{"id":181889,"date":"2020-08-04T08:00:42","date_gmt":"2020-08-04T11:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=181889"},"modified":"2020-08-04T08:00:42","modified_gmt":"2020-08-04T11:00:42","slug":"pesquisadores-da-ufcg-desenvolvem-mascara-cirurgica-que-retem-e-mata-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/08\/04\/pesquisadores-da-ufcg-desenvolvem-mascara-cirurgica-que-retem-e-mata-coronavirus\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da UFCG desenvolvem m\u00e1scara cir\u00fargica que ret\u00e9m e mata coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (Certbio), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), est\u00e3o desenvolvendo uma m\u00e1scara cir\u00fargica biodegrad\u00e1vel, com material capaz de reter o v\u00edrus da covid-19 (SARS-CoV-2) e mat\u00e1-lo. Apesar de ser descart\u00e1vel, a m\u00e1scara tem durabilidade de at\u00e9 24 horas seguidas de uso. O projeto j\u00e1 est\u00e1 com os resultados prontos e dever\u00e1 ser homologa\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma m\u00e1scara cir\u00fargica especial que atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de um elemento chamado quitosana que impede&nbsp;totalmente a contamina\u00e7\u00e3o,&nbsp;atrav\u00e9s do v\u00edrus, e ainda promove o exterm\u00ednio desse elemento. Esse projeto foi escolhido entre os 18 outros projetos selecionados no edital da Funda\u00e7\u00e3o de Apoio a Pesquisa na Para\u00edba. Esse est\u00e1&nbsp;com resultado final. A etapa seguinte \u00e9 feita com homologa\u00e7\u00e3o e iniciar o processo de produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 que existe empresas interessadas. \u00c9 importante falar que esse elemento n\u00e3o trata, mas impede o bloqueio f\u00edsico do coronav\u00edrus. Essa subst\u00e2ncia quitosama \u00e9 um refor\u00e7o qu\u00edmico para as mascaras convencionais&#8221;, afirmou o Jo\u00e3o Azev\u00eado, durante o Fala Governador desta segunda-feira (03), na R\u00e1dio Tabajara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto \u201cProte\u00e7\u00e3o no Combate \u00e0 Covid-19: Inova\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de M\u00e1scara Cir\u00fargica\u201d foi uma iniciativa emergencial do Governo do Estado da Para\u00edba, atrav\u00e9s da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o e da Ci\u00eancia e Tecnologia, com o objetivo de apoiar a pesquisa cient\u00edfica e encontrar solu\u00e7\u00f5es para o problema. Os recursos totais para os projetos s\u00e3o exclusivamente do governo estadual e ganharam um aporte da Assembleia Legislativa da Para\u00edba. Somam R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na experi\u00eancia desenvolvida no Certbio foi aplicado um elemento chamado quitosana no material da m\u00e1scara, um biomaterial que atua como bactericida, fungicida e agora os pesquisadores comprovaram que \u00e9 um virucida. O custo final desse elemento em cada unidade n\u00e3o passa de R$ 0,10. Est\u00e1 escrito corretamente: dez centavos.<\/p>\n\n\n\n<p>A quitosana \u00e9 obtida de exoesqueletos (esqueleto externo) de crust\u00e1ceos, insetos ou fungos. A mat\u00e9ria prima usada pelo Certbio \u00e9 o camar\u00e3o, facilmente encontrado na costa nordestina; al\u00e9m disso, a Para\u00edba tem a maior usina de beneficiamento de camar\u00e3o do Nordeste. \u00c9 um elemento com potencial para o desenvolvimento econ\u00f4mico da a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros materiais comumente usados em m\u00e1scaras cir\u00fargicas, a quitosana \u00e9 biodegrad\u00e1vel. \u201cAo inv\u00e9s de \u2018brigarmos\u2019 com a natureza, estamos nos aliando \u00e0 ela e oferecendo defesa \u00e0 sociedade a partir da pr\u00f3pria natureza\u201d, afirma o coordenador da pesquisa, professor Dr. Marcus Vin\u00edcius Lia Fook.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos \u00faltimos 4 meses n\u00f3s produzimos mais quitosana aqui no laborat\u00f3rio do que em dez anos! O ambiente ficou imunizado. Como somos da \u00e1rea da sa\u00fade, a equipe desse projeto, com sete integrantes, trabalha no laborat\u00f3rio nesses quatro meses de isolamento social sem que nenhum de n\u00f3s tenha sido infectado at\u00e9 o momento. N\u00f3s somos o exemplo do que estamos dizendo: a quitosana tem propriedade virucida\u201d, garante Marcus Vin\u00edcius.