{"id":184895,"date":"2020-08-21T16:25:47","date_gmt":"2020-08-21T19:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=184895"},"modified":"2020-08-21T16:25:47","modified_gmt":"2020-08-21T19:25:47","slug":"mesmo-com-quarentena-brasil-tem-alta-de-6-no-numero-de-assassinatos-no-1o-semestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2020\/08\/21\/mesmo-com-quarentena-brasil-tem-alta-de-6-no-numero-de-assassinatos-no-1o-semestre\/","title":{"rendered":"Mesmo com quarentena, Brasil tem alta de 6% no n\u00famero de assassinatos no 1\u00ba semestre"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil teve uma alta de 6% nos assassinatos no primeiro semestre deste ano em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. \u00c9 o que mostra o \u00edndice nacional de homic\u00eddios criado pelo&nbsp;<strong>G1<\/strong>, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seis meses, foram registradas 22.680 mortes violentas, contra 21.357 no mesmo per\u00edodo do ano passado. Ou seja, 1.323 mortes a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento de mortes acontece mesmo durante a pandemia do novo coronav\u00edrus, que fez com que estados adotassem diversas medidas de isolamento social. Ou seja,&nbsp;houve alta na viol\u00eancia mesmo com menos pessoas nas ruas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/_fk0qbjztQs2KmnnD9n3XR6fmFs=\/0x0:650x624\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/2\/X\/HjQf6fQrKL01lf9Elnkw\/mortes-mes-a-mes-2019x2020-jun-1-.png\" alt=\"Veja a compara\u00e7\u00e3o no n\u00famero de assassinatos em todo o Brasil, m\u00eas a m\u00eas \u2014 Foto: Juliane Souza\/Arte\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja a compara\u00e7\u00e3o no n\u00famero de assassinatos em todo o Brasil, m\u00eas a m\u00eas \u2014 Foto: Juliane Souza\/Artehttps:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a alta de mortes neste ano interrompe uma tend\u00eancia de queda no pa\u00eds nos \u00faltimos anos. Tanto 2018 quanto 2019 tiveram recorde de baixas nos assassinatos. No ano passado, por exemplo,\u00a0a queda chegou a 19%, e o n\u00famero total de v\u00edtimas foi o menor desde 2007, ano em que o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica passou a coletar os dados.<\/p>\n\n\n\n<p>O Nordeste, que havia puxado a queda dos \u00faltimos anos, foi o respons\u00e1vel por puxar a alta nos seis primeiros meses de 2020. Os assassinatos na regi\u00e3o cresceram 22,4% no semestre. Em outras tr\u00eas regi\u00f5es (Norte, Centro-Oeste e Sudeste), o n\u00famero de crimes violentos foi menor na compara\u00e7\u00e3o com o ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados apontam que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>houve&nbsp;<strong>1.323&nbsp;<\/strong>mortes a mais nos primeiros seis meses de 2020<\/li><li><strong>17<\/strong>&nbsp;estados apresentaram alta de assassinatos no per\u00edodo<\/li><li><strong>5&nbsp;<\/strong>estados tiveram altas superiores a 15%: Alagoas, Esp\u00edrito Santo, Para\u00edba, Maranh\u00e3o e Cear\u00e1<\/li><li>o Cear\u00e1, ali\u00e1s, teve aumento de&nbsp;<strong>102,3%<\/strong>&nbsp;nas mortes do primeiro semestre<\/li><li>a regi\u00e3o Nordeste foi a grande respons\u00e1vel pela alta no pa\u00eds:&nbsp;<strong>22,4%<\/strong>&nbsp;de aumento<\/li><li>em outras&nbsp;<strong>tr\u00eas regi\u00f5es<\/strong>&nbsp;(Norte, Centro-Oeste e Sudeste),&nbsp;<strong>o n\u00famero&nbsp;<\/strong>de mortes<strong>&nbsp;caiu<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O levantamento faz parte do Monitor da Viol\u00eancia, uma parceria do&nbsp;<strong>G1<\/strong>&nbsp;com o N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (NEV-USP) e o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/8CZBc8zNCN818JIkZt8XgD-DPOg=\/0x0:1200x2494\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/q\/3\/HhjPjURLW40aAGI9Y4Sw\/aumento-de-mortes-violentas-jun2020.png\" alt=\"Brasil teve alta de 6% nos assassinatos no 1\u00ba semestre \u2014 Foto: Juliane Souza\/Arte\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Brasil teve alta de 6% nos assassinatos no 1\u00ba semestre \u2014 Foto: Juliane Souza\/Artehttps:\/\/a1f0dc5ad5c75d8babc7886fef71d2d4.