{"id":180901,"date":"2020-07-28T10:58:53","date_gmt":"2020-07-28T13:58:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=180901"},"modified":"2020-07-28T10:58:53","modified_gmt":"2020-07-28T13:58:53","slug":"mutacao-pode-ter-tornado-o-novo-coronavirus-mais-vulneravel-as-vacinas-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/07\/28\/mutacao-pode-ter-tornado-o-novo-coronavirus-mais-vulneravel-as-vacinas-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Muta\u00e7\u00e3o pode ter tornado o novo coronav\u00edrus mais vulner\u00e1vel \u00e0s vacinas, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que tornou o novo\u00a0coronav\u00edrus\u00a0mais infeccioso tamb\u00e9m pode fazer que ele se torne mais vulner\u00e1vel \u00e0s vacinas, aponta trabalho de pesquisadores norte-americanos. O grupo liderado pelo cientista Drew Weissman, da Universidade de Pensilv\u00e2nia, apontou em um estudo publicado na sexta-feira (24) que a chave deste processo est\u00e1 na muta\u00e7\u00e3o nomeada D614G.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica aumentou o n\u00famero de espinhos, ou &#8220;spikes&#8221; do coronav\u00edrus Sars-Cov-2. As estruturas s\u00e3o formadas pela prote\u00edna S. Estes espinhos permitem ao v\u00edrus se conectar \u00e0s c\u00e9lulas das mucosas e infect\u00e1-las, para come\u00e7ar a sua duplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas ressaltam, no entanto, que essa muta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 um problema para as ao menos cinco vacinas para o Sars-Cov-2 em est\u00e1gio final de teste. Isso porque \u00e9 justamente para combater este espinho que elas est\u00e3o sendo desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As vacinas s\u00e3o preparadas para induzir a forma\u00e7\u00e3o de anticorpos neutralizantes que atacam a prote\u00edna S. Com mais espinhos, vai haver mais espa\u00e7o para os ant\u00edgenos da vacina atuarem na defesa e para poder, assim, neutralizar a a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, afirmam os pesquisadores em um artigo que ainda n\u00e3o foi revisado por pares (pr\u00e9-print) e que foi publicado na plataforma\u00a0MedRXiv.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia: &#8216;falso v\u00edrus&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entender como uma poss\u00edvel vacina responderia a esta muta\u00e7\u00e3o, os cientistas usaram ratos, macacos e humanos. Primeiro aplicaram em alguns dos indiv\u00edduos um soro com anticorpos. Depois, colocaram no corpo deles um v\u00edrus modificado para conter apenas a prote\u00edna S do Sars-Cov-2, o que n\u00e3o exp\u00f4s nem as cobaias nem os volunt\u00e1rios a riscos da Covid.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles perceberam que, nos indiv\u00edduos que receberam o soro, a muta\u00e7\u00e3o D614G teve mais dificuldade de acoplar o v\u00edrus na c\u00e9lula que seria invadida. Isso indica, segundo o estudo, que a linhagem do novo coronav\u00edrus que se tornou dominante deve ser mais suscet\u00edvel a bloqueio dos anticorpos induzido pelas vacinas atualmente em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vacina de Oxford<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das candidatas a imuniza\u00e7\u00e3o da Covid, a vacina que est\u00e1 sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford usa a chamada tecnologia vetor-adenov\u00edrus, que, como o nome sugere, usa um adenov\u00edrus como vetor para levar o coronav\u00edrus modificado para dentro de uma c\u00e9lula humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse adenov\u00edrus \u00e9 geneticamente modificado para impedir sua replica\u00e7\u00e3o e, assim, que ele infecte uma c\u00e9lula humana. Adenov\u00edrus costumam causar resfriados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No lugar dos genes removidos \u00e9 inserida uma sequ\u00eancia de DNA com o c\u00f3digo da prote\u00edna S do coronav\u00edrus Sars-Cov-2. Essa sequ\u00eancia faz o corpo humano entender, equivocadamente, que est\u00e1 infectado, o que gera a resposta imunol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas de Oxford j\u00e1 tinham vetores adenov\u00edrus em estoque. Eles trabalham h\u00e1 anos com essa tecnologia para produzir vacinas. O que tiveram de fazer foi adapt\u00e1-la para o Sars-Cov-2 e adicionar a sua prote\u00edna spike para gerar a resposta imunol\u00f3gica