single<\/em>\u00a0editado em mar\u00e7o \u2013 e\u00a0<em>On\u00e7a caetana<\/em>\u00a0(Gl\u00f3ria Gadelha e Afonso Gadelha, 1983), cujo rugido foi ouvido pela primeira vez em disco na voz arretada da cantora Marin\u00eas (1935 \u2013 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia das 13 m\u00fasicas do \u00e1lbum\u00a0<em>Cantos de c\u00e1<\/em>, o coco\u00a0<em>Terabeat<\/em>\u00a0(Tiago Moura) evidencia o tom contempor\u00e2neo \u2013 mas jamais modernoso \u2013 do disco em faixa gravada com a voz r\u00fastica de V\u00f4 Mera e com arranjo que harmoniza o pife de Renato Oliveira com a guitarra de L\u00e9o Meira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/o1KSvNjRwCAM7ol7QU5vROnLUF8=\/0x0:2000x1333\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/4\/m\/z3rpmKQC6Ao0RVAx6Ung\/sandrabele.foto-asleyravel.jpg\" alt=\"Sandra Bel\u00ea canta a aridez existencial em 'Escombros', uma das 13 m\u00fasicas do \u00e1lbum 'Cantos de c\u00e1' \u2014 Foto: Asley Ravel \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sandra Bel\u00ea canta a aridez existencial em &#8216;Escombros&#8217;, uma das 13 m\u00fasicas do \u00e1lbum &#8216;Cantos de c\u00e1&#8217; \u2014 Foto: Asley Ravel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que acuse em verso de&nbsp;<strong><em>Terabeat<\/em><\/strong>&nbsp;<em>\u201ca lonjura das capitais\u201d,<\/em>&nbsp;<strong><em>Cantos de c\u00e1<\/em><\/strong>&nbsp;n\u00e3o deve ser percebido como \u00e1lbum \u201cregionalista\u201d porque tal entendimento avalizaria o etnocentrismo carioca e paulista no mapa musical do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A incandescente pulsa\u00e7\u00e3o do registro de&nbsp;<strong><em>Mangar\u00e1&nbsp;<\/em><\/strong>(Jonathas Pereira Falc\u00e3o) situa o \u00e1lbum de Sandra Bel\u00ea em zona de modernidade no frenesi do arranjo que integra piano, sanfona, guitarra, zabumba e baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cad\u00eancia que conjuga c\u00e9lulas r\u00edtmicas de bai\u00e3o, samba e xote,&nbsp;<strong><em>Lado de c\u00e1 da janela<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 outra m\u00fasica de Jonathas Pereira Falc\u00e3o, compositor paraibano que vem emergindo na cena musical brasileira \u2013 deixa vislumbrar paisagem natural povoada por bichos e poesia contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Introduzida pela aridez do toque do baixo ac\u00fastico de Rainere Travassos,&nbsp;<strong><em>Escombros<\/em><\/strong>&nbsp;(Melchior Sezefredo e Roberto Caj\u00e1) desenha cen\u00e1rio marcado pela secura existencial.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cMande as flores para mim\u201d<\/em>, pede Bel\u00ea na l\u00edrica po\u00e9tica de&nbsp;<strong><em>Cad\u00ea as flores?<\/em><\/strong>, parceria de Chico C\u00e9sar com Escurinho que retrata um Nordeste embelezado com&nbsp;<em>jardins<\/em>&nbsp;liter\u00e1rios \u2013 o que justifica a participa\u00e7\u00e3o da escritora Maria Val\u00e9ria Rezende, declamando breve texto na faixa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u00c0 deriva<\/em><\/strong>, composi\u00e7\u00e3o de Pedro Medeiros, rep\u00f5e o \u00e1lbum&nbsp;<strong><em>Cantos de c\u00e1<\/em><\/strong>&nbsp;em solo abrasado, mas, na sequ\u00eancia, Sandra Bel\u00ea distribui os versos de&nbsp;<strong><em>Poema ao sol<\/em><\/strong>&nbsp;(Chico Lino Filho e Adeildo Vieira) em temperatura adequadamente amena, ao som solit\u00e1rio do viol\u00e3o de Cledinaldo J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro \u00e1lbum da artista desde&nbsp;<strong><em>Encarnado azul<\/em><\/strong>&nbsp;(2011), lan\u00e7ado h\u00e1 nove anos,&nbsp;<strong><em>Cantos de c\u00e1<\/em><\/strong>&nbsp;se equilibra bem entre faixas mais l\u00edricas e temas mais ardentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mosaico, a can\u00e7\u00e3o&nbsp;<strong><em>Relic\u00e1rio<\/em><\/strong>&nbsp;reitera a inspira\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica e po\u00e9tica de Flavia Wenceslau, compositora que, embora radicada na Bahia, nasceu na Para\u00edba e vem se destacando com m\u00fasicas que geralmente versam sobre o caminhar do Homem na estrada da vida \u2013 caso de&nbsp;<strong><em>Relic\u00e1rio<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00edmbolo da festiva alegria nordestina,&nbsp;<strong><em>Brincadeira<\/em><\/strong>&nbsp;(Chico Limeira) acende a fogueira e levanta o barro do ch\u00e3o em bai\u00e3o junino. No fim do disco, Sandra Bel\u00ea volta ao come\u00e7o de&nbsp;<strong><em>Cantos de c\u00e1<\/em><\/strong>&nbsp;e reprisa os versos da can\u00e7\u00e3o&nbsp;<strong><em>Para agradecer<\/em><\/strong>&nbsp;(Regina Limeira), desta vez com acordeom, viola e percuss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na reprise que arremata o \u00e1lbum,\u00a0<strong><em>Para agradecer<\/em><\/strong>\u00a0soa como rever\u00eancia da cantora aos artistas da regi\u00e3o que desbravaram caminhos na Para\u00edba para que Sandra Bel\u00ea possa, em 2020, afirmar o pr\u00f3prio lugar nobre nessa cena impregnada de vasta riqueza musical.<\/p>\n\n\n\n<p>COM G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u266a\u00a0\u201cCanto e afirmo meu lugar \/ Em todo lugar sou eu \/ Vou seguindo e cumprindo \/ A miss\u00e3o que Deus me deu\u201d. 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