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-normal-font-size wp-block-heading\">Pandemia do coronav\u00edrus e isolamento<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de mar\u00e7o foi o per\u00edodo em que a pandemia do coronav\u00edrus ganhou for\u00e7a no Brasil. A primeira morte foi registrada em S\u00e3o Paulo antes da primeira quinzena.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi tamb\u00e9m o m\u00eas em que v\u00e1rios estados come\u00e7aram a aplicar medidas de fechamento de com\u00e9rcio e isolamento social. O\u00a0Rio de Janeiro publicou um decreto\u00a0com as medidas de restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o e funcionamento dos servi\u00e7os em 17 de mar\u00e7o. J\u00e1 S\u00e3o Paulo\u00a0adotou a quarentena a partir de 24 de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/41JRWyDP01mx9icreN8tE01tTO0=\/0x0:3000x2003\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/d\/f\/6snJQxRyyhzklJFByNeQ\/frm20200608185.jpg\" alt=\"Movimenta\u00e7\u00e3o baixa de pessoas nas ruas do centro da cidade de S\u00e3o Paulo no in\u00edcio do m\u00eas de junho. \u2014 Foto: Anderson Lira\/FramePhoto\/Estad\u00e3o Conte\u00fado\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Movimenta\u00e7\u00e3o baixa de pessoas nas ruas do centro da cidade de S\u00e3o Paulo no in\u00edcio do m\u00eas de junho. \u2014 Foto: Anderson Lira\/FramePhoto\/Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em abril, maio e junho, praticamente todo o Brasil conviveu com medidas de isolamento social. Mesmo com a circula\u00e7\u00e3o de pessoas mais restrita, por\u00e9m,\u00a0houve um aumento de 8% no n\u00famero de assassinatos em abril, o que chamou a aten\u00e7\u00e3o. Em maio, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2019,\u00a0o n\u00famero de assassinatos ficou est\u00e1vel\u00a0(-0,2%). J\u00e1 em junho, houve novamente uma alta de 1,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados acompanhados mensalmente pelo Monitor da Viol\u00eancia n\u00e3o incluem as mortes causadas em decorr\u00eancia de confronto policial, ou seja, de pessoas mortas pela pol\u00edcia. Mas \u00edndices divulgados por alguns estados apontam que tamb\u00e9m houve aumento desses casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, 498 pessoas foram mortas por policiais militaresem servi\u00e7o e fora de servi\u00e7o no primeiro semestre deste ano, contra 414 no mesmo per\u00edodo de 2019.\u00a0O aumento chega a mais de 20%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s01.video.glbimg.com\/x240\/8793776.jpg\" alt=\"N\u00famero de mortes violentas no Brasil aumenta no primeiro semestre mesmo com a pandemia\" title=\"N\u00famero de mortes violentas no Brasil aumenta no primeiro semestre mesmo com a pandemia\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00famero de mortes violentas no Brasil aumenta no primeiro semestre mesmo com a pandemia<\/p>\n\n\n\n<p>Para Samira Bueno e Renato S\u00e9rgio de Lima, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, chama a aten\u00e7\u00e3o em todo esse cen\u00e1rio &#8220;o fato de que, enquanto os governos \u2013 federal e estaduais \u2013 t\u00eam tido enorme dificuldade de prevenir ou reduzir a viol\u00eancia em seus territ\u00f3rios, o crime organizado continua sendo o ator fundamental que impulsiona as din\u00e2micas criminais no Brasil, em especial os crimes contra a vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Mesmo diante de programas e pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, o que parece mesmo dar o tom de qualquer mudan\u00e7a nos n\u00fameros da viol\u00eancia letal t\u00eam sido os per\u00edodos de conflito e tr\u00e9gua entre grupos organizados dedicados ao tr\u00e1fico de coca\u00edna e outros il\u00edcitos.