desejada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/a32EoGwnu7vva9n2zMun-AE0loY=\/0x0:1700x1065\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/q\/X\/NAeHMWRmOXpC8c7BG08A\/ap20196580017646.jpg\" alt=\"Volunt\u00e1rio recebe inje\u00e7\u00e3o durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 da empresa Moderna, em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de mar\u00e7o \u2014 Foto: AP Photo\/Ted S. Warren\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Volunt\u00e1rio recebe inje\u00e7\u00e3o durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 da empresa Moderna, em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de mar\u00e7o \u2014 Foto: AP Photo\/Ted S. Warren<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mesma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que tornou o novo\u00a0coronav\u00edrus\u00a0mais infeccioso tamb\u00e9m pode fazer que ele se torne mais vulner\u00e1vel \u00e0s vacinas, aponta trabalho de pesquisadores norte-americanos. O grupo liderado pelo cientista Drew Weissman, da Universidade de Pensilv\u00e2nia, apontou em um estudo publicado na sexta-feira (24) que a chave deste processo est\u00e1 na muta\u00e7\u00e3o nomeada D614G. Esta muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica aumentou o n\u00famero de espinhos, ou &#8220;spikes&#8221; do coronav\u00edrus Sars-Cov-2. As estruturas s\u00e3o formadas pela prote\u00edna S. Estes espinhos permitem ao v\u00edrus se conectar \u00e0s c\u00e9lulas das mucosas e infect\u00e1-las, para come\u00e7ar a sua duplica\u00e7\u00e3o. Os cientistas ressaltam, no entanto, que essa muta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 um problema para as ao menos cinco vacinas para o Sars-Cov-2 em est\u00e1gio final de teste. Isso porque \u00e9 justamente para combater este espinho que elas est\u00e3o sendo desenvolvidas. As vacinas s\u00e3o preparadas para induzir a forma\u00e7\u00e3o de anticorpos neutralizantes que atacam a prote\u00edna S. Com mais espinhos, vai haver mais espa\u00e7o para os ant\u00edgenos da vacina atuarem na defesa e para poder, assim, neutralizar a a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, afirmam os pesquisadores em um artigo que ainda n\u00e3o foi revisado por pares (pr\u00e9-print) e que foi publicado na plataforma\u00a0MedRXiv. Metodologia: &#8216;falso v\u00edrus&#8217; Para entender como uma poss\u00edvel vacina responderia a esta muta\u00e7\u00e3o, os cientistas usaram ratos, macacos e humanos. Primeiro aplicaram em alguns dos indiv\u00edduos um soro com anticorpos. Depois, colocaram no corpo deles um v\u00edrus modificado para conter apenas a prote\u00edna S do Sars-Cov-2, o que n\u00e3o exp\u00f4s nem as cobaias nem os volunt\u00e1rios a riscos da Covid. Eles perceberam que, nos indiv\u00edduos que receberam o soro, a muta\u00e7\u00e3o D614G teve mais dificuldade de acoplar o v\u00edrus na c\u00e9lula que seria invadida. Isso indica, segundo o estudo, que a linhagem do novo coronav\u00edrus que se tornou dominante deve ser mais suscet\u00edvel a bloqueio dos anticorpos induzido pelas vacinas atualmente em desenvolvimento. Vacina de Oxford Uma das candidatas a imuniza\u00e7\u00e3o da Covid, a vacina que est\u00e1 sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford usa a chamada tecnologia vetor-adenov\u00edrus, que, como o nome sugere, usa um adenov\u00edrus como vetor para levar o coronav\u00edrus modificado para dentro de uma c\u00e9lula humana. Esse adenov\u00edrus \u00e9 geneticamente modificado para impedir sua replica\u00e7\u00e3o e, assim, que ele infecte uma c\u00e9lula humana. Adenov\u00edrus costumam causar resfriados. No lugar dos genes removidos \u00e9 inserida uma sequ\u00eancia de DNA com o c\u00f3digo da prote\u00edna S do coronav\u00edrus Sars-Cov-2. Essa sequ\u00eancia faz o corpo humano entender, equivocadamente, que est\u00e1 infectado, o que gera a resposta imunol\u00f3gica. Os cientistas de Oxford j\u00e1 tinham vetores adenov\u00edrus em estoque. Eles trabalham h\u00e1 anos com essa tecnologia para produzir vacinas. O que tiveram de fazer foi adapt\u00e1-la para o Sars-Cov-2 e adicionar a sua prote\u00edna spike para gerar a resposta imunol\u00f3gica desejada. Volunt\u00e1rio recebe inje\u00e7\u00e3o durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 da empresa Moderna, em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de mar\u00e7o \u2014 Foto: AP Photo\/Ted S. 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