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista deixa claro que a quitosana n\u00e3o trata a covid-19. Ela auxilia porque n\u00e3o permite que o v\u00edrus passe por ela. \u00c9 um bloqueio qu\u00edmico. A m\u00e1scara, por si s\u00f3, \u00e9 um bloqueio f\u00edsico. Com a quitosana, ganha um refor\u00e7o qu\u00edmico.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a quitosana, o v\u00edrus bate na barreira f\u00edsica e retorna vivo para o ambiente. Se ele encontrar onde se fixar e tiver condi\u00e7\u00f5es de sobreviver ali, poder\u00e1 infectar algu\u00e9m desavisado. Com a quitosana \u00e9 diferente. Se o v\u00edrus passar perto da quitosana ele ser\u00e1 atra\u00eddo a ela e n\u00e3o encontrar\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de sobreviver. Morre. \u00c9 exterminado. Em resumo: a quitosana tem a capacidade de capturar o v\u00edrus e n\u00e3o d\u00e1 a ele ambiente prop\u00edcio para permanecer ativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico ambiente de beneficiamento de casca de camar\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de quitosana \u201cgrau m\u00e9dico\u201d &#8211; que tem uso m\u00e9dico, com condi\u00e7\u00f5es de pureza e controle de fabrica\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 em Campina Grande, no Certbio. E a maior planta para produzir quitosana sem ser grau m\u00e9dico \u00e9 no Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das m\u00e1scaras, o Certbio desenvolveu tamb\u00e9m uma quitosana em gel que, diferente do \u00e1lcool em gel, tamb\u00e9m \u00e9 virucida. Higieniza as m\u00e3os com uma a\u00e7\u00e3o mais prolongada sem os aspectos negativos do \u00e1lcool em gel, que resseca as m\u00e3os. Pelo contr\u00e1rio, ele n\u00e3o s\u00f3 protege como rejuvenesce as m\u00e3os. Do ponto de vista da pesquisa, o produto est\u00e1 pronto e em breve dever\u00e1 ser distribu\u00eddo para os hospitais da Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 acesso a essa tecnologia indiretamente. Segundo Marcus Vin\u00edcius, uma empresa da Para\u00edba est\u00e1 interessada em aplicar essa tecnologia em leitos hospitalares, nas roupas de cama, nos utens\u00edlios e aparelhos, o que dar\u00e1 uma prote\u00e7\u00e3o adicional. Da mesma forma, a empresa est\u00e1 interessada na produ\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras para distribui\u00e7\u00e3o hospitalar, n\u00e3o s\u00f3 na Para\u00edba, mas em outros estados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisador diz que pa\u00eds precisa produzir para garantir seguran\u00e7a em sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O coordenador do projeto, Marcus Vin\u00edcius Lia Fook, reflete sobre a pandemia e retoma o hist\u00f3rico dos acontecimentos no Brasil e na Para\u00edba com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dificuldade de aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o para as equipes de sa\u00fade.<br>A maior parte desses equipamentos eram importados da China por v\u00e1rios pa\u00edses; com aumento da demanda houve escassez, os pre\u00e7os aumentaram e muitas m\u00e1scaras estavam fora das especifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse problema ocorreu, inclusive, na Para\u00edba. No in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o da quarentena, em mar\u00e7o, o estado importou m\u00e1scaras para suprir os hospitais; quando o material chegou, os profissionais da sa\u00fade observaram que n\u00e3o era de boa qualidade. Houve uma interfer\u00eancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho da Para\u00edba com recomenda\u00e7\u00e3o ao Governo do Estado para avalia\u00e7\u00e3o dessa compra; dessa forma, as m\u00e1scaras foram recolhidas, enviadas para o Certbio, testadas e avaliadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi necess\u00e1rio a readequa\u00e7\u00e3o de 4.500 m\u00e1scaras que receberam mais camadas de prote\u00e7\u00e3o; um trabalho executado no pr\u00f3prio Certbio. A negocia\u00e7\u00e3o do restante do material foi suspensa. Desde ent\u00e3o, qualquer m\u00e1scara a ser usada na Para\u00edba passa antes por uma avalia\u00e7\u00e3o avalia\u00e7\u00e3o no Certbio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcus Vin\u00edcius, desenvolver tecnologia e produzir no pa\u00eds \u00e9 o que ir\u00e1 garantir seguran\u00e7a em sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o: \u201cO Brasil teve um d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial em 2019 superior a US$ 12 bilh\u00f5es, na \u00e1rea de sa\u00fade. Do ponto de vista econ\u00f4mico, a pol\u00edtica cambial favoreceu esse n\u00famero, com o d\u00f3lar baixo, estava vantajoso comprar no exterior. Mas a pandemia mostrou que sa\u00fade \u00e9 uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica, de seguran\u00e7a nacional, que n\u00e3o pode depender de fornecedores externos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta de 2008, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade criou uma pol\u00edtica exclusiva para incentivar o fortalecimento do complexo industrial da Sa\u00fade no Brasil. O Certbio \u00e9 um desses laborat\u00f3rios, sediado na Para\u00edba, bem como o N\u00facleo de Tecnologias Estrat\u00e9gicas em Sa\u00fade (Nutes\/UEPB), e outros no Pa\u00eds. \u201cAt\u00e9 o momento, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade esteve mais voltado para o setor de f\u00e1rmacos. A partir desse ano de 2020, ter\u00e1 que deslocar a aten\u00e7\u00e3o para a \u00e1rea de materiais de uso em sa\u00fade. \u00c9 tecnologia, transformar a pesquisa em produtos para fortalecer um sistema que \u00e9 exemplar no mundo que \u00e9 o Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u201d, avalia o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laborat\u00f3rio possui Acredita\u00e7\u00e3o do Inmetro&nbsp;para testes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre estudantes da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mestrandos, doutorandos e p\u00f3s-doutorandos, em torno de 40 pesquisadores trabalham no Certbio em projetos acad\u00eamicos (inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e teses de doutorado); j\u00e1 foram qualificados na \u00e1rea de sa\u00fade mais de 55 profissionais &#8211; a maioria m\u00e9dicos que atuam na rede p\u00fablica e privada n\u00e3o s\u00f3 na Para\u00edba como tamb\u00e9m de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. Al\u00e9m disso, h\u00e1 quatro projetos em desenvolvimento com parceiros privados. S\u00e3o pesquisas na parte de tecido duro para osso, cimento \u00f3sseo e enchimento \u00f3sseo, que colocar\u00e3o a Para\u00edba em uma posi\u00e7\u00e3o de destaque na \u00e1rea tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pol\u00edmeros &#8211; no caso, a quitosana &#8211; o Certbio tem desenvolvido membranas de quitosana usadas no Hospital Universit\u00e1rio Alcides Carneiro, em Campina Grande para o tratamento de \u00falcera diab\u00e9tica, auxiliando na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas em diab\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O laborat\u00f3rio \u00e9 um dos tr\u00eas no Brasil com a Acredita\u00e7\u00e3o do Inmetro para a realiza\u00e7\u00e3o de testes em pr\u00f3teses mam\u00e1rias, \u00e9 um reconhecimento em \u00e2mbito internacional em efici\u00eancia das pr\u00e1ticas de ensaio que o Certbio possui.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e1scara cir\u00fargica desenvolvida no Certbio com o incentivo do Governo do Estado da Para\u00edba \u00e9 de n\u00edvel 1, que protege de part\u00edculas. O projeto prev\u00ea a produ\u00e7\u00e3o de 10 mil m\u00e1scaras e distribui\u00e7\u00e3o nos hospitais da Para\u00edba. Outra classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a de n\u00edvel dois, que protege de got\u00edculas, tamb\u00e9m em desenvolvimento no Certbio, em parceria com a Universidade de Bras\u00edlia. A m\u00e1scara de n\u00edvel 3 oferece prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica, em casos de fazer Raio-X, ou outros exames. Este \u00e9 um projeto futuro, na lista do laborat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (Certbio), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), est\u00e3o desenvolvendo uma m\u00e1scara cir\u00fargica&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":181890,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50,2],"tags":[],"class_list":["post-181889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181889"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":181891,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181889\/revisions\/181891"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}