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"has-normal-font-size wp-block-heading\">Nordeste em alta<\/h2>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Nordeste capitaneou o aumento de mortes em todo o pa\u00eds. Sozinha, ela teve uma alta de 22,4% nos primeiros seis meses deste ano em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado. Foram 10.488 assassinatos, contra 8.571 em 2019. No total, foram 1.917mortes a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Bruno Paes Manso, do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da USP, &#8220;a intensa varia\u00e7\u00e3o de taxas na regi\u00e3o, mais do que um efeito de pol\u00edticas p\u00fablicas, pode estar relacionada a quest\u00f5es circunstanciais ligadas ao mercado de drogas, cuja concorr\u00eancia muitas vezes \u00e9 disputada \u00e0 bala&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Um dos motivos que refor\u00e7am essa hip\u00f3tese \u00e9 a relativa estabilidade pol\u00edtica na regi\u00e3o, considerando que seis dos sete governadores reeleitos no Brasil est\u00e3o na regi\u00e3o Nordeste. A grande mudan\u00e7a ocorrida nessas \u00e1reas foi a pandemia do coronav\u00edrus, que por causa do isolamento deveria diminuir as ocorr\u00eancias de crime.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estado que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o Cear\u00e1. Assim como o Nordeste, o estado tamb\u00e9m tinha se destacado pela queda de assassinatos no \u00faltimo ano, que chegou a mais de 50%.\u00a0A alta no primeiro semestre de 2020, por\u00e9m, \u00e9 impressionante: 102,3%. Ou seja, o n\u00famero de mortes mais que dobrou; passou de 1.106 no primeiro semestre de 2019 para 2.237 no primeiro semestre de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro, o Cear\u00e1 sofreu um motim da Pol\u00edcia Militar que ocasionou parte consider\u00e1vel desse aumento. Inclusive, o ano de 2020 teve\u00a0o m\u00eas de fevereiro mais violento do estado\u00a0desde pelo menos 2013, com mais de 450 mortes. Desse total, 312 aconteceram durante os 13 dias da greve policial. Houve uma m\u00e9dia de 26 mortes por dia. Antes, a m\u00e9dia era de 8 por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dos crimes ocorridos durante a paralisa\u00e7\u00e3o, a dona de casa Maria de Paula Moura, de 26 anos, foi morta durante uma tentativa de assalto em Fortaleza, em 19 de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e de dois atletas mirins, Maria de Paula voltava do treino de futebol do filho mais velho quando foi abordada e alvejada pelos criminosos. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Tqjn3rTz1NoPb5qdUjKiaoV_VG8=\/0x0:1000x847\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/d\/A\/uHEJwwSLue2BwWDcBLAQ\/whatsapp-image-2020-02-20-at-08.37.49.jpeg\" alt=\"Maria de Paula morreu durante uma tentativa de assalto em Fortaleza em fevereiro, durante o motim de parte da Pol\u00edcia Militar  \u2014 Foto: Arquivo pessoal\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Maria de Paula morreu durante uma tentativa de assalto em Fortaleza em fevereiro, durante o motim de parte da Pol\u00edcia Militar \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com o fim da paralisa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o estado continuou registrando altos \u00edndices de viol\u00eancia nos meses seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses crimes foi o caso do\u00a0subtenente da PM Francisco Augusto da Silva, de 46 anos, que foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto em Fortaleza, em junho. Ele estava saindo de casa para trabalhar quando foi abordado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/YtdxLRAr602T08shh5ZfFvQUwRI=\/0x0:1079x1085\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/j\/g\/iBaykGT9a7OSihfZiAkQ\/policial.jpg\" alt=\"O subtenente da PM Francisco Augusto da Silva foi morto em uma tentativa de assalto em Fortaleza, em junho \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o SVM\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O subtenente da PM Francisco Augusto da Silva foi morto em uma tentativa de assalto em Fortaleza, em junho \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o SVM<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) Luiz F\u00e1bio Silva Paiva, a greve foi um fato circunstancial. &#8220;Obviamente que os grupos armados que estavam envolvidos em acerto de contas e disputa pelo tr\u00e1fico encontraram uma \u00f3tima oportunidade para intensificar determinadas a\u00e7\u00f5es. Mas a greve n\u00e3o \u00e9 determinante. Em janeiro [antes da greve], a gente j\u00e1 tinha uma situa\u00e7\u00e3o grave. Depois, em abril, maio e junho, esses conflitos se intensificaram, com invas\u00f5es de bairros e com ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de grupos inimigos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que a gente observa que elas acontecem independente da a\u00e7\u00e3o policial. At\u00e9 porque a maneira como as nossas pol\u00edcias atuam pouco tem incidido no aumento ou na diminui\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios&#8221;, diz Paiva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A gente fica muito mais \u00e0 merc\u00ea da din\u00e2mica interna dos grupos criminosos. Quando intensificam confronto, tem n\u00famero mais alto, e quando recuam, tem n\u00famero mais baixo&#8221;, diz Luiz Paiva, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em\u00a0entrevista ao\u00a0<strong>G1<\/strong>\u00a0Cear\u00e1, a pesquisadora e soci\u00f3loga Suiany Moraes, do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia (LEV) da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), diz acreditar que 2019, que terminou com redu\u00e7\u00e3o de 50% no n\u00famero de homic\u00eddios em rela\u00e7\u00e3o a 2018, \u201cfoi um ano fora da curva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando chegou 2020, a gente viu que n\u00e3o houve uma consolida\u00e7\u00e3o dessa queda de homic\u00eddios. A gente teve duas coisas que \u00e9 importante observar: a paralisa\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, quando teve um crescimento exponencial de homic\u00eddios. A segunda \u00e9 que estamos vivenciando a pandemia de Covid-19, com o isolamento social, e todos os olhos estavam voltados para isso, enquanto os territ\u00f3rios da periferia estavam sendo vividamente disputados\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/s03.video.glbimg.com\/x240\/8364522.jpg\" alt=\"Ap\u00f3s 13 dias, PM do Cear\u00e1 decide terminar o motim\" title=\"Ap\u00f3s 13 dias, PM do Cear\u00e1 decide terminar o motim\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 13 dias, PM do Cear\u00e1 decide terminar o motim<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do estado com a maior alta, identificada como \u00c1rea Integrada de Seguran\u00e7a (AIS) 8, \u00e9, segundo a pesquisadora, uma das \u00e1reas mais afetadas pela guerra entre fac\u00e7\u00f5es criminosas. Ela engloba as \u00e1reas de Barra do Cear\u00e1, Pirambu, Vila Velha e bairros pr\u00f3ximos a Fortaleza, e teve um aumento de quase 260% de um ano para o outro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNa regi\u00e3o da Barra do Cear\u00e1, a disputa \u00e9 rua a rua. Todo dia tem tiroteio. Enquanto a pandemia est\u00e1 em evid\u00eancia, tem uma guerra [sendo] travada&#8221;, diz Suiany Moraes, pesquisadora da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Procurada, a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social do Cear\u00e1 afirma que o m\u00eas de julho foi o menos violento desde janeiro, com 295 crimes, o que \u201cdemonstra que o estado vem reorganizando suas atua\u00e7\u00f5es de m\u00eas a m\u00eas, ap\u00f3s o trabalho das for\u00e7as de seguran\u00e7a ser impactado pelo motim de parte de policiais militares em fevereiro, al\u00e9m da tend\u00eancia nacional de aumento nos crimes contra a vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pasta tamb\u00e9m afirma que as pol\u00edcias Civil e Militar realizaram 8.858 pris\u00f5es e apreens\u00f5es qualificadas em flagrante no estado neste ano, al\u00e9m de terem apreendido 3.385 armas de fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o tamb\u00e9m destaca a expans\u00e3o \u201ciniciada nas \u00faltimas semanas\u201d do Programa de Prote\u00e7\u00e3o Territorial e Gest\u00e3o de Riscos (Proteger), que tem 32 bases em Fortaleza e na regi\u00e3o metropolitana. Segundo a pasta, a previs\u00e3o \u00e9 que mais 12 unidades sejam instaladas at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Proteger trabalha em conjunto com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas para revitalizar e urbanizar os territ\u00f3rios em que as bases s\u00e3o instaladas, al\u00e9m de oferecer projetos sociais com m\u00fasica e esporte para a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-medium-font-size wp-block-heading\">Estados em queda<\/h2>\n\n\n\n<p>A maioria das unidades da federa\u00e7\u00e3o teve alta de mortes violentas no semestre, mas dez estados n\u00e3o seguiram a tend\u00eancia e apresentaram diminui\u00e7\u00e3o dos indicadores. Roraima e Par\u00e1, por exemplo, tiveram queda de mais de 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o os n\u00fameros do Rio de Janeiro. O estado teve uma queda de quase 11% no semestre, com 238 mortes a menos. Foram 1.938 mortes,\u00a0o menor \u00edndice de crimes violentos nos seis primeiros meses de um ano desde 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP) do Rio, os dados apresentaram redu\u00e7\u00e3o de uma forma geral. Apesar disso, a queda dos n\u00fameros sofreu influ\u00eancia das medidas de isolamento social adotadas no RJ contra a pandemia do novo coronav\u00edrus (Sars-Cov-2).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os indicadores podem apresentar queda por causa do distanciamento social, que ajudou na redu\u00e7\u00e3o da criminalidade, e da diminui\u00e7\u00e3o dos registros das ocorr\u00eancias, resultando em subnotifica\u00e7\u00f5es&#8221;, informa o instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no in\u00edcio de junho, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu\u00a0a realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es policiais em comunidades do Rio\u00a0durante a pandemia do novo coronav\u00edrus,\u00a0decis\u00e3o que foi referendada pelo tribunal\u00a0em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>As mortes violentas (homic\u00eddio doloso, les\u00e3o corporal seguida de morte e latroc\u00ednio) tiveram uma queda de mais de 24% em junho, passando de 343 no ano passado para 260 neste ano, segundo dados do ISP.<\/p>\n\n\n\n<p>As mortes por interven\u00e7\u00e3o policial tamb\u00e9m ca\u00edram 77,8%, de 153 para 34 registros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-normal-font-size wp-block-heading\">Como o levantamento \u00e9 feito<\/h2>\n\n\n\n<p>A ferramenta criada pelo&nbsp;<strong>G1<\/strong>&nbsp;permite o acompanhamento dos dados de v\u00edtimas de crimes violentos m\u00eas a m\u00eas no pa\u00eds. Est\u00e3o contabilizadas as v\u00edtimas de homic\u00eddios dolosos (incluindo os feminic\u00eddios), latroc\u00ednios e les\u00f5es corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos comp\u00f5em os chamados crimes violentos letais e intencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornalistas do&nbsp;<strong>G1<\/strong>&nbsp;espalhados pelo pa\u00eds solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, seguindo o padr\u00e3o metodol\u00f3gico utilizado pelo f\u00f3rum no Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um sistema similar ainda na gest\u00e3o do ex-ministro Sergio Moro, em mar\u00e7o do ano passado. Os dados, no entanto, n\u00e3o est\u00e3o atualizados como os da ferramenta do&nbsp;<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados coletados m\u00eas a m\u00eas pelo\u00a0<strong>G1<\/strong>\u00a0n\u00e3o incluem as mortes em decorr\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o policial. Isso porque h\u00e1 uma dificuldade maior em obter esses dados em tempo real e de forma sistem\u00e1tica com os governos estaduais. O balan\u00e7o de 2019 foi realizado dentro do Monitor da Viol\u00eancia, separadamente, e foi publicado em 16 de abril. O de 2020 ainda ser\u00e1 feito.<\/p>\n\n\n\n<p>COM G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil teve uma alta de 6% nos assassinatos no primeiro semestre deste ano em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. \u00c9 o&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184896,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-184895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184895"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":184897,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184895\/revisions\/184897"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}